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Mostrando postagens de Julho, 2006

Segundona braba

Parto agora, oito e quinze da manhã, na incólume tentativa de não obterpesadelos gore. Um ou outro fantasma turvo, que assombra essa minha memória moicana, provavelmente fará uma intervenção, e prontamente retribuirei, com kilos de uma risada pirata, de papel crepom. A garagem marionesca descansa à olhos blindados no escuro, e os pés são aquecidos com meias gospel, que não viram Miles Davis em algum pub, mas ao menos ouviram uma gravação, sob pesada fumaça de background fosco. Foda.Em terras provincianas, o frio denso afugenta corpos, e ambientes boêmios permanecem inertes, vazios e imbecis. E ainda hoje, o prato depois das seis é o reinício glorioso, de minhas “...” aulas de Jornalismo. Bora pro Bar do Marcão, desce aquela Antarctica.O domingo elegeu (otimismo hein?) personas de gesticular braçal não-blasé, graças à doses de ousadia...esses foram felizes enquanto o relógio obedecia seus ponteiros bêbados; outros tantos abaixaram seus chifres e esvaziaram seu âmago motivacional, já ap…

BOA TARDE, VIZINHANÇA. ESTOU DE QUARTO NOVO NO SANATÓRIO

E vai Crarinha, no país do xucoxuco. Aborda o tomate Pope, que lhe diz "Olá Crarinha, que bom que passei sem trancinhas!". Ela sabe o que é ser sem ter um aprendiz. E vai Crarinha, toda assim, ziguezague de olhares, suspira dentro da sua torre de marfim. Ontem a chuva aparecera ranzinza, quase covarde, hoje seu cheirinho morreu. A chuva morreu também. Crarinha, sabe pra que lado vai o vento verde amanhã? Tentei segui-lo dia desses, tive que aguardá-lo no Mercado Municipal, encarava um risólis. Sem sal, Crarinha. A chuva morreu, Crarinha, e convidaram a Lua Cega para os cânticos no funeral. "Sol maior, rebole um versinho gaúcho, Josias". Será que a Crarinha ainda parece novinha? Parece. É. Parece. É sim, Crarinha; =)






Terça

Que beleza, Jesus passou no vestibular. Eliana permanece em coma.Eu vou dizer pra você, meu bem: não gosto de nada em você. Quem sou eu pra dublar você? Ninguém. Tanto não diferencio “seres humanos”, que absorvo aos flatos o quão tu és indistinta. Decerto ainda encosto no travesseiro e aparece : roubei um simpático Jack Daniels do teu pai, mais um vovô sacana pedindo derrame. Rememorar do falso encanto de nossos dias e noites é ouvir vinil sem faixa, num vaso sem flor; e chega desse confessionário, parecido com pizza de “datilógrafo(a) de blog autopiedoso pedante”. Aliás, pareço com nada, nem sobra escárnio pro final do expediente. Veja Sandrinha: começa seu diário manco, de prima regala-se com uma sucinta exposição referente ao repertório de sua persona abstrata; retoricamente aparenta ser resoluta, sem deixar manchas de risco de ser desmascarada por desocupados. Depois começam os onanismos de calça jeans cool. E tome conversa pra fiote roncar. Esqueceram de avisar a arquibancada “va…

Pra amanhã peidar terrorismo

Ah, como é bom espalhar falcatruas, mentiras selecionadas, esparramar lorotas imbecis pelo ventre da avenida sete. Dispenso com um sorriso invisível o conceito de normalidade dentro da engenhosa ciência das habilidades sociais.Três e meia da manhã, um nóia, bermuda de pano puto, quer uma paulada. A polícia inexiste no coração da razão. O nóia vende pregas por mais uma paulada. Plástico ou pino?Hmm, a narina esquerda trepa com o perfume de uma pedra de rica procedência. Denuncie ao telefone, traficantes, analfabetos, despachantes, e senhores sem carteira de habilitação.Use o telefone do colégio interno, e pense em boletos bancários, por três segundos, apenas. Três e quarenta, preciso de uma boa virada. Antarctica. Cerro cigarro aos montes, coloco a mão quente nos bolso, procuro dopamina em brasa. Pessoas de moletom à minha volta carregam, sem estilo, olhares parasitas, uma mosca apaixonada é mais apropriada para uma quarta-feira sem chuva. Não sou atleta pessimista, salivo mulheres às …

Aleatório e indeciso

Rainha é a marca da meia branca. A poltrona, de madeira velha, segura o pé esquerdo, a cadeira é amarela, abriga minhas costas, eu sou pesado, isso vai dar merda. Recostado na tranquilidade de um sábado pós meio-dia. Mulholland Drive. Zé Caderno tentou jogar WWF,versão Genesis, e deixou a desejar: fracasso, overdose de game overs,em sequência. Depois, lá pelas quatro e pouco da magra madruga, cenas interioranas: caminhonetes pretas (uau!) com seus motorzinhos de dentista. Tsc Tsc Tsc. Ontem sabe quem me ligou? Ricardinho Boleiro, futuro vereador de Osasco. E montarei uma sala de cinema em Pirituba. Na semana de estréia só Buñuel. Gratuito e com direito a um copo de Original, só pras seis primeiras pessoas.

Encontrei um livro,espírita, ditado pelo Tolstói. Será que é como ouvir hype pagando de vintage? Tem banda que alisa o cabelo por mais de cinquenta reais, antes do show pra 24 pessoas, e afina direitinho sete vezes a guitarra, com luvas de pelica. Outras já foram carniça, hoje são …

MINHA INFÂNCIA, QUASE BOBOCA, ESSA INFÂNCIA INFAME

Eu caminhava sinuoso, num ziguezaguear sambarilove. Vários biscoitos caninos preenchiam a calçada, inclusive um deles cutucou minha a atenção: de consistência semi pastosa, um dog bolinho estava fincado bem em frente a sorveteria Mike. Isso é lugar pra estacionar, amiguinho? Naquela manhã, respirava em meus devaneios um desejo compulsivo de saborear um gorduroso x-bacon, ainda que soubesse que mamãe faria o mesmo purê de batata de sempre. Bosta. E ainda lembrava da dívida ingrata: devia dez mangos na locadora do centro, resultado de sucessivas bronhas, aliadas a um certo desleixo em matéria de responsa, que me acompanharia por muitos anos ainda.Adentrei ao supermercado, trombei sem querer com uma tosca cartolina, a alardear uma promoção do papel higiênico Bilu (de textura cor-de-rosa); notei também que o Gatorade maracujá estava em falta. Circulava a esmo pelas prateleiras ineptas, assobiava Good Times Bad Times, e bebi gratuitamente mls dum cafézinho meia boca (a atendente, de cabel…

Julho

A gripe ousou tomar espaço. Quão desagradável é constar de saúde portando bengalas, não é mesmo? "Ninguém mandou apanhar sereno, Nélson." O certo é que estou contente, possivelmente como árvore luzidia,apesar de também portar uma outra dor por ali. Não vou morrer cedo, presto atenção demasiada no atravessar de ruas, e também o acaso tem sido companheiro , tudo parece fluir sonoplasticamente à Street Fighting Man, pelo menos na pegada sonora.


Selma. Um vistoso corpanzil. Lisos fios capilares caindo-lhe sob o lado esquerdo da face, aliás uma face rosada e jovial. Selma alimentava pássaros perto de um pequeno riacho, desses que a sua avó diz que é maravilhosamente bucólico, quando você ainda vive os seus oito anos. Tocava sua viola, e aquelas notas amaciavam os ares daquele lugar, banhado por sol gorducho. Ela ouvia os jogos do São Paulo pelo velho rádio, sempre com cautela; alimentava muito carinho por esse aparelho. Seu filho hoje trabalha com Pedro Bial.