segunda-feira, julho 31, 2006

Segundona braba

Parto agora, oito e quinze da manhã, na incólume tentativa de não obter pesadelos gore. Um ou outro fantasma turvo, que assombra essa minha memória moicana, provavelmente fará uma intervenção, e prontamente retribuirei, com kilos de uma risada pirata, de papel crepom. A garagem marionesca descansa à olhos blindados no escuro, e os pés são aquecidos com meias gospel, que não viram Miles Davis em algum pub, mas ao menos ouviram uma gravação, sob pesada fumaça de background fosco. Foda.

Em terras provincianas, o frio denso afugenta corpos, e ambientes boêmios permanecem inertes, vazios e imbecis. E ainda hoje, o prato depois das seis é o reinício glorioso, de minhas “...” aulas de Jornalismo. Bora pro Bar do Marcão, desce aquela Antarctica.O domingo elegeu (otimismo hein?) personas de gesticular braçal não-blasé, graças à doses de ousadia...esses foram felizes enquanto o relógio obedecia seus ponteiros bêbados; outros tantos abaixaram seus chifres e esvaziaram seu âmago motivacional, já apático e nocauteado, com uma morna volta pra casa, talvez para lerem páginas em branco de “Quando Nietzsche chorou”. Uma pena. Aliás, o Peninha sempre arrumava uma encrenca firmeza, e o pato Donald é que pagava o ...porra, que tagarelar benflogin. Imagine do John Lennon tocada pelo Amado Batista, anfetaminado, levando suas notas piegas num detonado piano azul calcinha, e o barman é o Faustão, magro e humilde(aplausos). Segunda-feira, sem conhaque avulso, mas atirando filosofia from hell, história de Butão e um canivete moral, para cócegas na perereca suja da sósia de Hebe Camargo.

quinta-feira, julho 27, 2006

BOA TARDE, VIZINHANÇA. ESTOU DE QUARTO NOVO NO SANATÓRIO


E vai Crarinha, no país do xucoxuco. Aborda o tomate Pope, que lhe diz "Olá Crarinha, que bom que passei sem trancinhas!". Ela sabe o que é ser sem ter um aprendiz. E vai Crarinha, toda assim, ziguezague de olhares, suspira dentro da sua torre de marfim. Ontem a chuva aparecera ranzinza, quase covarde, hoje seu cheirinho morreu. A chuva morreu também. Crarinha, sabe pra que lado vai o vento verde amanhã? Tentei segui-lo dia desses, tive que aguardá-lo no Mercado Municipal, encarava um risólis. Sem sal, Crarinha. A chuva morreu, Crarinha, e convidaram a Lua Cega para os cânticos no funeral. "Sol maior, rebole um versinho gaúcho, Josias". Será que a Crarinha ainda parece novinha? Parece. É. Parece. É sim, Crarinha; =)






terça-feira, julho 25, 2006

Terça

Que beleza, Jesus passou no vestibular. Eliana permanece em coma.

Eu vou dizer pra você, meu bem: não gosto de nada em você. Quem sou eu pra dublar você? Ninguém. Tanto não diferencio “seres humanos”, que absorvo aos flatos o quão tu és indistinta. Decerto ainda encosto no travesseiro e aparece : roubei um simpático Jack Daniels do teu pai, mais um vovô sacana pedindo derrame. Rememorar do falso encanto de nossos dias e noites é ouvir vinil sem faixa, num vaso sem flor; e chega desse confessionário, parecido com pizza de “datilógrafo(a) de blog autopiedoso pedante”. Aliás, pareço com nada, nem sobra escárnio pro final do expediente. Veja Sandrinha: começa seu diário manco, de prima regala-se com uma sucinta exposição referente ao repertório de sua persona abstrata; retoricamente aparenta ser resoluta, sem deixar manchas de risco de ser desmascarada por desocupados. Depois começam os onanismos de calça jeans cool. E tome conversa pra fiote roncar. Esqueceram de avisar a arquibancada “valente” acerca dos dotes precisos do diabólico esquadro Eugênia, e como sua cinta-liga flerta com meu falo em perigosas doses.

Eu matei por engano, mas não juro que não sorri lentamente depois. Meu pai faleceu de um tiro meu.

quinta-feira, julho 20, 2006

Pra amanhã peidar terrorismo


Ah, como é bom espalhar falcatruas, mentiras selecionadas, esparramar lorotas imbecis pelo ventre da avenida sete. Dispenso com um sorriso invisível o conceito de normalidade dentro da engenhosa ciência das habilidades sociais.

Três e meia da manhã, um nóia, bermuda de pano puto, quer uma paulada. A polícia inexiste no coração da razão. O nóia vende pregas por mais uma paulada. Plástico ou pino?Hmm, a narina esquerda trepa com o perfume de uma pedra de rica procedência. Denuncie ao telefone, traficantes, analfabetos, despachantes, e senhores sem carteira de habilitação.Use o telefone do colégio interno, e pense em boletos bancários, por três segundos, apenas. Três e quarenta, preciso de uma boa virada. Antarctica. Cerro cigarro aos montes, coloco a mão quente nos bolso, procuro dopamina em brasa. Pessoas de moletom à minha volta carregam, sem estilo, olhares parasitas, uma mosca apaixonada é mais apropriada para uma quarta-feira sem chuva. Não sou atleta pessimista, salivo mulheres às vezes com um padrão de beleza questionável, em qualquer segmento social. Divisões, divisões...você fica com os seios, eu com a gruta, dispenso tratamento executivo.

O poste traz cartaz do Aldo Demarchi, vejo seu miolo derreter, contorce-se em saltos ornamentais lentos, consome uma textura turva, obscuro reina entre um Palio e um Fusca branco, com adesivo “Felipe a bordo”. “Hey poste, assististe a demolição daquela casa amarela ali?” Não quero tagarelar com você, escute: sua integridade ainda é um bom refrão.

Podíamos montar a orquestra da heresia.O regente eleito : resíduos fecais do Wando, coagulados em Frankfurt, com sabonete Francis.

sábado, julho 15, 2006

Aleatório e indeciso


Rainha é a marca da meia branca. A poltrona, de madeira velha, segura o pé esquerdo, a cadeira é amarela, abriga minhas costas, eu sou pesado, isso vai dar merda. Recostado na tranquilidade de um sábado pós meio-dia. Mulholland Drive . Zé Caderno tentou jogar WWF,versão Genesis, e deixou a desejar: fracasso, overdose de game overs,em sequência. Depois, lá pelas quatro e pouco da magra madruga, cenas interioranas: caminhonetes pretas (uau!) com seus motorzinhos de dentista. Tsc Tsc Tsc. Ontem sabe quem me ligou? Ricardinho Boleiro, futuro vereador de Osasco. E montarei uma sala de cinema em Pirituba. Na semana de estréia só Buñuel. Gratuito e com direito a um copo de Original, só pras seis primeiras pessoas.

Encontrei um livro,espírita, ditado pelo Tolstói. Será que é como ouvir hype pagando de vintage? Tem banda que alisa o cabelo por mais de cinquenta reais, antes do show pra 24 pessoas, e afina direitinho sete vezes a guitarra, com luvas de pelica. Outras já foram carniça, hoje são caroço. Moraria por um dia em Goiânia Rock City. Rumaria posteriormente para o meu sossego em travesseiro azul, ao som de DK.

Jogaram um traque no quintal cinza da Aurora, vizinha carola, e entoaram, a plenos pulmões: PCC. Muito engraçado. Ela deve ter desabotoado o primeiro botão da camisola, e, sentada ao pé da cama, fez um autêntico exame de consciência, muito bem detalhado. Certamente lembrou-se do falecido, tentando afastar do espírito as bárbaries vistas no televisor, ainda não quitado - Dona Aurora, isso aí em cima é William Blake. Didático e despojado. Eu sou o máximo. Calhorda, puxa a cordinha da descarga, lá vem mais poluição, todo mundo pro chão.

quarta-feira, julho 12, 2006

MINHA INFÂNCIA, QUASE BOBOCA, ESSA INFÂNCIA INFAME

Eu caminhava sinuoso, num ziguezaguear sambarilove. Vários biscoitos caninos preenchiam a calçada, inclusive um deles cutucou minha a atenção: de consistência semi pastosa, um dog bolinho estava fincado bem em frente a sorveteria Mike. Isso é lugar pra estacionar, amiguinho? Naquela manhã, respirava em meus devaneios um desejo compulsivo de saborear um gorduroso x-bacon, ainda que soubesse que mamãe faria o mesmo purê de batata de sempre. Bosta. E ainda lembrava da dívida ingrata: devia dez mangos na locadora do centro, resultado de sucessivas bronhas, aliadas a um certo desleixo em matéria de responsa, que me acompanharia por muitos anos ainda.

Adentrei ao supermercado, trombei sem querer com uma tosca cartolina, a alardear uma promoção do papel higiênico Bilu (de textura cor-de-rosa); notei também que o Gatorade maracujá estava em falta. Circulava a esmo pelas prateleiras ineptas, assobiava Good Times Bad Times, e bebi gratuitamente mls dum cafézinho meia boca (a atendente, de cabelo polvilho, repeliu minha vivacidade com seu bigodinho insociável), e infelizmente encontrei meu ex-professor de Educação Física, Jorge Valdemiro, comprando iogurtes. “Estou agora trabalhando no ramo de bolachas de leite”, dizia ele, salientando uma falsa sensação de satisfação. Troquei mais umas duas ou três frases robóticas e dirigi-me ao caixa. O caixa era um sujeito magricela e tonto, municiado por olhos crus de piedade; aproveitei e adquiri um halls preto, apesar do preço não estar adequado ao meu poder de compra naquele momento.

O almoço fora servido com a lentidão de sempre. Mamãe envelheceu achando que Regina Duarte valia mais que Simone de Beauvoir. Mas permita-me o leitor a realizar agora o exercício galante de descrever minha cozinha: bem, a cozinha de casa compunha-se de chão de mármore holandesa, adornada com pegada heavy por paredes de mau hálito e cortinas de Ibitinga, era uma cozinha pálidamente afetuosa. Estava eu na oitava série; um garoto tímido e apaixonado platonicamente por mi Camila, a menina com os seios mais perfeitos do colégio. Quanto tempo noturno eu não gastei flutuando entre minhas irmãs cadeiras, contemplando tórridos beijos com minha musa; como a beijava com desejo teatral! Depois, eu me despedia de Juraci (minha cadeira mais chegada) e rumava lentamente para o meu quarto. Naquela época ainda me perdia aos sons do Volume 4 do Sabbath e o A Night At The Opera do Queen.

Não sei bem o porquê dos gestos, mas resolvi dar mais emoção às minhas férias de julho. Comecei por estrangular um gato imbecil da vizinha do 35, renitente na arte da perturbação ininterrupta do meu sono – eu já tinha apnéia, e o bichano gemia sem fim, suas notas combinavam a dança de um bailarino tagarela, viciada em uma languidez vocálica imperdoável. Arremessei também uma little napalm, feita a muito custo e pesquisa, no quintal de João Sobral, o bacana da cidade. Sabe aquele tipinho esnobe que não passa de uma franga, e acha que pertence ao rol dos Corleone? Pois é, lembro de, após o feito, pedalar reluzente e eufórico pela madrugada, com MC5 estufando de glória meu velho walkman.

segunda-feira, julho 10, 2006

Julho

A gripe ousou tomar espaço. Quão desagradável é constar de saúde portando bengalas, não é mesmo? "Ninguém mandou apanhar sereno, Nélson." O certo é que estou contente, possivelmente como árvore luzidia,apesar de também portar uma outra dor por ali. Não vou morrer cedo, presto atenção demasiada no atravessar de ruas, e também o acaso tem sido companheiro , tudo parece fluir sonoplasticamente à Street Fighting Man, pelo menos na pegada sonora.


Selma. Um vistoso corpanzil. Lisos fios capilares caindo-lhe sob o lado esquerdo da face, aliás uma face rosada e jovial. Selma alimentava pássaros perto de um pequeno riacho, desses que a sua avó diz que é maravilhosamente bucólico, quando você ainda vive os seus oito anos. Tocava sua viola, e aquelas notas amaciavam os ares daquele lugar, banhado por sol gorducho. Ela ouvia os jogos do São Paulo pelo velho rádio, sempre com cautela; alimentava muito carinho por esse aparelho. Seu filho hoje trabalha com Pedro Bial.

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...