sexta-feira, fevereiro 27, 2009

AS NOBRES FERAS - PARTE I

Décimo andar, prédio do Peter Coceira, estamos em Campinas. Nélson Fun e Titiku Ranir proseiam cansados,pelo final da tarde de terça-feira, maio de 2003.

- Você escuta eu te chamando daí olha pra direção oposta, e fala: o que?? quem tá me chamando?

- Haha, feito um retardado - respondeu Titiku Ranir.

- Haha, é - concorda Nélson Fun.

A pacata Campinas fazia no centro da cidade o vento elaborar pensamentos melancólicos pelo quarto de Peter Coceira. Ali, Nélson Fun e Titiku Ranir basicamente fumavam uma bomba atrás da outra, alternando temas como desilusão, desesperança, artistas brasileiros (sinônimo dos dois tópícos anteriores) e mulheres. Sempre elas. Por que será? Talvez porque - contrariando a maioria das pessoas vivas em 2009 - os dois eram heterossexuais?

Os olhos vivos e brilhantes de Nélson Fun voltavam-se a todo instante para Natália. Presente de calcinha, devaneios em suntuosos fios capilares negros e sutiã preto ela não estava disponível ali, ele até podia admitir.

- Eu sou o cara mais sem personalidade que conheço.

- Por que?

- Porra, Titiku...desencana; tem como você me arrumar um fino pra levar pra casa?

- Tem sim.

Titiku Ranir tira do bolso um saquinho plástico branco. Separa um pouco de fumo e o coloca num papel de passagem.

- Rio Claro- Campinas?

- É.

Satisfeito, Fun guarda o novo brinquedo. É hora de ir embora.



- Você não vai esperar o Peter voltar? - Titiku Ranir não sabe o que fazer com a ponta, que paira preguiçosa em sua mão esquerda.

- Puts, não vou. O Coceira vai ficar meia hora conversando com ela. Fala pra ele que qualquer hora eu apareço.

- Já sei, vai ficar pirando lá com o livro?

- Falou, Titiku.

- Falou.

Era um elegante apê. Coceira vivia de dar aulas de literatura, já alcançava os 35. Solteiro, maconheiro e feliz. Amigo do Titiku Ranir e do Nélson Fun havia pouco tempo. Gostava deles.

- Cadê o Nélson, vazou?

- Foi. - Titiku dissimulado folheava fingia folhear o Moby Dick, na porca versão da Martin Claret.

- O Titiku, seguinte. A Marli vem aqui, daqui a pouco, é melhor você ir embora.

- Tá bom.

E Titiku vazou. Largara o volume lá na sala do Peter Coceira, em cima da poltrona de veludo da fera, e agora pensava se rangava um pão de queijo(lá no posto onde era amigo do atendente, o Esaú)ou guardava a grana pra pirar com alguma coisa mais tarde. Era uma dura escolha...só de pensar que desperdiçava mais uma folga do trampo assim...

Este gentil rapaz, Titiku Ranir, achava, muitas vezes, que não tratava-se de uma questão séria, a vida. Uma vez ganhando seu troco, tendo uma xana ao pé da alcova, vendo um filme por madruga, tava tudo certo. Pouco importa, no fundo, repetia. Titiku Ranir, para Nélson Fun, estava, há muito, completamente morto, sem últimas homenagens e no mais baixo grau de consciência.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

TITIKU RANIR e a RUIVA

Não que Titiku Ranir fosse um pateta. Não o era, de fato; mas o que as pessoas pareciam não compreender a todo instante era o modo como Titiku apreendia a existência em sua essência máster. Fosse como fosse, aquele humor característico de Titiku era inato – seus trejeitos, sua fala desajeitada (o famoso sotaque cantado caipiróvisky) e seu modo pateta de se relacionar com as pessoas; eram coisa natural para o seu cérebro de gelatina, e o coração idoso de combate. Ninguém sabia o quão ele já passara mal de tanto pirar com Mega Drive na casa da rua 4. A sexta-série ele repetiu zoando, no entanto a turma da oitava-série renderia-se à sua popularidade ,e ele teve ali seu auge como ser humano privilegiado de empatia espacial. Falando em espaço, Titiku sempre pirou com as estrelas.

- Eu preciso sair de lá, mas eu preciso do dinheiro – ele me diz, estou sentado escrevendo mais um conto pra compor o Promessas Horríveis. Titiku chega, olha para fora da janela do décimo andar. Pensa no trabalho de amanhã. Precisa ir embora, pega Hamlet e não entende bulhufas.

- Você não quer refresco, cara?

- Não, tô de boa.

Titiku me contou que a ruiva lá da pizzaria tem problemas com Excel. Ela pode entender de tatuagem das meninas super poderosas, currar uns campineiros com um bastonete e tingir o cabelo de vermelho pra parecer a medusa da foccacia. Sabe tudo isso, ademais a arte de forjar sobrancelha. Entretanto um simples programa de Windows cujo recém-nascido exibe rapidamente completo domínio, bom, para isso ela precisaria de suados três anos de colégio interno pré MS-DOS. Taí. E ainda por cima a eunuca nunca leu um parágrafo do Agradável Silva, muito menos assistiu o novo do Nick Noucas. Lamentável. Uma mulher de 40 anos, com cinqüenta filhos pra criar, mais uma figura decadente da baixa burguesia nativa do interior paulista.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O FILÓSOFO DA ROÇA

O bloco Unidos do Bezerra neste ano contou com a presença de Sérvio Carniça em suas fileiras. O ilustre filósofo da vida da gente rioclarense fez as vezes de Rei Momo na avenida.

Em entrevista exclusiva ao Guia Rio Claro, Sérgio (como é chamado pelo avô de 289 anos) salientou a importância da obra de Gil Vicente no atual contexto da roça. "Gosto de ler o Auto da Barca do Inferno no toalete, na câmara e também nas reuniões do Rotary", afirmou a fera. "E o senhor Mário Mariones anda escrevendo barbaridade" - completou. Pergunto: que barbaridade, Sérgio?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

O PROFETA DA ROÇA

Ele era um homem muito magro, tão magro quanto alto. Com um cabelo à Tiradentes (aquele Tiradentes que os livros de História pintaram), era o profeta da roça.

Ele vagava com uma expressão triste no rosto; era um peregrino, que atravessava a duras penas as ruas e avenidas de Rio Claro. Era, sem sombra de dúvida, um clássico personagem de Rivers. Da Roça. Do céu. Pois esse homem barbudo, nosso profeta, foi morto covardemente dias atrás. Já cego, na madrugada foi vítima de uma covardia. Enquanto dormia, teve o corpo coberto de fogo. Sem mais nem menos. Ele ainda tentou desesperadamente se livrar das chamas, correndo até um posto de gasolina. Mas já era tarde: depois de cinco dias no hospital, esse homem morreu.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

A ENTREVISTA









A zanga é um cavalo fogoso que,
podendo seguir por onde queira,
cansa-se do próprio fogo.

A famosa história da vida do Rei Henrique VIII






Eu estava no camarim, restavam sete minutos pra entrevista entrar no ar. Ao meu lado esquerdo, a cabeleira, ela, Elaine.

- Gel?

- Não, obrigado – respondi, um pouco tenso.

- O senhor já esteve alguma vez no programa do Gugu?? – aquele sotaque pernambucano me enfastiava.

- Ela mora longe, o caminho é deserto...

Gostava de repetir esse mantra. Uma canção honesta e recorrente, para incrementar o atual contexto. Só que preferia cantá-la ao meu modo, numa entonação mais agressiva, de afinação mais grave e robusta.

- Você é casado? – uma voz fanhosa agora me media.

- Ah, deixa eu te apresentar o Beto – Elaine disse.

- Você é o Beto? - retruquei.

- Eu sooou – e piscou pra mim.

- Legal – deitei o olhar em outra direção que não a dele.

Beto contou que era hair stylist da Suzana Viera. Não muito depois, entraram os assistentes de produção. Fui chamado para o palco.

O Gugu não veio, avisou-me de antemão uma moça de ancas extravagantes e dos mais belos seios fartos de Jujuba.

- Pode falar o que quiser, a entrevista não vai pro ar.

- Não?

- Não. Fica com o exemplar autografado.

Ela devolveu meu primeiro livro, Promessas Horríveis. Eu queria ejetar minha carcaça dali. E bem rápido. Não conseguia nem um pouco disfarçar meu pitoresco desgosto: ser desprezado pelo Chico Lang, vá lá; agora, pelo Gugu, aí não dava pé... permanecer ou não no programa do SBT, eis minha amaldiçoada trívia. No entanto, suspendi qualquer atividade serena: resolvi arriscar, disquei o número do Gugu.

- Alô, Gugu?

- É a Patrícia, assessora dele. Quem é?

- Cadê o Gugu?

- Quem tá falando?

- Eu quero falar com o Gugu, é urgente.

- O Gugu tá ocupado.

Desliguei. A cópia autografada do Promessas Horríveis larguei nas mãos da Elaine. O Beto não se despediu de mim; pedi um táxi, o cara me enganou, deu umas setenta voltas ao redor do meu destino.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

LUMINOSA GRAMA TÃO EVIDENTE NA PELE LENTA, ALMIR

Almir está sozinho no quarto, escutando Ten pelado, no colchão, o Pearl Jam substitui a glória do engarrafado Mr. Altarúgio.

Pronto. Suas orelhas, Almir, tais como a ascensão do orvalho (murmurante, que se deposita sobre a superfície melancólica que é o capô do Uno Mille 95 verde musgo, apelidado hoje de relento) são liquefeitas a cada prejuízo teu, cada esperança, triste dialética pós Sancho Pança . É, o Almir anda apaixonado, furioso, porque ele toda hora se angustia ao antecipar o fim; raramente estará até destruição dos dias cercado de boa companhia; porque será que todas as pessoas são feias, desinteressantes e competem como lesmas entre em si ? O vazio ou a previsibilidade, eis a trama dessa gente em forma de bifes crus pontuando o entardecer da desilusão.

- Quero espocar meu flashe da saudade nesse quarto. Quero trazer Goethe, Emily Dickinson, Gugu Liberato, Sivuca, Cervantes e Virginia Woolf aqui pro meu cafofo.

Almir gosta do início de Oceans. A faixa é ótima. Daí talvez venha a vontade de utilizar o telefone.

- A...(Almir desliga).

- Porra, não deu tempo nem de falar alô.

É assim que ele vive a maior parte do tempo. Hesitante: não vale a pena gastar a voz, o enredo, o repertório, o timbre por qualquer latrina destituída de poesia. O que fazer então? Emagrecer, desconhecer o pedido que o pacote de bolachas o faz, sutilmente levantando os magros dedinhos da mão direita.

( - Porra...nem deu tempo de dizer algo).

Almir vê Oceans se acabar. Tem saudade de algo que não viveu. Põe a faixa pra rolar again. E nem viverá outra saudade. Almir quer sentir seu sorumbático manto afinando no grotesco esse sumo céu rugir, em vontade de potência. Quê? Que frase fraca, Almir. Frase de bosta. Tá certo. Que? Sim, o Almir que quer, quer por sete segundos e meio...depois não quer mais, disfarça, pensa em fazer outro béqui, e nada feito...nada feito é clichê pra se dizer ao vivo, ainda mais pra mais de sete pessoas não-surdas, mas quem nunca gozou com um clichê barato, na surdina ou aos 49 do segundo tempo? E quando todo o mais parece esgotado, triste gozo da vaca velha, litros mancos de razão imberbe, verbete-boquete, lucidez-assalariadas, tietes de espeluncas brasileiras, ou potes vencidos de humor bélico-maionese...eis que surge Lídia, assustada.

Lídia formou-se em Artes Cênicas, na Universidade Estadual de Londrina.

Diferentemente de Almir, Lídia é real. Você poderá acessar o seu perfil orkútico, bastando dar um tchau crasse aqui pro Vozerio. O quê? Se ela leu Nabokov? Pergunte ao Pó, Pergunte ao Lorrain, Pergunte às derradeiras pálpebras animadas do encalço sideral da Isabela Nardoni.

Almir sorri, os dentes sujos de BIS BRANCO, levando aquela leve vontade de debulhar umas lagriminhas de merda: gosta do refrão de Garden.

- Eu escuto jazz. De vez em quando até escuto Pearl Jam. Óóó; e não escapei de fazer a piadinha “e pensar que isso gerou o Creed.”

Taí. É a mesma coisa que pensar que alguém será escritor porque leu Bukowski, Leminski, Mencken, Wilde e João Antônio e não entendeu porra nenhuma; é esse o perfume barato da nova geração - tão imaginativa e promissora - dos blogueiros brasileiros.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

poucos antes de pegar o bumba e cair pra Sampa


As sustâncias da miséria explodem minhas veias. Arde a brasa, borbulha com a raiva sagrada. Venenoso lema de propagar a autodestruição. Quero ferver as pernas do cansaço, ir até o éden da noz moscada, boteco idéia livro paraíso, torcer o rabo da porca preguiça, esnobe asa da crueldade, prepare-se.
Vou provocar a guilhotina da memória de Deus, do meu polegar cantam já uma caralhada de rãs, mongóis alucinados pelo caos,o tempo não me antecipa; impulsos mordazes do lixo sobrenatural trazem regalias à alma, cruzo o simpático bojo da morte, bailando ao som de doces cataratas de urina de onça, chegaram mensageiros turco siameses com a notícia do sequestro da loucura. Bagatelas. Recebo os projetos de Lúcifer em silêncio. Meu desígnio é a ruidosa tortura épico-sensorial para a garotinha do ancião que já morreu de tanto esperar. Com efeito, trago infelicidade, desejo, saudade; não fujo das visões.

burro


O time do Dunga enfrenta a Itália. E Graciliano observa Calvino, silencioso.
Porra, fiz uma puta duma merda hoje. Tava aqui no centro de Campinas, dando tratos ao Promessas Horríveis. Acontece que lesei e perdi o arquivo. Todo. Horas, dias de trabalho. E quer saber? Vou escrever novamente - mais prolífico, mais visceral, virtuoso, invulgar, obsessivo, matador.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

MASTURBANDO VÍTOR

Tudo corre sossegado. Estou tranquilo, deitado ouço Blue Train. "Fofoca: pornografia da mídia especializada". Boizé, queria agora subir o morro dos fluxos sensacionais. O morro "da amizade". Bem no alto espera-me a tropa infalível de EUS - alguns dissonantes, outros estrábico-preconceituosos, tanto outros galantes e lírios siameses de caráter exemplarmente vulgo-ultrajante. Aopa.
De tanto se interessar pela merda, o ser humano acaa por se interessar pela vida alheia - e ademais, eu me interesso pelo povo; só não minto a mim mesmo como alguns deles tão jovialmente o fazem. A mediocridade coletiva é tão reinante, reluzentes crianças de idade bastante avançada - aliás, não preciso incluir a criança nisso. Não, fique de fora disso, Randal Juliano.
Ninguém é insubstituível. Esse é o lema do famoso Vítor. Abandonou geral. Apenas guarda parentesco com sua heróica solitude. Veja bem, quero lhes contar sobre Vítor.
Como pode comprazer-se em ignorar por completo seus dias, e diga-se, com tanta desenvoltura? Esqueça Bartleby, Mersault, o barril do Chaves: falemos sobre a indiferença de Vítor. Joga roleta russa hard com ele mesmo às quartas. Conversa em sinapses húngaras com os nós dos dedos refrigerados nas pesadas mãos. Vive na véspera? Não. Talvez, um dia, esqueceremos Vítor. Mas, enquanto isso, Peter Coceira admite: preparem-se, vem aí "MASTURBANDO VÍTOR".

PROFUNDA BAD TRIP 110 (em memória a Jotalhão do Ó)

como desce porcalhão o sol do fã do Scorpions
pelo menos o que acompanha de perto anciões palhaços globo afora
a decepção tem seu portãozinho baixo de entrada, mais o quintalzão
como se lanchasse apressada dentro de sua própria casa anãzinha
que possui um esquelético faxineiro ex-guitar hero cansadão
que caiu ontem de cara na almofada, em pelúcia, a própria inanição

SEXTA ÚLTIMA NA ROÇA

Ele tinha razão: o fastio, essa flor pragmática do autotédio é só deles. Álvares de Azevedo praguejava em suas cartas à mãe e irmã sobre a imbecilidade da então vida noturna da Paulicéia. Garanto que ler Gautier ou mesmo Tex é atividade incomparável a sair buscando qualquer espécie de transcendência num "rolê social" na roça. Na roça: Rio Claro. Ainda mais como o tipo de companhias que, como diria o parceiro Sebastião Casagrande, vivem com "vento entre as orelhas". Aí sim, tudo pode correr desgraçadamente para o pior. O pior é a constatação de que nada vale a pena, estando numa mesa com macacões e macaconas infantilóides à beça, ode a surdez ride esse, porra. Já cansei dessas pequenas almas desperdiçando palavras. Essas antas levam uma vida inteira e sequer formulam qualquer idéia trivial que preste. É a execução existencial da espécie humana num mi maior desafinado e com merda pura escorrendo entre os entreatos.
Vou gravar o que vocês falam e largar o gravador dentro do caixão de cada boca mole, sob play perpétuo embaixo da não-coloridade terra, raça inútil e novata.
E esse respeito covarde por "supostos influentes", mistificando qualquer imbecil que segura uma arma? Essa manada pobre coitada, geração periquito manco, que faz sexo e pensa que faz. Essa platéia fácil, herdeiros do anticlímax descendo pelo corrimão da grotesca venda da vulgaridade clichê baby-cresça & desapareça. É. É. É. Repertório de abacate, aqui não, amigão.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

ASSISTA INTO THE WILD, UM OFERECIMENTO UNIMEP, AGORA COM NOVA FILIAL NO SHOPPING FLORIPA



Ontem o prezado comparsa Barquinhos esteve aqui. Decidimos assistir então "Into the Wild". Segue abaixo o relato das consequências de tal escolha.




Leia Edward Bunker. Agora assista Into the Wild. Veja algum vt do programa do Meligeni. Pronto. O protagonista de Into the Wild não é irado? Pieguice, pra quê te quiero, versão Malhação. O pior de tudo isso é estar chapado e ter que ver isso e não algum filme ruim do Kaurismaki. Ainda mais agora que um novo paquito chegou pra deixar a trama pra lá de jovem. É muita liberdade multifacetada cara, uma verdadeira referência. Multifacetado é o cúmulo da preguiça mental pra nomear algo descaracterizado e óbvio. FIM.

queimando o filminho:

"
montagem já é um recurso pobre. ele se mantém nesse mérito ao longo de seu repetente filminho repentente."

Em Portugal o filme estreou como "O playboy do Alasca".

"compare a cena do espancamento a do Easy Rider. O filme é tão morno que a essas alturas eu pensei na Cher."

"deram papinha de coco pros bichos comerem, na cena mais pesada do filme".

E o cara tem a manha de citar o Jack London. tsc. Por essas e outras, taí: assista Rambo 4.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009


Mais uma vez aqui na roça, aproveitei o fim de tarde pra trocar uns livros lá na História. Pra quem não sabe, a História é o único sebo daqui de Rio Claro - bom, pra falar a verdade há outro na rua 1, mas é uma bosta. O certo é que me desfiz, até que enfim, de dois livrinhos do senhor Dalton Trevisan, mais um do Steinbeck - "Boêmios Errantes" (juro que tentei ler, mas quanto sono me rendeu) e outro que havia ganho, lixo puro, do "escritor" Arnaldo Jabor.

Aproveitei o ensejo e saí de lá com três novos títulos. O primeiro a ser lido será A menina dos olhos de ouro, do velho Balzac. No meio da dança arrumarei tempo pra fruir os outros dois: O Rei Lear e Poemas Escolhidos, da Emily Dickinson. Boizé, éisso, a tarde caiu macia e saí de lá certamente satisfeito, travando uma rápida prosa com o Johnny centrada no quão medíocre, em cima do muro e sem sal é o verbo da "poesia" do ilustríssimo Arnaldo Jabor.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O ESCRITOR ANACRÔNICO


A saudade era cerveja vazia na geladeira e, depois, apenas vultos inescrupulosos perambulando à espreita em torno do jogo da vida. Depois que se arrastou por mais seis outros relacionamentos, enchendo o ego com falsa cocaína moral e coxas lustrosas da carioca filha do ginecologista gringo, a saudade migrara de ilha, como se algum zé estivesse tentando lhe telefonar, sem sequer saber o código da operadora local.

Assim, a chave tetra de sua vida finalmente parecia voltar a ser sua. Ele receava sim, sem dúvida, que ao longo da jornada capotes e dilacerantes desilusões pudessem restaurar a fome da adormecida saudade. Agora, sentado de frente para o tonéu de cachaça no bar do Válber, retomara a tranquilidade, e acendendo um Lexus filtro branco, peidava suavemente. Levava um picles de esperança no coração.

Pensou em Kátia.
Kátia estaria lá atrás,no bairro Grã Bretanha, ou em Iporanga, Marajáca - estourando pipoca, inalando ócio...Subitamente afastou esse devaneio nóia e sentiu-se tão imbecil e tão idiota a ponto de ser dominado pela impressão que o bar inteiro caçoava dele. Procurou no bolso os trocados, manteve a respiração numa levada natural e prosseguiu na caminhada noite afora.

Pensava em Kátia, apreensivo; pra onde vou fugir dessa vez?


Para o inferno. Não há lugar algum ou mesmo um velho amigo a quem recorrer. Exceto o Paulão. Foi quando percebeu que, de fato, estava fumando o segundo beque na modesta goma do Paulão. Mas pouco depois Paulão o mandaria embora, minha mina tá chegando aí agora, sai fora.


A casa da tia Márcia seria o lugar onde ele poderia realimentar sua psique, que rapidamente se esvaía por qualquer percevejo, em sua própria incapacidade de viver sem Kátia. Ele só queria era pôr o chinelo e saber de sossego. Via uma tela, socava uma bronha, estourava aquela pipoca. Só no sucesso. Queria perder a barriga, e não ficar pançudo como estava, suando verdadeiros oceanos e grudando as bem peludas costas no sofá de couro da tia Márcia.

Segunda-feira. Lá fora a noite corria sambarilóvi, os lixeiros bastante inspirados, recolhendo seu sustento, quando uma viatura da guarda municipal atropelou um ciclista. Um grande ruído retumbante se fez; ele abriu a porta da casa, curioso e de ceroula bege, e viu a poucos metros da entradaum corpo todo branquinho, esparramado no ventre errante da sarjeta, massacrado o crânio, anônimo esperando a largada para a maratona com destino ao nada.

- KÁTIA!!!


Ele chorava copiosamente, inconsolável, prorrompendo-se em lágrimas eternas e choramingos em forma de grunhidos de natureza incompreensível. Tia Márcia teve que cancelar a feijoada, frentistas no dia seguinte cochichavam de mansinho sobre o corriqueiro evento, tido como o caso do guardinha mamado, ainda que disfarçadamente, porque havia um ou mais caguetas naquela freguesia, na loja de conveniência, principalmente. E a gasolina subira, o pouco disputado velório contava com sinfonia de granizo bruto, seguido do momento das goteiras reluzindo a mesinha do requentado café. A guerra com a saudade finalmente começaria de vez.

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...