quinta-feira, dezembro 22, 2005

NATAL EM FEZES

- Êba! Presentes!!!

- Calma Juquinha, você tem que esperar o Papai Leléu chegar...

- Não mamãe, não mamãe!!!

- Juquinha! Obedeça!!!

Porra, era dia 25 de dezembro de um ano lazarento. A galera se masturbava com fúria na sala, uma imunda embriaguez social predominava por toda a rua Almerindo Talavarez. Vovô Pônei, sempre ele, enfiava a mão por dentro da saia de vovó Tcheca, os dedos procuravam sua cavidade anal.

Tio Charles, o preconceituoso, discursava com emoção. Hermelinda, dona pomposa de pérfidos fios ruivos, sorrateiramente roubava o bourbon na adega. Vaca. Inácio, velho filha da puta, não tirava os olhos das pernas roliças da sobrinha Nádia. Nozes . Uma partida de buraco, cachorro Édson peidando relax no sofá, a folia abraça o capeta no natal da família Maionese.

Papai Carlinhos decide começar a ceia.

- Um brinde!! (cambada de parasitas, chupins do caralho...)

Papai Carlinhos, deu duro na fábrica, parcelou o novo livro do Harry Focker pra Juquinha, mas naquele natal todos morreram. Nuclear bomb antes do brinde, tudo virou pasta.

Natal em fezes, o barrão escuro que penetrou com leveza na alma da madruga ocidental

sexta-feira, dezembro 09, 2005

O charme de Vaninha

As cadeiras posicionadas com destreza ao gosto do renomado clube, um local de venda legal de bebidas e petiscos, penteados e tranças, bem próximo à piscina; era esse o espaço exato para uma adequada fruição ilimitada dos prazeres da vida. Mictórios aromatizados. Uma tarde de ereções, sol sem juros, com senhoras de xanas retocadas, pintando de óculos sonhos materiais em Amsterdam.
Disponíveis também muitas pernas agremiadas e suas burguesas batatas , máquinas obedientes preparadas enfim para um pouco de piscina. Bronzeadores então ensaiavam um justo final de semana, na quadra de tênis decentes trajes esportivos adornavam rostos delicados, muito bem encaixados, que espetáculo, sem nenhum indício de perda de juventude. É necessária a apresentação da carteira social na entrada do estabelecimento.

Vânia Lemos Vasconcelos, Vaninha, auto-ajuda, capilares recém tingidos, esticadas bochechas remanufaturadas. Atraía para si olhares nobres dos sócios naquela tarde toda veraneio, desejos refinados aos mares gordos provocava nos bagos de terceiros , enquanto fumava apenas um cigarro, que mais se assemelhava à um enfumaçado pênis dentro da boquinha daquela dama orgulhosa.

- Mais um guaraná diet, coloque tudo na conta dos Vasconcelos ! – a responsável senhora exigia com afinco suas vontades.
- Pois não, mais alguma coisa?
- Leve logo para a mesa doze.

Ao voltar pela fresca madrugada de um extravagante acontecimento social, Vaninha ingere cavalares doses de arsênico genérico. Alegava falta de maquiagens novas, rolas exóticas e maus tratos do então advogado amante.O charme de Vaninha. Para o funesto funeral fidalgo, depilador de pêlos aplicado aos seios e por dentro das frias narinas. Vaninha não defecaria nem mais um dia no estimado vaso grego da mansão. A vida continua. O jornal local amanhecia deprimido, o que não impediu descontraídas séries de bronhas escalafobéticas do atarracado viúvo.

terça-feira, dezembro 06, 2005

A VOZ VERDE. VANESSA VALADÃO.

A voz verde de Vanessa Valadão, como um boogie verde limão cortando o deserto. Borbulhante e refinada, timbre de sobremesa, do almoço acachapante, da sinfonia registrada day by day ao meu córtex. Aquela obscena voz verde , reproduzia violência junto à minha bermuda, as mais demolidoras excitações, como se eu pulasse hoje dentro do céu e permanecesse estático, sexualmente perdido em acordes de hipnose, tomando vento verde sob beijos demoníacos.

Virou operadora de telemarketing, analfabetizou-se dos pés à cabeça ,“a nível de vendas, eu posso estar enviando...”, mais uma puta fracassou, no caixa forte dos investidores magistrados do terceiro mundo sentou. Vanessa, de sobrenome Valadão, assediada por dedos tarados no trampo, mudando a marcha do carango pro patrão, convidada pelo chefinho para um pequenique noturno no horto florestal. Terminou por lá, sem o celular, guardando uma baqueta de bateria agredindo-lhe o peito. Delito, queixa na delega, para a não-surpresa do delegado da quadrilha dos seis salários mínimos.


sexta-feira, dezembro 02, 2005

Insurreição na música gospel

De tempos em tempos sempre pinta um cantor gospel com estilo. Agora a bola da vez parece ser Carlinhos, uma voz e tanto, sem dúvida. O início rumo ao estrelato fora bastante conturbado, barra pesada , muita pedofilia na paróquia, o garotinho ficou quase que definitivamente sem condições psicológicas para prosseguir em sua honrada luta... ninguém aqui desejaria ao Carlinhos um péssimo futuro profissional , não é mesmo? Mas tudo se resolveu, graças à muita “oração”. Olha o preconceito.

No verão de 78, Carlinhos lançou um compacto contendo o hit “ Pegando pra Cristo”. Foi show. Só que o sucesso trouxe alguns probleminhas. Sua esposa caiu em tentação em um dia santo, eram quatro rapazes simultaneamente , todos empuleirados em sua cama, recitando versículos sagrados. Que peninha.

O PEQUENO LARRY

Esguichando, esguichando as plantinhas. Primeiro as margaridas, depois as rosas amarelas! Que bonitinho! A vida do pequeno Larry era toda amalucada mesmo. Um jovenzinho meigo,carinhoso, prestativo e generoso, nem parecia o rato que exterminou com todos os negros daquele cortiço no cu do mundo.

Olhos de guilhotina, voz de comando soturna ameaçando o sono da cidade. Lendo a bíblia em alemão ao filhos com a mesma astúcia com a qual enfiou garfos e garfos inteiros nos olhos de um devedor qualquer. Esguichando, esguichando as plantinhas. Larry é uma criança que precisa de colo . Quer esfolar os amiguinhos do berçário no cimento. Bonachão, uma vez fez inspirado soneto para Janaina. Menino bonito.

Todo domingo jogava futebol de sabão com um grupo da terceira idade. Larry tinha 37 anos, cara de nenê virgem e 77 vidas no cartel. Esguichando, esguichando as plantinhas.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

As irmãs de Tia Betina. (Betina’s Fucking House)

Como descrever um lindo palácio? Fábula? Antes da “época da Internet”?

Lindas paredes engorduradas adornam com o suor do cansaço trabalhista um reduto de livre gozo. Decoração CLASSE A. Logo ao entrar, o acesso à uma vista condecorada, é a digníssima barriga de Bruna Dinamite. Doralice, Janete e Roberta Rola. Desce uma de 600. Duas, três, dez, vinte, trinta e oito. Cinco da manhã. Eu peidei e ninguém percebeu. Havia um telão exibindo um vídeo da Marilena Chauí visitando Las Vegas. Moletom cheirando cigarro.Eu já fui casado com a Betina, mas até o pobre porteiro poderia ter sido. Premonição de ressaca violenta.

Tia Betina, sempre cafetina. O plantel da casa era refinado: além das já citadas, tenho que admitir que as irmãs da Tia Betina é que quebravam tudo. Simone era uma delas. Radialista e defensora dos golfinhos, imprime velocidade impressionante na sua movimentação sacolejante quando o papo é sexo oral. Júlia, rainha dos coquetéis alucinógenos, os clientes retornam garotinhos pianinho para as esposas. Xi, a polícia chegou. Teje preso. Todo mundo em cana, menos o filho do deputado. Tia Betina chora copiosamente...

quarta-feira, novembro 30, 2005

CUSPIDA NO ZÓIO

O KARMA DA BALANÇA TRANSPARENTE

A gordinha séria, toda limpinha, exibe sua nova roupa de “ginástica”. É árdua esta sua batalha.Dez quilos a separam dos rapazes de gola alta.

Desliga a Malhação, é hora de entrar em forma Soninha.

SÓ FALTOU REBOLAR.

Você não precisa ser astrólogo nem tarólogo, muito menos numerólogo. Tente usar a famosa massa cinzenta, perceba comigo amiguinho, será que o índividuo que entra bem devagar na sala “quer se aparecer”? Orgulhoso dono de um andar maroto, louco pra beber água da chuva. Só faltou rebolar.

terça-feira, novembro 29, 2005

A PADARIA DO CAPETA

Jezebel acendeu mais um cigarro antes de ir para o inferno. Tarada, suada, desejada, quase molhada. Dia desses se enrolou com o Maurício, dono de uma rede de padarias italianas.

Vamos tentar de novo.Talvez agora inspirado na pintura deste brilhante comercial de produtos de limpeza.

Jezebel acende mais um cigarro, que chique essa loira tatuada. Um drink , jogo capilar pro céu lunar do ventilador,um sonho de consumo : calça de veludo. Jezebel acende mais um cigarro antes de ir para o inferno. Vai logo filha da puta, acaba com isso.

É muito previsível o final dessa tragédia. Infidelidade seguida de morte na padoca. A mulher de Maurício, gorda noveleira do cabelo borrado, pega Jezebel com a mão na massa, na padoca. Maurício jura inocência. Sua mulher, Eleonora , desconfiava do chifre à muitos cegos carnavais, fazia-se de sonsa pelas noites de jantares sofisticados e conversa neutra.

De supetão aporta a velha corna, surge com ódio nas têmporas dentro da bêbada madrugada, a chave reserva de uma das padocas na mão esbranquiçada, senhora dos anéis, mete pipoco nos dois. Não sobrou tempo pra Jezebel colocar a calcinha listrada, morreu molhada. É a matança na padoca.

A PADARIA DO CAPETA

Jezebel acendeu mais um cigarro antes de ir para o inferno. Tarada, suada, desejada, quase molhada. Dia desses se enrolou com o Maurício, dono de uma rede de padarias italianas.

Vamos tentar de novo.Talvez agora inspirado na pintura deste brilhante comercial de produtos de limpeza.

Jezebel acende mais um cigarro, que chique essa loira tatuada. Um drink , jogo capilar pro céu lunar do ventilador,um sonho de consumo : calça de veludo. Jezebel acende mais um cigarro antes de ir para o inferno. Vai logo filha da puta, acaba com isso.

É muito previsível o final dessa tragédia. Infidelidade seguida de morte na padoca. A mulher de Maurício, gorda noveleira do cabelo borrado, pega Jezebel com a mão na massa, na padoca. Maurício jura inocência. Sua mulher, Eleonora , desconfiava do chifre à muitos cegos carnavais, fazia-se de sonsa pelas noites de jantares sofisticados e conversa neutra.

De supetão aporta a velha corna, surge com ódio nas têmporas dentro da bêbada madrugada, a chave reserva de uma das padocas na mão esbranquiçada, senhora dos anéis, mete pipoco nos dois. Não sobrou tempo pra Jezebel colocar a calcinha listrada, morreu molhada. É a matança na padoca.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Panela Véia

E vai Juliana Seios, linda mulher. Um aroma de tédio, gingado vulgar de fazer caboclo delirar.
Agora é a vez de Jaqueline, desfila sem graça pra rapaziada um X-BARRIGUDÃO DOIS ANDARES. E tome boca gorda suja de mostarda, as moscas sabem rejeitar.

O importante é cada linha ser feliz. Juarez levou um tiro nos cornos. Mereceu.

Juarez, o marido de Juliana, que teve Jaqueline por falta de sorte . Jaqueline, filha legítima de Juarez, que encaçapou Juliana, que dormiu com Juarez em troca de um prato de arroz.
Mas Jaqueline só queria saber era de faturar um X-BARRIGUDÃO DOIS ANDARES, sempre depois do expediente. Juliana Seios, linda mulher. Panela Véia.

Passado o funeral as duas decidem juntar os cacos humilhados e recomeçar do zero. Que triste. Juliana Seios engatou então açucarado romance com um habilidoso entregador de pizzas; passeavam de motoca religiosamente às sextas.

Aqui é que entra a genialidade do escritor: o entregador de pizza decidiu bolinar Jaqueline também. Encrenca. Não obstante, a crocodilagem de Jaqueline terminou em pizza : Juliana Seios transmutou-se rapidamente em uma barulhenta vaca assassina e experimentou seis facadas no pânceps do indivíduo. Panela Véia. O presunto da pizza que não veio tonight.

domingo, novembro 27, 2005

Vozerio do Inferno - A sutileza catastrófica de Mário Mariones

Alex almejava passar em uma universidade pública, isso é fato. Ao longo do ano travou sangrentas batalhas com livros,cadernos, apostilas e exercícios carrancudos; decorou sete bíblias de conhecimento puro. Enfim, encontrava-se confiante e tranquilo para o vestibular da Vunesp.

Apenas não contava com a síndrome do intestino solto. "Ô fiscal, será que dá pra usar o banheiro?"

E agora Alex?

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...