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Mostrando postagens de Setembro, 2006

Desagradável

Era um rapaz agradável, todo de manias experimentais. Trabalhava na padaria do Joca, serviço árduo, dizia ele, com salivas infestando sua boca desgraçada. Apaixonara-se na era da brilhantina por Rosângela, pagodeira cadeiruda e salutar no trato de pênis diversos. Deteve a namorada num flagrante difícil, o time de futsal do bairro currando a dita cuja. Desagradável. *** Bolinou a tia, como desejava aquele momento! De uma torridez confessa, aquele momento fora recheado por espermatozóides pastosos pela cozinha barroca. Terminou o trampo e dois dias após adquiriu um aneurisma. Desagradável. *** Tocava um violão bacana, era o bam bam bam no cortiço. Executava notas mágicas, de Dilermando Reis à Yamandu, num floreado claudicante. Um dia loser ingeriu um ovo podre. Adoeceu. Vendeu o violão Tonante para pagar os remédios. Seu pai quebrou o triste pacotinho que continha os remédios com o seu ENORME traseiro, e, uma vez perfurado o ânus, caiu duro na sala. Desagradável. *** Na minha sala há pessoas …

Resoluções (...)

É inegavél. Você é gostosa. Rebola copiosamente a cada passada. Manhosa? Quero é lhe embebedar de vinho podre, te amarrar no meio do Horto Florestal - tacar fogo enquanto inutilmente grita, já dilacerada pela dor. E quando minha garrafa de Dreher acabar você irá custear a próxima.Ficamos tempos e estações obscuras em silêncio - longos foram os dias sem podermos trocar olhares sujos, obscenos entreolhares de pesadas nuvens. Olhe para o seu lado esquerdo agora.Os namoros contemporâneos escorregam feio, vejo as pessoas trocarem a vida por fórmulas prosaicas de duplas sertanejas do AMOR. Amor é o caralho. Certamente sei que tu invariavelmente confude a minha alma com a de um tiozinho sonhador, idealista da cachaça, poeta puto do prazer barato. Foda-se; é, foda-se, nunca serás igual ao meu pior vômito, e sabes disso.Passemos agora para o tratamento imediato das resoluções de fim de ano: Pensar mais no meu pau e não pagar cerveja para estranhos depois das duas da madrugada rouca.Esporrear e…

Vai pra lá

Sumaré, cidade da pá virada, Sumaré the city of crack - a estrada maldita da perdição deficitária, caminho estreito do soluço do bêbado, do canhão na têmpora, da privada eternamente entupida, contaminada.
***
Tião Cachaça é policial, corno e mentiroso. Papagaio come milho, periquito leva a fama. A freira vexa as irmãs, o sino acode a praça, o prefeito não quer mais a bunda furunculária da secretária.
***
Ian Curtis come um hamburguer ralo no banco da praça, Lou Reed promete e aparece. A conexão é telepática e desfaz-se o intróito, é rasgada a saia de Norma Jean. Profanaram os restos de Raul Seixas, ou então sem confusão uma loja de 1,99 é demolida por hooligans pegos.

***

Bulimia, enfia no cu.
***
Molesta a faxineira, desvi…

Mas ele é o novo, o verdadeiro

Sou o empresário Paulo Sérgio, o responsável por convidar Freddie Mercury para tocar com Jimmy Page e Neil Peart do Rush. Na época o baixista era um tal de Johnny Sinclair Jr, filho de um proprietário de imóveis no Texas. Essa época foi bastante distinta para mim; pude comer muitas mulheres, bancar rios de drogas e visitava frequentamente os melhores prostíbulos da bela Paris. Eu também aconselhei Hector Bolaños a investir na marca Chaves - e até hoje ele não dá o braço a torcer e não diz que sem o meu tino empresarial ele não passaria de um pé rapado morto sem um qualquer no bolso. Inventei a concepção de Sonic, interferi na operação de sexo de Roberta Close e consegui beber cinco litros de Tang Abacaxi em apenas 300 segundos. Eu sou modesto, esbelto, meu pênis fede argila e contraí matrimônio mais de seis vezes. Fui boxeador, consegui comer a princesa Diana e ejacular com destreza em sua orelha esquerda - eu já pus um tirinho colombiano para Frank Sinatra e sorri ao receber um boque…

PUTAMENTE BASTARDO,

Que Taxi Driver, o caralho. Empunho em uma das mãos o rifle, na outra o Jack Daniels pela metade. Goles vigorosos, sorrisos internos a eclodir satisfação - posso foder as tripas ninfas do céu. Depravação escalafobética aterrisa na alma minha, como corvos negros furiosos atrás da fome. Atiro no que se mexe, na vida alheia.
Tudo em determinação de um sedento prazer, da superação , de egoísmo marginal. Furto pelas ruas sujas, caminho carente de moderação, jogo uma máquina de escrever dos anos 60 pela janela do prédio, percorro o coração feminino, destruo igrejas jamais reais, converto meu próximo acerto , fodo a sociedade anônima - acabo o Jack Daniels e retiro-me para a Stoner House. Amanhã tem jogo do Arsenal.

O não-sorriso

Desespero, discos espalhados, Benito de Paula, violão desafinado e coração de pedra. Suspendo os remédios, vem intensa dor por aí. Lágrimas que não saem, saudade imensa da minha querida avó, a coluna em frangalhos.

Tudo bem, isso até parece um confessionário sessão da tarde : não, nem é porra nenhuma. "Agora chegou a vez vou cantar: mulher brasileira em primeiro lugar". O baterista do Benito do Paula, lá pelos idos dos seventies, era o grande Hércules, conhecido pelo famoso vício por agulha.






Afinal, qual a graça da porra da vida? Pegar um canhão e assaltar uma sorveteria, estourar os miolos de um letrado francês ? Sonho hoje com insônia corrosiva para as massas.


Perdido,