terça-feira, dezembro 26, 2006

Post de number 100


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Eu não levo jeito pra dançar, sou ogro e orgulhoso, ao passo que a JuJuBa é toda frisson. É paixão-celulite, ou remake vivo das 7 Melhores da Pan. Caiu engasgada num pipi, condolências.

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Geladeira do morro cutuca a mortadela que não quer mais o braço peludão de Nordal. Meu natal teve lua de mel em amarelas e Dreher.

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Movimento de resistência alfabetizada agora distribui fácil laxantes excrusivos. Quanta coragem.

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Homem sem pernas e desejos se engalfinha com anã psicodélica no ônibus da meia lupo amanhã.

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quarta-feira, dezembro 13, 2006

Você escreve sobre a égide mantenedora da filial daquele canil de barbitúricos.

Aquele último NÃO foi do caralho.

A virada de bateria salvou sua pele de morrer de um tédio competente.

Os blogs linkam vídeos curiosos...

O poder é pica.

Pela primeira vez tudo não é só o contrário da overdose.

E agora, mais uma dose ou morrer sem o alcatrão?

Pra mim o futebol anda parecido com a vida.

Vamos

A Jacinta mete e fica sem humor,

Carlinhos pinta o cabelo pra médico,

O fogo de uma banda desconhecida incomoda o vazio

Galeria de inocentes premiada com nada,

Uma voz oitavada no meio do teto zero

Agora é você fera,

É tão difícil dar forma ao cu

E prossegue a missão de esclarecer o evento nosso

Calma pra clicar na aventura prodigiosa da ilusão legalzinha

Porra

Cadê o meu câncer de umbigo?

quinta-feira, dezembro 07, 2006


Há um tom quixotesco no semblante de Isidoro. Ávido por descobrir a cura para sua doença, ele busca consolo no ombro de Leonilda, uma afortunada professora de Biologia. De súbito os dois descobrem estarem contaminados e vivos.

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Não apelava para assuntos sofisticados como a contagem da chuva passada.


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Regressou para o interior de botas novas e sufocou a província de cosmopolitismo bárbaro, semiótica pura.

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Varou dois pares, engoliu um parquímetro e foi parar no IML sem joelhos.

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Encerrou uma carreira respeitável como pugilista. Sua mãe e empresária passou-lhe a perna na decisiva luta contra Tônia Carrero.

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Opera nas noites com uma máscara de Satanás. De brotoeja e lantejoulas, aspira, enfim, um bom pó latino.

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Empregada grávida escancara o coração do violonista estrangeiro, vítima de estupro coletivo na avenida gore.

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quinta-feira, novembro 30, 2006

Pronúncia Rouca

Eu era aquele mimado desoxigenado pela alienação-alienatória, digitando textículos com fragrância agressiva com semântica fliperama. Então eu vi a vontade de mijar antes que o sorriso do novo parágrafo acontecesse supérfluo. Qualquer idéia de fumaça seria tomada como axioma pelo garotão-leitor-antenado-refrão-clichê-camisinha.

Então eu pensei: morre a mãe, o cara da a vida vendendo crack, vende dois corres de poste de gasosa e morre nu. A mãe não sabe quem é ele , ouve Concretismo no futuro búlgaro agora mainstream e coloca um ferrolho batizado de Cordeiro 9.

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Restam essas líricas cinzas, e ainda perseguirão na memória os dias de céu destruidor, do céu composto pelo plano que carregou pela madrugada crua todos os sorrisos e decepções, os melancólicos minutos de brigas e seus códigos flagelados...então eu sacarei do bolso mais um pedaço desse papel amassado, escorraçado pela mentira - na calçada colocarei as linhas últimas do que foi essa infâmia terrestre que amei. Infernal o prejuízo, mas amei louco a derrota, e num volume saturado de sangue prossegui, os três pontos da alma precisam de mais orgia para criar o novo coração possesso.

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segunda-feira, novembro 27, 2006

1 ANO DE VOZERIO DO INFERNO








São paulino, apreciador embarrigado em Antarctica – mas entorno fácil a mais suja e ofensiva também. Leitor de Fante, ouvinte de Rogério Skylab, herdei trocadilhos imbecis do meu pai na hora do almoço, conclui Rádio e Tv na Unimep – e como levei esses anos inesquecíveis com a barriga; os camaradas classe salvaram minha pele em vários momentos – ainda que salvei a pele de vagabundos piores que eu também.Passei a maior parte da novela acadêmica fumando uma marola e bebendo cachaça nos bares do CECAP – aí comecei a passar um pano em aforismos vários de Nietzsche. Sempre nutri idéias imbecis e eu diria que despretensiosas também, como o roteiro não finalizado de Tony Mexicano, cabelo 77, moicano – a saga dum honrado cheirador de cola que esmaga a mãe com um sofá pra depois ter o crânio moído por um trator gringo, que realizava obras em frente sua residência. Tomei uns lexotans na madruga que se foi e ouço Clash e um hardcore california farofa agora. Mas, há um ano atrás, comecei esse blog – o template é uma merda- e na época eu fazia cursinho no Objetivo pra tentar Filosofia. Não passei porra nenhuma, atualmente engano em Jornalismo na mesma Unimep e sou filho ébrio da preguiça – gostaria de ter vontade de trabalhar. Até quarta espero não tomar nada e terminar um livro do Plínio Marcos. Boa tarde de horário de verão pra vocês, macacada.



Suzana levava um rosto trash, não me trazia nenhum prurido de felicidade. Ainda assim levei aquele namoro ridículo pra frente. Lembro com clareza dos meus domingos na casa dela; o pai dela, Leôncio, dizendo: “Carlos tem cerveja na geladeira”. Pobre homem. E quando o relógio acusava quatro horas ia então pra frente da tv acompanhar o Brasileirão. Encostava o rabo no sofá e sorvia furiosamente a cerveja, arrotava o macarrão sem pressa.Sabia que a geladeira descansava muitas latas ainda, portanto quando fosse nove da noite eu ainda sairia alegrinho pro meu ridículo teatrinho social no Sujinhos. Um ano e nove meses. Como fiz papel de otário, era eu animal estúpido quase profissional...

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Os ensaios recheados de garrafas quentes de Cristal, o fumo bizarro da Paraíba, as guitarras matadoras do Garage Fuzz influenciando a cor da minha bermuda velha. Época saudosa, lavava a alma aquelas tardes de trutagem e microfonias salvadoras.

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quinta-feira, novembro 23, 2006

Atualiza essa porra

Tomava o pileque, entortava violento o caneco, não gorfava por qualquer merda, apenas sonhava convulso, cagava conhaque, reproduzia melodias simples, filava um cigarro, queimava a calça e o braço, roncava no sofá, presidia a idéia de que a morte habitava o cu de uma puta invisível.

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Carro não pego mais. Que se foda o papai. Papai é uma bostinha; eu não quero trabalhar. E então posso suspirar enquanto arrotas mortadela em mi nariz.

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Professor preso, catedrático do supositório feliz, estagiário renegado por empresa falida, secretária da espanhola abençoada. Rego suntuoso de uma Joana Fom que pariu dois timões de várzea.

quinta-feira, novembro 16, 2006


Era ele a fera carioca, o malandrinho da voz heavy melódica. No carnaval seguiu pro interior de SP pra “curtir a balada com a galera”. Três amigos, whisky na fita, o carioca pagando vantagem geral na mesa. A todo custo queria passar a simpática impressão do insano social with margarina no cu. Beleza. Todos depois na festa, dispersam-se para lados imbecis, o carioca não é compreendido no local – sozinho, começa a vagar desiludido, desorientado em bicas. Sua camisa florida acelera o passo, ele vai ao mesanino, encontra Guto, com o cabelo desgrenhado e um sorriso sacana estampado na cara gorda.

“Pôôôrrrraaa Gúúúúto! Que é isso na sua camisa hein, É LANÇA, É LANÇA????”- e se atira na t-shirt, na tentativa gloriosa de adquirir um barato fácil & empolgante pra náite...

“NÃÃÃO!! SAI, SAI FORA !!! É porra... é porra!!!”

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Guto ganha atrapalhada melada no carnaval da roça, Charlinho sustenta status de róque star, ganha a úmida vaginaça enrugada de Sandrinha, naquela náite de “conjuntos cover” no interior da província - e Felipe consertou enfim a geladeira Valda. Guto formou-se tardio em Turismo, conhecia-o só de vista, e nessa época de nostalgia perturbadora vacilei em mares avulsos de prosódia banal nas rodas pelo corredor da escolinha; outros tantos vazios, como o de praxe nesse reduto bobo, tentaram prosseguir em cubos de gelo - e tetas espinhudas passaram também pelo canavial - ainda por sorte encontrei uns parceiros de deliquência muleque cativante, trutas permanentes, que até hoje rendem umas constantes gargalhadas from hell, via kbps.

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Horrível. Narigudona, tétrica em sua embasbacante feiúra. Um erro cruel da mommy natura. Peitos peludos mortos aguardando no sutiã, se marcar o pai dos vômitos foge dessa estrutura. Caridade, caridade para os detentores veteranos da seca.

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E Nélson Fun sofre os males ressaquentos-prontos da bebida. E coloca a culpa não em seu estado efêmero de disfunção do punch sambarilove – e sim na cadência progressiva estrondosa que mulheres devem ostentar e manter com natural diligência, em corpos sedutores para o governo de Fun.

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Odiar não, basta conservar amigos.

sexta-feira, novembro 10, 2006

FELIZ


É, matei meu amigo Everaldo. Confesso. Traição seria a última coisa que poderia esperar de Jussara. Quantas juras de amor meu DEUS! Eu não sabia que o ser humano mente, é covarde, trai. Preferiu o pipi do Everaldo. Jurema, porque? Você estava afim de botar um galho é isso? Pois é, acabei de encerrar o pé de cabra na cabeça do Everaldo. Jesus. O que eu faço com o corpo, a vida não é cinema porra nenhuma. Everaldo você nem viu o Palmeiras sair da crise hein? Tu sempre foi figuraça né bróder? Arrastava as putinhas pro seu apê em Iracemápolis, garanhão de quermesse. Se fudeu camaradinha, os pecados levaram tua luz. Olha pra esse teu corpo deprimente, tu é um cadáver roliço. Ô Jurema, besuntarei meu fígado de veneno pra matar barata, desculpe-me pelos erros gramaticais.

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Bati a cabeça na parede. Uma, duas vezes. Gozei vendo um pornô asiático. Missa de domingo cancelada expecionalmente, razão: luto, pobre padre Roberto Seixas. Sweet, sweet padre Roberto Seixas. Vai lá pra casa do caralho, padreco que nunca leu nada de verdade. Cristão.
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Conheci no busão, pegou no meu bilau torto, pariu Otávio. Meu campeão dirige bem, deu pt na fusquera ontem, voltando do pagode com a Eduarda. A garota ficou vesga.

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Hoje vou pro rock, separei o jaco de coro, transarei com alguma porpetinha safada. Mas chego lá e avisto apenas baranga e nerd e o Rogério; rola prontamente um ataque de angústia. Abro um gibi na esquina e dou risada até voltar pra casa e conversar com mamãe sobre o curso de Gastronomia. Ah, ela encontrou meu pai, finalmente. O coroa acertou a contratação de mais um travesti pra dividir o quarto comigo. Porra, fiquei felizão.

domingo, novembro 05, 2006

"meu pai me ensinou que os cara era underground"

Estamos ilhados, sem um puto; eu devo as calças. Ontem ainda consegui comprar 4 salgados requentados por 5 merréis. O tiozão da espelunca embalou de modo elegante um pedaço de pizza podre num papel alumínio. Saio lépido do moquifo, deixo cair o alimento e ainda lhe consagro um enorme pisão com meu 44. Mas eu recupero o infeliz e outra, ainda me restam outros petiscos. No curto caminho devoro tudo, sou um ogro patético porém deixo alguns pedaços para Pedro, o evangélico. Ele devora sagaz, entramos no loft onde ele mora, há duas garrafas de água numa geladeira marrom, cheia de adesivos grã finos. Após uma negociação simples, aprecio um pouco de requeijão e pergunto a ele se o requeijão é salgado mesmo. Depois foi a mostarda. Empanturrei-me de mostarda. De modo doentio. Entrei no msn e bebi um litro e meio de Rivotril, saudável demais. Amanhecido vou em busca da missão 78: preciso voltar pra roça e não tenho um puto, não sou gigolô, e escuto Anthrax agora, John Bush nos vocais. Faz um bom tempo que não recebo um email firmeza. Mas indo soltar um barro, visualizei uma peróla do pornocomics brazuca, " O dia em que o pau comeu". Trata-se da história duma ingênua jovenzinha que perde o papai e decidi torrar a rosca, etc...Foda-se. Ontem depois de uns stage divings afirmo-lhes que minha gengiva está irritada, e agora caio fora, atrás de algo sustentável para cessar a porra do meu tédio. Pelo menos eu não sou gordo e feio.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Restauração do Estado

Jonas é um recortado estudioso de assuntos paleontológicos.

Maculelê abre a bocarra num impropério terrível contra a criançada.

Negociante em mamedeiras, negociante em animação.

Vá armar azàfama noutra freguesia! E assim este novo panorama foi um esplêndido recreio para meus olhos.

Acentua-se a tensão entre a canela e o fígado.

O momento é oportuno a discussões estéreis.

Mocosou discretamente o berlô no final na bigodêra maiúscula do Lalau.

Ainda havemos de ter oportunidade de presenciar o contaminado.

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A chuva começou a pinicar meus poros. Logo que pus os pés em minha residência eu atirei a calça preta ao ar, balancei meu saco, apertei o play: o som começou a rolar e aquilo fez meu corpanzil acompanhar o ritmo de modo frenético, verdadeiro, intenso. No entanto, sou surpreendido por mamãe entrar no quarto. Ela carinhosamente diz que minhas duzentas e cinquenta gramas de fumo do Maranhão foram entregues. Com um desbocado sorriso salienta ainda que fez o cheque falsário. A noite fazemos chá e transamos num ardor angelical.
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Ela estava com o status de ocupada no msn, e eu não vacilei. É muito gostoso bater uma bronha pruma atriz gringa. Shirley Maclaine é um tesãozinho, meu peru fica no assanho toda vez que vê aquela sombra gloriosa. Uma vez papai me pegou no flagra, eu estava com a pombinha quase lá, então ele foi generoso e esquartejou minha glande.
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O Afonsinho comia bolachinhas sortidas e não as repartia, jamais. Jaqueline, sua irmã de seios distintos e mau hálito consagrado, trancou-se no quartinho de perfumes e impediu a passagem do energúmeno. Papai Jolias botou fogo no quintal, as chamas foram dinâmicas e ao se misturarem com o Lavanda Pop comandaram a confusão. Ninguém arrisca uma trepadinha pipi leve com a filhita do prefeito na Universidade Master de Kentucky.

terça-feira, outubro 31, 2006

Tijoladas


Época bacana aquela, colegial times, quase toda tarde era tarde de X-TUDÃO do Fabinho. E que lanche servido hein? Vinha de tudo e mais um pouco, pra ogro sorrir desmedido. O Cristóvão não bebia nessa época, muito menos dava uma bola. Quer dizer, ele fumava sim. Mas na dele, de boa. Eu por minha vez tomava meu goró, mas nem de longe na quantidade albatroz que encharco hoje.

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Na quinta série todo mundo atolava a mão no bundão gostoso da Valéria. Escolinha de freiras, anos 90, ela com a sua ardente saia azul anil, mais que pronta pro abate. No dia do meu aniversário botei a mão nervoso naquele rabão, enquanto eu me encaminhava para ir embora. A galera que estava atrás acompanhando a movimentação vibrou, só deu uma calcinha amarela apadrinhando a vista da negada. Ela me alcançou, desferiu uns tapas, estojadas, e ficou nisso.

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Eu cagava na casa de um bróder, no banheiro da empregada. E bem em cima de mim um papagaio imbecil observava-me com olhar de soslaio. A merda escorria e o bicho maldito lá, achando que eu faria algo que colocasse sua vidinha em risco. Nem cuspi no animalzinho nem nada; apenas limpei o rabo, acionei a descarga, lavei de modo turbo as mãos e me despedi daquele ambiente - o papagaio parecia o Freddie Mercury, enquanto o Queen ainda debutava no cenário inglês.

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O mané foi expulso pelo dono da residência. “Eu não admito drogas na minha casa, seu maconheiro!” Nulo ficou com aquela cara de merda; ele não era burguesinho, e na sua cartilha de ignorante aquilo era pior do que a pecha de favelado. Anos depois Nulo fez um filho numa empregada e ainda conta suas lorotas pelos bares onde ainda não queimou completamente seu filme.

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Na época da faculdade roubavam benzina do laboratório de comunicação adoidado. Gargalhadas em coro executavam ao vento sua alegoria alucinógena no estacionamento. E ainda o Pedro Bisnaga tungou um rango esperto duma Kombosa, um pau velho que levava umas barras de chocolate e outras delícias para serem repassadas inflacionadas.

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O apartamento do Bolota era todo grã fino. Um boy gordo, aquele paspalhão mimado. Mais mimado que o Oscar Wilde sem cérebro. E numa bela noite, pernoitamos lá eu e mais um parceirão-irmão, e enquanto o pançudo roncava acendemos um belo baseado no corredor do prédio. No dia seguinte ainda iríamos pra faculdade de carona com um parceiro que passaria no prédio para nos pegar. E esticamos uma lagarta cada e tomamos tragos e tragos de conhaque. Não me recordo se a trilha era AC/DC, mas era algo do naipe. No final de semana eu e meu amigo retornamos cada qual para sua terrinha e lá possuímos nossas mulheres e esvaziamos todas as garrafas impossíveis de serem tomadas por bestas normais.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Camisetas de Corrida

Eu acompanhava os scraps que eles trocavam: “ Te amo amorzinho!”, “Você é perfeita!”, “Homem da minha vida, o fds ta chegando!”, “Te amo, te amo pra sempre!!!”. Tsc, quanta bosta. Não demorou meses pra ruir toda essa carência, comodidade e falta de imaginação. Ele tornou-se um imbecil gordo, com as maças do rosto a explodir de tão inchadas. Ela começou a ir pra balada caipira com as amigas feias,bebia Martini e dançava dissimulada. Ele comeu mais umas três capivaras, ela foi dar só ali depois de seis ou sete meses, pro dono de uma caminhonete batida. O rapaz da caminhonete se casou com ela, mas a corneava com um caiçara jovial. Ela nunca descobriria. E seu ex ganhou uma Sete Galo de uma coroa porpeta, e capotou a moto e a cabeça numa terça de carnaval. O atendimento à vítima demorou muito e ele faleceu ali mesmo, com uma camiseta bem apertada de uma Micareta qualquer.

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Passar o feriado na casa da vovó Dondinha configurou-se em tremenda fita errada. Tela ligada no Silvio Santos, uma praça anã como único ponto de referência pra uma diversão manca; enfim, uma bomba. Vovó Dondinha, surda da orelha esquerda, ao menos preparava aquela omelete old school, digna de aplausos. O almoço rolou aconchegante, entornei um Maguary clássico de maracujá e soquei uma bronhosa no velho toalete limpinho. Bateu quatro da tarde e ronquei no sofá, desiludido. Quando desperto, suado e puto, vovó não está em parte alguma. Vasculho em todos os cômodos, berro nervoso, nada. Saio pra procurar na rua, não vejo nenhum cadáver pela sarjeta, vasculho com mais rigor, nada, que porra. Estou a desistir e avisto vovó agachada e desajeitada, prestando serviço a um meliante de média estatura, trajando uma surrada peita do Mengão.

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quarta-feira, outubro 25, 2006

Água sanitária no batismo de um loser

Passeava com Pulguinha, vira lata boa praça, vinte e oito quilinhos enxutos. Vez ou outra fixava o olhar para o traseiro da fiscal do parquímetro ou para as suntuosas nádegas das donas boazudas, até encontrar Tertúlio Ramos, ex-colega de classe. “Tu me deve cem reais hein?”. Sérgio abaixou a cabeça. “Tu vai pagar agora!”. Sérgio cutucou o nariz. Então veio a moqueta. O soco quebrou o dedo e a napa de Sérgio, agora no chão com chiclete, com Pulguinha estático, desgostoso com a situação.

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Miranda afastou a bola pro mato, a partida estava praticamente ganha. Dois minutos e o Brejeiros levaria o caneco pra casa. Bola alçada na área, muvuca geral, suor de bêbado e Devanir mata com estilo, finaliza de canhota: é o fim do sonho do Brejeiros. Aldair chega em seu modesto bangalô, desestruturado da panturilha ao pescoço com acne.Manda longe a braçadeira de capitão, bufa infeliz, bola um mesclado generoso e acende na frente do filho mais novo, Catatau. A criança é surda-muda mas o coração não cala, papai tira oitentão por mês, não se sabe ao certo no que.

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Aprendeu a tocar flauta transversal com Janete Cabelo e a impostar a voz de modo aveludado, passava até como barítono razoável. Vende de bermuda azul dois cd’s gringos no sebo Jones, aprende a trair Julieta, menina coxa, e dá o ar da graça na festa a fantasia, tomando todo serelepe porre de rabo de galo pra amanhecer descamisado, com o rabo em chamas.

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Mercearia com gosto de groselha estragada – também, pudera : o produto caira da patreleira mais alta há dias, e ficou lá perdido, atrás de umas maioneses escrotas. “MÃO NA CABEÇA PORRA”. Novidade para os consumidores e o proprietário na quinta cinzenta. Ao desobedecer a ordem de comando, a mulata tomou aquele balaço na orelha, que por sinal portava uma argola vulgar. O autor dos disparos tem Kant na escrivaninha, tem labirintite e viu sua irmã fechar um pet shop ajeitadinho na Governador, tem um tempinho já.

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domingo, outubro 22, 2006

Setembro Negro e Outubro Mulato

Sedução. Malícia. Cortejo. Sim, não há pudor entre Carlinhos Maçaroca e Ofélia. Carlinhos é o correto corretor de imóveis e sua esposa gerencia uma empresa de comércio de fraldas. O affair iniciou-se em Ubatuba; um verão pomposa, com bolinação geral, Fernando Pessoa e sanduíche com pimenta. Veio ao tosco mundo então Ezequiel, hoje inválido, honorário associado da Opus Dei.

Remoia com certo virtuosismo a arcada dentária, a língua esforçava-se por eliminar vestígios de pipoca Yoki. Porém Iglesias não obteve sucess,tampouco algum resultado positivo. A língua converteu-se em uma lixa de baixo calibre e a namorada virgem perdeu o cabacito para o roliço Golias, garotão-malhação da tradicionalíssima Academia Ursus.

It’s ok, diagnóstico pela USP: tumefacção testicular devida à dilatação das veias do testículo,Varicocele para os íntimos, um pratão gorfado no restaurante nipônico e Fernandinho Osório já pode locar com alguma segurança qualquer Robbie Williams genérico.

Uma boa trepada pra coroar de júbilo crescente a sessão terapêutica da segundona mágica. Este é Isaías, furador convicto de beldades inocentes e pobres vadias de uma Augusta que vive dias de ostracismo. Comeu até o talo até uma ruivinha, o saudável Horácio Gimenez, médio volante do Tijuca.

Possuía uma empresa de marketing, avistei Lauro pelo centro da cidade, com o Golzinho todo ensebado ao que prontamente não vacilei: “operário!”. Ele desceu da caranga, enfezado e apontando o indicador pra meus cornos. Fomos pro pau, pedra de calçada aqui e acolá, mas felizmente meu soco inglês traçou uma caricatura em seu nariz. Respira por aparelhos, cotidiano de merda, então ontem levei uma exuberante azálea e um Zé Carioca punhetado pro nosso piloto 1.0 aceleradinho.

Adorava uma fofoca, êta vida alcoviteira hein Dona Buceta? Flagrou o marido da Márcia fuxicando a siliconada Rosane, conferiu um roubo cinematográfico na residência dos Valens e nem acionou a chefatura de polícia. Abotou o paletózão de jacarandá engasgada com um pirulito safra psy trance.

“Vai, vai Marquinho!” E assim ele aprendeu a correta afinação para acessar sua Ibanez reluzente. Botou pra quebrar na vizinhança, encaçapou Roberto no quartinho da marofa, fez cópias de cds peruanos de indie rock minimalista para os rapazes de arquitetura, fraturou o mindinho e adquiriu impotência definitiva ao vacilar no bicicross. Vê a vida de muletas após um lamentável acidente na porta de um supermercado ilegal. Travou de pó ruim ontem, e filmou o pai hemofílico com um dente a cair, pesadelo da lata.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Açougue cultural Burdon Bears




Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut. Ela ajeitava a teta esquerda, sempre graciosa. Ele urinava pra fora da privada verde, ele sabia. Ela gemia em fá sustenido, sempre letal, sempre letal, na cama ou no carro. João realmente amava Berenice, amante da rola de outros usuários também. E o João Bobo, o comuníssimo funcionário da prefeitura, seu turno encerrado às cinco da tarde e o encontro ao drible do tédio. Mesclado e cachaça, cerveja e fumaça.

Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut, e o telefone sem fio toca. Era Sabrina, uma gostosinha ágil no salto, louca pelo Escort conservado de João. Viveriam todos o triângulo amoroso? Não, a Dermatite surgiu na história dessas almas afortunadas, mais especificamente na vida do lutador João. Dermatite de contato alérgica, como o nome diz, é o resultado de contato direto com um elemento irritante. Uma das causas mais comuns desse tipo de eczema são botões em jeans, os quais contém níquel. Ele modificou as fotos de seu álbum no Orkut.

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Acessava a buzanfa da balconista, não suportava mais a diarréia de praxe. Lúcinho era pop entre a galera de Publicidade de uma faculdade boqueta. Sempre de sorrisão salutar no rosto mimoso, ele comandava as baladas da classe. Em um certo churrasco, de caráter fraterno, ele teve seu pênis seriamente prejudicado - coisas que um bulldogue velho pode propiciar. E pra avisar a mãe, toda mambebe, a liberalíssima Joana Rios? Foi um sufoco, e no final ele conseguiu uma prótese de um velho amigo de seu pai, o respeitado Souza Kravitz. E tudo voltou ao normal, exceto que jamais Lúcinho iria comer uma balconista ou uma modelo americana (em tempo: Americana, embrulhada em SP).

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"Isso, chuta essa porra!" Terceiro televisor eliminado em apenas treze minutos. Notável. E pensar que Papa Joe arruinara diversos radinhos, atirando-os com alguma valentia durante as pelejas do Comercial. Condenável.

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Arrumou o emprego, não era grande coisa, mas já pagava o pega da cachaça. Primeiro salário e a rapaziada o cercou, bancou a doidera de toda a negada. Perdeu a namorada pro sábio Marcos, amputou uma perna em circustâncias misteriosas depois de uma Micareta, e morreu enforcado, obra dele mesmo, ao som alto de Erasure.

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Cada vez mais a paraestesia dominava a vida de Jacinto. De náuseas, tonturas azuis e dores anárquicas pelo corpanzil o garoto começou a dizer impropérios em um tom elevado. Disse que seu pai era uma bicha enrustida, a mãe uma puta de roupas baratas e o irmão um incapaz do maior calibre. Expulso de casa, tomou gosto por golfinhos - todos os dias se deliciava em um parque aquático. Agora atua na condição de limpador de rua, tem uns dois dias já.

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Novo filme do Seu Madruga é coqueluche no Novo México.

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Seguro morreu de velho, dono de bar gordo e farinheiro é a nova onda da derrota no interior paulista.

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Acerta a conta logo JuJuBa, preciso furar a Márcia, culotes em transe.

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A Natasha está de namorado novo. Namorado nove, a MORTE. Foi pra pista doida e teve uma infeliz parada cardíaca. Autópsia com lágrimas da galera do Mercado Municipal. Tudo muito triste.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Desandanças

Você está de terno num bailinho, e arrisca pegar um pouco de ponche, deixando de lado o refresco. Na pista eclode “Read my mind” do The Killers, e uma linda morena dança sensualmente, todo o seu vestido preto é o providencial estacionamento para uma alma arredia. Você lembra de uma quente manhã de janeiro, com aquele sol quente atacando suas bochechas imbecis, e logo a lembrança de uma eterna peleja de futebol de botão vem à tona. E a morena lá, gostosa, exercitando o seu tesão. A festa acaba, a morena volta sozinha, e você abre um gibi do fracassado Homem Aranha.

Mané.

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Sueli prepara o corpanzil, vai dar o rabo tonight. Sua memória abraça o dia em que doou pirulitos e balas para o cortiço Jones. Hoje ela espreme uma espinha volumosa, localizada nas costas. Ploft.

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Bolinava a petequinha, que delícia! Jeremias era mesmo um partidão para Flora, a garota dos lábios de ouro. Bolinava a xaninha, impreterívelmente. Muita ousadia do cabrón sem limites. E na frente do papai, Dengoso Júnior. A história foi parar na delegacia, pois o balaço do paizão decepou a orelha do malandro. Decepção de ambas as partes e Flora virou Verônica e encarou uma viagem ao exterior, foi vender pilhas no Marracos. Morreu grávida.

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Carlinhos o embalador de talento. Jogava Old Eight na sacola em poucos segundos, sorria para a caixa Bernarda, exibia seu bíceps razoável. Em tempos ginasiais apresentava sofrível rendimento no trato com a Aritmética. Um intenso rolêzinho de Barra Forte o matou. Um caminhão chegou no sofrenaço e levou tudo que viu pela frente, até mesmo o tiozinho da quitanda. Cremaram o rapaz e tudo ficou mais Angus Young depois.

segunda-feira, outubro 09, 2006

97

Caminhei roto, ainda que na esperança de buscar uma nova paixão, talvez como aquele velho cigarro do carnaval de 97, reencontrado, desesperado, na gaveta do criado mudo. A memória acaricia agora essas melodias do passado, os íngremes caminhos cerceados em dolorosos aprendizados - mas foda-se, tudo se resolve numa mesa atemporal de bar, no capítulo sete do próximo Fiódor, ou na cantina da alma que o cinema denomina. E aparecem os amigos: despidos de hinos da hipocrisia, apenas os verdadeiros e poucos amigos, os putos que acenam a mudança.
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Hoje matei a preguiça. Levantei um prédio comunicacional com o meu velho. É, a vida é uma janela matadora.
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Ela sangrava, definhava em sangue convulso. Seus pais faleceram na pista,na primavera casta de 97, olhos tristes, pneu furado na chuva sem trégua,e o selo do epílogo aportou na última andança. Márcia alcançou ainda um último quarteirão, restando apenas três para pedir socorro em sua casa. Deitou ali, suspiros abafados, e a terça prosseguia justa, o som de uma Saveiro com um travesti pilotando, furiosamente.
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97, desfechos e parcerias no painel de uma alma doente, feita de copos de amor.

sexta-feira, outubro 06, 2006

ENTREVISTA COM NÉLSON FUN, PARTE I

Sérgio Esfihas com moderado orgulho seleciona: entrevista com Nélson Fun, anônimo mongol classudo, parte I

Nélson: Essa definição aí nem consta

Sérgio: Qual, anônimo mongol classudo?

Nélson: É

Sérgio: Beleza. Pergunto: como tem sido suas intervenções sexuais na roça?

Nélson: Não vou negar que tudo isso é uma bosta, e outra: o telespectador sabe. Refiro-me aos padrões da vida metropolitana, aos dervixes cosmopolitas em contraponto ao meu cotidiano bicho de pé. Não entendeu porra nenhuma? Foda-se. Leningrado, Paris, Los Angeles, Acapulco, Oslo, Melbourne, tanto faz o lado do disco. Mas respondendo sua trívia, digo que não suporto mais a faculdade de jornalismo, comunicação, meus inimigos invisíveis. Encho a lata todo santo dia, me entupo da primeira droga(de preferência de fácil acesso) que fizer continência na minha frente. Procuro o tosco do prazer, e se o mesmo está indisponível, o negócio é dar uma trepada com o horror mesmo. Não vejo problema em um dia faturar uma cavalona e uma bolada na loteca e no outro ser roubado, humilhado pra depois acordar no cimento com o nariz completamente obstruído

Sérgio: Há rumores que sua antiga banda punk, o Joana Som estaria programando uma turnê pelo interior paulista. Procede esta informação?

Nélson: Olha só, já fiz muito por essa rapaziada. Inclusive dia desses atirei três garrafas vazias na cabeça do Peter Coceira, foi lindo. Quanto à volta eu nem sei mais, perdi o telefone da macacada, nem sei o que tá pegando.

Sérgio: E aquele esquemão de morrer cedo e ser famoso?

Nélson: Famoso...estou com um livro de contos escalafobéticos na manga rapaz, vem quebradeira na fita.

Sérgio: Anda apaixonado, filho da puta?

Nélson: Opa.

Sérgio: Me diz uma coisa Nélsinho: como é ser marmanjo e morar com os pais?

Nélson: É gratificante. Tudo é intriga da oposição, convenção de moral, amadurecimento é descansar pelado num sofá tocando uma bronha, sem compromisso.

Sérgio: Quando você irá se transformar num homem independente?

Nélson: Quando eu for morar na casa do meu cunhado, quem sabe...

Sérgio: Tem planos pro futuro?

Nélson: Demorou. Hoje é sexta, vamo lá faze um corre de farinha, mesclado, roubar um livro do Oscar Wilde e depois cair matando na mulherada em um moquifo que venda cerva barata.

Sérgio: Você costuma filar cigarros com certa freqüência?

Nélson: Lógico. Certa vez no Maracanã eu tive a manha de filar sete vezes cigarro de um flamenguista coxo.

Sérgio: Você gosta de raves?

Nélson: “...”

Sérgio: Quem é você?

Nélson: Sou Nick Cave and the Bad Seeds. Sou o carrapto versado na turnê maluca do Stooges, sou o infiltrado que roubou a inspiração do Balzac. Insisto em viver bem, meu trunfo é ser Nélson Fun ainda hoje.

terça-feira, outubro 03, 2006

Por hoje



Já namorei vadia, santa, maria-do-pó com vômito fácil; peguei o céu pelas costas do inferno, e abraçarei ainda uma colombiana depois do expediente. Trafego com o fone estourando minha cabeça-besta, e na hora que o bumbo ataca vejo no peito o recheio nobre de euforia convidativa - até para crianças anormais.
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Oito da noite, Bar do Caipira e lá está a rapaziada: Reginaldo Puentes, Feliciano Down e sua vida amparada numa leitura depressiva, claustrofóbica. Fabricamos austeridade em meio aos cigarros soltos. Não há sinal de prostitutas.
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Estava na UTI, perderia a filha única dali três minutos. E ainda roubaram o carro, lindo, sem tape.
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Comprou a gaita. "Em seis meses você fica pronto". Pagou as aulas, cento e cinquenta reais pra assistir um professor garça, magrelo e sem talento, virtuoso na província, amarelão e feliz.
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Em Araras existe a pipoca com queijo da praça, vale a pena conferir.
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O rei da cachaça come a mulher do empresário, o empresário segue pra Miami, o rei da cachaça barganha a selva ruiva, esbelta xota; esta princesa atende por Marcelinha Goza Gostoso.
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A mãe de uma ex foi das figuras mais escrotas que já conferi. Fedia pela manhã álcool zulu e parecia uma rapaz a repetir impropérios.
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Vamos ao cinema bêbados, Joana? Lembro daquela felação astuta, você se lembra também? Foi em outubro, o tempo defecava lírios em nosso catálogo de desprazeres - lustraste minhas gônadas no corredor do banheiro 17, das fodidas paredes pela periferia em noitada de crack.
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E o Fabrício roubava na tranca. Pagou transferência no presépio dos Joséli.
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Completa a dose, caso contrário eu aviso o gambé ali, filho da puta.
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O diretor do filme brasileiro é bom, "mas fala como mano". Odeio política na sala de aula.
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Um ficava na trombeta, o outro no lírio. Surdos e responsáveis, estruturalistas sempre.
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Escuta o som funcional aí moleque sujo.
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Cada porre, uma ligação caliente: fim do tédio. Por hoje.






domingo, outubro 01, 2006

Mais um domingo do qualquer


Misturava dor com tragédia, omelete e ovo cozido, sem refresco.

Desfilava sangue pela barba, arguto era. Produziu filhos e depois de cinquenta anos conferiu o vazio da existência. O tédio completou sua vida pacata num cobertor hemofílico.

Regrediu, virou casaca. Torce agora para a Ferroviária.

Queimada no colégio das freiras desquitadas. Sente a fervedura na epiderme, Angélica Gomes. Afague a presença da testosterona varonil. Correto.


Nesse dia de eleições, o melhor presente é a tentativa de silêncio lívido. Porra.


quinta-feira, setembro 28, 2006

Desagradável

Era um rapaz agradável, todo de manias experimentais. Trabalhava na padaria do Joca, serviço árduo, dizia ele, com salivas infestando sua boca desgraçada.
Apaixonara-se na era da brilhantina por Rosângela, pagodeira cadeiruda e salutar no trato de pênis diversos. Deteve a namorada num flagrante difícil, o time de futsal do bairro currando a dita cuja. Desagradável.
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Bolinou a tia, como desejava aquele momento! De uma torridez confessa, aquele momento fora recheado por espermatozóides pastosos pela cozinha barroca. Terminou o trampo e dois dias após adquiriu um aneurisma. Desagradável.
***
Tocava um violão bacana, era o bam bam bam no cortiço. Executava notas mágicas, de Dilermando Reis à Yamandu, num floreado claudicante. Um dia loser ingeriu um ovo podre. Adoeceu. Vendeu o violão Tonante para pagar os remédios. Seu pai quebrou o triste pacotinho que continha os remédios com o seu ENORME traseiro, e, uma vez perfurado o ânus, caiu duro na sala. Desagradável.
***
Na minha sala há pessoas ilustradas em idiotices perenes. Desagradável

segunda-feira, setembro 25, 2006

Resoluções (...)


É inegavél. Você é gostosa. Rebola copiosamente a cada passada. Manhosa? Quero é lhe embebedar de vinho podre, te amarrar no meio do Horto Florestal - tacar fogo enquanto inutilmente grita, já dilacerada pela dor. E quando minha garrafa de Dreher acabar você irá custear a próxima.

Ficamos tempos e estações obscuras em silêncio - longos foram os dias sem podermos trocar olhares sujos, obscenos entreolhares de pesadas nuvens. Olhe para o seu lado esquerdo agora.Os namoros contemporâneos escorregam feio, vejo as pessoas trocarem a vida por fórmulas prosaicas de duplas sertanejas do AMOR. Amor é o caralho.

Certamente sei que tu invariavelmente confude a minha alma com a de um tiozinho sonhador, idealista da cachaça, poeta puto do prazer barato. Foda-se; é, foda-se, nunca serás igual ao meu pior vômito, e sabes disso.

Passemos agora para o tratamento imediato das resoluções de fim de ano:

Pensar mais no meu pau e não pagar cerveja para estranhos depois das duas da madrugada rouca.

Esporrear em tua face com mais freqüência.

Sim, ser assíduo na condição de bêbado exigente . Você sabe do que eu falo.

Beber e abolir dores nas costas a custa de remédios imbecis.

No mais, uma chupada gloriosa no seio esquerdo, devagar e forte.

Nélson Fun

quinta-feira, setembro 14, 2006

Vai pra lá


Sumaré, cidade da pá virada, Sumaré the city of crack - a estrada maldita da perdição deficitária, caminho estreito do soluço do bêbado, do canhão na têmpora, da privada eternamente entupida, contaminada.
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Tião Cachaça é policial, corno e mentiroso. Papagaio come milho, periquito leva a fama. A freira vexa as irmãs, o sino acode a praça, o prefeito não quer mais a bunda furunculária da secretária.
***
Ian Curtis come um hamburguer ralo no banco da praça, Lou Reed promete e aparece. A conexão é telepática e desfaz-se o intróito, é rasgada a saia de Norma Jean. Profanaram os restos de Raul Seixas, ou então sem confusão uma loja de 1,99 é demolida por hooligans pegos.

***

Bulimia, enfia no cu.
***
Molesta a faxineira, desvirgina a empregada que não ouve Renato Russo. Aprende francês, é o bacana do acadêmico, perde um emprego para um cara que usa cola fixadora para dentaduras de custo razoável.
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Pro Jaime eu deixo o pc(inteirinho, até com Racounters perdido no meio), pro Bolão a bíblia para bolar aquele fino e pra Tia Puta a bicicleta, pra encarar a labuta no selim da BARRA FORTE.
***
Bolinho de arroz, tang pêra, cura da ressaca que existiu ontem e foi já pelo ralo, seguiu mole e criei pois uma nova irmã, lolita: o vício pela falta do que fazer.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Mas ele é o novo, o verdadeiro







Sou o empresário Paulo Sérgio, o responsável por convidar Freddie Mercury para tocar com Jimmy Page e Neil Peart do Rush. Na época o baixista era um tal de Johnny Sinclair Jr, filho de um proprietário de imóveis no Texas. Essa época foi bastante distinta para mim; pude comer muitas mulheres, bancar rios de drogas e visitava frequentamente os melhores prostíbulos da bela Paris. Eu também aconselhei Hector Bolaños a investir na marca Chaves - e até hoje ele não dá o braço a torcer e não diz que sem o meu tino empresarial ele não passaria de um pé rapado morto sem um qualquer no bolso. Inventei a concepção de Sonic, interferi na operação de sexo de Roberta Close e consegui beber cinco litros de Tang Abacaxi em apenas 300 segundos. Eu sou modesto, esbelto, meu pênis fede argila e contraí matrimônio mais de seis vezes. Fui boxeador, consegui comer a princesa Diana e ejacular com destreza em sua orelha esquerda - eu já pus um tirinho colombiano para Frank Sinatra e sorri ao receber um boquete de Madonna.

Consegui tudo nessa vida, mas ainda assim eu admiro um tal de Inri Cristo. Esse caboclo aí é foda.


quinta-feira, setembro 07, 2006

PUTAMENTE BASTARDO,



Que Taxi Driver, o caralho. Empunho em uma das mãos o rifle, na outra o Jack Daniels pela metade. Goles vigorosos, sorrisos internos a eclodir satisfação - posso foder as tripas ninfas do céu. Depravação escalafobética aterrisa na alma minha, como corvos negros furiosos atrás da fome. Atiro no que se mexe, na vida alheia.
Tudo em determinação de um sedento prazer, da superação , de egoísmo marginal. Furto pelas ruas sujas, caminho carente de moderação, jogo uma máquina de escrever dos anos 60 pela janela do prédio, percorro o coração feminino, destruo igrejas jamais reais, converto meu próximo acerto , fodo a sociedade anônima - acabo o Jack Daniels e retiro-me para a Stoner House. Amanhã tem jogo do Arsenal.

segunda-feira, setembro 04, 2006

O não-sorriso


Desespero, discos espalhados, Benito de Paula, violão desafinado e coração de pedra. Suspendo os remédios, vem intensa dor por aí. Lágrimas que não saem, saudade imensa da minha querida avó, a coluna em frangalhos.

Tudo bem, isso até parece um confessionário sessão da tarde : não, nem é porra nenhuma. "Agora chegou a vez vou cantar: mulher brasileira em primeiro lugar". O baterista do Benito do Paula, lá pelos idos dos seventies, era o grande Hércules, conhecido pelo famoso vício por agulha.






Afinal, qual a graça da porra da vida? Pegar um canhão e assaltar uma sorveteria, estourar os miolos de um letrado francês ? Sonho hoje com insônia corrosiva para as massas.


Perdido,

quinta-feira, agosto 24, 2006

SUZANA COXUDA

Descobri que Suzana não tinge mais o cabelo. Ela, antes a musa dos saudosos tempos de colégio, agora porta-se com ares de senhora, praticamente. A dona das suculentas coxas mais disputadas da galáxia atual, tornou-se uma mulher qualquer. Ficaremos órfãos dos movimentos petulantes daquele corpaço, a resistir bravamente segurando pela lapela a nostalgia das tardes punhetóides de suas coxas lisas, torneadas por um sol tarado, sem vestígio de celulite ou erro curvilíneo. Educação Física. Ela, com o seu shortinho colado - e a vontade de estuprar, como fica?

Tingia o cabelo e abraçava a tintura pela periquita também, diga-se de passagem. Passado alguns anos, envelheço porco e encontro-a na faculdade. Mal sabia, triste sina, que Suzana arrastava um asa generosa pro meu lado! Vacilão é teu pai. Bom, no final das contas ainda um dia eu chego nela, enquanto isso desfruto de tantas outras donzelas, também saborosas ou não. Reginaldo Puentes disse que goza mais com uma patroa gorda do que com uma paty que acorda 05:30 pra estar embonecada glitter pras 06:36. E é por aí, o pipi tem sua própria equação e a harmonia da alma sexual traça sua própria trajetória, não é mesmo, caros amigos?

Suzana é formada em Educação Física e parece ser inapta para o uso das faculdades mentais. Tudo bem. É um filé antecipado. Deliciosa.

segunda-feira, agosto 21, 2006

JÉSSICA

Como caía bem o jeans naquele organismo. Coxas lustrosas & quentes, pra animar o verão de qualquer um, sem falar no traseiro, espetacular. Sua graça? Jéssica. Vinte aninhos bem cuidados, com muito sexo, farofa e rock. Impossível não ter ereção ao ver o singular modo como ela jogava a vasta cabeleira para trás. Jéssica exibia com louvor madeixas castanhas, um chumaço vindo de um céu de estrelas bem apessoadas.

A abordagem foi clássica. "Tem cigarro aí, piranha?". Faturei. Ela já ostentava vários RABOS-DE-GALO na cuca, então foi fácil.Batata.

Fomos pro meu leito de coito hard rock. Como ela fez um serviço agradável, lhe premiei com uma dose de Jurubeba. Depois da session, peguei a barca e levei Jéssica até uma rua deserta-cinza e lembrei do Rubem Fonseca: atropelei a vadia, a vaca, a galinha, a puta. Nem quis ver o resto daquela "imundíça". Preciso agora checar, conferir se o vídeo gravou ou não Simpsons. O duro é a gasosa, na reserva.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Sexta-feira em notas hedonistas

Nélson Fun humilha. É. Nélson Fun consegue ser o recordista de feituras de merda numa mesma madrugada. E como são longas essas madrugadas. Ele visita com atitude os verdadeiros bares, suas esferas de prazer, ri da confusão a espancar o caos e no day after ele escarnece do mundo carregando uma reles ressaca. Ressaca é algo aleatório, prevenir esse evento é loucura.
Bocage, Henry Miller, Poe - RAPAZIADA RESPONSA. Deixaram a lição de casa, tudo anotado pra quem veio de trás chegar chutando o desperdício pro alto, transmutando a porra toda em dinâmica poesia imortal. Festas e porres, noites convidativas e manhãs de roncos em sol. Pois é, vamos rugir incansável euforia nesta sexta-feira dionisíaca.

terça-feira, agosto 15, 2006

Opa












Consumidor brasileiro gosta de um bom test drive. Senta na mandioca lá, Marquinhos. O Fernando Douglas definiu seu abdome em apenas cinco minutos. Abdominado: rapaz que tem o abdome grande ou dilatado; pançudo, barrigudo, ventrudo. Isso Fernando Douglas definitivamente não é. Marquinhos fez o test drive e comprou o Corsinha. Grande Marquinhos.
Nílton Lemos


Eu saí da padaria e peguei a avenida sete, vocês sabem, eu moro na avenida vinte e sete. Então: peguei a avenida sete, segui com meu mp3 player no talo, ouvindo Sérgio Reis. Cumprimentei Dona Ondina e vi sua cadela fazer um pudim perto da garagem do seu Jair, corretor de imóveis, figurinha da rua.

Na sacola eu levava seis pães e duas latas de Brahma. Parei na avenida treze e matei uma. Fácil. Um pouco mais à frente, trombei Graziela, uma ex-namorada, cocotinha saborosa. Abraço, longo abraço. Ô delícia. É, coloquei um pouco de malícia no meu gesto, afinal, eu sabia: ela continuava a mesma gata safada de outrora. Largou de mim pelo simples fato de preferir Mariana, uma caixa de supermercado durona. Naquela noite fomos pra casa e fizemos o Jairzinho. Agora estou ajeitando a papelada do seguro desemprego dele. Ele masturbara-se em pleno expediente, ação ilegal para o porte da empresa. A vida é complicada, e meu filho quer ser roteirista de filme pornô, lá no Uruguai. "Filme adulto Jair?" eu especulei. "Sim!" ele sorriu. E foi assim. Jairzinho ganha um dinheiro absurdo. Acabou de comprar um apartamento em Montevidéu. Depois de filmar "Vaginas inconformadas" porém teve problemas com a polícia. Agora vive fumando pedra na casa do meu cunhado, Célso. Mas tá de boa.

domingo, agosto 13, 2006

Por hoje é só, amiguinhos









Quero matar você.

Quero matar você.

Não tolero nem em chuva, essa voz manca, como a sua.

Preciso só matar e abrir a próxima lata de Antarctica.

Um tiro no peito - vejo você torto ali,
ali, filho da puta medíocre, uma pasta humana errante.


Parasita.


Quero matar você, e por hoje é só - eu pago a conta.

sexta-feira, agosto 11, 2006

A província e o cansaço

Cidade de merda. Não há opções por aqui. Para matar o tempo, o ideal é dedicar-se à leitura. Também tenho visto uns filmes aqui ou ali, um Truffaut, um Buñuel, mas no fim sou mais leitura mesmo.

Onde estão as mulheres dessa cidade? Dormem limpinhas em suas caminhas, consertando suas máquinas de trabalho para o subsequente dia de escravidão? E por aqui "pessoas" bebem, drogam-se com gargalhadas tolas - sem freio algum é criada esta edificante rotina junkie para espantar o tédio ,comodamente. Deprimente.

O mundo acadêmico é uma piada, e eu não tenho saco pra explicar o porque disso. Perto de casa, uma Igreja Universal,e outros tantos bares de merda, e posso ver proprietários de coisa alguma alimentando suas mentes medíocres ingenuamente a acreditar na hipótese de dominarem algo sobre a vida, enquanto consomem seu câncer periódico.

Cansei dessa porra de blog. Cansei de perder carteira, chave, a razão e agir com impulso assassino.

Cansei.

terça-feira, agosto 08, 2006

Agosto

Sou uma perna, elétrica, de Agosto. Repouso sob inexistente conforto, que, aliás, chegará em vagarosos segundos, num caminhão vazio, junto às minhas sonoras metáforas, perdidas nos meus trezes anos.

Tenho e terei amigos desprovidos de captação ; corto essa parte, vislumbro o torpor de um bom conhaque por um real, fecho os olhos cansados pela madrugada, e ainda vejo o outro lado intacto. Ou quase.

Perseguição involutária para o refrão de minha morte, de maneira efusiva - esses dias meus, julho. Jorginho, my little bird, solta alvas as asas, no inferno imantado que é Rio Claro. Enclausurado, feliz.



O Boogie Woogie atropela a prisão. Os sobreviventes ,cegos, brindam impetuosas canecas. Agosto.



segunda-feira, julho 31, 2006

Segundona braba

Parto agora, oito e quinze da manhã, na incólume tentativa de não obter pesadelos gore. Um ou outro fantasma turvo, que assombra essa minha memória moicana, provavelmente fará uma intervenção, e prontamente retribuirei, com kilos de uma risada pirata, de papel crepom. A garagem marionesca descansa à olhos blindados no escuro, e os pés são aquecidos com meias gospel, que não viram Miles Davis em algum pub, mas ao menos ouviram uma gravação, sob pesada fumaça de background fosco. Foda.

Em terras provincianas, o frio denso afugenta corpos, e ambientes boêmios permanecem inertes, vazios e imbecis. E ainda hoje, o prato depois das seis é o reinício glorioso, de minhas “...” aulas de Jornalismo. Bora pro Bar do Marcão, desce aquela Antarctica.O domingo elegeu (otimismo hein?) personas de gesticular braçal não-blasé, graças à doses de ousadia...esses foram felizes enquanto o relógio obedecia seus ponteiros bêbados; outros tantos abaixaram seus chifres e esvaziaram seu âmago motivacional, já apático e nocauteado, com uma morna volta pra casa, talvez para lerem páginas em branco de “Quando Nietzsche chorou”. Uma pena. Aliás, o Peninha sempre arrumava uma encrenca firmeza, e o pato Donald é que pagava o ...porra, que tagarelar benflogin. Imagine do John Lennon tocada pelo Amado Batista, anfetaminado, levando suas notas piegas num detonado piano azul calcinha, e o barman é o Faustão, magro e humilde(aplausos). Segunda-feira, sem conhaque avulso, mas atirando filosofia from hell, história de Butão e um canivete moral, para cócegas na perereca suja da sósia de Hebe Camargo.

quinta-feira, julho 27, 2006

BOA TARDE, VIZINHANÇA. ESTOU DE QUARTO NOVO NO SANATÓRIO


E vai Crarinha, no país do xucoxuco. Aborda o tomate Pope, que lhe diz "Olá Crarinha, que bom que passei sem trancinhas!". Ela sabe o que é ser sem ter um aprendiz. E vai Crarinha, toda assim, ziguezague de olhares, suspira dentro da sua torre de marfim. Ontem a chuva aparecera ranzinza, quase covarde, hoje seu cheirinho morreu. A chuva morreu também. Crarinha, sabe pra que lado vai o vento verde amanhã? Tentei segui-lo dia desses, tive que aguardá-lo no Mercado Municipal, encarava um risólis. Sem sal, Crarinha. A chuva morreu, Crarinha, e convidaram a Lua Cega para os cânticos no funeral. "Sol maior, rebole um versinho gaúcho, Josias". Será que a Crarinha ainda parece novinha? Parece. É. Parece. É sim, Crarinha; =)






terça-feira, julho 25, 2006

Terça

Que beleza, Jesus passou no vestibular. Eliana permanece em coma.

Eu vou dizer pra você, meu bem: não gosto de nada em você. Quem sou eu pra dublar você? Ninguém. Tanto não diferencio “seres humanos”, que absorvo aos flatos o quão tu és indistinta. Decerto ainda encosto no travesseiro e aparece : roubei um simpático Jack Daniels do teu pai, mais um vovô sacana pedindo derrame. Rememorar do falso encanto de nossos dias e noites é ouvir vinil sem faixa, num vaso sem flor; e chega desse confessionário, parecido com pizza de “datilógrafo(a) de blog autopiedoso pedante”. Aliás, pareço com nada, nem sobra escárnio pro final do expediente. Veja Sandrinha: começa seu diário manco, de prima regala-se com uma sucinta exposição referente ao repertório de sua persona abstrata; retoricamente aparenta ser resoluta, sem deixar manchas de risco de ser desmascarada por desocupados. Depois começam os onanismos de calça jeans cool. E tome conversa pra fiote roncar. Esqueceram de avisar a arquibancada “valente” acerca dos dotes precisos do diabólico esquadro Eugênia, e como sua cinta-liga flerta com meu falo em perigosas doses.

Eu matei por engano, mas não juro que não sorri lentamente depois. Meu pai faleceu de um tiro meu.

quinta-feira, julho 20, 2006

Pra amanhã peidar terrorismo


Ah, como é bom espalhar falcatruas, mentiras selecionadas, esparramar lorotas imbecis pelo ventre da avenida sete. Dispenso com um sorriso invisível o conceito de normalidade dentro da engenhosa ciência das habilidades sociais.

Três e meia da manhã, um nóia, bermuda de pano puto, quer uma paulada. A polícia inexiste no coração da razão. O nóia vende pregas por mais uma paulada. Plástico ou pino?Hmm, a narina esquerda trepa com o perfume de uma pedra de rica procedência. Denuncie ao telefone, traficantes, analfabetos, despachantes, e senhores sem carteira de habilitação.Use o telefone do colégio interno, e pense em boletos bancários, por três segundos, apenas. Três e quarenta, preciso de uma boa virada. Antarctica. Cerro cigarro aos montes, coloco a mão quente nos bolso, procuro dopamina em brasa. Pessoas de moletom à minha volta carregam, sem estilo, olhares parasitas, uma mosca apaixonada é mais apropriada para uma quarta-feira sem chuva. Não sou atleta pessimista, salivo mulheres às vezes com um padrão de beleza questionável, em qualquer segmento social. Divisões, divisões...você fica com os seios, eu com a gruta, dispenso tratamento executivo.

O poste traz cartaz do Aldo Demarchi, vejo seu miolo derreter, contorce-se em saltos ornamentais lentos, consome uma textura turva, obscuro reina entre um Palio e um Fusca branco, com adesivo “Felipe a bordo”. “Hey poste, assististe a demolição daquela casa amarela ali?” Não quero tagarelar com você, escute: sua integridade ainda é um bom refrão.

Podíamos montar a orquestra da heresia.O regente eleito : resíduos fecais do Wando, coagulados em Frankfurt, com sabonete Francis.

sábado, julho 15, 2006

Aleatório e indeciso


Rainha é a marca da meia branca. A poltrona, de madeira velha, segura o pé esquerdo, a cadeira é amarela, abriga minhas costas, eu sou pesado, isso vai dar merda. Recostado na tranquilidade de um sábado pós meio-dia. Mulholland Drive . Zé Caderno tentou jogar WWF,versão Genesis, e deixou a desejar: fracasso, overdose de game overs,em sequência. Depois, lá pelas quatro e pouco da magra madruga, cenas interioranas: caminhonetes pretas (uau!) com seus motorzinhos de dentista. Tsc Tsc Tsc. Ontem sabe quem me ligou? Ricardinho Boleiro, futuro vereador de Osasco. E montarei uma sala de cinema em Pirituba. Na semana de estréia só Buñuel. Gratuito e com direito a um copo de Original, só pras seis primeiras pessoas.

Encontrei um livro,espírita, ditado pelo Tolstói. Será que é como ouvir hype pagando de vintage? Tem banda que alisa o cabelo por mais de cinquenta reais, antes do show pra 24 pessoas, e afina direitinho sete vezes a guitarra, com luvas de pelica. Outras já foram carniça, hoje são caroço. Moraria por um dia em Goiânia Rock City. Rumaria posteriormente para o meu sossego em travesseiro azul, ao som de DK.

Jogaram um traque no quintal cinza da Aurora, vizinha carola, e entoaram, a plenos pulmões: PCC. Muito engraçado. Ela deve ter desabotoado o primeiro botão da camisola, e, sentada ao pé da cama, fez um autêntico exame de consciência, muito bem detalhado. Certamente lembrou-se do falecido, tentando afastar do espírito as bárbaries vistas no televisor, ainda não quitado - Dona Aurora, isso aí em cima é William Blake. Didático e despojado. Eu sou o máximo. Calhorda, puxa a cordinha da descarga, lá vem mais poluição, todo mundo pro chão.

quarta-feira, julho 12, 2006

MINHA INFÂNCIA, QUASE BOBOCA, ESSA INFÂNCIA INFAME

Eu caminhava sinuoso, num ziguezaguear sambarilove. Vários biscoitos caninos preenchiam a calçada, inclusive um deles cutucou minha a atenção: de consistência semi pastosa, um dog bolinho estava fincado bem em frente a sorveteria Mike. Isso é lugar pra estacionar, amiguinho? Naquela manhã, respirava em meus devaneios um desejo compulsivo de saborear um gorduroso x-bacon, ainda que soubesse que mamãe faria o mesmo purê de batata de sempre. Bosta. E ainda lembrava da dívida ingrata: devia dez mangos na locadora do centro, resultado de sucessivas bronhas, aliadas a um certo desleixo em matéria de responsa, que me acompanharia por muitos anos ainda.

Adentrei ao supermercado, trombei sem querer com uma tosca cartolina, a alardear uma promoção do papel higiênico Bilu (de textura cor-de-rosa); notei também que o Gatorade maracujá estava em falta. Circulava a esmo pelas prateleiras ineptas, assobiava Good Times Bad Times, e bebi gratuitamente mls dum cafézinho meia boca (a atendente, de cabelo polvilho, repeliu minha vivacidade com seu bigodinho insociável), e infelizmente encontrei meu ex-professor de Educação Física, Jorge Valdemiro, comprando iogurtes. “Estou agora trabalhando no ramo de bolachas de leite”, dizia ele, salientando uma falsa sensação de satisfação. Troquei mais umas duas ou três frases robóticas e dirigi-me ao caixa. O caixa era um sujeito magricela e tonto, municiado por olhos crus de piedade; aproveitei e adquiri um halls preto, apesar do preço não estar adequado ao meu poder de compra naquele momento.

O almoço fora servido com a lentidão de sempre. Mamãe envelheceu achando que Regina Duarte valia mais que Simone de Beauvoir. Mas permita-me o leitor a realizar agora o exercício galante de descrever minha cozinha: bem, a cozinha de casa compunha-se de chão de mármore holandesa, adornada com pegada heavy por paredes de mau hálito e cortinas de Ibitinga, era uma cozinha pálidamente afetuosa. Estava eu na oitava série; um garoto tímido e apaixonado platonicamente por mi Camila, a menina com os seios mais perfeitos do colégio. Quanto tempo noturno eu não gastei flutuando entre minhas irmãs cadeiras, contemplando tórridos beijos com minha musa; como a beijava com desejo teatral! Depois, eu me despedia de Juraci (minha cadeira mais chegada) e rumava lentamente para o meu quarto. Naquela época ainda me perdia aos sons do Volume 4 do Sabbath e o A Night At The Opera do Queen.

Não sei bem o porquê dos gestos, mas resolvi dar mais emoção às minhas férias de julho. Comecei por estrangular um gato imbecil da vizinha do 35, renitente na arte da perturbação ininterrupta do meu sono – eu já tinha apnéia, e o bichano gemia sem fim, suas notas combinavam a dança de um bailarino tagarela, viciada em uma languidez vocálica imperdoável. Arremessei também uma little napalm, feita a muito custo e pesquisa, no quintal de João Sobral, o bacana da cidade. Sabe aquele tipinho esnobe que não passa de uma franga, e acha que pertence ao rol dos Corleone? Pois é, lembro de, após o feito, pedalar reluzente e eufórico pela madrugada, com MC5 estufando de glória meu velho walkman.

segunda-feira, julho 10, 2006

Julho

A gripe ousou tomar espaço. Quão desagradável é constar de saúde portando bengalas, não é mesmo? "Ninguém mandou apanhar sereno, Nélson." O certo é que estou contente, possivelmente como árvore luzidia,apesar de também portar uma outra dor por ali. Não vou morrer cedo, presto atenção demasiada no atravessar de ruas, e também o acaso tem sido companheiro , tudo parece fluir sonoplasticamente à Street Fighting Man, pelo menos na pegada sonora.


Selma. Um vistoso corpanzil. Lisos fios capilares caindo-lhe sob o lado esquerdo da face, aliás uma face rosada e jovial. Selma alimentava pássaros perto de um pequeno riacho, desses que a sua avó diz que é maravilhosamente bucólico, quando você ainda vive os seus oito anos. Tocava sua viola, e aquelas notas amaciavam os ares daquele lugar, banhado por sol gorducho. Ela ouvia os jogos do São Paulo pelo velho rádio, sempre com cautela; alimentava muito carinho por esse aparelho. Seu filho hoje trabalha com Pedro Bial.

sexta-feira, junho 30, 2006

Eduardo, funcionário desajustado.

Eduardo é o mais novo contratado de nossa empresa. Poderá, com segurança , dirigir sua palavra graciosa a qualquer colega de trabalho, sem medo de ser censurado. Desejo sucesso pra ti Eduardo, creio copiosamente nesta sua nova empreitada , a qual deixará benignas marcas em sua caminhada. Mas atenção (aqui cabe talvez o uso do imperativo): deverás demonstrar sua tradicional leveza no diálogo, doses cavalares de paciência, misericórida e simpatia simpática nas relações sociais , características essas que sempre o acompanharam - estou certo disso, não?


Bem, quanto a Eduardo, tive que despedi-lo em menos de duas semanas. Funcionário relapso, chegava demasiadamente embriagado às segundas, terças, quartas e quintas- feiras, não cumpria o expediente no tempo determinado e foi flagrado num desagradável escândalo sexual, fato nunca dantes ocorrido em minha empresa. Confesso que me senti desnorteado ao ser comunicado, pela Fátima, de sua inegável cleptomania convulsa. Você é um menino, Eduardo. Ousou gatunar parte de meus vinis, os mais clássicos, incluindo um autografado pelo mestre Noel, e outros tantos, raros inclusive.



Eduardo agora é massagista da equipe de juvenis do Juventus Rio Claro. Uma profissão e tanto. As condições de trabalho são demasiadamente precárias, o que confere à sua ação um caráter praticamente de voluntariado. O Juventus, versão carroça , mantém o distante sonho de disputar um dia a série B do campeonato paulista, sonho bastante remoto, tolo. O proprietário da equipe, Genésio Lira, sequer goza de uma arcada dentária e ginásio completo, além de ser alvo de chacota, é vítima constante de diversos comentários maldosos pelo bairro. Frequentemente é visto de enlaçadas mãos junto a um um travesti ruivo, de argolas selvagens, gogózinho cintilante, pelos arredores da sede.

Tem mais de oito anos que não recebo notícias de Eduardo. Alguns dizem que comprou um câncer de pulmão seminovo, virou perueiro; outra facção alcoviteira protela que Eduardo, enfim, conseguiu empreender o seu mais nobre projeto: construiu com suor e lágrimas sua tão almejada escola para crianças, com direito à pedagoga maliciosa e tudo mais. Bem, pouco me importa o modo como morrerás; apenas peço adeus Eduardo, e só queria avisar você, caso acesse o meu blog, que continuo a picotar toda a selva de sua avó. Como a velhinha gosta de um esfrega agachadinho, deus do céu! Deflorar, é viver...

sexta-feira, junho 23, 2006

sofri mundis cabelicos pata

Casemira andou a soluçar por toda a extensão da rua, sucumbia dentre nuvens e pedestres; sua dor emergia de um buraco espesso na alma. Caminhou relutante, na direção de um táxi. Já não havia mais algum solução decente a ser tomada ou digerida. Com os olhos arquejando lágrimas de chumbo, cumprimentou Inácio, um ex-amante, dono de Borracharia e parou um táxi.

Após a protocolar saudação inicial, ela tira da bolsa hippie um baseado, todo babado. O taxista, João Carvalho, apresenta uma reação de pavor. Casemira joga o baseado pela janela, o que era uma pena visto que "Purple Haze" emergia quente dos falantes do Vectra 98.

De súbito João Carvalho freia bruscamente, todo vapor no pisão de um NIKE BLUE 44. Ele abre a porta, e num gesto de languidez desenfreada em pânico, some pela rua, gritando um idioma bárbaro sem lei. Casemira assume o controle do veículo e decide bater na casa de um fornecedor. "Hey, quero o Vágner." brande ela, dona de uma teta maior que a outra. "Ele não está". No que ela ia pronunciar "TECID..." os tiros entram, compondo a sinfonia do que é o vício do erro.

O marido morreu carbonizado, ela se extingiu numa arapuca matuta, e o diabo sabe de onde surgiu essa nova pele que acaba de chegar pela escada do desespero. O capeta não desconfia, ele compreende sim, sob a cinza de um charuto meliante o acaso paga-lhe um boquete.

terça-feira, junho 20, 2006

Teresa, Eulália, Rita, Perla, Vanessa, Escória, Giórgia, Preta, Leusa, Argúria, Santa, Cavalona

Mônica, tamanho dos seios regular. Telma, hipocrisia confessa no trato das amigas de sala. Janeth, uma barriga imensa, o bebê morrerá vítima de napalm. Cleusa,, feiticeira do amor: clandestina no Peru, inseriu-se no mercado de trabalho à custa de valorosos favores sexuais. Eunice quis ser cantora, contudo não obteve a performance elástica de uma Tina Turner.

Laurinha, e não é a Figueroa, gosta mesmo é de fisgar executivos em ascensão. Josélia abriu mês passado um asilo na Rua dos Gansos. Madalena ousa ficar fechada para balanço. Olinda continua flertando com os federais, Eulália desce fundo para pegar um livro parnasiano no porão; Patrícia acha que é Marx. A gripe pegou desprevinida as defesas de Aurora, ô Aurora. Eleonora tem boquinha sugestível e vestido marca top, opa.

quarta-feira, junho 14, 2006

Excertos das ruas de sanduíche





A incrível façanha de Jolias, um modesto vendedor de isqueiros.

Confira seu depoimento exclusivo:

“Porra, mó corre; não vendi mái nada, nem tenho u quí cumê, nem crack to fumano , gambé tiro até u zóio...”

Sérgio, ilusionista, à beira do desemprego:

“A última foda foi mês passado. Ela possuía longos pelos no sovaco esquerdo.”

Gertrudes, costureira desavisada:

“Meu marido descobriu as anfetaminas, agora toco uma pra ele toda noite, e o safado dorme feliz, feliz...”

Mercedes Bola-Gato, figura ilustre da Rua Conceição:

“Em tempos de vedete tudo já foi diferente. Hoje eu confio no pastor Marcílio, acho que o caso de pedofilia foi devidamente abafado. Essa operação foi um sucesso.”

Comentários desbaratinados de Elias Lisérgico, heremita falido

“Hemorróida preju? Acho não. Minha sogra já vale o caldo”

Jaqueline Black e suas adjacências gordurosas:

Haxixe é pra fumar e relaxar, eu sou herdeira, vocês é que se fodam.

Arlindo Malta só confere:

“O índice tem a situação íngreme de coadunar-se justamente focado no reajuste anterior a este desatino. Mergulhado em um rendimento anuviante, o quadro licenciará melhorias ou gradativa entropia lúcida sob falsos termos.”

Sebastião Casa Grande:

“...”

E viva a seleção de Togo.

terça-feira, junho 06, 2006

A porpeta selvagem

Em época de Copa, o Vozerio do Inferno é só desgraça.

Desde que Ricardo Coração de Lion resolveu implementar o seu competente sistema de seguros e regalias à escribas, por minha vez decidi começar uma nova série no blog, intitulada de "Mulheres da minha Roça". Contarei aqui causos inusitados de minha vida afetiva, incluíndo alguns episódios outrora censurados em alguns círculos intelectuais.

Conheci Isabela numa tarde de setembro, o sol incidia sob a quadra de cimento, brilhava minha meia elegante, na cor verde, e tudo o mais pedia valsa. Isabela e sua barricada de kilos, arrobas de prazer - pauderescência na certa. O treino do time de basquete iniciara-se sem muito estardalhaço, os rapazes corriam quase que abobalhados, não havia nenhuma estrela ou jogador que desequilibrasse. Eu simulei ir ao banheiro e invadi a sala do coral. Deslizei serelepe, o chão de madeira, o meu all star da moda, invadi o banheiro feminino e lá estava ela,redonda em sua face rosada, esperara conforme o combinado. O banheiro possuía um enorme espelho,acompanhado de no mínimo seis torneiras, cada uma com mais de dez anos de idade. Na outra extremidade seis portas beges, seis privadas.Fomos para a última porta,azulejos quebrados nos esperavam, aquele cantinho foi o nosso reservado, e tórridos momentos seguiram-se então. Agarrei a porpeta com desejo de apocalipse, mandei ela pra parede: chupa daqui, oralidade mútua, ela um rio, eu cachorrão, tudo era alegria imortal, trunfo de teenager, o refrão for fun do tesão vestia a medalha da puberdade.Acordei lambuzado, vestia calça jeans,tinha tirado mais um sonoro D de Matemática. "Favor comunicar aos pais e trazer a prova com a assinatura do responsável", véia filha da puta. Castigo russo e nada de Chapolim, mais uma semana perdida.

quarta-feira, maio 31, 2006

Uma quermesse muito maluca

César pediu um lápis ao primo e começou a escrever versinhos para Tamara. Era fácil. Dez por cento daquilo dava uma trepadinha e uns amassos safados. O primo Joca mesmo era um tolo, dividiria Tamara com César sem sequer pensar que bancaria o palerma. Contudo Tamara deixou os dois na mão, por cinco latas de cerveja Cristal saiu com Odair, o mecânico mais distinto de todo o bairro. Seduzida por suas sofisticadas tatuagens, Tamara engravidou na primeira edição. E agora não poderia haver a segunda edição, cortesia do fenômeno aborto caseiro. Depois do episódio Joca jamais voltou a tentar conceber versinhos e César sumiu sem deixar maiores vestígios. Começaram os preparativos para a quermesse; o vilarejo vivia um clima notório de agitação, a outrora pacata São Getúlio mantinha-se agora “animadinha”.

A festança começaria no domingo à noite, logo após a missa das sete. Comes e bebes de montão nas diversas barracas, rojões baratos e risadas sem graça dos chegados do bairro – era este o cenário promissor de descontração noturna da cidade. Então veio aquele homem politicamente incorreto, arrancou o peru pra fora logo no início da primeira nota da sanfona. Arrancou o pirulito e tratou de arejá-lo por sobre a poupança da patronca mais boazuda daquela festança: Rosilaine. Qual não foi o alvoroço, a incontrolável algazarra daquele momento irreal: mulheres tapando os olhos, rapazes estáticos em transe, adolescentes em puberdade frenéticamente disparando gritos dilacerentes...nessa hora a polícia sempre tá batendo punheta..o taradão parecia estar bastante tranquilo, continuou a executar o seu dinâmico serviço, sem calça com a mão na massa, e a essa hora nem estupro isso era pois Rosilaine gemia feito uma vaca louca. O final dessa história eu nem sei não, mas as lendárias vozes da cidade não exitam: Rosilaine nunca mais pulou fogueira, nega tudo, de pé junto, e nem quer ouvir falar da danada da cobra que assusta a quadrilha todo ano na quermesse.

quinta-feira, maio 25, 2006

A questão não é conseguir...



Quando se sentou, observou o modo distinto do sorriso dela e sentiu o quanto merecia perder algum tempo entre o seu corpo. Mas à medida que bebia, palavras de ódio e desespero pela mente salpicavam, o transportavam bem longe, para outro país, e logo perdeu a chance. Ficou parado, como um imbecil desnutrido de coragem , o mesmo problema de sempre, e quando a morena foi abordada pela concorrência corrente teve então a certeza de sua nulidade social. Queria acariciar diabólicamente aquelas coxas lisas, mas não passou de um bosta, o papel de otário lhe coube novamente com perfeição.

Desceu para outro bar, tinha crescido em tempos de desemprego rolante e sentia-se bem ao lembrar do atual emprego no jornal. Marcelo Lemos, repórter medroso e frouxo ao abordar mulheres. Frenético e eficiente enquanto escriba, porém peso morto como conquistador. A noite era do céu sem fundo e Marcelo seguia apático, chutava uma lata de pepsi twist pelo chão vazio enquanto acendia um falido cigarro. Sentiu o peso da solidão sobre a cabeça, o pescoço e as costas. Seis semanas sem uma reles trepada. Tinha a camisa molhada e sentia o suor escorrer-lhe pelas costas abaixo e entre as pernas. Quando chegou ao bar do Adalberto, respirando lentamente, pediu uma dose vigorosa de conhaque da casa. Conseguia sentir-se e ver-se ali e sabia que nada havia a fazer senão continuar.


domingo, maio 21, 2006

OS JACKSON

Nessa época ninguém utilizava mais 386, seja o SX ou DX. A rapariga curvilínea era toda ousadia, usava o notebook do papai e adorava desfilar com a bolsa caríssima, presente do namorado Peter. O advogado espertalhão comprara para ambos um sachê de maionese. Um estrondo.

O namoro foi feito para durar, contudo ela já não suportava blowjobs ao piano de Ivan Lins. Pé no rabo de Peter é o refrão dessa história.

A família de Peter respirou merda fresca então. Tinham falido havia três semanas e depois tinham-se metido num comboio de Rio Claro a Ajapi, com as bicicletas, uma mala com roupa, uma mochila e um potão de clorofórmio. Pernoitaram num bom rancho, com cachaça, deixaram lá a mala e pensaram em seguir de bicicleta até Limeira. Mas soprava uma gorda preguiça e eles voltaram até um prostíbulo de acesso irrestrito, pernoitaram lá e depois seguiram de bicicleta para qualquer lugar com o vento forte e seco a acompanhá-los. Depois, tinham ido para Ipeúna, porco no rolete, onde ainda se encontravam.

O pai de Peter virou-se, refletiu até ao fundo, tocou a face rósea da esposa, sentindo os pés-de-galinha profundos, e depois voltou à realidade e anddou calmamente a ver o ritmo dos belos pássaros sem nome. Saiu da realidade novamente, aproximou-se da esposa e verificou que ela estava a dormir. Procurou o celular dentro do bolso para ver a que horas a deveria acordar. Havia uma garrafa de vinho branco fresco embrulhada em uma fralda e nas toalhas. Retirou-lhe a rolha sem piscar e amou as toalhas e bebeu um trago daquela birosca lazarenta. Depois, sentou-se a observar a rapariga e por fim estourou os miolos.

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...