terça-feira, dezembro 30, 2008


"Tenho que segir trabalhando, ainda que não para chegar a essa conhecida perfeição que provoca a admiração dos tontos. Para essa forma de pintar [...], basta ter os conhecimentos de um obreiro."


Paul Cézanne

as mulheres estragam tudo
quando tudo
parecia tão certo
- mas que ilusão de merda -

agora o capeta está
na ilha de Caras
sorrindo
exibindo ao governador
de Mibnas
um gibi do Cascão.

segunda-feira, dezembro 29, 2008



você gostaria de ser

reconhecido nas ruas

como o cara de gel

que perambula satisfeito

ostentando uma regata preta?


você gostaria de comprar

um pacote disputado e

bem parcelado

na CVC turismo?


pergunte isso ao Papa.

pergunte iss ao Obama.

ao baixinho da Kaiser

ao Kaká orando baixinho

ao risólis vendendo muito óleo

em sua metafísica entupida de maionese.

sexta-feira, dezembro 26, 2008













CAGAR MOLE É UMA BOSTA, HEIN?























































não quero ser amado
quero ser lembrado
eu amo a palavra escrita
- viver cercado de livros
insurgir a todo instante
asfixiado no torpor
de cada página
derretida
e depois de pontuar
com o coração da retina
a última frase,
lamber a buceta
de mais uma mulher
que ousou dizer
que me amava.

Feliz Natal, Clotilde.
Feliz Natal, Doralice.
Feliz Natal, Marilice.
Bom Anal, Sheila.
Feliz Natal, Ana Banana.
Feliz Natalzinho, Mamata.
Feliz Natal porra, Gérson.
Feliz Natal, Mara.
Sôniiinha! Feliz Natal, fera.
Alessandro, te cuida, feliz natal bróder.
Um Feliz Natal, Seu Inácio.
Gorgonzola...pô, Feliz Natal.
Natal é com Jesus, gente. Amém.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

"Pára mano" - ele diz.
Essa anta.
Parece um macaco.
Mexe pra lá e pra cá na cadeira,
dois idiotas dividindo um PC.
2 reais a hora.
"Óia mano, parece que eu to na balada"
E se sacode,
inclinando a cabeça
pra lá
e
pra cá
na cadeira.

A cadeira preferiria
qualquer inquisição.
do que esse cover
de nada,
bichona donkey kong.


Não bebo cachaça desde o dia 4.
Estou trabalhando nesse final de ano
O salário não é lá grande coisa.
Mas é bom.

Gosto do ambiente do trampo
dos "colegas", quer dizer -
das colegas.

Sou vendedor de livros
convivo com prateleiras
- um dia estarei lá -
como Mário Mariones.

"Ói que forgada véi, mó mancada"
Ele dança o seu puts puts
de boné preto virado pra trás
brinco dourado figurando
na orelha esquerda,
deprimente.

O mouse guiado
assim
é cego,
sujo
vende aids pelo sensor.

Quero outro lugar
uma piscina
impossível
em Acapulco
eu
escalo devaneios
sambarilóvis
imortais
quando minhas pipulas
se derretem
ao cruzar
esse psicodélico tobogã à 8.000 por hora
desembocando num paraíso
verde piscina salgado visceral
tetas, deep throat Shyla Stylez
estou de pé no quarto
caminhando parado entre
o bom blues amp fender vintage

Como disse,
não bebo nada desde o dia 4
Parei de
mandar pra napa esse pó maldito de Campinas
Cansei de celebrar meu lado Nélson Fun

Agora quero ler 80 livros por inspirada
Tragar todas as vozes que povoam
meu novo inferno
interno
wifi
caixa de fósforo delirante
transmutada em
lanterna aquática milagrosa

Imbecis são filhos do XEROX
são apenas filhos
"Calma bróder, não vai ligar não velho"
Essa baianada filha da puta
Não consegue
nem um trepada com uma empregadinha
de quinta
via msn,
analfabetos do caralho.

Amy cantando Specials?
é a dona da lan house na picape,
mas ela logo desliga o som.

"Desculpa aí moço" me diz o urubu.
Eu não entendo.
No trampo crianças me chamam de tio
Estou chegando aos 30.

A elisa acabou de entrar no msn
ela foi a diretora de arte de "O Grande Lazarento"
filme de Priscyla Bettim,
minha mulher.

Imagine você,
Reginaldo Puentes,
você segura em Cordeirópolis
perto da praça do centro
uma sacola vermelha de veludo.
ela se desvencilha das suas mãos
enquanto você dorme acordado -
a sacola
vira um biscoito
polvilho azul
diluição
deixando
numa galáxia
ao norte
meus pés escutando
outra microfonia
da morte.

não há melhores ou piores horas

Carne viva, carne morta
o que importa,
quero uma máquina de enlouquecer
depressa

Estou de folga
do trampo hoje,
"Hadouken"
e o cara de regata vermelha
do meu lado direito
continua dançando
feito
uma boneca
um filhote da
mais latente
mediocridade.

Será que o Cid Moreira
tem 5 reais
de fumo
pra me vender?

Estou sem fumo.

Arnaldo Jabor, pode morrer no Playcenter,
ninguém se importa.

?? Que hackearam o gmail?
Acabou o google?

Enfia uma dúzia de terabytes no teu rabo
Gugu Alicia Keyes Obama
Maísa Adriel Mitiko
Deixa o Silvio fazer um scat no Mike
Ele é melhor que o Mano Brown

Pergunte pro Mano Marrom
se ele leu Gogol
e apertou a descarga quando
foi fazer pipi
no apê
do Suplicy.

Ana acabou de entrar,
há pessoas geniais em matéria de le jazz hot
nesse meu msn,
realmente.

Que nome de merda esse:
Maria.
Engoliu porra invisível
do angel Gabriel
e assim o poeta Jesus
veio iluminar as hemorróidas de Shakespeare

Tudo bem.
Só quero demolir o palco da minha consciência
errática
nesse fim de tarde
soprando
sol de vida curta.





segunda-feira, dezembro 08, 2008

se confiança é nome de biscoito
a hipocrisia é vizinha da covardia
- mas
nos b-sides da lua
Joey Ramone é fera nenêm
e café faz bem
pra espantar
minha preguiça mental.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Ô depressão filha da puta


O mês de dezembro tá punk, por isso fica foda postar algo por aqui. Nos últimos dias eu fiz um monte de merda, bebi sem parar, tomei remédio pra caralho e tô de saco cheio de tudo. Menos de uma coisa. Não preciso dizer o que é.

Então é isso. Agora é hora do trabalho. Pfff.

segunda-feira, novembro 24, 2008

REMENDE A PISCINA DE BILDA OU CONTATE A EQUIPE DO SERVIÇO PANO MACIO RUGAS


Guacamole Truta é o nome da fera. Não sabe falar inglês. Não sabe dançar nenhuma da Clarice. Dos últimos sonhos o mais modesto alivia: "foi o da Vera". Vera Veraneio? Vera Velharia. Uma bugiganga frita!87 70 Não. Uma savola ágica de serão. Eu não leio mais. Guga Aluga. Universo Salgados. Livinho Segura - o amigo da censura. Fonelax Masturbaria. Não estacione dentro da placa. Em cima. Em baixo. Não invada o espaço sagrado da placa. Ele teme ser currado tem a certeza da curra? É Bonaparte? Sabe, ontem entre animais engraçados, o cachimbo Groselha e a membrana nasal Colóssia - EU encarei o tapete - e eu juro que quando no copo azul bebi sete oceanos de pimenta com farinha de trigo recém lavado no churrasco de barbante da Ondina- ATIREI é vodka desbotada- não ela disse, a minha mulher disse que bebi o ar de um banheiro nanico e coca-cola.

meia noite e cinco

meia noite em ponto.
começa a segunda.
meia noite e um.
dia 24 de novembro de 2008.

você gosta de filmes de drama?
eu gosto. gostei até de "coisas que perdemos pelo caminho", só não achei certo quando o cd-r da marca bulk travou faltando vinte minutos pra acabar o filme.

você gosta de filmes imbecis?
claro.

você gosta de filmes de "arte"?
claro.

Mário, você gostaria de falar sobre cinema no blog hoje?
- não.

sexta-feira, novembro 21, 2008

ALAN'S HOUSE

Taí. O Airton bateu as botas em dezembro. Só sobrou o Alan. Então veio a idéia genial prum ponto do comércio na roça: Alan's House.

Aopa. E taca neguinho ejacular nos lcd do Alan. Porra de alambrado. Se alguém pensa que o Alan se ligou, nada feito. No dia seguinte neguinho tava mandando bronca num Metal Slug da vida e o catupiry lá, se marcar virou uma borboleta amarela fã do Freddie Mercury, e picou o rabo do patrão. Deve ser por isso que a Fátima Negrão gamou nele. Saca só o naipe da fera:

- 1,81, ex-levantadora reserva do Bexigão-RJ
- fã do Molina do Santos
- cliente do Itaú dasantiga
- não raspa a buceta desde que o Sócrates falou algo decente na impresa.



fodeu.

E o Alan tacou aliança. Mudou de ramo. Começava a vender camisetas de cantores famosos: J. Jobes, Eliatã, Figura e Passa Rúêzí. O casalzão juntou um troco e adquriu um Corcelzão quase ZERO bala, negócião. E então um belo dia a Fátima Negrão resolveu cuspir a Jaqueline.

Quando a Jaque completou 19 anos, rolou um chá de miojo lá na casa da family. O Alan improvisou um Eduardo Dusek na vitrola. A Negrão lascou pepino à vonts pra fauna encher o buxo. Teve até facada: a Jaque idolatrava o Airton!

O Airton.

Nessa ela, já alta, acertou a Isabela. Explico. A Isabela trampava na Band, de Mato Grosso, vendendo rifa de risólis. E de Sol Shot. E limpou o cu cheio de milho graças à uma fotografia do Airton, pregada na parede do toalete. Não era bem um retrato: era uma pequena nota dizendo que o Airton tinha curtido uma alta balada na Ogrish, em Indaiatuba. Um flash da fera, só isso. Coluna social semanal do Amaury, sacumé.

!!Esfaqueou. Gritaria. A macacada numa puta algazarra esquisita.E a Isabela nem deu trela, porque se é no tornozelo até o Eduardo Dusek se sente feliz.


domingo, novembro 16, 2008

MILAGRE 117


tatuagem, hoje em dia, é negócio brega, bobo.
prefiro mirar os invisíveis labirintos
do último céu de novembro.

colocar no estrondoso varal da morte
fagulhas de expectativas barulhentas

- prefiro afogar de cachaça
o presente

posso esculpir em silêncio
poços de pombos suicidas,
vaginas que virão
dinheiro louco que choverá
caído rezar pelo gol
da loucura;

e o outro tropeço do milagre 117.


sábado, novembro 15, 2008

DEZEMBRO VEM AÍ, CHEFIA


Tô de vorta. Perambulei beldo e louco por ae, mas agora tô de vorta na praça, de novo, louco pra soltar aquela piada lá, você sabe.


Consegui emprego. Fiz carteira de trabalho. Haha, o que será que anda acontecendo com o mundo?

segunda-feira, novembro 10, 2008

O SONO DO MOSQUITO CANSADO



Foi ele que começou com essa lenga lenga. É claro que mandei ele tomar no cu e continuei me concentrando na cerveja.


- Tô te falando...


- Quer dizer que o mosquito é irmão do pernilongo? Haha. Então quando ele te pica te deixa bêbado? - Inquiriu Jussara, a garçonete do moquifo.


- É. A voz fica arrastada, a fala bem enrolada, mole, caidona.


Jussara serviu mais uma caninha pra cada. Boldrão seguia com o discurso. Estávamos travados no bar do Clóvis, em Santa James.


- Mas o mosquito só pega determinado tipo de pele. Gosta de um tipo de sangue, ele...


- Ah, vá tomar no cu – falei – cala a boca, porra.


Sempre saíamos na porrada depois de conversas assim. A certa altura, um dos dois se levantava e desferia a primeira pancada. Enfim, já tava de saco cheio. Paguei minha conta pra Jussara e deixei o Boldrão lá, segurando uma de otário.


Sei que levei uma semana pra atravessar a primeira esquina. Que hipnose sambarilóvi...Ali, do outro lado da rua eu sonhava acordado. Ela ainda trabalha ali, é, a japinha da sorveteria Caniço. Serviria agora pra mim um de limão com goiabada ?


Mas então veio a bosta.


- E aí, Nélson Fun?


- Eu.


Ofélia. Bundinha bisnaguinha seven boys drama Alien 3. Ofélia achava Legião Urbana um lixo. Um ser humano tragável até, no final das contas.


- Sabe de uma coisa? – eu disse.


- Hm...


- Também não sei.


Compramos um vinho a duas quadras dali e caímos pra praça. Silêncio.


- E a Laura? – curiosa me olhava Ofélia, bebericando o Chapinha.


- Jantamos juntos no hamburgueiro ontem.


- Não, fala a verdade.


Dei um longo gole na garrafa. Laura e eu não nos víamos desde março.


- Que foi Nélson?


Ofélia tinha dignidade. Valia meio tazzo. Porpetinha enrugada, se gabava de ter sido vice-campeã de sinuca no asilo Gomes e Bólis.


- Nada. De boa, Ofélia.


Passei a garrafa. Ela bebeu, me devolveu e dei o último gole. Arremassada para o lamento do céu, morreu perdida.


- Eu ainda penso no Boldrão – retrucou Ofélia, arrotando.


- Pfff....


Larguei ela lá. No dia seguinte, logo ao acordar, barrão nervoso na privada Odete. Me sentia lento e burro. Devo ter sido picado pelo tal mosquito, pensei.


- Porra, que moleza...


Comi uma fatia de pão com maionese e dormi. Sonhava com a Laura. No pega, ela era japinha tec toy gata e éramos estranhos um ao outro. Estranhos. Só isso. Acordei de pau duro e perguntando de qual pântano emergira aquela japa.


Campainha.


- Nélson? – Boldrão suava feito vaca gorda.Trazia dois fardos de Bavária lata. Bebemos bebemos. Ouvimos as mesmas histórias um do outro. E eu pensava que conhecia de algum lugar aquela japinha refresh. Acabou a cerva, Boldrão com um gesto tosco acenou pra mim.


Fechei a porta, peidei, e voltei a dormir.


CHUVA CÉU E CANCIONES


dei uma bola
um rolê no carro
4 pessoas
contando comigo
então surgiu
um violento álcool íris
alcançando minha cabeça na janela
então eu ouvi
não sei se bebo
não sei se dirijo
não sei se morro aqui
sei que é bom estar louco seis ou sete horas da tarde
noite de hoje.

E AE, NELSON NED?


Meu time ganhou, e meu estômago ainda tá baleado. Terça-feira obterei a resposta de merda pra saber se rolou o trampo.

Aproveito o meio tempo pra descansar aqui na roça e ouvir um pouco de Mingus. É isso aí.




terça-feira, novembro 04, 2008

FONELAX BEZERRÃO SERRA MALTE VAZIA E HAXIXE NAS ESTRELAS


eu queria explodir esse pc. queria falar um monte de merda pra muitas pessoas. sei que em breve acontecerá uma boa guerra com a bandeira da arrogância na minha fortaleza, rindo sem parar. mas na verdade todo mundo me dá sono, quando tenho paciência até solto umas rajadas, porque no resto eu deixo eles brincarem com o teatro deles, e treino boxe com meu ego ,bem longe de tudo.

onde será que tá o potão de amendoim japonês da Mara Maravilha? deve ter esquecido no Pão de Açucar. E eu com isso? Eu? Eu vou insultar muito filho da puta ainda antes do ano acabar e antes do Chacrinha morrer. mas o que eu mais quero é terminar rápido meu livro de contos, o "Promessas Horríveis." e sair desse apê no centro. tô indo ficar uns dias lá no taquaral - amanhã mesmo. quero silêncio. aqui onde tenho passado as últimas noites é uma bosta, as pessoas me irritam depois de 4 segundos, especialmente quando estou sóbrio. elas não desligam a porra da globo. nem a preguiça mental, a matraca e não tem ao menos classe pra disfarçar a burrice, e os bares daqui já tão torrando meu saco. não que eu esteja na bosta no geral - eu tô bem pra caralho. sexta agora até vou pruma entrevista de trampo, olha só que milagre. ah, já ia me esquecendo: quem é o líder do Campeonato Brasileiro 2008?

sexta-feira, outubro 31, 2008

"É DIFÍCIL DERRUBAR UM PROFISSIONAL"

E ontem o esquema foi bem de leve: 9 latas, 1 chope e uma garrafa de Red Label. Puta whisky de menina, parece iogurte com guaraná Dolly essa buceta. Mas era presente do Amauri, então foda-se.

Hoje teremos a visita da Ciranda Cirrose e Maria Úlcera. Estação Inferno será o palco do encontro? Sei lá. Tanto faz,porra.

quinta-feira, outubro 30, 2008

PUTEIRO?


Era um puteiro normal. Crianças de 7 a 5 anos divertiam-se sugando as bolas do Aqua Man, do Juventino(Pantanal), da Preta Gil e do Quércia.

O nome do puteiro? SORRISO. Sente o drama do cardápio:

- porção de pepino com mostarda gringa
- cebolinha pura
- Bavaria Quente (chope)
- caixa de fórfi Barney Clothes
- Pedra 90 no bico

Na noite em que Gerald Thomas deu as caras por lá, foi currado em off pelo New Sargento de Milícias. Faustão pediu uma pizza com azeitona viva. Acesso negado. Daiane dos Santos bolou uma idéia sobre Fidel com a Edinanci. O FBI esteve ausente, Hoppi Hari. Eu não fui, mas sei que ela pesava mais que um hamburguer. Tudo nos trinks, primo.

SEM PILEQUE

nauseado
liquidado
ansioso
são paulino
seco por um trago seguido
duma boa e óbvia piada atravessando
a lua do caos, os bolsos do avesso.

quarta-feira, outubro 29, 2008

O SABIÁ AZUL


Eu descia a rua Irmã Serafina. Avistei dois muleques, de uns 10, 12 anos, sentados em um pequeno muro de concreto. Um deles segurava um sabiá azul na mão direita. O muleque menor dizia que estavam ali com o sabiá já havia um tempo. Haviam-no resgatado nos escombros de alguma velha construção. O sabiá não podia mais flutuar.

Então lhes contei sobre o canário branco que vive (ou melhor, passa as noites) no meu antigo quarto na casa dos meus pais em Rio Craro. Certa vez, a Olguinha, o atacara. Suas patas brancas quiseram devastar o Jorginho, em um dia que nos esquecemos de o deixar longe de seu alcance. Jorginho fora atingido, parecendo morto, totalmente sem luz. Suas asas tingidas de um lúgubre vermelho combinavam-se à sua pálida e constante imobilidade dentro da gaiola. Gata filha da puta.

Minha mãe e eu decidimos passar merthiolate nas asinhas da ferinha. Retornamos Jorginho à gaiola. Instantes depois ele parecia animado. Ensaiou uns passinhos de bom ska. Estava vivo.

- Esse sabiá é forte rapaziadinha, vocês vão ver. Té mais...

Desci a rua e logo na primeira esquina entrei para a primeira cerveja da manhã.

terça-feira, outubro 28, 2008

SAMBARILOVI TIMES


Filmes que Fátima Pistola conferiu no último outono:

- O triste olhar de uma bicha psicodélica ressentida
- Na fissura e sem malícia
- Cerveja Quente e Curtição II
- Uma demolidora buça para Fezes Shirley
- Papai não deixa, Jesus não quer, Zacarias ainda não gozou
- Sussegado sem vesícola

***

- Me vê um sanduíche de bife. Só bife e pão.
- Só de bife?
- É.
- Jagunça, faz um sanduíche só com um bife no meio do pão.
- E pra beber?
- Não sei ainda.

Três minutos depois.

- Me vê uma cachaça.
- Da branquinha ou...
- Qualquer uma.
- ...
- É...pode ser 51
- Opa.
- Mais cachaça.
- Mais uma, bem servida.
- Outra.
- Me vê uma CAXAXA...ah, cancela o sanduíche de bife.
- Mas já tá pronto.
- Ah, então vê mais uma...
- Cachaça.
- É.

***




E pra beber?

sexta-feira, outubro 24, 2008

odiar alguém é tarefa de perdedores. tão perdedores quanto esses fanfarrões sem alma, com seus ray bans descansando sob bonés idiotas - que suspiram merda, acordam filhotinhos do pior óbvio. o blues dos outros perdedores é muito mais intenso. paredes de guitarras erguendo desespero, insônia e rajadas de agonia. essa foi uma boa lamentação de merda, my friend, apenas um terno velho arrastando tédio.

segunda-feira, outubro 20, 2008

quinta-feira, outubro 16, 2008


Novamente em Campinas, tô aqui caminhando nesse calor imbecil - puta solzão na moringa, meu chapa. Viajando pelo Taquaral.Opa, peraí,tenho que cair fora.


terça-feira, outubro 14, 2008

estranhos lugares do escorraçado coração


Não sei como começar essa merda toda. Foram tantas coisas loucas e improváveis que aconteceram nesses últimos dias que , pra variar,tô numas de agora ficar sozinho e repensar muita coisa.Repensar meu fígado também. Passar dois dias completamente perdido, estragadão e paranóico é uma bosta. E meus dois últimos dias foram bem piores que isso.

Mas foda-se.

Quase sempre será assim. Então digo "há mais de uma chance seu idiota?". E apenas sigo adiante.

quinta-feira, outubro 09, 2008

MAIS UM GOLÃO


Sabe quando você sente aquele peso no estômago que lhe faz querer vomitar cadillacs e desapegos? É, aquela ânsia de bezerrão depois duma noite heróica e loser de biritas e lorotas? Boi Zé.

Saí do apê da minha irmã, que fica no centro de Campinas, e caminhando a esmo descobri essa pastelaria. O dono da espelunca é O CHINA, ele tem um cabeleira toda espetada, e provavelmente nunca ouviu Varukers. O que interessa é que a Crystal tá morrendo em R$ 2,20. Isso que vale. Isso que é vida. Deixo assim meu tempo correr melhor que um Atari bem instalado numa tevê CCE de 14 polega - pelo tio Júlio Caldas.

Mais um golão. Peguei uma mesa espaçosa, grã fina. Parece até que a Cecília Meireles pariu meio soneto nessa bodega. É uma mesa retangular, brancona - e perto dela descansam duas mesas de sinuca. As pessoas tem aquele ar de caixa de hamburguer vazia. Não há nada de papa-figos e mulheres francesas dos anos 60. Há baldes de merda e chineses, um pirralho no colo do pai branquelo careca com um bigodinho sem vergonha. Tomo mais um golão.

Minutos antes me ofereceram um dvd pirata do Hitchcock por 5 pila. Recusei. Entrei num sebo de bosta e encontrei um Saul Bellow detonado por 12 merréu. Pfff. Que bosta. Mais um golão. Há uma bexiga púrpura roncando embaixo da primeira mesa de sinuca. Deus, vai uma partida comigo? Sua bicha, sabia que ia bundar. 12:38. Mais um golão. O tal do bigodinho sem vergonha descansa o queixo na palma da mão direita. Ameaça dormir. Dormiu.

O pirralhinho de 83 cm está lendo Fausto no original e sua mãe, a Chun Li da perifa, come alguma lavagem segurando dois palitinhos. Provavelmente pensa calmamente no bilau do Liu Kang. Enquanto isso dois idiotas em pé tagarelam, os dois de tênis branco. Quem usa tênis branco é imbecil.

Chega no bar então o cover do Anderson do Manchester United. Assobiando. Acho que quer pegar na bexiga roxa do garotinho. Que nada, foi bater um talco lá pros fundos da pastelaria. O bigodinho dorme, sonha com Jurassic Park II, o japa varukers abre uma garrafinha de coca. Encho meu copo. Essa merda é pura água. Aopa, chegou um par de tetas. Pena que ela namora o sobrinho do Alexandre Pires.


Como alguém se atrave a beber coca de canudinho e ainda por cima bancando pose de macho no balcão? Só porque falei, chega um baita carregamento de coca. Vários engradados numa parada de rodinha e tudo. Quanta mediocridade.

Agora entendi. O japa varuker é macumbeiro. Vejo umas oferendas (maças, três isqueiros e uma reader's digest) fazendo figuinha pruma imagem do seu jorge(ele mesmo),todos pendurados numa vermelha redoma na parede que dá pros fundos do bar. Pra melhorar, música sertaneja e um potão violento de mijo sendo veiculado pra clientela como suco de laranja. Mais um golão. Agora o fera do bigodinho sem vergonha abre o zóio, pensa no Del Rey da Daicy. Pega o filhote coreano no colo e começa a batucar Territory na mesa. O japa varuker para na frente, tenta esboçar uma careta meio Pedro de Lara. Encho meu copo.

Mais um golão. Aopa. Nada muda. Tá todo mundo se aquecendo errado pra hora do magic funeral. Eu queria ser a tomada do microondas do balcão e explodir esse moquifo. Haha, vê lá. O japa varuker me traz outra girafa d'agua. MAIS UM GOLÃO.


Ressaca sunrise. Conhece? A garganta já era. Mas hoje o dia tá crasse,urina fera. Vem crazy train na parada logo mais.

Aliás, tô indo ali no buteco da esquina escrever e tomar a cachaça da manhã.

té mais.

quarta-feira, outubro 08, 2008

CAMPINAS

Tá um vento féla da puta aqui em Campinas. Atravessei a Moraes Sales e vi uma Nair Belo nanica sendo tragada pelo vento. O jeitão é embalar no conhaque. O Tony 3/8 e eu vamos cair lá pro Inkrível. Nem vamos beber. Vamos destruir aquela porra.
E depois tem Satanás e Sedinha, Loacir e Lúcifer. Tá difícil manter-se sóbrio. Assim que é bão.
Simbora pra Campinas, arrumar trabalho de limpador vip de chaminés aromatizadas. E domingão é Mudhoney em Santa James.
Era do tipo radical. Achava música brazuca um cocô. Durante minhas prévias etílicas visando o bom agouro bucetal, figurava no stereo “Power”, “I Can” do Helloween. Várias do Stratovarius também. Maiden. E por aí vai. E, o garoto antes tímido e camiseta black faturou várias minas gatas – e olha que eu não sei se bebia tanto na época.

Hoje, com quase trintão, lembro com nostalgia chapolinesca dessa época. Formei bandas falidas, fiz vários bróders. No fim, vendi todos esses cds, ou pra bróders, ou lá no sebão da História, na rua 6. Adotei o punk e a 51. Música é como pó, dá no saco o mesmo pega bobo de sempre.

terça-feira, outubro 07, 2008

A NAMORADINHA

A namoradinha ajuda o anjinho da mamãe. A namoradinha diz pra ele só cheirar de setenta gramas pra cima em meia hora. A namoradinha só dá o cu e o céu da boca para o prazer Game Boy do anjinho. A namoradinha faz hexa penetration anal e é leitora de Nietzsche.

Depois do fim de semana casca grossa e com blackout, o esquema é dar reset na máquina e mandar a geral pra cucuia. Como eu mesmo digo: "essa semana promete".

domingo, outubro 05, 2008


E ontem rolou aquele churrascão na goma do Zanzibar. Foi as galera lá. As galera, o Troy James, seu cão alado, todo mundo no esquema. Panceta, birita e prosa mil grau. Coisa fina.

sábado, outubro 04, 2008


o camarada empacotou.
o prédio da janice ontem virou sucrilhos.
a amizade de blotinha e fílfer terminou por um lp do Xânxis.
o segredo da erikinha permanece clássico na piscininha de plástico.
as unhas de henrique agora o desafiam.
libélula certa lidera as costureiras em mais um panelaço da alegria.
meu copo virou seriado na teve filipina.
os micróbios da paulinha estão transando uma camiseta pra lá de esperta.
a febre tá foda por aqui, rapaziada.

sexta-feira, outubro 03, 2008


É, sexta-feira na área, chefia. Os bróders confederados tão aterrisando por aí, vamos ver quem é parceiro de copo tonáite. Seja como for, hoje é dia de fazer merda.

ENFIA O MACHADO NO REGO

Não aguento mais esse oba oba em cima do duzentésimo oitavo niver do Machado de Assis. Primeiro aquela feira da fantasia, a flip, a parada gay dos golfinhos literários. Depois o departamento marketeiro da Ilustrada, a banca do Anésio, o telejornal da Gazeta, a imprensa nanica de Bangladesh do Sul. Não quero aqui entrar no mérito do valor da obra do Machado de Assis. Pra isso existem muitos “profissionais” que dedicam uma vida inteira a gozar com o pinto alheio. Pra mim pouco importa. Literatura não é essa empulhação de merda na minha cabeça. Os bons escritores são os desprezados pelo público em geral, os humilhados pela grande engrenagem e os esquecidos. Principalmente os esquecidos.

quinta-feira, outubro 02, 2008

ENCIUMADO, EU ?


Ferinha está saindo com uma menina. Ele e ela tem um único comparsa em comum: Jaboti. Resultado: ela dá pro Jaboti no mesmo dia em que deu um fora em Ferinha.


No dia seguinte ela liga chorando, afirmando que tinha feito merda, mas não queria deixar de vê-lo.


Ferinha fica dois dias sem falar com ela, então resolve lhe ligar, convidando-a a vir em sua casa. Ferinha tava com um humor meio estranho; na verdade, ele não ligava à mínima pelo fato dela ter dado pro cara, não era bem ciúme o que sentia, mas desrespeito de uma certa maneira.


Zuleica apareceu no apartamento de Ferinha às nove da náite; começaram a conversar. Gentilmente Ferinha avisou que ela era uma vagabunda, etc. Agoniada, Zuleica falou que estava se sentindo suja por ter feito aquilo. Ferinha limitou-se a completar sua sentença, dizendo que Jaboti era um merda.


- Enciumado, eu?


Entre um gole de Chapinha e uma bola, Ferinha encarava Zuleica com mordacidade, ao mesmo tempo que reiniciava uma fase mal sucedida no seu GTA Vice City. Ferinha odiava aquela merda nerd, só que não havia nada melhor a se fazer naquele momento. De súbito, desligou seu monitor de LCD 15.


- Vou te pedir uma coisa e não tem como você recusar.


Zuleica permanece quieta, apreensiva, o semblante convulso vazando lágrimas de merda, as mãos procurando mediocridade pelo loiro cabelo cacheado.


- Tira a roupa.


- Tá louco?


Ela não queria, nem fodendo. Ferinha tornou-se mais incisivo, agora trovejava convicção. Então a bichinha cedeu. Foi até o toalete e voltou peladaça, uma delícia. O chapinha canabiarnárquico operava equações estrambólicas no peito de Ferinha, que agora mais enlouquecido explicava à Zuleica que sua nudez anterior, com o motoboy Jaboti, precisava ter sua redenção nesse momento, que seria o melhor coito que ela experimentaria em toda sua vida de putinha relaxada.


Enquanto ela ficava parada feito uma pamonha lambuzada de desgraça, Ferinha se divertia copiosamente. Um fliperama metafísico de sadismo rock and roll dava o ar da graça na sala, inundava a praça. E ela lá, paradona. Ferinha mirava e mirava aquela lambisgóia cretina, sentindo-se poderoso.Ficou com tesão de boi velho, louco pra furar o cu da égua.


- Você me ama?


- Amo, você sabe que eu gosto de você, Ferinha.


Ela se aproximou e levou a mão esquerda de Ferinha até sua buceta. Estava molhadíssima. Ferinha deu uma rasteira na vaca, e violentamente a jogou na cama. Estava inspirado. Zuleica gemia mais alto que o céu, “você é o homem que eu amo”, repetia, atônita, babava. Foi muito bem comida. Ferinha se arrependeria depois de não ter enchido de bolacha a bunda da piranha. E a meteção foi longe. Então ele a xingou mais um pouco. Mais um pouco. Ele gozou na boca dela. Ela engoliu. E foi meio isso.

quarta-feira, outubro 01, 2008



A ordem do dia foi suspensa. Faz tempo. Minha única preocupação agora é saber quando vou acender o próximo. Só isso.

BAR DO CARLÃO



Um conglomerado de bróders. O antro oficial da gente finisse. O palco da sinceridade. O recanto da gargalhada. A máfia da tranqüilidade. É sério? É. É o bar do Carlão, porra.


terça-feira, setembro 30, 2008


Odeio o tipo de pessoa que, além de tagarelar sem fim, pontua todo final de frase com um "ENTENDEU?". Não, quem não entende é você, fera. Quem impõe o ritmo da prosa nunca será você - e estou sendo generoso ao nomear de "prosa" essa tua falação imbecil.

segunda-feira, setembro 29, 2008

'SSEGADO !?



Tenho ficado bem esses últimos dias. O fumo me dá uma apaziguada na moringa. Sinto-me anestesiado na medida certa. Acho que daí pra serenidade, é um passo. Pode ser, só que preciso de níquel pra viver assim. Também preciso de revolta, confusão na beira do rio - senão não é briga, é fotossíntese.


domingo, setembro 28, 2008

AZEDOU

Não volto mais pro Havaí. O Havaí não é mais o que era antes. Sabe por que? Virou restaurante.

quinta-feira, setembro 25, 2008

quarta-feira, setembro 24, 2008

NICK NOUCAS



Cá com meus botões, paro com a seguinte indagação: a Pablita não é a cara da Anais Nin? Tudo bem, numa versão mais simplista. Diria até que (esta comparação restringe-se ao plano físico, é óbvio) mais bolachuda e pirralha. Vai ver são os olhos, que levemente trazem essa impressão de diálogo com a Anais. Bom, não estou interessado em pessoas que se pareçam com as outras.

Estou interessado é em literatura porrada.

Dito isto, lembro-me do meu amigo Nick Noucas. Pra quem não o conhece, gostaria de apresentá-lo.

Sete anos atrás, frequentávamos os mesmos bares. Ambos éramos vagabundos e tanto imbecis, como agora, mas Nick Noucas mostrava-se empenhado em redigir seus livros com afinco. Dizia-me que passava a madrugada absorto em pensamentos e sentimentos que o afligiam e o faziam sangrar de raiva. Munido de café e esperança, escreveu um livro de contos, que até hoje não foi publicado. Nele podemos encontrar narrativas pontuadas por uma escrita automática urgente, esquizóide. Eu gosto muito do punch do figura.

Nick Noucas sumiu em 2005, deixando-me uma versão em .doc do texto.


Por que digo isso? Porque gosto do jeito que ele escreve. Traz umas reminiscências de Fante aqui, Lennon ali; enfim, escreve muito. Deixo aqui um texto dele, vejam só o naipe da fera.


Era assombroso, inacreditável. Em questão de segundos eu voltava a crer que nada valeu a pena com Lídia. Ninguém me engana mais. Então entrei no meu novo mundo e pedi para cancelar.


Não posso rastejar. Não agüento mais essa punheta mental alheia. Vozes estéreis , pensamentos querendo me cercar. Então entrei no meu novo mundo, pedi pra cancelar.


Bebi mais cinco cálices de discórdia no terraço e produzi linhas, deitei insultos que rapidamente apaguei, insultos proliferados por uma garganta cansada e sincera. Os olhos chamejantes daquele rosto lívido ainda me corroíam. Trevas surgiam de dentro das minhas axilas, do meu grito, Lídia. Saí para a calçada, me encostei no poste de luz , sentia-me anulado, arrastado, navegando no vazio.


E assim foi. Entrei no meu mundo e senti ânsia de vômito. Uma enfermeira passou por mim distraída, meu estômago parecia boiar no meio da escuridão, meu peito contorcia-se entediado. Em tudo faltava algo.


Lídia me telefonaria às sete. Mulheres recarregam o esplendor da morte - sequer atendi, cancelado eu ouvia. Iria começar outra vez em outro lugar, agora.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...