sábado, janeiro 30, 2010


A mãe vivia bêbada. Uma porva presa num moquifo. A filha era única - uma anjinha! Sérião. Só tinha uma calcinha, verde, ralinha. Dos quinze aos dezoito entrou de cabeça e sacola numa pegada power: religiosamente cheirava no quartinho sua cascola - e nada de escolinha ou conhecer uma piscina.

- Falta saúde mental nessa casa! - berrava a mãe, a voz rouca, mole, o bafo de bode da porra, batendo a cinza de cigarro na orelha do gato Alceu.

E a anjinha encontrou um padre gay que lhe ensinou a ler a revistinha do Cascão. Hoje ela virou uma balofa "horrorosa, infeliz", como diz o padre Lins, e é isso aí.

Chegou então internet no casebre.

- Mãe, tô gostando dum menino. Você acha que devo falar cara a cara ou escrever um depoimento pra ele pelo orkut?

A Dona Eulâmpia levantou do sofá, deu um ajeitão no umbigão todo peludo de fora. Botou a mão na buça, procurou um cotonete no chão, soluçou e saiu de cena. Foi preparar mais um drink. Voltou rapidão:

- Filha vem cá!!

Anjinha botou uma fé, a mãe diria algo decente, sem dúvida. E a Dona Eulâmpia abriu aquele puta sorrisão final de copa do mundo, taça na mão, soltou o arranque:

- Me empresta cinco reais?

quarta-feira, janeiro 27, 2010

carnaval novo porra nenhuma
guitarra velha
dente sujo
idéia certa
pé torcido
novos namoros
abraços
cervejas entre mortos e vivos
punk rock
cara-de-mau de bosta
foda-se
ressacas
idéia errada
risadas
sem erro
comemorar sua mãe.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

PUNK ROCK E PUNK ROCK, PORRA


Garrafa Vazia, o punk rock cachaça direto da roça.




Foi uma puta rolê fodido. Ducaralho. Saímos com uma van lotada (com lotação extra até) daqui de Rio Claro, rumo ao Plebe Bar, em Indaiatuba. Acid Glory, Garrafa Vazia, O Cheiro do Ralo e o Mephysto, banda de horror punk lá da cidade. Valeu ae cambada de doidos. E repito: puta rolê fodido. Virão muitos ainda em 2010. Punk rock sempre porra!


sábado, janeiro 23, 2010

GARRAFA VAZIA NO PLEBE BAR EM INDAIATUBA


Primeiro som punk rock do ano no Plebe com as bandas:

* o cheiro do ralo. punk rock (rio claro)

* garrafa vazia . punk rock (rio claro)

* acid glory . hard/grunge/noise/acid punk (rio claro)

* mephysto . horror punk (indaiatuba)


valor: 3 reais

Fone: (19) 3894-6148 / 9714-4164
e-mail: futumrecords@hotmail.com
Endereço: Rua Humaitá n° 930 - Centro - Indaiatuba-SP

quarta-feira, janeiro 20, 2010

O PAPO DE HOJE É EDUCAÇÃO


O pai chamava-se Márcio. Um tipo sério. Compenetrado. Era difícil exibir um sorriso. Não havia recreio no seu território. Nem refresco. Só pensava nas contas e prestações. Reclamava de tudo. "Lá vem o insuportável" pensava a Laurinha, a filha mais nova. Hilária, a mais velha, não trocava uma sílaba com o pai havia muito tempo.

- Ai Hilária, ele é teimoso!

Hilária dava de ombros.

- Desiste.

E o pai, viúvo, bufava:

- Eu vou cortar o telefone, não é possível!

Os nervos daquele senhor aposentado estavam todos fodidos. Também pudera: sofria de disfunção erétil e tinha mania de perseguição desde criancinha. Treta. E ainda deu pra começar a reclamar de pontadas contínuas no ânus. Suspirava de dor:

- Como dói!

E as meninas nem tchuns. Saíam pra zuar e dar a bucetinha. Solitário, Márcio preenchia suas palavras cruzadas. Puta vida lazarenta. "CHEGA!!!" "CHEEEGA". Trancou as meninas pra fora. Seu cu doía muito. As meninas tomavam chuva. Foram dormir na casa de um cafajeste qualquer. Rolou uma suruba de acordo. Hilária tocou no pênis de Maurílio logo de cara. Maurílio acariciou os peitinhos de Laurinha. E foi aquele bole que bole. Maurílio enfia cocaína no rabinho das tchutchucas e a folia come solta. Eta Brasilzão de meu Deus de merda.

Márcio nunca fumou um cigarro sequer. Sempre foi o mais bichona dos irmãos, vivia agarrado à saia da mamãe. Qualquer feridinha e abria o maior berreiro, chorando feito mariquinha. No entanto, encarando o mundo puberdade afora, a doçura com que fora criado virou fumaça: fuçando na papelada da mãe, descobriu que ela fora stripper na adolescência. A casa caiu. Virou então um sujeito rancoroso. E foi pro seminário. Acontece que achou o seminário muito parado - foi fazer engenharia. Conheceu Eunice, uma monga de óculos - fez duas filhas. E fez a cagada de dar ré no carro com tudo e esmagar Eunice na garagem. Episódio corriqueiro de um matrimônio qualquer.

Seu cu dóia. Os lábios começaram a engrossar. A voz foi ficando fininha. Parecia uma baratinha de plástico. Resolveu abrir a porta. Pronto. "Cadê minhas filhas?".

As filhas chegaram. Besuntadas de porra até o talo. Laurinha levou o pai pro pronto socorro. Foram todos "di a pé". Deram uma injeção no velho. O velho foi ficando verde, verde, se cagou todo. Não parava mais de soltar bosta pelo cu. É, bosta sai também pelo cu. O velho começou a cagar no mundo, literalmente. Foi uma pane. Houve gritos. Uma enfermeira quis brincar de escorrega com a pasta fecal. Laurinha ficou em choque, caiu. Hilária acendeu um cigarro. A bosta começou a atingir todo o ESTADO DE SÃO PAULO.

Esse foi o terrível sonho de Márcio. Márcio teve uma péssima manhã. Afinal um pai saco-murcho, eternamente de pau mole - que à força invade o quarto pra rangar as duas filhas, depois de chegar trêbado e fedido do tradiconal Baile do Hawai de Sertãozinho...bem, convenhamos que não é este um sujeito que se possa chamar de educado. Nem deslumbrante. Complicado. E não rolou nem beijo na boca.


domingo, janeiro 17, 2010

BOQUITA BOQUETA BOQUETE

Arrancou o pirulito pra fora e anunciou pra todos:

- Chupa ae! Cai de boca porra!!

A turma parou. Figueiredo, o mais velho da turma, enxugou o suor da testa. O vira lata Afonso soltou um gemido. Era como se o churrasco agora fosse um escândalo internacional. E o Chuleta numas de quero que se foda - exibia o peru incessantemente, de braços abertos, eufórico:

- Dá um bico ae! Uhhulll, Hahaha, hihih, haaaaaaa - suck my balls!

As meninas desistiram de esperar por uma nova porção de coração de frango. Era um tal de liga pra neguinho vir buscar, pedir carona daqui e ali. Umas foram de táxi. Só a Marcelinha ficou por lá - "ai, que glandão", disse bem baixinho (mas o Ricky ouviu). É, a pequena Marcela falava igual o Cebolinha. E acabou sugando a piroca do Chuleta. A negada restante não botou fé: não parava de dar risada. Estouravam litros de gargalhas infernais. A Marcelinha de inha só tinha o apelido: era uma buchada peso pesado, com uns tetões caídos horríveis, sabor porpeta ranço.

Radiante, Chuleta recebeu o bola gato. Lentamente fechou os olhos. Apoiou as mãos na cabeleira da baleia. Súbito, o estalo:percebeu o rolê." Caralho". Com o punho esquerdo cerrado, derrubou a balofa, com violência.

- Desgruda do meu pau, porra!

Triste, ergueu a bermuda. Foi até a cozinha. Largou Marcelinha chorando na grama. "Cala a boca, porra" - gritou, dirigindo-se à geladeira. Enquanto abria uma latinha de Kaiser, protestava:

- Porra, todas as minas foram embora.

E vazaram todas. Eram sete mulheres pra vinte rapazes. E esse foi o fim do triste churras da turma de 98 do colégio Alfredo Fófis.

Três semanas mais tarde, estava Chuleta num barzinho chique, acompanhado de dois amigos. Admitia franco, num tom sincero, completamente manguaçado:

- É...a Marzélinha é a Cleópatra da gulosa.

BACANA NEWS


Cuidado, Claudinha. Assim você machuca. Vai com calma. Isso. Continua. Não para não. Ae. Opa. Sucesso.

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Mãe, acabou o papel! Quê? O pai não trouxe do mercado? Filho da puta!Gastou tudo em Belco.

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O Jonas é tapado. O Maurílio virgem. O Tico fede. A Fernanda é arrombada. O Juninho bichinha. O Marcelo crente. E Jesus nasceu em Belém.

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Clima tenso. Jogo segue empatado. Mas parece que ninguém tá afim de estufar as redes. Jogo de comadre do caralho. Pego meu amendoim e vou embora. Pena que acabou o dorflex. Talvez a Alzira tenha pra me emprestar.

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Sinuca perdeu a graça. O Leandro Ganso cansou de cerva. Empapuça ele diz. Ele perdeu a chave ontem. Diz que é a maior burrada que um homem pode cometer. Tá certo.

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Dois irmãos desceram o cacete na mãe. Crueldade. Afanaram a velhinha na moral. E a dupla nem foi presa, tá arrasando geral por aí, em altos picos e quebradas.

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Morreu na madruga de ontem o motorista Ursinho. Motora conhecido em Leme, Ursinho largou o mundo roncando. A sua cama ainda contém milhares de pêlos, todos pertencentes às suas costas.

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Ele é o rei de pedalada. É o Marcinho Fritas. Morreu ontem. Alta madruga, um caminhãozão de lixo veio de frente, bum! Bem feito.

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sábado, janeiro 16, 2010

DEPOIMENTOS

"sabê lá eu!."
"não tô afim".
"nem rola".
"vixi, deixa quieto."
"fez cagada, pra variar. ãn? tô ligado."
"não quero".
"desencana".
"vou ficar na minha".
"nem esquenta. não vou".
"tanto faz, nem tô sabendo".
"fica pra próxima".
"nope."
"sai fora".
"tô em outra".
"é, acontece."

sexta-feira, janeiro 15, 2010

bonequinhos de vidro nevermore


Às nove da noite, Arturzinho riscou o palito. Puta palito de fósforo porcaria: mal acendeu apagou."Merda". Arturzinho esfregou as mãos. Pensou em apanhar um cigarro na padoca. "Deixa quieto".

Alta madrugada, Arturzinho encontrou seus amigos punks. Beberam e beberam. Trocaram idéias firmeza. Foram litros de mata-rato dizimados. Depois, na volta pra casa Arturzinho esmurrou um emo todo descolado. Sangrando, o menino da franja ainda conseguiu escapulir, correndo, quase com falta de ar. Arturiznho abriu lentamente um sorriso satisfeito no rosto. E eufórico berrou para o diabo: "foi melhor assim".

quarta-feira, janeiro 13, 2010

DISTRAÇÃO


Fui até a Galeria. Queria uma camiseta do Social Distortion. Apresentaram-me uma tamanho G, branca, fodidona, crássica. Pedi uma maior: "não tem GG? Vai que a barriga cresce mais..." .Por sorte ele encontrou a dita cuja.

E não é que o tiozinho era a cara do Erasmo Carlos? Pois é. Mas a resposta dele é que foi clássica. Ele deu dois passos pra trás, comprimiu a pança e sentenciou: "barriga? não é barriga, é distração".

terça-feira, janeiro 12, 2010

HORA DO DESCANSO


é um sorriso tão louco, tão desanimador. inexiste.

a ponta de um longo corredor. descendo cego, ouço a raiva resmungar algo. a raiva está aflita caindo em alma rasa.

mando a raiva tomar no cu.

atravesso sete quartos sujos. não levo bagagem. levo desespero.

a monótona miséria que escorre do guardanapo, que barrigão-lixo exibe o mecenas. se a qualquer momento Mussum aparecer, expliquem direitinho que porra é essa que anda acontecendo.

espanco um fotógrafo de bigodinho ridículo. uma menina caolha, de seis anos, ajoelhada para o caos, me encara. chora - chora sangue, o último subterrâneo da amargura.

zumbido lazarento. não, ninguém vai acender a luz. Suzana peida. Suzana é o início.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Foi uma passagem de ano agradável, tranquila. Estávamos em São Vicente. Fogos, promessas e risos amigáveis. Domingão estarei em Rio Craro. É nóis no comando da madrugada pós-clash.

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...