quarta-feira, setembro 29, 2010


Caros leitores, leitoras, sigo ouvindo As Mercenárias. Discão de 86, Cadê As Armas. Caminho mais tranquilo, leitores, pra compor. Os sons me vêm mais facilmente à cabeça. Não sei se é a fase, época, ou tijolos do amadurecimento dando um salve. Vai saber. O lance é que tem que se ouvir muita música ruim e ruim e BOA. Merda, gol do Grêmio.

me perco nesse tempo


a quarta-feira mal começou e quero que a sexta chegue já. a sexta, invasão. sem grilo. é isso aí, cortesia. isso aí, chefia. sexta.
tamos todos nessa. hoje é sexta - e eu, chapadão de sono, escutei esse som a noite toda:



sábado, setembro 25, 2010

ramones. ramones. rock and roll.
johnny thunders. chinese rocks.
gene vincent. refrões explodindo, grudentos.
alma furiosa. baixo estralante. bateria presença.
timbre da batera foda. backing vocal nervoso.
ramones. sex pistols. clash. stones.
chuck berry. eddie cochran.
ramones. ramones. rock and roll.
punk sujo. cramps. carol caraia. punk cachaça. punk do mato.

quarta-feira, setembro 22, 2010


Indo pro trabalho. Hoje vou dar uma palestra ultrapunksambarilóvi sobre o fera, Confúcio.

sexta-feira, setembro 17, 2010

COMÉRCIO DE ALMAS NO PLANETA MAIONESE


Puta som fodão Nobody's hero, do Stiff Little Fingers. Crassiquera, meu chapa. Aopa. Bão demais. Fodóvisky sonzeration, fera.

Imagine só você, chefia. O sujeito chega ao escritório Bacana Choice. "E aí, qual é?" pergunta o funcionário, bela abordagem. Todo grisalho, cansado de se fuder sozinho, trabalha sentado relaxadão, com semblante de espantalho cozido, todo fudido, cera no ouvido pride.

O sujeito nem pestaneja, encara o atendente: "vim transferir minha alma. tô passando o refrão pro Aurípio". O tiozinho franze a testa calejada: "e você vai ficar com a alma de quem, rapá?" O que o sujeito responderia, você sabe, leitor(a)?

Eu sei. "Vou ficar com a alma do Jotinha!". Que alma esquisitinha. Alma do Jotinha! Que peninha...Alma que parece um saquinho de fritas, uma galinha - junky food farofinha. Pequenina alminha merda de minhoca.

Pra começo de conversa, essa alma trabalha na base do elogio. Só consegue engordar e mostrar serviço se a elogiarem. Seu olho do espírito fede cocô de vaca buchuda, deslumbramento poodle. Pra quem é burro, alfafa e bosta ambulante a alma do Jotinha afirma, vaidosa: "sou complicada, misteriosa, você tem que se antecipar a mim para agradar e me deixar feliz de verdade".

Agradar porra nenhuma. Felicidade o caralho. A alma antiga do sujeito, cadê ela? Ah, era tão lívida no trato com desconhecidas - pra depois virar faceira, vistosa, mais cativante que o Padre Celso. E era vigorosa tumém! Sorte do Aurípio! Tá comendo a Solange.

sábado, setembro 11, 2010

GARRAFA NO SNOOKER



e ontem o Garrafa meteu o louco e foi dar as caras lá em Araras. "PUNK WARS" foi o nome da brincadeira. Garrafa Vazia X Processo Criminal, de Cordeirópolis. Executamos nosso set list com adição de "Periguetes On Fire". Queria agradecer a Karen e ao Jimmy - o Sid Vicious de Araras. Valeu pessoal.

Estamos com dificuldade em achar horário pra ensaios, mas assim que essa merda for resolvida entraremos em estúdio. Temos uma grande quantidade de garrafa-canções no bolso. São duas demos pra gravar. E fora os sons que não param de nascer, risonhos e desgracentos.

É isso aí. Aopa. Amanhã tocaremos em Santa Gertrudes, evento beneficente, no Reppertório. Fica o convite a todos. Grande abraço.


quinta-feira, setembro 09, 2010

ADORNO

"Desde que o mundo emudeceu o homem, tem razão o incapaz de argumentar. Não necessita mais do que ser pertinaz no seu interesse e na sua condição para prevalecer. Basta que o outro, num vão esforço para estabelecer contato, adote um tom argumentativo ou panfletário para se transformar na parte mais débil."

PASSARELA DOS POBRES


passarela. luzes, ação. garrafa vazia no palco, tocando "maçonaria dos pobres". na passarelas mulheres-cachaça e porcos-zumbis. belo desfile. rato enfurecido cospe sangue em sua guitarra. gnomo vira 300 ml de conhaque com CRUSH. oh yeah. o apresentador do evento? ele, Agradável Silva: calça branca, camisa pólo rosa, requintadíssima. "maçonaria dos pobres", o volume ensurdecedor, passarela dos pobres.

sábado, setembro 04, 2010

Por que os Anarquistas não votam

Elisee Reclus

Tudo o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:

Votar significa abrir mão do próprio poder.

Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.

Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos “acima” de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.

Votar é uma idiotice.

É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.

Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.

O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.

Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.

Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.

Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.

Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.

Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!

A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.

Por isso, não abandone sua liberdade.

Não vote!

Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.

Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.

Não vote!

CLARICE LISPECTOR

eu tenho que saber do que preciso. eu tenho que saber se meu saber é adolescente ou não. não devo julgar adolescente, velho, ateu ou sandy & júnior. nada de abstração mediada - pra mim esse tergiversar de Clarice Lispector, que mais me parece uma vinheta da MTV. É...abstração mediada pra parecer algo "jam session bacana". No caso da MTV é pra parecer rústico, lo-fi, cool. E a escritora encenada lembra porque devemos ler Artaud.

Suas linhas "como se fora outra translúcida realidade ,que agora, me foge, agora, ui!, peidei e já não estou peidando mais, eu queria ser algo" algo (des)preparado para parecer esotérico mezzo ana maria braga, hermético risólis duma figa, é duma-duma-duma metafísica bosta, infantilóide. clarice é tão clarice, caetano é tão caetano, o brasil é tão brasil, tão assim, tão tão, tão tão. (leia e repita duas vezes, tão tão)

quinta-feira, setembro 02, 2010

O MUNDO DE MODO IMEDIATO


De fato, a maldição da civilização da técnica, da troca quantificada e do conhecimento científico é não ter criado nada que encoraje e liberte diretamente a criatividade espontânea. Na verdade, eles nem sequer permitem que as pessoas compreendam o mundo de modo imediato.

TUNGUEI ALGO POR AÍ SOBRE O AMOR

Tungado também: "Oscar Wilde notou: as pessoas passaram a olhar languidamente para o pôr-do-sol só depois que esse fenômeno natural se tornara objeto das aquarelas de Turner. Era um jeito de dizer que a realidade não nos sugere o que pintar, ao contrário: é a pintura que nos ensina a olhar. No caso do amor, acontece algo parecido. Sempre houve sentimentos amorosos, mas nossa experiência do amor não tem nada (ou quase) de natural: é uma retórica de sentimentos que aprendemos, assim como uma língua.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Excertos da entrevista de Hans Ulrich Obrist a Raoul Vaneigem

Excertos da entrevista de Hans Ulrich Obrist a Raoul Vaneigem para a revista e-flux. Roubei dum blogue aí.

Hans Ulrich Obrist: Acabei de visitar Edouard Glissant [escritor, poeta, romancista, teatrólogo e ensaísta francês] e Patrick Chamoiseau [escritor francês], que escreveram um apelo a Barack Obama. Qual seria o teu apelo ou conselho a Obama?

Raoul Vaneigem: Recuso-me a cultivar qualquer tipo de relação com pessoas de poder. Concordo com os Zapatistas de Chiapas que não querem ter nada a ver nem com o Estado nem com os seus chefes, as máfias multinacionais. Eu proponho a desobediência civil de forma que as comunidades locais possam formar, coordenar e começar a auto-produzir poder natural, uma forma de cultivo mais natural e serviços públicos finalmente libertos dos esquemas do governo quer seja de direita ou de esquerda. Por outro lado, dou as boas-vindas ao apelo de Chamoiseau, Glissant e os seus amigos para a criação de uma existência em que a poesia de uma vida redescoberta coloque um fim ao estrangulamento mortal da mercadoria.

[...]

Hans Ulrich Obrist: A Internacional Situacionista definiu o situacionista como alguém que se compromete a construir situações. Que eram essas situações para ti, concretamente? Como definirias o projecto situacionista em 2009?

Raoul Vaneigem: Pelo seu próprio estilo de vida e de pensamento, o nosso grupo estava já a esboçar uma situação, como um primeiro desembarque em pleno território inimigo. A metáfora militar é questionável, mas transmite a nossa vontade em libertar a vida diária do controlo e estrangulamento de uma economia baseada na exploração lucrativa do homem. Nós formamos um grupo-em-risco que estava consciente da hostilidade do mundo dominante, da necessidade de ruptura radical, e do perigo de ceder à paranóia típica das mentes sob cerco. Mostrando os seus limites e as suas fraquezas, a experiência situacionista também pode ser vista como uma meditação crítica sobre o novo tipo de sociedade esboçada pela Comuna de Paris, o movimento Makhnovista e a República de Conselhos dizimada por Lenine e por Trotsky, pelas comunidades libertárias em Espanha mais tarde esmagadas pelo Partido Comunista. O projecto situacionista não é acerca do que acontece assim que a sociedade de consumo é rejeitada e uma sociedade humana genuína emerge. Ao invés, ele esclarece agora como a vida pode suplantar a sobrevivência, o comportamento predatório, o poder, o comércio e o reflexo-de-morte.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Escreveste muito sobre a vida, não sobre a sobrevivência. Qual é a diferença?

Raoul Vaneigem: Sobrevivência é vida orçamentada. O sistema de exploração da natureza e do homem, a partir do Neolítico Médio com a agricultura intensiva, causou uma involução em que a criatividade – uma qualidade específica dos seres humanos – foi suplantada pelo trabalho, pela produção de um poder avarento. A vida criativa, como se começou a desenvolver durante o Paleolítico, declinou e deu lugar a uma luta brutal pela subsistência. A partir de então, a predação, que define o comportamento animal, tornou-se o gerador de todos os mecanismos econômicos.

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Making Globalization Work», Joseph Stiglitz defende uma reorganização da globalização no sentido de trazer maior justiça, a fim de diminuir os desequilíbrios mundiais. O que achas da globalização? Como é que nos podemos livrar do lucro como motivação e em vez disso procurar o bem-estar? Como é que nos livramos do imperativo do crescimento?

Raoul Vaneigem: A moralização do lucro é uma ilusão e uma fraude. Tem de haver uma ruptura definitiva com um sistema económico que tem sistematicamente propagado a ruína e a destruição ao mesmo tempo que pretende, por entre a miséria generalizada, produzir um hipotético bem-estar. As relações humanas devem substituir e terminar com as relações comerciais. A desobediência civil significa desrespeitar as decisões de um governo que defrauda os seus cidadãos para apoiar o desfalque do capitalismo financeiro. Para quê pagar impostos ao estado-banqueiro, impostos usados em vão para tentar tapar o ralo da corrupção, quando pelo contrário podemos direccioná-los para a auto-gestão de redes de energia livre em cada comunidade local? A democracia directa de conselhos auto-geridos tem todo o direito de ignorar os decretos da democracia parlamentar corrupta. A desobediência civil a um Estado que nos está a saquear é um direito. Cabe-nos aproveitar esta mudança histórica para criar comunidades onde o desejo pela vida supere a tirania do dinheiro e do poder. Não precisamos de nos preocupar nem com a dívida pública, que encobre uma enorme fraude no interesse público, nem com o artifício do lucro a que eles chamam de “crescimento.” De agora em diante, o objetivo das comunidades locais deve ser o de produzir para si próprias e para si próprias todos os bens de valor social, atendendo às necessidades de todos – necessidades autênticas, isto é, não as necessidades pré-fabricados pela propaganda consumista.

Hans Ulrich Obrist: Edouard Glissant distingue entre globalidade e globalização. A globalização elimina as diferenças e homogeneíza, enquanto globalidade é um diálogo global que produz diferenças. O que achas da sua noção de globalidade?

Raoul Vaneigem: Para mim, deve significar agir localmente e globalmente através de uma federação de comunidades em que a nossa democracia parlamentar desviadora de fundos e corrupta é tornada obsoleta pela democracia direta. Conselhos locais serão criados para tomar medidas que favoreçam o meio ambiente e a vida quotidiana de todos. Os situacionistas chamaram a isto “criar situações que excluam qualquer retrocesso.”

[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Utopistics», Immanuel Wallerstein afirma que o nosso sistema mundial está a passar por uma crise estrutural. Ele prevê que serão necessários mais vinte a cinquenta anos para um sistema mais democrático e igualitário substituir este. Ele acredita que o futuro pertence a instituições «desmercantilizadas» e livres de custo (segundo o modelo, digamos, das bibliotecas públicas). Portanto, devemos opor-nos à mercantilização da água e do ar. Qual é a tua opinião?

Raoul Vaneigem: Não sei quanto tempo levará a transformação actual (esperemos que não muito, pois gostaria de a presenciar). Mas não tenho dúvidas que esta nova aliança com as forças da vida e da natureza disseminará igualdade e gratuidade. Devemos ultrapassar a nossa indignação natural pela apropriação lucrativa da nossa água, ar, solo, meio ambiente, plantas e animais. Devemos criar colectivos capazes de gerir os recursos naturais em benefício dos interesses humanos, não dos interesses do mercado. Este processo de reapropriação que eu prevejo tem um nome: auto-gestão, uma experiência tentada muitas vezes em contextos históricos hostis. Neste altura, dada a implosão da sociedade de consumo, parece ser a única solução tanto do ponto de vista individual como social.

[...]

Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuitidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).

Raoul Vaneigem: Gratuitidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cupidez, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, concerteza, mas também o deviam ser os serviços públicos, actualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Comboios gratuitos, autocarros, metros, cuidados de saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuitidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva.

QUAL ROLÊ VOCÊ PREFERE?


Carlos Gustavo Jung ou Gil Jung? Qual é a pegada, a priori?

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...