quarta-feira, novembro 28, 2007

Duzentas postagens de Vozerio do Inferno

Acho que esse blog tem uns dois anos, sei lá, preciso verificar depois a data da primeira merda que coloquei aqui. É agradável bronquear antes e depois do bar nesse ambiente. Tem uma geladeira cheia de blues, um catarro exibido grudado no teto e a teta mágica da Maria Cotonete. Nesse mês eles tão fazendo a assessoria de imprensa do blog. É isso. Foda-se.






***

Váldson passeia tranquilo pela universidade. Cruza com uma mulata de coxa grossa, camiseta com estampa Adidas apertada no corpo, segurando o peitão. Ela encara Váldson. Desfila provocante na calça jeans justa , a anca na medida certa, generosa. Váldson tem namorada e não consegue concluir a operação.


***

Estréia amanhã em Sorocaba :


Chocomerda


120 min/drama-ação cuba libre maionese


Clarice é linxada num show de música pra agroboy nenhum botar defeito. Ela perde o braço esquerdo e enquanto pega a lotação procurando seu gato siamês tromba com Chocomerda, o figura mais triste que ela já conheceu. Os dois entram na dança da vida e da punheta e abrem uma boate de putaria e matança. Chocomerda é mais que qualquer balada soft open, é a bomba.


***

Segunda divisão vem aí, bando de galinha preta.

Agora dá licença que eu preciso cagar o ovo e o bife da janta.

sábado, novembro 17, 2007

escrever em lo-fi - cristar - com a lata gelada



Dez da matina, sol campeão. Esse é meu recreio favorito hoje. Sirvo-me de CriStaR, na padoca do Serjão marco na velha caderneta cada lata gelada a R$1,50. Escrever em pé é du caralho.

Imagino o Hemingway fritando os joelhos enquanto seu sapato cansado recusa CriStar. Chega então o Tino Marcos, Ernest se afasta, acena com a cabeça quando a pergunta é pertinente a extinção do Pernod em cineclubes de sinuca.


***
Tô naquele rolêzinho tranquilóvisky pelo centro da cidade. Viro a esquina e dou de cara com o potão perdido em cima do balcão, cheio de ovo de codorna boiando drento. O bar do Bigode tá cheio de velhaco nesse horário. E velhaco de prima.

O Jair Leite Moça como sempre ocupa seu pedaço sagrado. Jornal aberto, morde os beiço, pega o cigarro no chão. A campainha de casa parece uma girafa cantando algo da Kate Bush. Nerda. De novo ela toca, a geladeira entristecida aguarda mais cevada para o novo blues.
***
Aviamento para cortinas. Lãs para ballet. Acompanhado de Cecília, Hermes entra no estabelecimento. A cidade como sempre tosca e pacata. Cecília tem de pegar senha para ser atendida. Ela é francesa, Hermes sentimentalista paraguaio.

Quando o painel preto indica "527" em vermelho, ela adianta-se perto do balcão. Uma mocinha bem esquelética a atende com um som pacman, miúdinho. Hermes está de bermuda. Nota que as atendentes em sua maioria trazem cara de canseira. A MINEIRA tem crédito na city. Além de vender uma pá de coisa a loja não conseguiu falir, tem 30 anos.

Só que entre as vendedoras feias e gastas Hermes nota uma em especial. Ela também conservava o cabelo preso. Era ruiva e passava um pó azul na fuça, em cima das pálpebras. Tentava ser atraente. Hermes notou que a garota, enquanto atendia outros clientes (perto de Cecília, que comprava carretéis) o fitava proibidamente. Hermes havia haxixe fumado e decidiu seguir o olhar da ruivinha perva.

Cécilia efetuou o pagamento no caixa. O senhor alto, alegre e grisalho, sorriu. E os carretéis peidavam na sacolinha frágil.

Quando o casal ia tomando o rumo da saída a ruiva ainda lançou um olhar quase demorado pra Cecília, do tipo "eu sou meio cheinha mas sou mais quente". Cecília ganhou a rua, a mão esquerda atada junto a de Hermes.

***
- Vamos entrar no jazz? - arriscou Thi. Léo não se conteve, caiu na gargalhada. Decididamente aquilo não era pra ele - embora no seu íntimo desse atenção aos comentários mais estúpidos de Thi - até então o crioulo mais popular de toda a oitava série.

***
Thiagão não passava dum grandão bobo. Um tolo desengonçado, sujeito néscio, tão apto para se dar bem na vida como uma anta tentando comer a buça de ouro na Babilônia de Bacalhau.

Como ele não tinha muitas opções - além do estilo arcaico, o cabelo sujo e o jeito de urso, possuía mau hálito - acabou se juntando com a galera mais loser do pedaço. Pode se dizer que Sivucão, o gordo bolachudo de ócrus, foi de fato seu melhor amigo, amigão. E olha que eles já foram em 3 Oktoberfezes.

***


quinta-feira, novembro 08, 2007



---tomando Antarctica sem copo:


Aquela semana em Santos foi foda demais. Eu cada vez mais motivado no meu rolê crescente da legítima chapação interiorana ia esmerdear pro lado onde Pelé remodelou as quatro linhas.

O lance surgiu graças ao convite do camarada Ringo, o apartamento do tio dele tava na mão e precisava de fumaça. Ringo acabava de conseguir férias, depois de uma porrada de tempo trampando no hotel da society, aqui da roça. Ringo achava o tio um babaca cuzão, e em Santos Ringo poderia acordar no dia seguinte de ressaca e com a barba bêbada e o hálito não-comercial.

O Ringo queria morar na praia, eu tô ligado, mas eu curtia beber cachaça. Ele é ainda hoje parceirão de copo. E todos os dias que caguei e bebi lá em Santos rezei com a garrafa, pra cima e pra baixo feliz da vida, e a macacada pedia um gole de 51 enquanto feliz eu caminhava sinceramente torto e ogro rei. "Valeu guerreiro, vai na fé", dizia um deles,seis horas de uma tarde bem bebida.

Depois teve a vovódka toda que apagou o crânio e que quebrou tudo, vovódka encerrada no banco da praça celeste; eu que levei um violão Tonante todo véi de guerra , e aí no meio de alguma trashera uma corda estourou, tentei afinar as outras cordas que DeSanimaVam e o violão ficou zuado. Tava podrão, a tarracha Valda queria ir pra Plutão. Repeti o gesto de Pete Townsend, Cirilo, Cobain e Nuno Leal Maia Júnior e arrebentei a viola inteira, que chorando foi parir um hit no coração de algum goiano frouxo em uma década distante.

----tomando Lecker e olhando a Grécia vestida de Charqueada com o cabelo ruivo, cheio de serenata punk

Estávamos em Santos e aquela semana seria ducaralho. Eu tava no auge da minha intensa
folga e vagabundági, vida druris, arrancando uma grana magra da matrona pra tomar uns goles e ser feliz. A grana era curta, mas a sede é uma arte.

---ttomando algumas outras e seoutras mais umaswekl3fff

Eu enchia o pote, cabou a família de centavos no borso,então o mendigo me pagou outra dose no quiosque do Fernando, mas eu tava quase caindo, e dessa vez tentei tapar a boca com a mão, mas o vômito foi mais esperto e escapou-me por entre os dedos.

***

segunda-feira, novembro 05, 2007

D U P I N I C O


Du Pinico é um ex-camarada meu. Na real o cara é até parceiro meu, pra fazer um corre toxicômano,e só. Ele já foi palhaço de festinha de pirralho, descobriu que podia bancar sua sede pela branca com suas micagens pegaças. E tino pro negócio ele tinha. Du Pinico, o craque no inventário de apelidos idiotas e imitações baratas de pessoas comuns, pobre pedreiro. Du Pinico que vive em Glasgow, engravidou a prima de segundo grau. Sua filha é racista e bonitinha, ruivinha e dona duma simpatia de sobra, uns três aninhos, com sete será putiña.

Acontece que num fim de tarde um pedófilo quase levou sua herdeira pruma enrascada.

Du Pinico saiu pra comprar seda com gosto de abacaxi na loja de conveniência do posto Linguiça, perto de sua casa. Normalmente sua mãe nessa hora pega a neta na saída da escolinha, então ele aproveita pra fumar um ou sete mesclados pelas redondezas.

Só que nesse dia a menina enquanto esperava a mãe caiu na conversa mole de um senhor calvo,óculos fundo de gaRRaFa, que guardava balas no bolso do paletó. Tá bom, todo mundo conhece essa história. A menininha caiu macia na lábia do velho.

Ele a levava para uma casa de diversão quando a mãe do Du apareceu. Ela é nervosa, tem atitude a coroa. O senhor fez-se de gago, croata. A mulher, sem as estribeiras e espumando há tempos, esmurrou o nariz do senhor.

Pra aliviar, uma ficha de pinball. A menininha praticava seu racismo, uniformizada. E o Du Pinico atrás de mais uma rocha foi, é o de sempre.

sexta-feira, novembro 02, 2007


Pois é, final de sexta-feira, a chuva ainda cai, ainda que um pouco mais retraída agora. Sem dúvida faz um calor agradável, tá foda minha gente, Satanás peidou a Fafá de Belém na cara de Deus, que mandou catinga fervendo pra atmosfera. Voltei pra Rio Craro e cansei de todos os mp3 aqui dessa joça de máquina. Mas ainda sobrou Sex Pistols com Silly Thing, What you gonna say? What you gonna do? - se bem que ainda restam os pernilongos, cantantes como a voz da Débora Falabela, além de claro, o suor escorrer caprichoso na minha testa, sem trégua. Daqui a pouco caio pra rua pra ver qualé que é a dessa roça.


Foi mal, de novo é TRI CO LOR. E como tudo é tiração de onda e pica entrando no rabo de corintiano, aí vai o conto do são paulino comedor de xoxota cheirosa.



FOI MAL


Felipe tem vinte e seis anos, é especial desde criancinha. Vive com os pais, no centro da cidade,
uma cidade devagar, pacata e acomodada como qualquer feudo da província filiada ao
sindicato dos aposentados ferroviários do interior do estado de SP. Nesse reino não há
peças de teatro interessantes pra se assistir numa noite azul acompanhado duma gostosa,
nem algum filme foda em cartaz, muito menos uma banda decente tocando algo original.
Restam então os poucos amigos da época de escola, as drogas e a ironia.



Numa noite dessas sextas-feiras vagas é que Felipe
saiu a pé com o seu bloco de notas, seu caderninho egotrip, e num momento de
descuido enquanto amarrava o cadarço foi assaltado por três manos no
Posto Confiante. Felipe percebeu que os neguinhos não tavam armados e
mandou o mais escroto tomar no meio do cu, dizendo pra ir assaltar
outro comédia, não ele. Não deu outra, apanhou pra caralho, os idiotas presentes no
Posto nem aí, no meio da avenida Maionese Felipe levou um pau.



Voltou pra casa sem vinte e oito reais, a cara estourada, não, não precisava
ter olhado pro espelho do banheiro dos fundos da casa, a cara ardeu toda, aí ele
tomou um revigorante trago de Rum, voltou lá com o taco de beisebol, estourou a cabeça do maninho
mais escroto, que nem via a cena, tava de costas. Felipe correu, saiu no cacete.
Ninguém o pegou, Felipe é velocista desde os tempos do colégio dos alemães,
lá concluiu a quarta série do ensino fundamental. Então aproveitou e
roubou um fusca no bairro Indaiá, tinha catado o taco
e uns trocos da mamãe, uns 200 conto.



Com a fuqueira pegou a rodovia Bondade pra se divertir de acordo. Comeu uma puta magra na
BOITE LOVERS, procurou uma biqueira de pó, achou, comprou três longnecks de Brahma, tomou
tudo em 3 minutos e 15 segundos. Acordou com o corpo quebrado no dia seguinte.
Felipe é gay, torce para o Corinthians. Seu vizinho Morumbi é são paulino, ouve
Slayer, é amigo pessoal de Darío Pereira e come a buceta mais gostosa de Curitiba,
que agora mudou-se pra sua casa, só pra poder dar mais gostosinho seu cuzinho pra ele.



Dois dias se passaram depois do pau que Felipe levou quando os
manos descobriram onde ficava sua casa. Deram mais esculacho na pobre biba corintiana,
que uma tarde ficou toda estirada, abandonada na calçada, como Vampeta.
Morumbi saía de casa nesse mesmo instante quando viu a cena, se recusou a
dar carona até o hospital que o vizinho tanto solicitava aos prantos,
de boca sangrenta. O TRICOLOR calmamente acelerou o veículo,
enquanto a suculenta loira no banco do passageiro arrumava o
delicioso decote e acendia mais uma bucha, já chapada e suficientemente
excitada,e Felipe chorava fodido no meio da rua. Morumbi então seguiu em
direção à avenida Récol,apenas repetindo para si mesmo, categórico,
ar de pentacampeonato: - Foi mal.

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...