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Mostrando postagens de Março, 2007

Apenas terça-feira

Olá, bom dia! Está começando mais um Show Feliz, aqui pela sua Rádio Manguaça. Você sintoniza a Rádio Manguaça pelo 1654 AM ou mundo afora, pela internet, através do site www.radiomanguaca.com.br e assim tranquilamente entra em contato com nossa vistosa programação diária.

Os termômetros aqui no estúdio Lucas Toluca indicam vinte e seis graus, esse é o outono brasileiro, nove horas e trinta e dois minutos, que manhã, que manhã agradável! Aliás, bastante apropriado fruir a vida hoje, e tenho que admitir a você, amigo ouvinte: esses contagiantes raios solares que lambem lentamente a janela do quarto andar, do edifício Marabel deixam-me a ponto de involuntária ereção perniciosa.

técnica - Otacílio Gomes - Ofélia cozinha

Aniversariantes do dia 27 de março: Lúcia Berenguevtz, socialite de renome em toda Botafogo no Rio, Marcos Alegre, apresentador e Nara Vanessa, prostituta.

Curiosidade do dia: Jésper foi o cabeleiro de Ipeúna que registrou a maior incidência de micose em seu modesto salão. De…

Saidera do Verão firmeza

Verde, geladeira foda, abriga o essencial, alimentação quase preguiçosa, fim de semana prodígio. Geladeira aconchegante, arrumou dupla perfeita com o novo chão, marrom, irmão escocês, fino brilho sob a mira de pés descalços. Não é frio nem Rio – e eu não sei ao certo qual o nome desse piso, deve ser frio, acho. Mas o guarda roupa é zerinho, branco, like a jogador de neve, iglu assobiante. Ah, as paredes, mal posso lembrar-me da cor, sei que o sabor é algo entre giz de cera cansado e contente com carne de hambúrguer sem tomate, de textura agradável, tanto para astecas químicos quanto para aspirantes ao legado de Wilde num domingo de grelha e Kaiser Gold. A cama já conheço, é de sortero porém customizada, arquitetado no tamanho bom pra repousar a pança e dormir sereno, abraçado loucamente com a patroa - tranquilidade freme lirismo.Domingão a tarde, depois do rango no supermercado, resolvi aderir ao ofício da lavação de louça. New York Dolls comandando a chapação orvido adentro, eu geral…

The memory remains

Você recebe o magro salário, de cara vazia, torra o início da fatura na farfa suficiente pra fazer Ain’t My Bitch soar com mais punch e bronhar o ego antes do almoço frango. A grande piada novamente - ao menos o salário frouxo alcança o preço, aspira sonoramente raiva, eis-me puto, a sentir invencibilidade ranger arcada, arranhando pela força canina a corrente sanguinea, não enxergo o derrotado, fodo com a ignorância da logística do medo.

***


Você já matou alguém?
Já.
Eu também.
O meu foi foda, pé de cabra nas costas.
Pode crê
Como foi o seu?
Eu chutei a cabeça de um mendigo na volta do carnaval do Ginástico...e você?
Ah, catei o neguinho que comia minha mãe escondido do meu coroa...
Pela mãe? Que bosta, tanto faz ter mãe ou não,
Quantos anos você tem?
16
Eu tenho 15 também
Vamo pega no F as próxima 5 que eu agilizo o restão de Paisano pra nóis
Tedeu

***

Morfina com trutas médicos, mesa na calçada, decotes ornando cabelos lisos sob brincos de argolas, Marcelo Fontes relembra os dias de glória, ainda n…

Fiada comunicação no convés Madame Nostalgia

Jogávamos ping pong numa terça-feira, tarde marota, época do colegial. Minha casa estacionava bem perto da escola, ponto de encontro depois das aulas. Uma casa já bem carcomida, possuía um quintalzão comprido, e era só a negada acionar a campainha, abrir o portão, estacionar a bike em algum canto e pronto: permissão para arrotar, caçoar da mãe do próximo, humilhar algum coleguinha e dar raquetadas descoordenadas. Puta zona de escola pública. Não há como negar, uma baita saudade acelera o peito ao lembrar daqueles dias despreocupados e burlescos. Havia permissão segura para agir como perfeito idiota. Engraçadinho e estúpido conjugavam-se harmoniosamente. Recordo com um pouco de receio como catava a espingarda de chumbo escangalhada e descarregada do meu velho para assustar facilmente o narigudo Cléber, caboclo que estudava no 1º F, aquele imbecil fã de heavy melódico escandinavo pronto sempre prum riso escalafobético.

A negada da minha sala só queria saber de matar aula, se amarrava no …

ODORICO

Sempre saía pra tomar umas par com o Marquinho. Moleque gente fina. Invariavelmente dávamos uns tirinhos por aí também, só na tranquilidade. Até o dia em que a mãe do cabra bateu as botas. Ele tava antes naquela onda ginasial de só se ligar em ouvir AC/DC, Motorhead e Ted Nugent. Eu já caía mais pro Sabazão, Grand Funk e na pilha pelo Stones, é claro. Mas, voltando ao assunto morfético que é a morte, o negócio ferveu pra ambas as partes.O Marquinho passou a entrar nervoso na mão armada, já eu fui psicodelizar-me com ácido de trinta conto, roubava tudo do meu tio designer que uma vez por semana hospedava-se no sobrado dá minha vó(o puto tinha como um de seus pertences um apê grã fino na alta Campinas). Sei é que via o Marquinho cada vez mais raramente, uma vez acho que flagrei o fita de relance numa Marajó toda socada. O Zé Larica, um punheteiro crasse, dizia que o Marquinho catou o bicho, ficou infectadão mesmo. Ele que se foda. O foda é que tive ciência desse fenômeno quando minha ir…