Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Maio, 2006

Uma quermesse muito maluca

César pediu um lápis ao primo e começou a escrever versinhos para Tamara. Era fácil. Dez por cento daquilo dava uma trepadinha e uns amassos safados. O primo Joca mesmo era um tolo, dividiria Tamara com César sem sequer pensar que bancaria o palerma. Contudo Tamara deixou os dois na mão, por cinco latas de cerveja Cristal saiu com Odair, o mecânico mais distinto de todo o bairro. Seduzida por suas sofisticadas tatuagens, Tamara engravidou na primeira edição. E agora não poderia haver a segunda edição, cortesia do fenômeno aborto caseiro. Depois do episódio Joca jamais voltou a tentar conceber versinhos e César sumiu sem deixar maiores vestígios. Começaram os preparativos para a quermesse; o vilarejo vivia um clima notório de agitação, a outrora pacata São Getúlio mantinha-se agora “animadinha”.A festança começaria no domingo à noite, logo após a missa das sete. Comes e bebes de montão nas diversas barracas, rojões baratos e risadas sem graça dos chegados do bairro – era este o cenário…

A questão não é conseguir...

Quando se sentou, observou o modo distinto do sorriso dela e sentiu o quanto merecia perder algum tempo entre o seu corpo. Mas à medida que bebia, palavras de ódio e desespero pela mente salpicavam, o transportavam bem longe, para outro país, e logo perdeu a chance. Ficou parado, como um imbecil desnutrido de coragem , o mesmo problema de sempre, e quando a morena foi abordada pela concorrência corrente teve então a certeza de sua nulidade social. Queria acariciar diabólicamente aquelas coxas lisas, mas não passou de um bosta, o papel de otário lhe coube novamente com perfeição.Desceu para outro bar, tinha crescido em tempos de desemprego rolante e sentia-se bem ao lembrar do atual emprego no jornal. Marcelo Lemos, repórter medroso e frouxo ao abordar mulheres. Frenético e eficiente enquanto escriba, porém peso morto como conquistador. A noite era do céu sem fundo e Marcelo seguia apático, chutava uma lata de pepsi twist pelo chão vazio enquanto acendia um falido cigarro. Sentiu o pes…

OS JACKSON

Nessa época ninguém utilizava mais 386, seja o SX ou DX. A rapariga curvilínea era toda ousadia, usava o notebook do papai e adorava desfilar com a bolsa caríssima, presente do namorado Peter. O advogado espertalhão comprara para ambos um sachê de maionese. Um estrondo.O namoro foi feito para durar, contudo ela já não suportava blowjobs ao piano de Ivan Lins. Pé no rabo de Peter é o refrão dessa história.A família de Peter respirou merda fresca então. Tinham falido havia três semanas e depois tinham-se metido num comboio de Rio Claro a Ajapi, com as bicicletas, uma mala com roupa, uma mochila e um potão de clorofórmio. Pernoitaram num bom rancho, com cachaça, deixaram lá a mala e pensaram em seguir de bicicleta até Limeira. Mas soprava uma gorda preguiça e eles voltaram até um prostíbulo de acesso irrestrito, pernoitaram lá e depois seguiram de bicicleta para qualquer lugar com o vento forte e seco a acompanhá-los. Depois, tinham ido para Ipeúna, porco no rolete, onde ainda se encontr…

Tempos de feridas

Naquela manhã havia biscoitos, sanduíches e refresco de framboesa. Os filhos de Jonas eram pirralhos e tinham um amor pelo tricolor paulista incontestável. Comiam sem ao menos soltar um pio, deliciavam-se com a manteiga que derretia seus paladares de emoção. Mexiam os traseiros com frequência, buscando sempre um melhor ângulo para se ajustarem às preguiçosas cadeiras de vime. Temperavam seus sandubas com uma pitada de sal e pimenta moída. Eram criançolas grandes e obesas, e os seios da rapariga sua mãe eram bem menos servidos que os da jovem filhota. Disto lembrava-se ele bem, e era com satisfação que mergulhava a mão pelos seus testículos, deixando que o tesão o umedecesse, e saboreava os grãos de pimenta grosseiramente moída e bebia o café fumegante e dava uma longa bola no baseado bolado como pastel de fim de feira. A velha brazoca estava muito estrupiada. Tinham saído de rolêzinho na noite anterior, com o primeiro sopro da brisa, e o jovem Jonas e a rapariga tinham se encachaçado …

Domingo da esbórnia

Acordei vestindo o paletó da desgraça, mais uma ressaca, os dois olhos inchados, enquanto um empolgante almoço em família me espera. Que tal? Chego ao meio dia, estou a trajar uma preta bermuda, em sintonia eficiente com minha linda camiseta do River Plate. Digo um olá forçado para os meus parentes inocentes e começo a tossir. Saudável. Dou aquela coçadinha no saco, perambulo pelos quartos, e deparo-me na sala com uma revista automotiva, aberta e amassada, habitante do sofá laranja da minha tia alcoviteira. Porra, cadê o Machado de Assis? Angu abana o rabo imundo pela sala mal varrida, cãozinho alado, quatro anos de praia - totó bonachão castrado à base de ração barata. Hm, pera aí, isso me parece interessante: um seminovo Master System descansa todo prosa embaixo dum escangalhado televisor CCE, com Califórnia Games estacionado em seu ventre. Meu priminho espoleta Juquinha é fera no surf, os dedos ágeis do rapazinho já lhe valeram sonoros elogios nas rodinhas de bafo e intensas disput…

Hoje estou feliz

Jairzinho, vamos pra balada?

Olha só, coloque agora a sua japona preferida

Sirva-se do seu calçado bacana, isso, aquele descolado

Carinha de bebê, sorrisos mil, papo dez....

Cigarrinho de canela, shampoo no cabelinho com mousse

Você é bacana, tá na turma do Marcelo

Vamos azarar, vamos curtir sem camisinha ?

Gaste suas oncinhas e dance pra valer

Só não vale desafinar ok?

Jairzinho, você é o féra-nenêm mais jovial do pedaço

Isso, arrepia geral guri

Muita , muita azaração...

Supimpa

Tá delícia, tá gostoso

Maneiro o seu molejo na pista

Melhor que micareta né mané, muita mulé na fita

Bom, cansou?

Até logo, a gente se tromba no msn, amigão.

Beijos