sábado, dezembro 29, 2007


Uma noite eu caíra torto às portas de um palácio. Era uma noite hostil, e no meio do dilúvio desisti de correr, permaneci aos roncos ali mesmo.

- Ei;

- ...

- Entra, tá frio aí,

- ...

A família era um velho viúvo mexicano e uma beleza de ninfa, peraltinha duns 17 . No começo eu não quis dizer nada. Não abri a boca, não citei o tempo, nem Claudio Adão ou as valquírias flutuantes do jardim da Líndia. Entrei. Na mesa bolinho e arroz.


Sob o teto do chefia passaria quatro dias quatro noites. Eu vagava por aí há uns dois meses, ainda me restava alguma grana e duas garrafas de Campari. Não sei ao certo porque fui tão bem recebido no palácio... fato é que lá, logo na terceira noite, já pudia fazer a minha merda de porta aberta, enfiava na minha mochila todos os sachês de mostarda disponíveis num armarinho amarelo; pude espantar as trevas dos últimos meses de sorriso estalado no peito, meus olhos recebendo as melhores manhãs. Depois enjoei.

Ela trazia cheiro de cebola nas canelas. Cecília, ah, Cecília! 17 aninhos peitinhos ruiva capozão de fusca bão demais. Meu sangue corre resistente Cecília, meu sangue é a sua música.

Começamos trocando idéias leves, passeando sobre Bragança Paulista, Palitos de Dente, Esquinas Vazias. Rapidamente ficamos íntimos. No amarelo sofá da sala concordávamos em páginas, vinhos pela noite, ironias e silêncios; e aí não houve mais delongas entre nós - ela quis fugir comigo. Roubei a filhota.

De madrugada saímos, eu com sudorese ela com a bunda assada. A princípio o velhote nem se ligou, achou que daqui a pouco a filhota ia chupar uns pirulitos e já voltaria. Pois é, o dia raiou e o velho esbravejou no celular(ela esqueceu de desligá-lo), colérico o patusca tacava aos montes pimenta nos nossos sonhos.

Andamos duas quadras e a Cecília depositou o celular num lixinho de padaria. Depois colocou sete canções do Fábio Júnior no seu mp3 fuleira. Lamentável, mas ela tinha um bucetão apetitoso e também manjava algo de culinária italiana.

Caminhamos por mais duas horas e sete-Kaiser-lata. Cansado, bateu a vontade de mijar. "É rápido Cecília". De bexiga esvaziada,nem lavei a mão,nunca lavei; saí apressado e sem descarga, meu rosto ansioso traçaria uma longa panorâmica pelo bar. Nem sinal da buça, apenas um gordão de camiseta regata, braço peludo, comia nervoso seu x-egg no balcão.

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domingo, dezembro 23, 2007

assassinos da autopiedade

Talvez eu precisasse de mais bufunfa. Não, não é isso. O vinho jorra, corações agridem galáxias, mortos abraçam regras. Sou bom de copo. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero nunca parar de beber.Deixa pra lá.

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Acabava de cair naquela sugestiva escuridão. Não havia repouso. De súbito Teresuda saiu da cama, acendeu a luz. Eu tinha olhos cheios de ressaca. Ela não perguntou, apenas deixou que minha fome jorrasse em cima de suas lentes de contato tão feias.

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Pedro a olhou. A chuva fina caía mole por sobre a calçada. Passos lentos e a Kombi do Tio Timmy, lá do bairro perdido. Pedro viu seu último amor ir embora. Não aguentava essa mania dela sair andando a qualquer desentendimento do casal. Mandou ela ir com Deus. Abriu o mês de maio e ela voltou. E Pedro já não morava mais lá.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

BUBUCETAS FREE

Entramos no Fucão véio e fomos pra Cordeirópolis. Prefiro chamar de Cordeiro mesmo, mais prático e mais atraente. Enquanto estacionávamos, James matava a última ponta do beque paia do Maranhão que pegamos semana passada. James era sãopaulino, e mantinha uma postura bastante arrogante. Tinha sido um garoto frustrado no Chile e tinha vindo para o Brasil quando ouviu falar que as putas por aqui eram decotadas e receptivas.

Paramos no primeiro bar. Uma morena cavaluda me fez um gesto convidativo com um dedo. Seu cabelo era todo fudido, de uma ruindade pura, assim como sua barriga, e à medida que me aproximava, percebi que seus olhos eram cadavéricos, como luzes catarrentas a me repelir numa quarta-feira de cinzas. Parei a uma certa distância de onde ela estava.- Duas Nova Schin - eu disse - nós começamos assim. Íamos pra variar de Vila Velha também. Ao emborcar três doses, pude sentir o fedor francês do meu hálito e o peido discreto de Samanta, a dona do canal. Samanta realmente produzia um cheiro bastante forte, dinamite sambarilove.

Saímos. Fomos pescar idéias e novas kengas e novos pós e novas nóias.

James acendeu mais uma vela. Comer parecia muito importante naquela hora. Bubucetas free. E comíamos purê de batata com nada ao molho madeira, especialmente aos domingos.

domingo, dezembro 16, 2007

OS SMITHS

Eles formam os Smiths. Não a banda farofa The Smiths. Falo da Patti Smith, do Adrian Smith, do Adam Smith e do Robert Smith. Robertinho é melancólico. Já a Patti fez amizade com o William Burroughs. Adam Smith por sua vez escreveu "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações" em 1776.E o Adrian Smith? Ah, esse é o sobrinho querido do Jerry Adriani.Tem tatuagem e cabelo de mulher, gosta de tocar guitarra no AIRON MEIDEM.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

TÃO BOSTA ESSA UVA PASSA DISSE A GELADEIRA FECHADA

Digo que não gosto de uva passa. Porque? Porra, porque nunca experimentei uva passa. Ela diz que eu só gosto de ovo,"essa coisa de tiozinho cachacero pote de conserva". Nada disso. Só acho azeitona uma bosta, uva passada outra. Justamente porque nunca quis experimentar esse tipo de lixo.

Falando em lixo, depois das seis da manhã e uma nova garrafa de vinho aberta(o som é Johnny Cash, setentista, de topete médio), o banheiro fica quente toda hora e a geladeira abre muitas vezes. Do jeito que a coisa tá preta, logo haverá bacharelado pra futuro fiscal em prol
das burras abridas de geladeira.

Quem quer beber mesmo pega rápido o canhão. A geladeira nasceu no silêncio. Beleza, aí vem alguém e abre a geladeira pra sugerir uma porção de carne. Idéia dela, claro.
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domingo, dezembro 02, 2007

L U T O

Estou de luto. Primeiro foi o Patinhas, que ficava na avenida 17. Depois foi o saudoso Bar do Genivaldo, na Rua 3, bem no centro, em frente à padoca do Chris Mullin. Nesse aí o esquema era grãfinagem pura: copos congelados exclusivos pra rapaziada,pinga na faixa,torresmão motorhead, cachaça Altarugio aos baldes. Mas aí ele fez a cagada de transformar o bar em floricultura.Cinquenta anos que reinava o bar e ele dá uma dessa. Uma puta duma viadagem.
O tempo passou e eu e meus camaradas começamos a frequentar o Parada Obrigatória. Lá quem comandava o esquema era o Ervinho, uma mistura de lutador de WWF de estatura baixa e Zé Ramalho depois da diarréia do natal. Sempre de boné e bom humor em seus dizeres de filósofo truta. Então o Parada se transformou na verdadeira parada: sinuca, porções de calabresa de cortesia, cana(a gente punha o pé no bar e ele já derramava as doses) pra caralho, clientela dasantiga. Parecia que ia ser infinito. Só que teve que acabar. Assim como o Patinhas, ele vendeu o bar e foi ser feliz no nordeste. E agora em Rio Claro todos os bares são chatos, mais idiotas que a RedeTV e a Globo juntas na virada do ano enquanto você vê idiotas vestindo camisa gola pólo. Pois é, luto merecido. Firmão, um brinde ao alegre e parceiro rosto de cara cheia do passado.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...