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Mostrando postagens de Janeiro, 2008
Devia ter aproximadamente 27 anos. Era alto e usava roupas descontraídas. Levava ambições dentro do peito, em sucessivas investidas consagradas na lei das ruas do vício.

Se aproximou do balcão da recepção e levou a mão ao topete, quase sorrindo para o empregado.

- Meu nome é Bodeguito James. Tenho uma reserva.

O empregado com cara de porra velha lentamente fez o favor de checar os registros.

- Sim, sr. Bodeguito. Também houve uma chamada pra você. Deve entrar em contato o quanto mais rápido com a Acácia.

- Vishh! Faz muito tempo que ela ligou?
- Mais ou menos duas horas.

(fodeu)
(fodeu)

Bodeguito assinou o registro do hotel e foi conduzido ao quarto por outro empregado, que levava sua bonita bagagem.

Minutos depois, ele conversava com seu cavanhaque mágico em frente ao espelho do toalete. A vida corria formidável, ele ali à passeio, só fitando a moda das buzanfas e as lorotas estampadas no cu das faces anônimas da existência.

Gostaria de comer um bolinho brega, ou uma garrafa de incêndio. Por c…
Ele tinha razão. Muito havia mudado entre eles. Passaram todos os dias úteis do último mês juntos, comendo, trepando, trampando, realizando tarefas psicodélicas e descansando pacas. Vivendo grudados e arrotando distraídos.


Na verdade, Peter Coceira precisava afastar-se de Valéria Novela. O travecão tava afim dum revival com o Peter. A idéia o enchia de badtrip. Sentia-se até confortável quando pegava um cotonete no banheiro e limpava as orelhas para relaxar. Mas durava pouco tempo. O telefone tocava, Valéria insistia, Peter não atendia.

- Faça o que quiser - Tânia Foguetera dizia.
- Pensei que as coisas houvessem mudado entre nós nessas últimas semanas, babe. Quero dizer, tâmo numa nice, diz ae...

Ela não abria mais a boca. Sabia que Peter havia namorado Valéria por duas primaveras e quinze bolachinhas trufadas, mas o orgulho é uma bosta. Acreditava que o moreno ainda dava alguma trela para Valéria. Ledo engano...

***
Do banco onde estava sentado no shopping soltou um punzinho. FOOOM. Saiu …
A paixão late no quintal. Datas comemorativas embriagam. Hoje o café estava trazendo gosto de morte no meu peito. Será que estamos vivendo de exemplos?***Ficaram ali sentandos durante mais algum tempo, ouvindo o discurso cego das folhas nas árvores e absorvendo a solidão do dia. Já era quase outono, e as cores tão pálidas faziam um mesclado em cima do piano.Birosca compreendeu naquele instante seco que era impossível superar Tony Douglas. As folhas mudavam em todas as estações, pediam gorjetas ao céu, recebiam beijos de brancos morcegos pedalando sonhos - e aí Birosca resolveu apagar Tony Douglas.Despediu-se de Vinólia, prometendo sexo anal para o mês de fevereiro.Como bem se sabia, Tony Douglas voltava do colégio lá pelo meio dia e quinze. Organizou então no cerebelo várias maneiras de explodir seu sangue. Pois bem, a seqüência correta dos acontecimentos eu não sei. A porta estava destrancada, Birosca deu-lhe com o martelo gastronômico, na cabeça. Crânio achatado desperdiçando suco p…

NA CASA DO TIO CARLOS

Fiquei encanadão. Não podia imaginar Lúcifer escolhendo um barbeiro bêbado para confidente e discutindo com ele o casamento da Maroca com o Tio Carlos. Para ocultar a minha confusão disse a primeira coisa que me veio à cabeça.

- Que foi que a Maroca viu no Tio Carlos?

- O apartamento em Caraguatatuba - Lúcifer nem piscava, momentaneamente perturbado, pesaroso em sua consciência de pudim.


Entrei em casa. Tio Carlos estava de boné, e é evidente que andara pela goma da Maroca.

- Lúcifer me contou tudo.

Tio Carlos naturalmente conferiu seu tradicional sorriso de aviso de reserva de tanque de gasosa.

- A idéia é rrredícula - disse eu - A capivara tá de zóio na tua bufunfa, mané.

- Juquinha - Tio Carlos ponderou - , nunca chamei o teu pai, o meu irmão, de pau pequeno e corno campeão. Então, fica na tua, viadinho da porra.

- Vá se fôde - disse eu, evidentemente Tio Carlos havia pegado pesado.

Ele coçou o nariz e em seguida soltou dois espirros em fá menor.

- E a Maroca tem todos os vídeos do Kid Beng…
A cachaça enche-lhe os olhos. Manejava o copo americano de tal maneira idiota e apaixonada que era saudoso ser lazarento. Nesta noite de lua , anda o mosquito Tonico na alucinada bosta dum fox paulistinha ; uma outra boca fala:

- Vem cá...

Ele segue o prodigioso ritmo, o copo praticamente vazio, em algum lugar uma velhinha chora. Por negras colinas gorozadas então caminham as doses seguintes, ela é quem paga. Mulheres gordas tão gastas ocupam a mesa ao lado. Diante das cartelas de rifa e mentiras repetidas murmura, atrapalhado: foda-se, não é tempo de chegada, navegação também não sei não... Deixamos todos nossas vidas mudamente nestes bares, nessa paisagem tranquila. E a menina insiste, chora não, velhinha.

arrotos cólera Boeing infernal

Uma tarde, em Santa James, eu estava meio triste - mas não bebi preocupações, não escrevi, não procurei nenhuma pessoa parceira ou árvore premiada. Apenas andei distraído, mirando novas esperanças vadias ao éter, circundando ruas sem graça chutei os últimos vestígios dessa melancolia moribunda. Aí eu parei de frescura, de vez, e abri o primeiro gole. Opa. Dois. Três. A hipocondria depressiva morre de medo da cachaça. A vida e seus caminhos disseram-me "boa-noite, lazarento". Estimei minha vida, minha mulata, as idéias desse copo perdido que a alma conduz. Forte, lentamente segui adiante. Arrotei feliz.

***
Se há ódio, há vida. E as palavras que não tomam dimensão de orgia são tramas vagas. O bão é pobrema, a luz é a da privada, bar fulero-de-nóia; vômitos do presente, caronas para o próximo inferno. Tô nesse altar aí. O Boeing da pilantraria criminal irrestrita a milhão explode qualquer coisa.