sexta-feira, junho 30, 2006

Eduardo, funcionário desajustado.

Eduardo é o mais novo contratado de nossa empresa. Poderá, com segurança , dirigir sua palavra graciosa a qualquer colega de trabalho, sem medo de ser censurado. Desejo sucesso pra ti Eduardo, creio copiosamente nesta sua nova empreitada , a qual deixará benignas marcas em sua caminhada. Mas atenção (aqui cabe talvez o uso do imperativo): deverás demonstrar sua tradicional leveza no diálogo, doses cavalares de paciência, misericórida e simpatia simpática nas relações sociais , características essas que sempre o acompanharam - estou certo disso, não?


Bem, quanto a Eduardo, tive que despedi-lo em menos de duas semanas. Funcionário relapso, chegava demasiadamente embriagado às segundas, terças, quartas e quintas- feiras, não cumpria o expediente no tempo determinado e foi flagrado num desagradável escândalo sexual, fato nunca dantes ocorrido em minha empresa. Confesso que me senti desnorteado ao ser comunicado, pela Fátima, de sua inegável cleptomania convulsa. Você é um menino, Eduardo. Ousou gatunar parte de meus vinis, os mais clássicos, incluindo um autografado pelo mestre Noel, e outros tantos, raros inclusive.



Eduardo agora é massagista da equipe de juvenis do Juventus Rio Claro. Uma profissão e tanto. As condições de trabalho são demasiadamente precárias, o que confere à sua ação um caráter praticamente de voluntariado. O Juventus, versão carroça , mantém o distante sonho de disputar um dia a série B do campeonato paulista, sonho bastante remoto, tolo. O proprietário da equipe, Genésio Lira, sequer goza de uma arcada dentária e ginásio completo, além de ser alvo de chacota, é vítima constante de diversos comentários maldosos pelo bairro. Frequentemente é visto de enlaçadas mãos junto a um um travesti ruivo, de argolas selvagens, gogózinho cintilante, pelos arredores da sede.

Tem mais de oito anos que não recebo notícias de Eduardo. Alguns dizem que comprou um câncer de pulmão seminovo, virou perueiro; outra facção alcoviteira protela que Eduardo, enfim, conseguiu empreender o seu mais nobre projeto: construiu com suor e lágrimas sua tão almejada escola para crianças, com direito à pedagoga maliciosa e tudo mais. Bem, pouco me importa o modo como morrerás; apenas peço adeus Eduardo, e só queria avisar você, caso acesse o meu blog, que continuo a picotar toda a selva de sua avó. Como a velhinha gosta de um esfrega agachadinho, deus do céu! Deflorar, é viver...

sexta-feira, junho 23, 2006

sofri mundis cabelicos pata

Casemira andou a soluçar por toda a extensão da rua, sucumbia dentre nuvens e pedestres; sua dor emergia de um buraco espesso na alma. Caminhou relutante, na direção de um táxi. Já não havia mais algum solução decente a ser tomada ou digerida. Com os olhos arquejando lágrimas de chumbo, cumprimentou Inácio, um ex-amante, dono de Borracharia e parou um táxi.

Após a protocolar saudação inicial, ela tira da bolsa hippie um baseado, todo babado. O taxista, João Carvalho, apresenta uma reação de pavor. Casemira joga o baseado pela janela, o que era uma pena visto que "Purple Haze" emergia quente dos falantes do Vectra 98.

De súbito João Carvalho freia bruscamente, todo vapor no pisão de um NIKE BLUE 44. Ele abre a porta, e num gesto de languidez desenfreada em pânico, some pela rua, gritando um idioma bárbaro sem lei. Casemira assume o controle do veículo e decide bater na casa de um fornecedor. "Hey, quero o Vágner." brande ela, dona de uma teta maior que a outra. "Ele não está". No que ela ia pronunciar "TECID..." os tiros entram, compondo a sinfonia do que é o vício do erro.

O marido morreu carbonizado, ela se extingiu numa arapuca matuta, e o diabo sabe de onde surgiu essa nova pele que acaba de chegar pela escada do desespero. O capeta não desconfia, ele compreende sim, sob a cinza de um charuto meliante o acaso paga-lhe um boquete.

terça-feira, junho 20, 2006

Teresa, Eulália, Rita, Perla, Vanessa, Escória, Giórgia, Preta, Leusa, Argúria, Santa, Cavalona

Mônica, tamanho dos seios regular. Telma, hipocrisia confessa no trato das amigas de sala. Janeth, uma barriga imensa, o bebê morrerá vítima de napalm. Cleusa,, feiticeira do amor: clandestina no Peru, inseriu-se no mercado de trabalho à custa de valorosos favores sexuais. Eunice quis ser cantora, contudo não obteve a performance elástica de uma Tina Turner.

Laurinha, e não é a Figueroa, gosta mesmo é de fisgar executivos em ascensão. Josélia abriu mês passado um asilo na Rua dos Gansos. Madalena ousa ficar fechada para balanço. Olinda continua flertando com os federais, Eulália desce fundo para pegar um livro parnasiano no porão; Patrícia acha que é Marx. A gripe pegou desprevinida as defesas de Aurora, ô Aurora. Eleonora tem boquinha sugestível e vestido marca top, opa.

quarta-feira, junho 14, 2006

Excertos das ruas de sanduíche





A incrível façanha de Jolias, um modesto vendedor de isqueiros.

Confira seu depoimento exclusivo:

“Porra, mó corre; não vendi mái nada, nem tenho u quí cumê, nem crack to fumano , gambé tiro até u zóio...”

Sérgio, ilusionista, à beira do desemprego:

“A última foda foi mês passado. Ela possuía longos pelos no sovaco esquerdo.”

Gertrudes, costureira desavisada:

“Meu marido descobriu as anfetaminas, agora toco uma pra ele toda noite, e o safado dorme feliz, feliz...”

Mercedes Bola-Gato, figura ilustre da Rua Conceição:

“Em tempos de vedete tudo já foi diferente. Hoje eu confio no pastor Marcílio, acho que o caso de pedofilia foi devidamente abafado. Essa operação foi um sucesso.”

Comentários desbaratinados de Elias Lisérgico, heremita falido

“Hemorróida preju? Acho não. Minha sogra já vale o caldo”

Jaqueline Black e suas adjacências gordurosas:

Haxixe é pra fumar e relaxar, eu sou herdeira, vocês é que se fodam.

Arlindo Malta só confere:

“O índice tem a situação íngreme de coadunar-se justamente focado no reajuste anterior a este desatino. Mergulhado em um rendimento anuviante, o quadro licenciará melhorias ou gradativa entropia lúcida sob falsos termos.”

Sebastião Casa Grande:

“...”

E viva a seleção de Togo.

terça-feira, junho 06, 2006

A porpeta selvagem

Em época de Copa, o Vozerio do Inferno é só desgraça.

Desde que Ricardo Coração de Lion resolveu implementar o seu competente sistema de seguros e regalias à escribas, por minha vez decidi começar uma nova série no blog, intitulada de "Mulheres da minha Roça". Contarei aqui causos inusitados de minha vida afetiva, incluíndo alguns episódios outrora censurados em alguns círculos intelectuais.

Conheci Isabela numa tarde de setembro, o sol incidia sob a quadra de cimento, brilhava minha meia elegante, na cor verde, e tudo o mais pedia valsa. Isabela e sua barricada de kilos, arrobas de prazer - pauderescência na certa. O treino do time de basquete iniciara-se sem muito estardalhaço, os rapazes corriam quase que abobalhados, não havia nenhuma estrela ou jogador que desequilibrasse. Eu simulei ir ao banheiro e invadi a sala do coral. Deslizei serelepe, o chão de madeira, o meu all star da moda, invadi o banheiro feminino e lá estava ela,redonda em sua face rosada, esperara conforme o combinado. O banheiro possuía um enorme espelho,acompanhado de no mínimo seis torneiras, cada uma com mais de dez anos de idade. Na outra extremidade seis portas beges, seis privadas.Fomos para a última porta,azulejos quebrados nos esperavam, aquele cantinho foi o nosso reservado, e tórridos momentos seguiram-se então. Agarrei a porpeta com desejo de apocalipse, mandei ela pra parede: chupa daqui, oralidade mútua, ela um rio, eu cachorrão, tudo era alegria imortal, trunfo de teenager, o refrão for fun do tesão vestia a medalha da puberdade.Acordei lambuzado, vestia calça jeans,tinha tirado mais um sonoro D de Matemática. "Favor comunicar aos pais e trazer a prova com a assinatura do responsável", véia filha da puta. Castigo russo e nada de Chapolim, mais uma semana perdida.

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...