quinta-feira, janeiro 31, 2008



Devia ter aproximadamente 27 anos. Era alto e usava roupas descontraídas. Levava ambições dentro do peito, em sucessivas investidas consagradas na lei das ruas do vício.

Se aproximou do balcão da recepção e levou a mão ao topete, quase sorrindo para o empregado.

- Meu nome é Bodeguito James. Tenho uma reserva.

O empregado com cara de porra velha lentamente fez o favor de checar os registros.

- Sim, sr. Bodeguito. Também houve uma chamada pra você. Deve entrar em contato o quanto mais rápido com a Acácia.

- Vishh! Faz muito tempo que ela ligou?
- Mais ou menos duas horas.

(fodeu)
(fodeu)

Bodeguito assinou o registro do hotel e foi conduzido ao quarto por outro empregado, que levava sua bonita bagagem.

Minutos depois, ele conversava com seu cavanhaque mágico em frente ao espelho do toalete. A vida corria formidável, ele ali à passeio, só fitando a moda das buzanfas e as lorotas estampadas no cu das faces anônimas da existência.

Gostaria de comer um bolinho brega, ou uma garrafa de incêndio. Por certo estaria muito feliz, satisfeito realmente, se conseguisse obtê-los. Talvez alternados. Ou não. Almoçava pipoca e amendoim quando não tinha um puto, mas quando tinha grana pra cacete, como agora, esnobava jogar alimentação. Nada de levar algum rango pra baixo.

Quando há três meses recebeu o status de herdeiro ficou contente, mas depois um pouco entediado. Era chato cheirar scarface novel todo dia e lamber buças cheirosas all night long. Deus sabia. Por isso decidiu viajar pro inferno roubar matar fudê algum premiado.

No entanto, precisava acionar o celular. Acácia o havia detectado. Merda. Sua ex-mulher era bagunceira e repórter da injúria, categórica no ramo.



Seria ele um covarde em não discar seu número? Provável.

Saiu para a rua, se despedindo das dúvidas no passo certo da tranquilidade. Achava-se um forasteiro ponta firme, um porrão fanfarrão estaile bagarai.

Então passeou por alguns lugares da city e chegou ao Grand Blowjob's Club.

Achou o ambiente deveras agradável, local babaca mas seguro, cheio de silicone e chapinhas analfabetas de Aluísio Azevedo. Escolheu o gentileza's place, lugar próximo ao balcão. Queria ver a maior parte do canal. E depois de ser servido com uma generosa dose de bourbon falso começou sua inspeção.

Seria fácil reconhecer no meio do público duas putchacas como Fernanda Young e Maria Bjork. Estavam sempre no mapa. Pintavam no rolê os capangas de araque também, merdas amplificadas do acaso.

Seus pensamentos esquisitos foram interrompidos por um toque em seu braço esquerdo. Sorriu larápio, ao ver que era uma mulher esbelta. Ruiva, olhos céu limpo,e rosto macio, pequeno, infantil? Hmm, infantil não, delcidado, combinava com sua estatura, bastante inferior à dele. Tudo bem, tinha formas de folia ilícita day by day.

- Estou brincando de adivinhação. Novo aqui?
- É. Novo. Sozinho.
- Tadinho!
- Resolve pra mim.
- Hum! si pá...
- Tranquilo.
- Meu nome é ... Maria, Maria Bjork.
- Ah não, porra, de novo??!!?!!

Bodeguito James teve a impressão de que as luzes tinham se apagado ou acendido, e, ao mesmo tempo, dentro do seu cérebro, se produziam vários estalos de salão, acompanhados do invencível despertador, São Paulo e Portuguesa amigão, quatro da tarde, o sol nervoso lá fora.



SOLUÇÃO 2.3

Nunca chegaria a saber quem havia empregado aquele golpe. Alguém golpeara covardemente sua cabeça. A punkada foi trash. Marlene Matos ou Adriana Esteves ainda dão seus pulos.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Ele tinha razão. Muito havia mudado entre eles. Passaram todos os dias úteis do último mês juntos, comendo, trepando, trampando, realizando tarefas psicodélicas e descansando pacas. Vivendo grudados e arrotando distraídos.


Na verdade, Peter Coceira precisava afastar-se de Valéria Novela. O travecão tava afim dum revival com o Peter. A idéia o enchia de badtrip. Sentia-se até confortável quando pegava um cotonete no banheiro e limpava as orelhas para relaxar. Mas durava pouco tempo. O telefone tocava, Valéria insistia, Peter não atendia.

- Faça o que quiser - Tânia Foguetera dizia.
- Pensei que as coisas houvessem mudado entre nós nessas últimas semanas, babe. Quero dizer, tâmo numa nice, diz ae...

Ela não abria mais a boca. Sabia que Peter havia namorado Valéria por duas primaveras e quinze bolachinhas trufadas, mas o orgulho é uma bosta. Acreditava que o moreno ainda dava alguma trela para Valéria. Ledo engano...

***
Do banco onde estava sentado no shopping soltou um punzinho. FOOOM. Saiu com a carinha da Suzana Vieira. Feijão adolescente mais bolinho de arroz acrobata. Peter estava assim: tranquilóvsky, só ganhando a movimentação da negada derramando dinheiro no xópis...Tânia entrara na Marisa e comprara um lindo sutiã, dava até pra fera guardar duas bolinhas de tênis em cada mamilo.

A fadiga não pintou mais na área do casal. Tânia lera muito Nietzsche e Cioran no toalete e aprendeu a trabalhar o tríceps. "Eu me garanto Peter". Eta bucetinha safada, Tânia estava é tomando pílulas. Naquela sexta-feira com cara de gorjeta pra sonâmbulo maneta a macarronada rolou solta. Depois a transa. Peter colocou no CCE um CD-R do Creedence.

- Tire a roupa.
- Hmm, vem cá... - ela tinha pimenta no coração.

O prazer dava mostras de fartura no decote da camisola. Um decote com tesão.

- Pegue no meu bilau
- Antes toque nos meus seios
- Isso não é trombeta, porra...
- Toque nos meus seios...
- Vá chupá cacho de uva, lazarenta

Era uma bela dupla, mais que uma dupla. Um casal legal. Ela garçonete, ele desocupado.

Vocês sabiam que o ácido das uvas ajuda a queimar a gordura do corpo? Quem deu a letra foi o Rico Mortadela, ex-empresário amigo do casal.

- Hmm, adoro chupar esse tetão - Peter se coçava todo de desejo e Tânia queria um gole de café Serra da Mata.
- Pega aqui no meu caralhinho, porra...

Ela estava bem excitada. Quase engoliu o pipi do Peter. E Peter sem querer urinou no olho de vidro de Tânia. Tânia poderia preparar uma caneca cheia de café e derrubá-la dentro da cueca de seu amante, mas preferiu outra coisa.

- Enche meu cu de porra, safadão
- Opa, agora sim.

A cesta de frutas chegou no quarto 17. Não havia Nova York em Pedreira. Veterinários são rapazes imbecis.

Peter sorriu e enquanto pilava o cu da Tânia Fogueteira começou a contar uma esquisita piada sobre esquilos, no meio tentava uns versinhos, sem sucesso. Tânia parecia entretida, mas não esquecia a voz forte do Kabeçada, o pintor agressivo que lhe gozara na face. Nessa mesma manhã dessa noite de porra. Atrás da televisão.


***

segunda-feira, janeiro 21, 2008

A paixão late no quintal. Datas comemorativas embriagam. Hoje o café estava trazendo gosto de morte no meu peito. Será que estamos vivendo de exemplos?

***

Ficaram ali sentandos durante mais algum tempo, ouvindo o discurso cego das folhas nas árvores e absorvendo a solidão do dia. Já era quase outono, e as cores tão pálidas faziam um mesclado em cima do piano.

Birosca compreendeu naquele instante seco que era impossível superar Tony Douglas. As folhas mudavam em todas as estações, pediam gorjetas ao céu, recebiam beijos de brancos morcegos pedalando sonhos - e aí Birosca resolveu apagar Tony Douglas.

Despediu-se de Vinólia, prometendo sexo anal para o mês de fevereiro.Como bem se sabia, Tony Douglas voltava do colégio lá pelo meio dia e quinze. Organizou então no cerebelo várias maneiras de explodir seu sangue.

Pois bem, a seqüência correta dos acontecimentos eu não sei. A porta estava destrancada, Birosca deu-lhe com o martelo gastronômico, na cabeça. Crânio achatado desperdiçando suco pelo chão, a barata Cássia aflita atrás do panetone que o fox Souza interceptara.

Sete marteladas e oito chutes de pé esquerdo.

Estava feliz?

- Não. Não achei que fosse necessário.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

NA CASA DO TIO CARLOS

Fiquei encanadão. Não podia imaginar Lúcifer escolhendo um barbeiro bêbado para confidente e discutindo com ele o casamento da Maroca com o Tio Carlos. Para ocultar a minha confusão disse a primeira coisa que me veio à cabeça.

- Que foi que a Maroca viu no Tio Carlos?

- O apartamento em Caraguatatuba - Lúcifer nem piscava, momentaneamente perturbado, pesaroso em sua consciência de pudim.


Entrei em casa. Tio Carlos estava de boné, e é evidente que andara pela goma da Maroca.

- Lúcifer me contou tudo.

Tio Carlos naturalmente conferiu seu tradicional sorriso de aviso de reserva de tanque de gasosa.

- A idéia é rrredícula - disse eu - A capivara tá de zóio na tua bufunfa, mané.

- Juquinha - Tio Carlos ponderou - , nunca chamei o teu pai, o meu irmão, de pau pequeno e corno campeão. Então, fica na tua, viadinho da porra.

- Vá se fôde - disse eu, evidentemente Tio Carlos havia pegado pesado.

Ele coçou o nariz e em seguida soltou dois espirros em fá menor.

- E a Maroca tem todos os vídeos do Kid Bengala, tem vibrador na cintura aquela vigarista. Quer ficar bronzeada de camarão e breguenáites. Só um trouxa como você mesmo pra casar. Chifrudo.

Fiquei confiante. Tio Carlos era cordial, não partiria pra porrada.

- Vai embora da minha casa - disse em voz baixa.

- Sua casa o caralho. Essa casa é do meu pai de pau pequeno. Tuuuudo bem, é tua também; mas não é porque voltei a morar nela esses dias que você pode me tocar fora assim.

- Pois é. É do pau pequeno e minha também. Olhe, há Kaiser na geladeira.

Olhei. Três ou quatro Kaiser lata abertas continuavam no mesmo lugar desde que voltei a morar nessa bodega. Quem as trouxe fora Lúcifer, que ao que tudo indica as havia roubado da casa dum gringo lesado.

E o clima na sala permanecia como cueca escangalhada em dia de hora extra sem refresco. Tio Carlos enxugava com o lenço do Snoopy a testa coberta de suor. Depois, sem aviso prévio, cautelosamente apontou o Taurus em minha direção.

- ...

Eu não tinha compostura, só cocô na calça.

Tio Carlos levou a mão desocupada ao pescoço, soltou um outro espirro; eu avancei para barrá-lo antes que fosse tarde . Porém conduziu sua operação rapidamente. Tinha estourado sua cabeça como cartolina cor de rosa no moedor de açougue carniça.

Quanto a mim, não tardou para voltar a mim mesmo. Liguei pra quem tinha que ligar, avisei Lúcifer e Michele, o barbeiro bêbado ficou de fora.

Esvaziei as Kaiser e tomei meu longo caminho pra casa da Soninha. Eram duas e meia da madrugada de uma outra quarta-feira.


terça-feira, janeiro 08, 2008

A cachaça enche-lhe os olhos. Manejava o copo americano de tal maneira idiota e apaixonada que era saudoso ser lazarento. Nesta noite de lua , anda o mosquito Tonico na alucinada bosta dum fox paulistinha ; uma outra boca fala:

- Vem cá...

Ele segue o prodigioso ritmo, o copo praticamente vazio, em algum lugar uma velhinha chora. Por negras colinas gorozadas então caminham as doses seguintes, ela é quem paga. Mulheres gordas tão gastas ocupam a mesa ao lado. Diante das cartelas de rifa e mentiras repetidas murmura, atrapalhado: foda-se, não é tempo de chegada, navegação também não sei não... Deixamos todos nossas vidas mudamente nestes bares, nessa paisagem tranquila. E a menina insiste, chora não, velhinha.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

arrotos cólera Boeing infernal



Uma tarde, em Santa James, eu estava meio triste - mas não bebi preocupações, não escrevi, não procurei nenhuma pessoa parceira ou árvore premiada. Apenas andei distraído, mirando novas esperanças vadias ao éter, circundando ruas sem graça chutei os últimos vestígios dessa melancolia moribunda. Aí eu parei de frescura, de vez, e abri o primeiro gole. Opa. Dois. Três. A hipocondria depressiva morre de medo da cachaça. A vida e seus caminhos disseram-me "boa-noite, lazarento". Estimei minha vida, minha mulata, as idéias desse copo perdido que a alma conduz. Forte, lentamente segui adiante. Arrotei feliz.

***
Se há ódio, há vida. E as palavras que não tomam dimensão de orgia são tramas vagas. O bão é pobrema, a luz é a da privada, bar fulero-de-nóia; vômitos do presente, caronas para o próximo inferno. Tô nesse altar aí. O Boeing da pilantraria criminal irrestrita a milhão explode qualquer coisa.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...