quarta-feira, maio 31, 2006

Uma quermesse muito maluca

César pediu um lápis ao primo e começou a escrever versinhos para Tamara. Era fácil. Dez por cento daquilo dava uma trepadinha e uns amassos safados. O primo Joca mesmo era um tolo, dividiria Tamara com César sem sequer pensar que bancaria o palerma. Contudo Tamara deixou os dois na mão, por cinco latas de cerveja Cristal saiu com Odair, o mecânico mais distinto de todo o bairro. Seduzida por suas sofisticadas tatuagens, Tamara engravidou na primeira edição. E agora não poderia haver a segunda edição, cortesia do fenômeno aborto caseiro. Depois do episódio Joca jamais voltou a tentar conceber versinhos e César sumiu sem deixar maiores vestígios. Começaram os preparativos para a quermesse; o vilarejo vivia um clima notório de agitação, a outrora pacata São Getúlio mantinha-se agora “animadinha”.

A festança começaria no domingo à noite, logo após a missa das sete. Comes e bebes de montão nas diversas barracas, rojões baratos e risadas sem graça dos chegados do bairro – era este o cenário promissor de descontração noturna da cidade. Então veio aquele homem politicamente incorreto, arrancou o peru pra fora logo no início da primeira nota da sanfona. Arrancou o pirulito e tratou de arejá-lo por sobre a poupança da patronca mais boazuda daquela festança: Rosilaine. Qual não foi o alvoroço, a incontrolável algazarra daquele momento irreal: mulheres tapando os olhos, rapazes estáticos em transe, adolescentes em puberdade frenéticamente disparando gritos dilacerentes...nessa hora a polícia sempre tá batendo punheta..o taradão parecia estar bastante tranquilo, continuou a executar o seu dinâmico serviço, sem calça com a mão na massa, e a essa hora nem estupro isso era pois Rosilaine gemia feito uma vaca louca. O final dessa história eu nem sei não, mas as lendárias vozes da cidade não exitam: Rosilaine nunca mais pulou fogueira, nega tudo, de pé junto, e nem quer ouvir falar da danada da cobra que assusta a quadrilha todo ano na quermesse.

quinta-feira, maio 25, 2006

A questão não é conseguir...



Quando se sentou, observou o modo distinto do sorriso dela e sentiu o quanto merecia perder algum tempo entre o seu corpo. Mas à medida que bebia, palavras de ódio e desespero pela mente salpicavam, o transportavam bem longe, para outro país, e logo perdeu a chance. Ficou parado, como um imbecil desnutrido de coragem , o mesmo problema de sempre, e quando a morena foi abordada pela concorrência corrente teve então a certeza de sua nulidade social. Queria acariciar diabólicamente aquelas coxas lisas, mas não passou de um bosta, o papel de otário lhe coube novamente com perfeição.

Desceu para outro bar, tinha crescido em tempos de desemprego rolante e sentia-se bem ao lembrar do atual emprego no jornal. Marcelo Lemos, repórter medroso e frouxo ao abordar mulheres. Frenético e eficiente enquanto escriba, porém peso morto como conquistador. A noite era do céu sem fundo e Marcelo seguia apático, chutava uma lata de pepsi twist pelo chão vazio enquanto acendia um falido cigarro. Sentiu o peso da solidão sobre a cabeça, o pescoço e as costas. Seis semanas sem uma reles trepada. Tinha a camisa molhada e sentia o suor escorrer-lhe pelas costas abaixo e entre as pernas. Quando chegou ao bar do Adalberto, respirando lentamente, pediu uma dose vigorosa de conhaque da casa. Conseguia sentir-se e ver-se ali e sabia que nada havia a fazer senão continuar.


domingo, maio 21, 2006

OS JACKSON

Nessa época ninguém utilizava mais 386, seja o SX ou DX. A rapariga curvilínea era toda ousadia, usava o notebook do papai e adorava desfilar com a bolsa caríssima, presente do namorado Peter. O advogado espertalhão comprara para ambos um sachê de maionese. Um estrondo.

O namoro foi feito para durar, contudo ela já não suportava blowjobs ao piano de Ivan Lins. Pé no rabo de Peter é o refrão dessa história.

A família de Peter respirou merda fresca então. Tinham falido havia três semanas e depois tinham-se metido num comboio de Rio Claro a Ajapi, com as bicicletas, uma mala com roupa, uma mochila e um potão de clorofórmio. Pernoitaram num bom rancho, com cachaça, deixaram lá a mala e pensaram em seguir de bicicleta até Limeira. Mas soprava uma gorda preguiça e eles voltaram até um prostíbulo de acesso irrestrito, pernoitaram lá e depois seguiram de bicicleta para qualquer lugar com o vento forte e seco a acompanhá-los. Depois, tinham ido para Ipeúna, porco no rolete, onde ainda se encontravam.

O pai de Peter virou-se, refletiu até ao fundo, tocou a face rósea da esposa, sentindo os pés-de-galinha profundos, e depois voltou à realidade e anddou calmamente a ver o ritmo dos belos pássaros sem nome. Saiu da realidade novamente, aproximou-se da esposa e verificou que ela estava a dormir. Procurou o celular dentro do bolso para ver a que horas a deveria acordar. Havia uma garrafa de vinho branco fresco embrulhada em uma fralda e nas toalhas. Retirou-lhe a rolha sem piscar e amou as toalhas e bebeu um trago daquela birosca lazarenta. Depois, sentou-se a observar a rapariga e por fim estourou os miolos.

quinta-feira, maio 18, 2006

Tempos de feridas

Naquela manhã havia biscoitos, sanduíches e refresco de framboesa. Os filhos de Jonas eram pirralhos e tinham um amor pelo tricolor paulista incontestável. Comiam sem ao menos soltar um pio, deliciavam-se com a manteiga que derretia seus paladares de emoção. Mexiam os traseiros com frequência, buscando sempre um melhor ângulo para se ajustarem às preguiçosas cadeiras de vime. Temperavam seus sandubas com uma pitada de sal e pimenta moída. Eram criançolas grandes e obesas, e os seios da rapariga sua mãe eram bem menos servidos que os da jovem filhota. Disto lembrava-se ele bem, e era com satisfação que mergulhava a mão pelos seus testículos, deixando que o tesão o umedecesse, e saboreava os grãos de pimenta grosseiramente moída e bebia o café fumegante e dava uma longa bola no baseado bolado como pastel de fim de feira.

A velha brazoca estava muito estrupiada. Tinham saído de rolêzinho na noite anterior, com o primeiro sopro da brisa, e o jovem Jonas e a rapariga tinham se encachaçado pra valer e depois tinham-se enroscado juntos sob o lençol e readormecido. Tinham feito amor quando estavam com herpes.

segunda-feira, maio 15, 2006

Domingo da esbórnia

Acordei vestindo o paletó da desgraça, mais uma ressaca, os dois olhos inchados, enquanto um empolgante almoço em família me espera. Que tal?

Chego ao meio dia, estou a trajar uma preta bermuda, em sintonia eficiente com minha linda camiseta do River Plate. Digo um olá forçado para os meus parentes inocentes e começo a tossir. Saudável. Dou aquela coçadinha no saco, perambulo pelos quartos, e deparo-me na sala com uma revista automotiva, aberta e amassada, habitante do sofá laranja da minha tia alcoviteira. Porra, cadê o Machado de Assis?

Angu abana o rabo imundo pela sala mal varrida, cãozinho alado, quatro anos de praia - totó bonachão castrado à base de ração barata. Hm, pera aí, isso me parece interessante: um seminovo Master System descansa todo prosa embaixo dum escangalhado televisor CCE, com Califórnia Games estacionado em seu ventre. Meu priminho espoleta Juquinha é fera no surf, os dedos ágeis do rapazinho já lhe valeram sonoros elogios nas rodinhas de bafo e intensas disputas de pega-pega (sem piques).

Tia Valdete me pergunta sobre a faculdade, eu finjo que está tudo supimpa, sou diplomático e simpático, mesmo com dois halls preto na boca. Essa minha tia se faz de santa, mas eu to ligado que ela adora segurar no peru do porteiro, ela devia prestar mais atenção. Muito palosa, essa amante de quinta.

Comi uns pedaços de frango, mastiguei pouco, ao passo de constatar a utilidade de um bom cavanhaque: não sujei a mesa nem o chão e a farinha ficou acasalando com grãos de arroz pelos meus pelos do queixo. Arrotei Pepsi em silêncio.

Meu avô Evair disse uma de suas verdades: ele lava os preservativos gastos para depois usa-los; uma puta iniciativa louvável! Imagino se as donas de casa pegassem os papéis higiênicos marronzinhos - é, esses que ficam amontoados no cesto de lixo do toalete - e os reutilizassem na missão de assoar o nariz. Tô brincando.

Mas, enfim, devo admitir: roubei a carteira do meu avô e comprei mais seis pedrinhas. Eu amo essa sobremesa, mais honesta que os pelos da xoxota da Tia Valdete, que nunca foi vedete. Ah.... não entre nessa de fumar pedra não Juquinha, espera você ganhar um Mega Drive primeiro.Aplausos.

terça-feira, maio 09, 2006

Hoje estou feliz

Jairzinho, vamos pra balada?

Olha só, coloque agora a sua japona preferida

Sirva-se do seu calçado bacana, isso, aquele descolado

Carinha de bebê, sorrisos mil, papo dez....

Cigarrinho de canela, shampoo no cabelinho com mousse

Você é bacana, tá na turma do Marcelo

Vamos azarar, vamos curtir sem camisinha ?

Gaste suas oncinhas e dance pra valer

Só não vale desafinar ok?

Jairzinho, você é o féra-nenêm mais jovial do pedaço

Isso, arrepia geral guri

Muita , muita azaração...

Supimpa

Tá delícia, tá gostoso

Maneiro o seu molejo na pista

Melhor que micareta né mané, muita mulé na fita

Bom, cansou?

Até logo, a gente se tromba no msn, amigão.

Beijos

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...