Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2006

Pois é Carlinhos, a Unimep resolveu agradar em cheio os estudantes de filosofia e cinéfilos em geral

Enquanto meu velho pai frita na frente do pc, terminando sua declaração do imposto de renda, cá estou em outra modalidade de fritura. Estou tentando permanecer por mais de quarenta segundos analisando os piores momentos da vida que divido com animais pensantes. Sabe, o tédio resolveu atacar covardemente hoje meus estímulos, era apenas o caminho de pegar um café e me dirigir para mais aula de Planejamento Gráfico, mas não, eu tinha que travar um encontro desnecessário com o boçal.Bebi uma garrafão de utopia pela manhã hoje e esqueci por completo de me prevenir ao caminhar pela faculdade : toda vez que observo a fundo os estudantes da Unimep sou tomado de um instantâneo nojo, uma repulsa demente que circula manchas vermelho-sangue por sobre tudo o que me é exaustivo. Publiciotários desfilam inocentes pelo campus com seus bonés coloridos alienantes; saltos de loiras portadoras de merda encefálica carregam risadas deprimentes em seus frenéticos gestos afetados e previsíveis; garotões da m…

Bom marido, esposa perfeita

Oléo, muito óleo, comida oleosa do casal caminhoneiro. Você vê Bill Burdon passando o braço peludo pela cintura de Sarah Lewis - tudo o que eles querem agora é um pouco de descanso em seu pequeno quarto sujo, mofado, e com a geladeira repleta de cerveja barata trincando.Bill Burdon é um cara durão: dormiu segunda-feira pela centésima vez no xadrez. Matou o irmão efeminado aos quatorze anos, numa inocente brincadeira com facas no chão da cozinha. Olhou feio? Ele cospe. Falou algo que lhe desagrada? Burdon desce o braço, na mesma hora. Partiu pra cima dele é bala, é bang bang, é head shot, baby.
Bill administra seu 1,87 de altura com muitas flexões e fumou muita maconha no exército. Masturbava-se regularmente nessa época com revistas de terceira mão, e comeu num velho Ford Petsy, a garota bunduda da língua presa , uma curvilínea rapariga, que por hábito herdado dos pais fazia palavras cruzadas frenéticamente durante as férias. Petsy alcançou 8,5 em Aritmética na época em que menstruou pe…

Sem título

A tarefa de por o lixo na rua é deveras gratificante. Todo santo dia meus punhos adotam o ofício de buscar os restos do meu consumo ignóbil - lá estou eu mandando bronca na missão: ajeito o sacão preto com maestria perto da árvore na frente de casa – um estacionamento gratuito enquanto a noite começa a chegar toda ensaboada e envernizada. Dentro do saco da quarta-feira eu ouço as vozes em ré menor das cascas de banana do domingo, percebo estupefato os bagaços de laranja experimentando um tango do Astor Piazzola, e no final do expediente sensorial ainda assisto um restinho de maionese fazer mímica naquele guardanapo distorcido que é o seu altar. O gari mais gente boa de que se tem notícia é o Vasconcelos. Vasconcelos namorou durante dois anos minha irmã mais velha. Ele jogava futebol de botão comigo e sempre que perdia ia pro banheiro se afundar na coca. Um dia mamãe pegou ele a cheirar sorrateiramente, eu acordei da cama e tudo não passou de um sonho. Era meu aniversário – uma montanh…

Ministério das bad companys

Hey Nélson, vamo no rolê from hell ae?Hmm, como vai cê a fita?Vamo ae, Bar do Zé, sexta stoner : um litro de White Horse e speed freak all night long!Puts, Bandinha rolando surf music e o catsaralho, você nem vai gasta muito com goró lá dentro...
Pfff...Tá dentro?Cara, eu to muito racional e literário hoje. Nem vou.Ah é?Ahan.Passaram-se uns dias. As noites então sucederam-se agradáveis e sem muito alvoroço para os rapazes whisky rock-a-roller. Aí, um dia chego eu, onze da matina, todo torto e com fala arrastada empolgante :Ae rapaziada, vamo moe a cabeça ? Um conhacão ali no bar da esquinoza do veneno turbo por conta do tio aqui, vamo nessa?Iiiii, nem rola, ‘sas’ hora? Cê tá doido.Opa, demoro. Agora é que eu vou viver estalado junto à pulsação do demo. Vai que amanhã eu pego vitiligo e morro desapaixonado.Nem vô Nélson, tenho que trampá.O rolê tem que ser padronizado então? Seu senso de responsabilidade não comporta nada que atinja o horário de almoço de um dia lazarento e não uma bala…

HERMELINDA

Hermelinda, ainda não entendo nada de você. No nosso tempo de namoro, tu fostes ótima para mim, e confesso que amei tua essência com afinco. Depois enjoei de ti, desgaste dois ponto zero. É Hermelinda, por uma dessas essas variantes banais do destino eu acabei rapidamente me separando de ti. Admito que não pude segurar por muito tempo meu passarinho dentro da gaiola, coisas da vida né baby.E um dia eu estava bêbado como um cachorro, e na carência do momento, tentei uma nova aproximação. Você tratou de exercer uma parcela importante do seu orgulho pra cima de mim. Felizmente minha amnésia alcoólica fez a parte dela, pouco eu lembro da nossa conversa tola daquela manhã. Hermelinda, você é uma linda garotinha, contudo é pouco pra mim. No motor aqui não entra qualquer espírito mediano fazendo escala pelo normal-fosco. O normal não combina com minha sede de prazeres. Eu prefiro o subnormal comendo uma salada de demência esquizofrênica à ter que aturarsua sistemática mania de ser boçal ao a…