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Mostrando postagens de Outubro, 2006

Tijoladas

Época bacana aquela, colegial times, quase toda tarde era tarde de X-TUDÃO do Fabinho. E que lanche servido hein? Vinha de tudo e mais um pouco, pra ogro sorrir desmedido. O Cristóvão não bebia nessa época, muito menos dava uma bola. Quer dizer, ele fumava sim. Mas na dele, de boa. Eu por minha vez tomava meu goró, mas nem de longe na quantidade albatroz que encharco hoje.***
Na quinta série todo mundo atolava a mão no bundão gostoso da Valéria. Escolinha de freiras, anos 90, ela com a sua ardente saia azul anil, mais que pronta pro abate. No dia do meu aniversário botei a mão nervoso naquele rabão, enquanto eu me encaminhava para ir embora. A galera que estava atrás acompanhando a movimentação vibrou, só deu uma calcinha amarela apadrinhando a vista da negada. Ela me alcançou, desferiu uns tapas, estojadas, e ficou nisso.***Eu cagava na casa de um bróder, no banheiro da empregada. E bem em cima de mim um papagaio imbecil observava-me com olhar de soslaio. A merda escorria e o bicho ma…

Camisetas de Corrida

Eu acompanhava os scraps que eles trocavam: “ Te amo amorzinho!”, “Você é perfeita!”, “Homem da minha vida, o fds ta chegando!”, “Te amo, te amo pra sempre!!!”. Tsc, quanta bosta. Não demorou meses pra ruir toda essa carência, comodidade e falta de imaginação. Ele tornou-se um imbecil gordo, com as maças do rosto a explodir de tão inchadas. Ela começou a ir pra balada caipira com as amigas feias,bebia Martini e dançava dissimulada. Ele comeu mais umas três capivaras, ela foi dar só ali depois de seis ou sete meses, pro dono de uma caminhonete batida. O rapaz da caminhonete se casou com ela, mas a corneava com um caiçara jovial. Ela nunca descobriria. E seu ex ganhou uma Sete Galo de uma coroa porpeta, e capotou a moto e a cabeça numa terça de carnaval. O atendimento à vítima demorou muito e ele faleceu ali mesmo, com uma camiseta bem apertada de uma Micareta qualquer.***Passar o feriado na casa da vovó Dondinha configurou-se em tremenda fita errada. Tela ligada no Silvio Santos, uma p…

Água sanitária no batismo de um loser

Passeava com Pulguinha, vira lata boa praça, vinte e oito quilinhos enxutos. Vez ou outra fixava o olhar para o traseiro da fiscal do parquímetro ou para as suntuosas nádegas das donas boazudas, até encontrar Tertúlio Ramos, ex-colega de classe. “Tu me deve cem reais hein?”. Sérgio abaixou a cabeça. “Tu vai pagar agora!”. Sérgio cutucou o nariz. Então veio a moqueta. O soco quebrou o dedo e a napa de Sérgio, agora no chão com chiclete, com Pulguinha estático, desgostoso com a situação.***Miranda afastou a bola pro mato, a partida estava praticamente ganha. Dois minutos e o Brejeiros levaria o caneco pra casa. Bola alçada na área, muvuca geral, suor de bêbado e Devanir mata com estilo, finaliza de canhota: é o fim do sonho do Brejeiros. Aldair chega em seu modesto bangalô, desestruturado da panturilha ao pescoço com acne.Manda longe a braçadeira de capitão, bufa infeliz, bola um mesclado generoso e acende na frente do filho mais novo, Catatau. A criança é surda-muda mas o coração não c…

Setembro Negro e Outubro Mulato

Sedução. Malícia. Cortejo. Sim, não há pudor entre Carlinhos Maçaroca e Ofélia. Carlinhos é o correto corretor de imóveis e sua esposa gerencia uma empresa de comércio de fraldas. O affair iniciou-se em Ubatuba; um verão pomposa, com bolinação geral, Fernando Pessoa e sanduíche com pimenta. Veio ao tosco mundo então Ezequiel, hoje inválido, honorário associado da Opus Dei. Remoia com certo virtuosismo a arcada dentária, a língua esforçava-se por eliminar vestígios de pipoca Yoki. Porém Iglesias não obteve sucess,tampouco algum resultado positivo. A língua converteu-se em uma lixa de baixo calibre e a namorada virgem perdeu o cabacito para o roliço Golias, garotão-malhação da tradicionalíssima Academia Ursus.It’s ok, diagnóstico pela USP: tumefacção testicular devida à dilatação das veias do testículo,Varicocele para os íntimos, um pratão gorfado no restaurante nipônico e Fernandinho Osório já pode locar com alguma segurança qualquer Robbie Williams genérico.Uma boa trepada pra coroar …

Açougue cultural Burdon Bears

Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut. Ela ajeitava a teta esquerda, sempre graciosa. Ele urinava pra fora da privada verde, ele sabia. Ela gemia em fá sustenido, sempre letal, sempre letal, na cama ou no carro. João realmente amava Berenice, amante da rola de outros usuários também. E o João Bobo, o comuníssimo funcionário da prefeitura, seu turno encerrado às cinco da tarde e o encontro ao drible do tédio. Mesclado e cachaça, cerveja e fumaça.
Ele modificava as fotos de seu álbum no Orkut, e o telefone sem fio toca. Era Sabrina, uma gostosinha ágil no salto, louca pelo Escort conservado de João. Viveriam todos o triângulo amoroso? Não, a Dermatite surgiu na história dessas almas afortunadas, mais especificamente na vida do lutador João. Dermatite de contato alérgica, como o nome diz, é o resultado de contato direto com um elemento irritante. Uma das causas mais comuns desse tipo de eczema são botões em jeans, os quais contém níquel. Ele modificou as fotos de seu álbum no Orku…

Desandanças

Você está de terno num bailinho, e arrisca pegar um pouco de ponche, deixando de lado o refresco. Na pista eclode “Read my mind” do The Killers, e uma linda morena dança sensualmente, todo o seu vestido preto é o providencial estacionamento para uma alma arredia. Você lembra de uma quente manhã de janeiro, com aquele sol quente atacando suas bochechas imbecis, e logo a lembrança de uma eterna peleja de futebol de botão vem à tona. E a morena lá, gostosa, exercitando o seu tesão. A festa acaba, a morena volta sozinha, e você abre um gibi do fracassado Homem Aranha. Mané.***Sueli prepara o corpanzil, vai dar o rabo tonight. Sua memória abraça o dia em que doou pirulitos e balas para o cortiço Jones. Hoje ela espreme uma espinha volumosa, localizada nas costas. Ploft.***Bolinava a petequinha, que delícia! Jeremias era mesmo um partidão para Flora, a garota dos lábios de ouro. Bolinava a xaninha, impreterívelmente. Muita ousadia do cabrón sem limites. E na frente do papai, Dengoso Júnior.…

97

Caminhei roto, ainda que na esperança de buscar uma nova paixão, talvez como aquele velho cigarro do carnaval de 97, reencontrado, desesperado, na gaveta do criado mudo. A memória acaricia agora essas melodias do passado, os íngremes caminhos cerceados em dolorosos aprendizados - mas foda-se, tudo se resolve numa mesa atemporal de bar, no capítulo sete do próximo Fiódor, ou na cantina da alma que o cinema denomina. E aparecem os amigos: despidos de hinos da hipocrisia, apenas os verdadeiros e poucos amigos, os putos que acenam a mudança.
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Hoje matei a preguiça. Levantei um prédio comunicacional com o meu velho. É, a vida é uma janela matadora.
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Ela sangrava, definhava em sangue convulso. Seus pais faleceram na pista,na primavera casta de 97, olhos tristes, pneu furado na chuva sem trégua,e o selo do epílogo aportou na última andança. Márcia alcançou ainda um último quarteirão, restando apenas três para pedir socorro em sua casa. Deitou ali, suspiros abafados, e a terça prosseguia ju…

ENTREVISTA COM NÉLSON FUN, PARTE I

Sérgio Esfihas com moderado orgulho seleciona: entrevista com Nélson Fun, anônimo mongol classudo, parte INélson: Essa definição aí nem constaSérgio: Qual, anônimo mongol classudo?Nélson: ÉSérgio: Beleza. Pergunto: como tem sido suas intervenções sexuais na roça?Nélson: Não vou negar que tudo isso é uma bosta, e outra: o telespectador sabe. Refiro-me aos padrões da vida metropolitana, aos dervixes cosmopolitas em contraponto ao meu cotidiano bicho de pé. Não entendeu porra nenhuma? Foda-se. Leningrado, Paris, Los Angeles, Acapulco, Oslo, Melbourne, tanto faz o lado do disco. Mas respondendo sua trívia, digo que não suporto mais a faculdade de jornalismo, comunicação, meus inimigos invisíveis. Encho a lata todo santo dia, me entupo da primeira droga(de preferência de fácil acesso) que fizer continência na minha frente. Procuro o tosco do prazer, e se o mesmo está indisponível, o negócio é dar uma trepada com o horror mesmo. Não vejo problema em um dia faturar uma cavalona e uma bolada …

Por hoje

Já namorei vadia, santa, maria-do-pó com vômito fácil; peguei o céu pelas costas do inferno, e abraçarei ainda uma colombiana depois do expediente. Trafego com o fone estourando minha cabeça-besta, e na hora que o bumbo ataca vejo no peito o recheio nobre de euforia convidativa - até para crianças anormais.
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Oito da noite, Bar do Caipira e lá está a rapaziada: Reginaldo Puentes, Feliciano Down e sua vida amparada numa leitura depressiva, claustrofóbica. Fabricamos austeridade em meio aos cigarros soltos. Não há sinal de prostitutas.
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Estava na UTI, perderia a filha única dali três minutos. E ainda roubaram o carro, lindo, sem tape.
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Comprou a gaita. "Em seis meses você fica pronto". Pagou as aulas, cento e cinquenta reais pra assistir um professor garça, magrelo e sem talento, virtuoso na província, amarelão e feliz.
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Em Araras existe a pipoca com queijo da praça, vale a pena conferir.
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O rei da cachaça come a mulher do empresário, o empresário segue pra Miami, o rei …

Mais um domingo do qualquer

Misturava dor com tragédia, omelete e ovo cozido, sem refresco.

Desfilava sangue pela barba, arguto era. Produziu filhos e depois de cinquenta anos conferiu o vazio da existência. O tédio completou sua vida pacata num cobertor hemofílico.

Regrediu, virou casaca. Torce agora para a Ferroviária.

Queimada no colégio das freiras desquitadas. Sente a fervedura na epiderme, Angélica Gomes. Afague a presença da testosterona varonil. Correto.


Nesse dia de eleições, o melhor presente é a tentativa de silêncio lívido. Porra.