terça-feira, março 31, 2009

POR UMA LITERATURA LEGAL PRA DEDÉU

Quero uma literatura legal pra dedéu, agora. Uma literatura besta de tão anárquica, orgiástica. Uma literatura afundada em devaneios parceiros - uma literatura onde o divertido seja coração de boi. Quero uma literatura patusca sincera bolonhesa, desprozida da previsível seriedade, principalmente essa seriedade castradora, rasa, pretensamente sábia e madura como um potão de esterco no microondas da Tininha. Quero antes uma literatura porra louca, chegada numa agradável lambança baby churros - de índole pitorescamente incendiária, duma demência acolhedora, feita de espirros ninjas. Quero uma página recheada de palavras sugestivas para explodir de vez o rancho onde queimam uma carninha os gargalhões. Acima de tudo, preciso agora da revelação ilógica e fraterna de um Mané Garrincha - não me tragam sorrisos calculados de óculos,o microondas da Tininha está CANSADO deles. E que o mundo então reverbere a púrpura da literatura legal pra dedéu, a reflexão mais inocente num copaço de groselha (fantasiada da mais pura cachaça mineira), evocando a contínuos presságios pela Cantilar (de barrigão em paz e jazz sambarilóvi) a tal da lucidez tão rara nos dias de hoje, porque quero uma literatura legal pra dedéu agora, porra.

sábado, março 28, 2009

DEU A LÓGICA

Meus amigos, o que é esse time do Palmeiras hein? Simplesmente mostrou, na derrota de hoje para o hexacampeão brasileiro, como é jogar desprovido de neurônios e testosterona, e sobretudo de meio-campistas. E o Keirrison? Se o nome já é de analfabeto, o futebol apenas atende pra meter um golzinho de penalti contra o Oeste de Itápolis,ou de canela contra o Santos.
O leitor mais bucetão dirá: o jogo não valia nada. De fato, não valia, assim como a eterna vantagem do tricolor paulista sobre a freguesia alviverde. E olha que o São Paulo nem precisou jogar tudo o que sabe - porque do outro lado a mais confessa pusinalimidade esteve presente, figurando o tempo todo na lingerie dos onze samambaias.

sexta-feira, março 27, 2009

PRA MIM, MOSTARDA É RÉGIS

Creio que meus leitores (se é que os tenho) desconhecem meu nobilíssimo amigo, o senhor Melancia. Amizade que nasceu dos tempos de faculdade, Melancia é respeitadíssimo publicitário, que dentre tantas outras façanhas, conseguiu emprego na Coca( Coca-Cola, que fique bem claro) após passar numa triagem de três vagas para oito mil candidatos. Pois bem: ontem o Melancia aciona o meu telefone móvel (odeio celular, contudo ontem ele estava a funcionar normalmente.). Meus amigos, qual não foi minha surpresa ao tomar nota que meu amigo precisava de minha ajuda:
- Marião, preciso de uma mão sua...
Eu, trajando o mais clássico bom humor, respondia:
- Pode falar mestre. Que que manda?
Pois o Melancia a discorrer sobre uma nova proposta de emprego para mim. Entre outras coisas, consistia a missão em achar um nome para um novo produto que estaria chegando ao mercado em meados de julho.
- Marião, é uma mostarda, sei que é você é bom pra nomear as coisas. Tem alguma sugestão, bróder?
Pensei. Pensei, amigos, pensei. Então surgiu-me a cálida sugestão:
- Melancia, anota aí. É batata: anota aí!
Melancia mostrou-se empolgado e curioso:
- Manda, pode falar Marião!
Fiz um silênciozinho, uma chantagem clássica.
- Só se você me pagar em haxixe, fera.
- Ok, ok, fala logo porra!
- Seguinte: mostarda pra mim é Régis. Almeida Garret, Antonio Lobo Antunes e Mário Mariones na hora da mostarda vão de Régis. O resto é Saramago, percebestes?
Ele delirou; urrava, bramia palavrões gringos de felicidade! Ah Melancia, sabia que você ia se amarrar! Logo desligava o telefone, mandou a Tininha trazer uma porrada de haxixe.
É, meus amigos. Quando toparem por aí - no Covabra, Frolini, Veneza, Pão Kent - a mostarda Régis, não hesitem: juntem-se às feras, aos reis da mostarda. Porque mostarda é Régis, e ponto final fera, ponto final...

quinta-feira, março 26, 2009

A VINGANÇA DO POLVILHO

Salve salve, rapaziada. Ontem o tricolor suou pra dedéu, mas venceu. Sim, o jogo teve muitas polêmicas, um gol injustamente anulado para o tricolor e o difícil lance da espetacular bola defendida, a pelota acrobaticamente espalmada pelo Rogério Ceni, que o bandeirinha entendeu como gol do Norusca. Tá certo, mais três pontos conquistados, isso é que vale o rolê, como diria o GATO FEZES.
Acontece que venho até aqui para avisar-lhes que nunca minha produtividade em matéria de contos mostrou-se tão gloriosa como agora. Pois é. Em breve meu nome estampado estará em tudo que é publicação gringa, não é não Casão? Por isso, primo, me aguarde, é a hora da vingança do polvilho.

quarta-feira, março 25, 2009

lago azul e seus livros

Vaguei hoje pela biblioteca do LAGO AZUL. Percorri em meus devaneios não-circulares todos os lóbulos das orelhas de estantes. Avistei Julien Green: Usar modelos reais parecia-me desleal. Pensava que era preciso reinventar a vida. Ou seja, criar. Tudo tinha de sair da minha cabeça. Era proibido olhar em volta. Avistei Buzatti: provavelmente as vidraças estavam abertas, as mulheres ocupadas arrumando. Desmancharam a cama, guardaram no armário os objetos, em seguida trancariam as persianas. Por meses e meses ninguém ali entrara, exceto a paciente poeira e, nos dias de sol, tênues réstias de luz. Eis, mergulhada no escuro, o pequeno mundo de sua meninice. A mãe o conservaria assim para que ele, ao voltar, ainda se reencontrasse, para que, lá dentro, pudesse continuar menino, mesmo após a longa ausência; ah, decerto ela tinha a ilusão de poder conservar intacta uma felicidade para sempre desaparecida, de impedir a fuga do tempo e de que, ao reabrir as portas e janelas na volta do filho, as coisas seriam as mesmas. Depois de sete horas derretendo em polvilho meus neurônios por lá, resolvi subir até o céu e cometer a desmesura de perguntar pelo GATO FEZES. Acontece que depois lembrei que levava no bolso da calça jeans o seguinte manuscrito:
Nélson Fun, vez ou outra, entregava-se as suas salvadoras leituras, dentro da biblioteca do centro cultural da famosa Rio Claro, a saudosa Rivers. Mal chegando, apresentava-se aos livros com o semblante em dissimulada sofreguidão; mas logo perdia-se triunfante pelas penetrantes linhas de seus verdadeiros e misteriosos amigos - não tão distantes quanto pensavam os rioclarenses e gringos frequentadores da biblioteca. Contudo, foda-se, para Nélson Fun ali prontamente erguiam-se vastos corredores de possibilidades.
Seis horas a biblioteca fechava, desaparecia. Renunciadas as leituras, o esquema era esvaziar garrafas no PARADA OBRIGATÓRIA. Seu coração precisava das demolidoras goladas, das leis do vício, da exaltação acachapante dos sentidos; ali criava sua nova escrivaninha, nada assustado e respirando honestamente, meditando trêbado sobre sua desgraçada vida. O Alvinho o fitava em especial naquela tarde de merda, preocupado:
- E a noiva?
- Pfff Alvinho...
- FLORES DE ABACAXI! haHAHAH!
- Puts... - Fun arrependia-se por ter estacionado o fígado no Parada.
Quem era? Quem era? Era o Agradável Silva. Tinha duas entradas para o Circo Bixiga, recém instalado na rua 14 com a avenida da Saudade. Apresentou-as radiante, deveras loquaz, para o completo desespero de Fun.
- Valeu. Vai na fé.
Alvinho passou então a atender o outro lado da clientela. Um casal de japas siamesas urrava: Xiiiii Xiiii Xiiiboquinha. Puts, que merda - entrevia Nélson dores de cabeça em fila indiana, mais desnecessária chateação e vales conjuntos de bad trips aos beliscões; pois logo foi-se embora. A Marli o esperava para mais uma beleza de espanhola - quem diria! - os dois estavam agasalhando novamente - no gostoso beliche dela...

terça-feira, março 24, 2009

por essa nem a vovó esperava

Ele olha as próprias mãos, parece supreso. Olha uma, duas, três, quinze vezes! Não pode acreditar. Está preso no elevador com Maria Carla. Ela, a levantadora mais gostosa de Santa Gertrudes! Não pode crer que poucos centímetros o privam das mais incandescentes coxas terrenas, o par de coxas que faria Napoleão se acabar em Master System. Não, não podia conter a ilimitada ereção! Ao passo que ela nem tchum, não desgrudava do celular, e provocava:
- Que?? REPETE! Cachorro... - ela salivava de tesão, murmurava devagarinho, num registro de fina luxúria da roça.
Então, sem medo, ele pergunta:
- O que acontece?
Ela, bronzeadíssima, nem dá bola. Puts, queria passar a mão nela, como eu fazia com a Vanessinha na sexta-série, pensava, nostálgico. Era só ela abaixar procurando o bebedouro e flap! eu tacava-lhe a mão com gosto na bundona, puts, como eu era nervoso!
Súbito, o elevador volta a funcionar. Ele não acredita, ela vai embora rebolando, assim toda fogosa, exibida, sem ao menos um tchau-tchau.

ELEGÂNCIA IGNORÂNCIA

arrumei umas tatuagens e uma série de alargadores, piercings e ferramentas. pronto: já posso viver. isso não me diz absolutamente nada - essa comissão de frente do banal, esse tolo destino que é a profunda falta de estilo.

quinta-feira, março 19, 2009

TRISTE SINA

É, amigos. O que era bom fodeu-se. Hoje pela manhã, recebo a inesperada ligação.
- Mário, dá um pulinho aqui urgente. Precisamos conversar.
Era o Luciano. Fomos então para a Pão Kent rangar uns pães de queijo. E o Luciano respira fundo e começa:
- Mário, é o seguinte. O Chico Lang me disse ontem pelo msn que o nosso programa dançou.
- QUÊ??????
- É sério, Mário. O pessoal da Gazeta achou o conteúdo impróprio. Viraram a noite assistindo o primeiro episódio. Fracassamos.
- Moça, me vê um expresso - levantei o indicador canhoto, angustiado.
De repente, a Pão Kent transfigurava-se. A gorducha zarolha do caixa ganhara as feições de um eterno peixo tubarão de luto, levando na fronte uma bandana do Guns; a mocinha de cabelinho miojo omelete, que recolhia toda a sorte de pães franceses, viu-se no corpo de uma pérfida figurinha rebelde (aquela última que o bairro inteiro quer) do ploc monster babando de frio, em perpétuo, convulsivo estado de alerta.
- É, Luciano. E o que faremos com o Igor Bilu?
- AHHH, MÁRIO!!! - estorvou-se o Luciano - arranja pra ele um camarote no Madalena e ele logo esquece da gente.
- Perdemos a pose Luciano, perdemos - e eu findava a melancólica xícara, sem açucar ou adoçante.
O suor dominava a cara gorda do Luciano. Seria preciso um engenhoso sistema de ar condicionado para elefantes barrigudos para conter aquele caldo, para seu suor prontamente conhecer uma justa pausa. Mas enfim: incendiado por não sei que peido de nova angústia, despedi-me do Luciano e voltei, voltei a passos modorrentos-vazios pra casa. Visitei minha cartela de APRAZ, que recolho junto ao meu confiável criado-mudo, e cá estou, discutindo o preço ilustre do papai fracasso com essa dúzia de melancólicas estrelas, que ecoam amargas ao alto do asfixiante pátio da desesperança.

sexta-feira, março 13, 2009

COMBATES SEMINAIS

Olá, amigos. Hoje começa no Vozerio do Inferno a série COMBATES SEMINAIS! O leitor será brindado em grande estilo com verdadeiras guerras, justos massacres e uma série de não-amenidades dentro de um único ringue.


Antes, os patrocinadores. A cerveja, destinada ao público e profissionais da imprensa, será Kaiser. Quanto aos jurados, tomarão estes Flying Horse. Serão as famosas latas contendo 450 ml. Aproveito agora para desfiar o quadro de representantes do júri:


- CHARLES GAVIN

- LUCIANO DO VALE (além de jurado narrador também)

- SÓFOCLES

- AGRADÁVEL SILVA (com a inconfundível calça branca de brim e a camisa pólo cor de rosa)


Quanto a mim, farei os comentários. Entre uma luta e outra, todos terão direito a uma farta mesa com nhoc percorrendo-lhe o ventre (da mesa). Mas estou comentendo uma triste gafe: não mencionei a arena onde transcorrerá o destino de nossos gladiadores.


- Tudo bem? Tudo, Charles. Ah, o palco, meus amigos! O palco será a INDU BRINQUEDOS! Isso mesmo. Após as dez da noite, Agradável Silkva, que possui uma cópia das chaves, disponibilizará o local, para alegria de todos terrícolas da roça.


Mas já estou me estendendo por demais.


Chega de firula farofa. Vamos ao combate inaugural!


No centro do ringue, improvisado em nova função, encontra-se Arnaldo César Coelho, de laicra, numa saia agarradinha de íris verde abacate.



- ROUND ONE, FIGHT! - grita o incansável Luciano do Vale (que, diga-se de passsagem, sempre escolhia o Scorpion).


Regina Casé mal foi apresentada, levou na testa um balaço. Nocaute. Incontestável vitória de Igor Bilu.


Como? O leitor nunca ouviu ciurcular por aí nada desse tipo? Como assim? Ok, é compreensível até. Mas asseguro-lhes que ouvirão ainda muito o que falar da fera...


Igor Bilu possui um cabelinho ruivo esplêndido - como se duas linguiças caíssem delicadas em cada orelhinha sua. Sim, como se fosse uma reluzente tiara, durinha em carne capilar extra-forte.


(Aqui faço uma pausa. Preciso de asas da reflexão pão pullman - metafísica bastante recorrente para manter-se de pé na batalha campa que é viver em 2009. Hoje, minha amada e eu fomos para a habitual ceia na(no) Zoega. Mas isso é a medida inicial para outro texto.)


- Mário, cala a boca, porra.


- Luciano, vivo ou morto, tenho a obrigação de pagar você para subsidiar o COMBATES SEMINAIS.


Tá engraçadinho, o Luciano. Ainda bem que largou a irritante mania de não sari de casa sem o suspensório, pelo menos. Está numa nova e bem escolhida camisa regata da Academia do Corpo. E aquela morena que ele arrastou em Búzios hein? O Luciano é chicleteiro. Que nojo. Ao passo que ao seu lado direito na bancada, Sófocles permanece no mais respeitável silêncio. Já o Gavin foi buscar umas encomendas na Vila Steca, não retornará tão cedo. Tingir a cabeleira e as baquetas de couro de louro, onde já se viu! Pensei em desistir de chamá-lo. Para o seu posto muito melhor seria a verborragia assustadora do nosso Augusto dos Anjos. No entanto, veementemente dos Anjos recusou - e eu não podia acreditar ao reler seu torpedor via TIM. Outra luta agora?


E, de fato, há agora Agradável Silva me chamando, num gesto estranhíssimo.


- Mário, leve o corpo dessa fogueteira aí pro lixão das rampeiras de Santa Gertrudes.


Os anjos do Nordeste e as escandalosas capivaras do agreste hão de sucumbir de aborrecimento pela perda. Simplesmente passarão, contudo, a perceber outra diva por aí. Haha, quanta ilusão, Agradável.


- EU ACHEI QUE TERIA ALGUMA PLÁTEIA - é o Igor Bilu, vamos ouvi-lo.


- Pensei ontem no meu beliche numa derradeira cena romântica, gigantescas multidões me aplaudindo, e...VOCÊ ME APARECE COM UMA KAISER QUENTE?


Mando-o embora. Que o fariseu vá juntar-se com as trezentas mil mulatas no velório da artista balde de bosta. Suma, Bilu. Colocarei você pra enfrentar alguém mais intelectual. Aí sim, verás o desfile de sangue de barata o pintar inteiro de globeleza.


Bom, enfim, aqui estou, meus amigos. Peço desculpa por não haver mais combates por hoje. É que o Luciano prometeu pagar um milk shake de baunilha ao Sófocles. Qualquer coisa, estarei na fila do Chiquinho's, a insuportável sorveteria da rua 3. Chove pipoca derretida pelo céu da roça agora, portanto não ousem abandonar seus domicílios de papelão e sulfite colorido. Tenham uma boa noite.
tá com frio Luciano? Por que colocou essa blusa de tomate quando o Agradável Silva ameaçou tirar um flash desse momento hein? Pff

quarta-feira, março 11, 2009

É UMA PENA

Olá, amigos. Estou transtornado. Acabo de receber uma ligação do Agenor. Como fala mal ao telefone! Não sabe articular frases terminadas em s. É fato. E não adianta corrigir, esse aí é burro como o Roberto Carlos.
Mas não era só isso o que queria lhes dizer, meus amigos. É que na mensagem do Agenor, além do próprio ruído, uma coisa me deixou pasmo: o Maguila, O MAGUILA! e eletrocutado!
Vejam só vocês o que é o mundo do ringue brazófilo. Maguila, provavelmente amarrando um porre peso pesado, tentou pular a cerquinha e...viu seu calcão enroscar, ficar preso e - teve o peru torrado! Estourou os fios da elétrica cerca e partiu desta pra uma melhor! É uma pena. Imaginem vocês o cheirinho de enxofre perambulando no muro de tijolinho a vista da mansão do playboy. É uma pena. E justo agora, justo agora! quando ele pretendia doar a este que vos fala o cachê de seus futuros combate-exibição, ao redor do Piauí.
Mas você, leitor tão bacana (não estou sendo irônico) me pede com cara de sabugo velho: porra, que raios o Maguila planejava ao tentar pular o muro da casa do Chiquinho? Bem, nesse sentido não sou útil. Não, não entendi sequer um pentelho do que o Agenor formulava em dado momento da palestra via fone. Barbeiro gago filho da puta.

terça-feira, março 10, 2009

PRA SEMPRE NICK NOUCAS

A mãe da Soninha tava naquele fatídico morre, não morre. Jussara não aguentava mais sofrer; eram litros e canecas completas de rivotril. Seria uma dispnéia, a doença da velha? Não se sabe. O que vem ao caso é que a Soninha não tava nem aí pra dança: foi ver a peça com o Plínio Maurício, "O playboy do Alasca". Foram ao espetáculo em trajes chiques, e acompanhou-lhes o Frederico, um sociólogo de renome em Lisboa.
- Mas, e sua mãe, Soninha? - a consciência pesada não abandonava as orelhas e o cabelo cheiroso de Plínio Maurício.
- Shhh...vai começar.
Nick Noucas entrou no palco e até o fim a peça garantiu boas risadas e apupos da platéia iletrada. Realmente, Noucas estava esplêndido, tirando sempre do paletó suas frases mágicas, no papel do pai do garoto revoltado. Um dos roadies do Chico Buarque fase Roda Viva foi lá, com o namorado Otávio Bruno, ver a peça. Na saída, alguém estourou um berro que poderia levantar da cama até o Stallone Cobra: "SONINHA, SUA PUTA!". Acostumada a este tipo de evento, Soninha deu de ombros. Plínio chamou um táxi pelo celular.
Quando chegou em casa, silêncio total. Não havia ninguém na casa, Sônia certificara-se, tensa. Cadê todo mundo? perguntava a Plínio, este também ameaçando entrar em pânico. Porém, no beliche do Juquinha, o caçula espoleta, um bilhete escrito em lapiseira denunciava: "Nick Noucas é rei, Carlos Heitor Cony um gay"

segunda-feira, março 09, 2009

TÁ FRITZ, LANG...




Não gostei. O roteiro é bem fraquinho, diria até que inverossímel demais; muito mal amarrada a trama, as soluções para a introdução de elementos tontos são imbecis; uma verdadeira bacia de plástico verde limão, toda engordurada de clichês desafinados e constrangedores. Resumindo: um filme noir de merda. Fuja.

domingo, março 08, 2009


Eu não sei cozinhar. No máximo apronto aquele miojão, ou tenho ainda a manha de por umas salsichas com água no fogo. Pouco importa. Mas já preparei arroz à minha amada, numa certa noite, em Santa James.
A arte de cozinhar pra mim é algo distante, terreno árido, pouco solícito. A intimidade mantida entre fogão-lemão é zero, fera. Culpa da minha criação? Culpa que sou um eterno bebezão, flutuando no reino da cozinha.

sábado, março 07, 2009

MOMENTO CHURROS

Como o ser humano é adepto da fofoca - é brincadeira, hein? Como diria Balzac, "na província vive-se em público". É bem por aí. Só porque afanei um cd aqui e ali, tunguei uns pertences alheios...isso é motivo pras pessoas criarem monografias em massa a esse respeito?
A namorada de um bróder, uma vez, no carnaval da Avenida Visconde,pagou por um churros e no fim levou dois - e nem por isso eu armei algum escarcéu ou estiquei o assunto. É claro que logo após a cena o pessoal caçoou da situação. Afinal, é massa ser presenteado com um churros.
O meu primeiro churros, caro leitor, fui digerir só depois de atingir a maioridade, quando já passava da casa dos vinte e cinco: foi uma experiência bastante sadia. Mas não morro de amores por tal quitute. Sou mais a beleza plástica da sua sonoridade: CHURROS! CHURROS...se bem que imagino-me derretido de ácido investigando as barraquinhas de guloseimas no carnaval da Avenida Visconde, à procura de alguns churros; - CHUURROS, ALGUÉM?? Porque posso parar de respirar a qualquer instante, perder minha última cápsula luminosa de bom humor e ir dessa pruma melhor. E, caso consiga-o, após terminar de digeri-lo, repetiria eu em voz alta, no dia seguinte - no trabalho,na aula, na roda de fumo, ou no apê de alguém: "sabe, ontem tive meu momento churros..."

SONHOS DA ROÇA

Eu era um sujeito boa praça. Não queria trabalhar - aqui me refiro ao trabalho compulsório, atividade legal pra caralho - só queria curtir. E eu curtia.
Vez ou outra alugava um banco de praça e abria um bom volume do tio Stanislaw. Era diversão garantida. O centro de Rio Claro, era então pra mim, aliás, sempre foi, a verdadeira expressão de uma rara poesia rural; meio morfética, meio simpática - há uma dose eterna de nostaliga pelas ruas do centro. Detalhe: sempre morei no centro, desde abril de 81(belo desfecho de parágrafo).
E pelas minhas andanças pela roça, travei amizade com o Braquiara (lendário funcionário do bar da estação), soquei um velhote gordo folgado no Ponto Chic (o Sebastião Casagrande tá de prova que não fui eu quem começou aquela encrenca), e até consegui marcar o histórico show do Bad Bad Trip no bar do Alvinho ( o formidável PARADA OBRIGATÓRIA) concerto que, por uma série de venenosos pedregulhos metafísicos, acabou por virar fumaça. Pois é. E por que relato isso agora? Porque é de graça. Taí: quero sentar-me logo mais em algum banquinho parceiro na praça da Boa Morte e terminar de ler Angústia, do eterno mestre Graça. E fica assim: trago a simplicidade bem mocosadinha no bolso esquerdo da alma, um verdadeiro guardanado sincero pra dar um grauzinho supimpa no meu coração.

sexta-feira, março 06, 2009

AVULSOS, ACADEMIA DE NATAÇÃO PARA TODAS AS IDADES

- Não vai fazer natação com a terceira idade não, Adriana! Ouvi dizer que as véia não tomam banho.
- Ihh Cássia, não tem erro. No AVULSOS (academia de natação para todas as idades) a piscina é bem limpinha...
DOIS DIAS DEPOIS
- Ai Cássia, desisti.
- Do que?
- Da natação, no AVULSOS. Ontem no final da aula, uma velha virou pra todo mundo e falou: "alguém viu o meu band-aid???"

quarta-feira, março 04, 2009

irene bláubio jesus

irene bláubio jesus
irene bláubio jesus
bláubio bebe pus
irene serve jesus
serve pus jesus
bláubio bebe pus
irene bláubio jesus
irene bláubio jesus

OS ROLÊS DASANTIGA EM RIO CLARO

Reuníamo-nos no Pucci, na Cantilar (no terracinho), no(na) Zoega. O lanches Hilda também era classiqueira.

- Isso é muito acima dos cinquenta anos, o público alvo - proferiu Barquinhos.

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Urinar, pra mim, é pipilócos.

CENA 1

Margarido atendeu o telefone de toalha na cintura.

- Alô? Ele mesmo. Quem fala?
- Ahh...Oi, Energilda.
- Tá bom. Beijo.

Voltou ao toalete feliz, renovado, batia com as mãos no peito enquanto cantarolava para o espelho Rainbow in the dark. "Se o Zoega soubesse o quanto é corno, haha", pensava, de pinto duro.

segunda-feira, março 02, 2009

EI, TIA JANETE, SEQUESTRARAM A PAZ DO MEU ESTÔMAGO

Passei mal ontem. Vomitei as tripas. Deve ter sido aquela bolacha maldita, que comprei no Walmart pra economizar. É, como diria o Tio Jolias, "o barato sai caro, sir". Nunca mais, "Marilan". Fizeste este pobre homem farejar o calvário, invadir o infortúnio, o estrado dos sentidos. Tudo bem que depois de um rodízio na churrascaria Star Bifes e mais um quarteto de burguers no pão francês a coisa certamente desandaria. E desandou: mais dois cafés malditos e virei um zumbi hipocondríaco.

O ruim de ficar plantado num colchão o dia todo é que a literatura rui. Vai pro deserto de Mélfis, a fera. E o que sobra do corpo, ah, a máquina vazia, o corpo porcamente enfermo, debilitado, é a preguiça slow motion pride que ronda pelos ares de Março. Meu estômago torna-se inimigo vez ou outra, tô ligado. E já que o post é só o lamentável lamento, digo que o duro de ser hipocondríaco é punhetar a arte do "tô reclamando?" Tsc, deixa o estômago torturar à vonts. Morrer é uma questão de tempo.

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...