terça-feira, outubro 31, 2006

Tijoladas


Época bacana aquela, colegial times, quase toda tarde era tarde de X-TUDÃO do Fabinho. E que lanche servido hein? Vinha de tudo e mais um pouco, pra ogro sorrir desmedido. O Cristóvão não bebia nessa época, muito menos dava uma bola. Quer dizer, ele fumava sim. Mas na dele, de boa. Eu por minha vez tomava meu goró, mas nem de longe na quantidade albatroz que encharco hoje.

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Na quinta série todo mundo atolava a mão no bundão gostoso da Valéria. Escolinha de freiras, anos 90, ela com a sua ardente saia azul anil, mais que pronta pro abate. No dia do meu aniversário botei a mão nervoso naquele rabão, enquanto eu me encaminhava para ir embora. A galera que estava atrás acompanhando a movimentação vibrou, só deu uma calcinha amarela apadrinhando a vista da negada. Ela me alcançou, desferiu uns tapas, estojadas, e ficou nisso.

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Eu cagava na casa de um bróder, no banheiro da empregada. E bem em cima de mim um papagaio imbecil observava-me com olhar de soslaio. A merda escorria e o bicho maldito lá, achando que eu faria algo que colocasse sua vidinha em risco. Nem cuspi no animalzinho nem nada; apenas limpei o rabo, acionei a descarga, lavei de modo turbo as mãos e me despedi daquele ambiente - o papagaio parecia o Freddie Mercury, enquanto o Queen ainda debutava no cenário inglês.

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O mané foi expulso pelo dono da residência. “Eu não admito drogas na minha casa, seu maconheiro!” Nulo ficou com aquela cara de merda; ele não era burguesinho, e na sua cartilha de ignorante aquilo era pior do que a pecha de favelado. Anos depois Nulo fez um filho numa empregada e ainda conta suas lorotas pelos bares onde ainda não queimou completamente seu filme.

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Na época da faculdade roubavam benzina do laboratório de comunicação adoidado. Gargalhadas em coro executavam ao vento sua alegoria alucinógena no estacionamento. E ainda o Pedro Bisnaga tungou um rango esperto duma Kombosa, um pau velho que levava umas barras de chocolate e outras delícias para serem repassadas inflacionadas.

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O apartamento do Bolota era todo grã fino. Um boy gordo, aquele paspalhão mimado. Mais mimado que o Oscar Wilde sem cérebro. E numa bela noite, pernoitamos lá eu e mais um parceirão-irmão, e enquanto o pançudo roncava acendemos um belo baseado no corredor do prédio. No dia seguinte ainda iríamos pra faculdade de carona com um parceiro que passaria no prédio para nos pegar. E esticamos uma lagarta cada e tomamos tragos e tragos de conhaque. Não me recordo se a trilha era AC/DC, mas era algo do naipe. No final de semana eu e meu amigo retornamos cada qual para sua terrinha e lá possuímos nossas mulheres e esvaziamos todas as garrafas impossíveis de serem tomadas por bestas normais.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Camisetas de Corrida

Eu acompanhava os scraps que eles trocavam: “ Te amo amorzinho!”, “Você é perfeita!”, “Homem da minha vida, o fds ta chegando!”, “Te amo, te amo pra sempre!!!”. Tsc, quanta bosta. Não demorou meses pra ruir toda essa carência, comodidade e falta de imaginação. Ele tornou-se um imbecil gordo, com as maças do rosto a explodir de tão inchadas. Ela começou a ir pra balada caipira com as amigas feias,bebia Martini e dançava dissimulada. Ele comeu mais umas três capivaras, ela foi dar só ali depois de seis ou sete meses, pro dono de uma caminhonete batida. O rapaz da caminhonete se casou com ela, mas a corneava com um caiçara jovial. Ela nunca descobriria. E seu ex ganhou uma Sete Galo de uma coroa porpeta, e capotou a moto e a cabeça numa terça de carnaval. O atendimento à vítima demorou muito e ele faleceu ali mesmo, com uma camiseta bem apertada de uma Micareta qualquer.

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Passar o feriado na casa da vovó Dondinha configurou-se em tremenda fita errada. Tela ligada no Silvio Santos, uma praça anã como único ponto de referência pra uma diversão manca; enfim, uma bomba. Vovó Dondinha, surda da orelha esquerda, ao menos preparava aquela omelete old school, digna de aplausos. O almoço rolou aconchegante, entornei um Maguary clássico de maracujá e soquei uma bronhosa no velho toalete limpinho. Bateu quatro da tarde e ronquei no sofá, desiludido. Quando desperto, suado e puto, vovó não está em parte alguma. Vasculho em todos os cômodos, berro nervoso, nada. Saio pra procurar na rua, não vejo nenhum cadáver pela sarjeta, vasculho com mais rigor, nada, que porra. Estou a desistir e avisto vovó agachada e desajeitada, prestando serviço a um meliante de média estatura, trajando uma surrada peita do Mengão.

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quarta-feira, outubro 25, 2006

Água sanitária no batismo de um loser

Passeava com Pulguinha, vira lata boa praça, vinte e oito quilinhos enxutos. Vez ou outra fixava o olhar para o traseiro da fiscal do parquímetro ou para as suntuosas nádegas das donas boazudas, até encontrar Tertúlio Ramos, ex-colega de classe. “Tu me deve cem reais hein?”. Sérgio abaixou a cabeça. “Tu vai pagar agora!”. Sérgio cutucou o nariz. Então veio a moqueta. O soco quebrou o dedo e a napa de Sérgio, agora no chão com chiclete, com Pulguinha estático, desgostoso com a situação.

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Miranda afastou a bola pro mato, a partida estava praticamente ganha. Dois minutos e o Brejeiros levaria o caneco pra casa. Bola alçada na área, muvuca geral, suor de bêbado e Devanir mata com estilo, finaliza de canhota: é o fim do sonho do Brejeiros. Aldair chega em seu modesto bangalô, desestruturado da panturilha ao pescoço com acne.Manda longe a braçadeira de capitão, bufa infeliz, bola um mesclado generoso e acende na frente do filho mais novo, Catatau. A criança é surda-muda mas o coração não cala, papai tira oitentão por mês, não se sabe ao certo no que.

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Aprendeu a tocar flauta transversal com Janete Cabelo e a impostar a voz de modo aveludado, passava até como barítono razoável. Vende de bermuda azul dois cd’s gringos no sebo Jones, aprende a trair Julieta, menina coxa, e dá o ar da graça na festa a fantasia, tomando todo serelepe porre de rabo de galo pra amanhecer descamisado, com o rabo em chamas.

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Mercearia com gosto de groselha estragada – também, pudera : o produto caira da patreleira mais alta há dias, e ficou lá perdido, atrás de umas maioneses escrotas. “MÃO NA CABEÇA PORRA”. Novidade para os consumidores e o proprietário na quinta cinzenta. Ao desobedecer a ordem de comando, a mulata tomou aquele balaço na orelha, que por sinal portava uma argola vulgar. O autor dos disparos tem Kant na escrivaninha, tem labirintite e viu sua irmã fechar um pet shop ajeitadinho na Governador, tem um tempinho já.

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domingo, outubro 22, 2006

Setembro Negro e Outubro Mulato

Sedução. Malícia. Cortejo. Sim, não há pudor entre Carlinhos Maçaroca e Ofélia. Carlinhos é o correto corretor de imóveis e sua esposa gerencia uma empresa de comércio de fraldas. O affair iniciou-se em Ubatuba; um verão pomposa, com bolinação geral, Fernando Pessoa e sanduíche com pimenta. Veio ao tosco mundo então Ezequiel, hoje inválido, honorário associado da Opus Dei.

Remoia com certo virtuosismo a arcada dentária, a língua esforçava-se por eliminar vestígios de pipoca Yoki. Porém Iglesias não obteve sucess,tampouco algum resultado positivo. A língua converteu-se em uma lixa de baixo calibre e a namorada virgem perdeu o cabacito para o roliço Golias, garotão-malhação da tradicionalíssima Academia Ursus.

It’s ok, diagnóstico pela USP: tumefacção testicular devida à dilatação das veias do testículo,Varicocele para os íntimos, um pratão gorfado no restaurante nipônico e Fernandinho Osório já pode locar com alguma segurança qualquer Robbie Williams genérico.

Uma boa trepada pra coroar de júbilo crescente a sessão terapêutica da segundona mágica. Este é Isaías, furador convicto de beldades inocentes e pobres vadias de uma Augusta que vive dias de ostracismo. Comeu até o talo até uma ruivinha, o saudável Horácio Gimenez, médio volante do Tijuca.

Possuía uma empresa de marketing, avistei Lauro pelo centro da cidade, com o Golzinho todo ensebado ao que prontamente não vacilei: “operário!”. Ele desceu da caranga, enfezado e apontando o indicador pra meus cornos. Fomos pro pau, pedra de calçada aqui e acolá, mas felizmente meu soco inglês traçou uma caricatura em seu nariz. Respira por aparelhos, cotidiano de merda, então ontem levei uma exuberante azálea e um Zé Carioca punhetado pro nosso piloto 1.0 aceleradinho.

Adorava uma fofoca, êta vida alcoviteira hein Dona Buceta? Flagrou o marido da Márcia fuxicando a siliconada Rosane, conferiu um roubo cinematográfico na residência dos Valens e nem acionou a chefatura de polícia. Abotou o paletózão de jacarandá engasgada com um pirulito safra psy trance.

“Vai, vai Marquinho!” E assim ele aprendeu a correta afinação para acessar sua Ibanez reluzente. Botou pra quebrar na vizinhança, encaçapou Roberto no quartinho da marofa, fez cópias de cds peruanos de indie rock minimalista para os rapazes de arquitetura, fraturou o mindinho e adquiriu impotência definitiva ao vacilar no bicicross. Vê a vida de muletas após um lamentável acidente na porta de um supermercado ilegal. Travou de pó ruim ontem, e filmou o pai hemofílico com um dente a cair, pesadelo da lata.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Açougue cultural Burdon Bears




Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut. Ela ajeitava a teta esquerda, sempre graciosa. Ele urinava pra fora da privada verde, ele sabia. Ela gemia em fá sustenido, sempre letal, sempre letal, na cama ou no carro. João realmente amava Berenice, amante da rola de outros usuários também. E o João Bobo, o comuníssimo funcionário da prefeitura, seu turno encerrado às cinco da tarde e o encontro ao drible do tédio. Mesclado e cachaça, cerveja e fumaça.

Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut, e o telefone sem fio toca. Era Sabrina, uma gostosinha ágil no salto, louca pelo Escort conservado de João. Viveriam todos o triângulo amoroso? Não, a Dermatite surgiu na história dessas almas afortunadas, mais especificamente na vida do lutador João. Dermatite de contato alérgica, como o nome diz, é o resultado de contato direto com um elemento irritante. Uma das causas mais comuns desse tipo de eczema são botões em jeans, os quais contém níquel. Ele modificou as fotos de seu álbum no Orkut.

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Acessava a buzanfa da balconista, não suportava mais a diarréia de praxe. Lúcinho era pop entre a galera de Publicidade de uma faculdade boqueta. Sempre de sorrisão salutar no rosto mimoso, ele comandava as baladas da classe. Em um certo churrasco, de caráter fraterno, ele teve seu pênis seriamente prejudicado - coisas que um bulldogue velho pode propiciar. E pra avisar a mãe, toda mambebe, a liberalíssima Joana Rios? Foi um sufoco, e no final ele conseguiu uma prótese de um velho amigo de seu pai, o respeitado Souza Kravitz. E tudo voltou ao normal, exceto que jamais Lúcinho iria comer uma balconista ou uma modelo americana (em tempo: Americana, embrulhada em SP).

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"Isso, chuta essa porra!" Terceiro televisor eliminado em apenas treze minutos. Notável. E pensar que Papa Joe arruinara diversos radinhos, atirando-os com alguma valentia durante as pelejas do Comercial. Condenável.

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Arrumou o emprego, não era grande coisa, mas já pagava o pega da cachaça. Primeiro salário e a rapaziada o cercou, bancou a doidera de toda a negada. Perdeu a namorada pro sábio Marcos, amputou uma perna em circustâncias misteriosas depois de uma Micareta, e morreu enforcado, obra dele mesmo, ao som alto de Erasure.

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Cada vez mais a paraestesia dominava a vida de Jacinto. De náuseas, tonturas azuis e dores anárquicas pelo corpanzil o garoto começou a dizer impropérios em um tom elevado. Disse que seu pai era uma bicha enrustida, a mãe uma puta de roupas baratas e o irmão um incapaz do maior calibre. Expulso de casa, tomou gosto por golfinhos - todos os dias se deliciava em um parque aquático. Agora atua na condição de limpador de rua, tem uns dois dias já.

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Novo filme do Seu Madruga é coqueluche no Novo México.

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Seguro morreu de velho, dono de bar gordo e farinheiro é a nova onda da derrota no interior paulista.

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Acerta a conta logo JuJuBa, preciso furar a Márcia, culotes em transe.

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A Natasha está de namorado novo. Namorado nove, a MORTE. Foi pra pista doida e teve uma infeliz parada cardíaca. Autópsia com lágrimas da galera do Mercado Municipal. Tudo muito triste.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Desandanças

Você está de terno num bailinho, e arrisca pegar um pouco de ponche, deixando de lado o refresco. Na pista eclode “Read my mind” do The Killers, e uma linda morena dança sensualmente, todo o seu vestido preto é o providencial estacionamento para uma alma arredia. Você lembra de uma quente manhã de janeiro, com aquele sol quente atacando suas bochechas imbecis, e logo a lembrança de uma eterna peleja de futebol de botão vem à tona. E a morena lá, gostosa, exercitando o seu tesão. A festa acaba, a morena volta sozinha, e você abre um gibi do fracassado Homem Aranha.

Mané.

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Sueli prepara o corpanzil, vai dar o rabo tonight. Sua memória abraça o dia em que doou pirulitos e balas para o cortiço Jones. Hoje ela espreme uma espinha volumosa, localizada nas costas. Ploft.

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Bolinava a petequinha, que delícia! Jeremias era mesmo um partidão para Flora, a garota dos lábios de ouro. Bolinava a xaninha, impreterívelmente. Muita ousadia do cabrón sem limites. E na frente do papai, Dengoso Júnior. A história foi parar na delegacia, pois o balaço do paizão decepou a orelha do malandro. Decepção de ambas as partes e Flora virou Verônica e encarou uma viagem ao exterior, foi vender pilhas no Marracos. Morreu grávida.

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Carlinhos o embalador de talento. Jogava Old Eight na sacola em poucos segundos, sorria para a caixa Bernarda, exibia seu bíceps razoável. Em tempos ginasiais apresentava sofrível rendimento no trato com a Aritmética. Um intenso rolêzinho de Barra Forte o matou. Um caminhão chegou no sofrenaço e levou tudo que viu pela frente, até mesmo o tiozinho da quitanda. Cremaram o rapaz e tudo ficou mais Angus Young depois.

segunda-feira, outubro 09, 2006

97

Caminhei roto, ainda que na esperança de buscar uma nova paixão, talvez como aquele velho cigarro do carnaval de 97, reencontrado, desesperado, na gaveta do criado mudo. A memória acaricia agora essas melodias do passado, os íngremes caminhos cerceados em dolorosos aprendizados - mas foda-se, tudo se resolve numa mesa atemporal de bar, no capítulo sete do próximo Fiódor, ou na cantina da alma que o cinema denomina. E aparecem os amigos: despidos de hinos da hipocrisia, apenas os verdadeiros e poucos amigos, os putos que acenam a mudança.
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Hoje matei a preguiça. Levantei um prédio comunicacional com o meu velho. É, a vida é uma janela matadora.
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Ela sangrava, definhava em sangue convulso. Seus pais faleceram na pista,na primavera casta de 97, olhos tristes, pneu furado na chuva sem trégua,e o selo do epílogo aportou na última andança. Márcia alcançou ainda um último quarteirão, restando apenas três para pedir socorro em sua casa. Deitou ali, suspiros abafados, e a terça prosseguia justa, o som de uma Saveiro com um travesti pilotando, furiosamente.
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97, desfechos e parcerias no painel de uma alma doente, feita de copos de amor.

sexta-feira, outubro 06, 2006

ENTREVISTA COM NÉLSON FUN, PARTE I

Sérgio Esfihas com moderado orgulho seleciona: entrevista com Nélson Fun, anônimo mongol classudo, parte I

Nélson: Essa definição aí nem consta

Sérgio: Qual, anônimo mongol classudo?

Nélson: É

Sérgio: Beleza. Pergunto: como tem sido suas intervenções sexuais na roça?

Nélson: Não vou negar que tudo isso é uma bosta, e outra: o telespectador sabe. Refiro-me aos padrões da vida metropolitana, aos dervixes cosmopolitas em contraponto ao meu cotidiano bicho de pé. Não entendeu porra nenhuma? Foda-se. Leningrado, Paris, Los Angeles, Acapulco, Oslo, Melbourne, tanto faz o lado do disco. Mas respondendo sua trívia, digo que não suporto mais a faculdade de jornalismo, comunicação, meus inimigos invisíveis. Encho a lata todo santo dia, me entupo da primeira droga(de preferência de fácil acesso) que fizer continência na minha frente. Procuro o tosco do prazer, e se o mesmo está indisponível, o negócio é dar uma trepada com o horror mesmo. Não vejo problema em um dia faturar uma cavalona e uma bolada na loteca e no outro ser roubado, humilhado pra depois acordar no cimento com o nariz completamente obstruído

Sérgio: Há rumores que sua antiga banda punk, o Joana Som estaria programando uma turnê pelo interior paulista. Procede esta informação?

Nélson: Olha só, já fiz muito por essa rapaziada. Inclusive dia desses atirei três garrafas vazias na cabeça do Peter Coceira, foi lindo. Quanto à volta eu nem sei mais, perdi o telefone da macacada, nem sei o que tá pegando.

Sérgio: E aquele esquemão de morrer cedo e ser famoso?

Nélson: Famoso...estou com um livro de contos escalafobéticos na manga rapaz, vem quebradeira na fita.

Sérgio: Anda apaixonado, filho da puta?

Nélson: Opa.

Sérgio: Me diz uma coisa Nélsinho: como é ser marmanjo e morar com os pais?

Nélson: É gratificante. Tudo é intriga da oposição, convenção de moral, amadurecimento é descansar pelado num sofá tocando uma bronha, sem compromisso.

Sérgio: Quando você irá se transformar num homem independente?

Nélson: Quando eu for morar na casa do meu cunhado, quem sabe...

Sérgio: Tem planos pro futuro?

Nélson: Demorou. Hoje é sexta, vamo lá faze um corre de farinha, mesclado, roubar um livro do Oscar Wilde e depois cair matando na mulherada em um moquifo que venda cerva barata.

Sérgio: Você costuma filar cigarros com certa freqüência?

Nélson: Lógico. Certa vez no Maracanã eu tive a manha de filar sete vezes cigarro de um flamenguista coxo.

Sérgio: Você gosta de raves?

Nélson: “...”

Sérgio: Quem é você?

Nélson: Sou Nick Cave and the Bad Seeds. Sou o carrapto versado na turnê maluca do Stooges, sou o infiltrado que roubou a inspiração do Balzac. Insisto em viver bem, meu trunfo é ser Nélson Fun ainda hoje.

terça-feira, outubro 03, 2006

Por hoje



Já namorei vadia, santa, maria-do-pó com vômito fácil; peguei o céu pelas costas do inferno, e abraçarei ainda uma colombiana depois do expediente. Trafego com o fone estourando minha cabeça-besta, e na hora que o bumbo ataca vejo no peito o recheio nobre de euforia convidativa - até para crianças anormais.
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Oito da noite, Bar do Caipira e lá está a rapaziada: Reginaldo Puentes, Feliciano Down e sua vida amparada numa leitura depressiva, claustrofóbica. Fabricamos austeridade em meio aos cigarros soltos. Não há sinal de prostitutas.
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Estava na UTI, perderia a filha única dali três minutos. E ainda roubaram o carro, lindo, sem tape.
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Comprou a gaita. "Em seis meses você fica pronto". Pagou as aulas, cento e cinquenta reais pra assistir um professor garça, magrelo e sem talento, virtuoso na província, amarelão e feliz.
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Em Araras existe a pipoca com queijo da praça, vale a pena conferir.
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O rei da cachaça come a mulher do empresário, o empresário segue pra Miami, o rei da cachaça barganha a selva ruiva, esbelta xota; esta princesa atende por Marcelinha Goza Gostoso.
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A mãe de uma ex foi das figuras mais escrotas que já conferi. Fedia pela manhã álcool zulu e parecia uma rapaz a repetir impropérios.
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Vamos ao cinema bêbados, Joana? Lembro daquela felação astuta, você se lembra também? Foi em outubro, o tempo defecava lírios em nosso catálogo de desprazeres - lustraste minhas gônadas no corredor do banheiro 17, das fodidas paredes pela periferia em noitada de crack.
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E o Fabrício roubava na tranca. Pagou transferência no presépio dos Joséli.
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Completa a dose, caso contrário eu aviso o gambé ali, filho da puta.
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O diretor do filme brasileiro é bom, "mas fala como mano". Odeio política na sala de aula.
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Um ficava na trombeta, o outro no lírio. Surdos e responsáveis, estruturalistas sempre.
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Escuta o som funcional aí moleque sujo.
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Cada porre, uma ligação caliente: fim do tédio. Por hoje.






domingo, outubro 01, 2006

Mais um domingo do qualquer


Misturava dor com tragédia, omelete e ovo cozido, sem refresco.

Desfilava sangue pela barba, arguto era. Produziu filhos e depois de cinquenta anos conferiu o vazio da existência. O tédio completou sua vida pacata num cobertor hemofílico.

Regrediu, virou casaca. Torce agora para a Ferroviária.

Queimada no colégio das freiras desquitadas. Sente a fervedura na epiderme, Angélica Gomes. Afague a presença da testosterona varonil. Correto.


Nesse dia de eleições, o melhor presente é a tentativa de silêncio lívido. Porra.


OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...