quarta-feira, dezembro 28, 2011

1993 life was such a drag just live to work put on your name tag


já colou na banca bem brisado, duas mãos no bolso, na arrogância dilatada. nenhuma ideia interessava ali. só cérebro de frango, animosidade juvenil em pauta. vazou no passo da fumaça. encontrou a chuva não conseguindo esmagar seu ódio, a chuva de verão que veio atrapalhar aquela claridade pertinente do sol das quatro da tarde, bolotão tão amarelo que você viu de relance um Uno Mille 95 vermelho explodir de frente com um Kata Entulho, pertinho do Supermercado Pantoja, o da Ulisses. O malucão morreu na hora - perdeu todos os dentes, sua caveira era legal e eu podia ouvir a magra buzina enlouquecendo aqueles pais bebuns e podia mesmo ser vista de longe, e o Kata Entulho retornaria para Santa Gertrudes.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

quarta-feira, dezembro 21, 2011

arrotava, arrotava. agora eu parei -  parou nada, arrotava sem perceber, começaria a enroscar o pensamento no arroto, sufocara inconscientemente aqueles próximos arrotos com medo de parada respiratória, aí o arroto solucionava rapidamente, o arroto tranquilizou aquele rapaz, que arrota feito boi manso - lento e grave o suficiente para arrotar de pouquinho também feito sapo boi, arrotava e ia enxergando tudo torto, não era enjôo, o arroto dominava sua cabeça de mosquito evacuador, ele arrotava sem fim, arrotou tanto, parou de arrotar. vinte minutos depois ele foi procurar as estrelas.

sábado, dezembro 17, 2011

apenas esboços, rápidas anotações. perguntas sem interrogação vermelha na parede interna da testa, tortas indicações do caos berdo o câncer na avenida fezes. jair caçapa dá um tiro na cabeça.

quinta-feira, dezembro 15, 2011


discussões pesadas no semblante de Leonor. ivo gabarito ganhava força na discussão com consoantes desconcertantes. pedro félix engoliu o abajur, conhaque e cocaína derrubaram sua saúde nos anos 70. agora é fezes. viva o grito da Mongólia, torta nova no buffet Silvio Caldas. acertaram o atirador, bem feito, dos times do país só o Vasco e o Santos empolgaram esse ano, Neymar é craque e Robinho é gay.

tenistas croatas da geração "voleio ogro" ostentam croaçãs em suas etiques de camisas de treinos, tão empolgante quanto poesia concretista o trecho. a adidas não se prenunciou a respeito. PrePúNcio, livro novo de Ivan Lins aka Ivan Pires, agita a Siliciano: no livro de Elinóia, encontramos mais uma barraquinha de bronha (Nóia que é também fã de Clarice Lispector) escreveu meses atrás a biografia comportada de Nicoly Doll. pessoas ser humano palavras bestas. a vida de Eunice Trago, rainha da sinuca na pequena Rio Claro. o espaço de uma lanchonete de médio porte (duas mil e setecentas pessoas sentadas), e as galinhas tiveram filhos, escreveram crônicas esportivas e ousaram jogar can-can cuspindo alguma mentira preguiçosa.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Cleber Machado acordado, Mariones roncando.

"Amanhã tem jogo do Santos pelo Mundial, preciso acordar cedo". Coloco o despertador para oito e meia da manhã. Vou dormir umas duas e pouco da madruga.Tudo certo. O celular faz sua parte, com seu toque antiquado e pouco comovente. Eu "acordo", coloco na Globo (é a única merda de canal que pega no meu quarto).

Na tela, vejo por cima as escalações das equipes. O Kashiwa Reysol e o Santos já estão em campo, o jogo tem início, e eu estou numa espécie de semicoma do sono. 

Com muito esforço, tentando driblar a preguiça, vejo o replay de um lance em que o Neymar acerta a trave do timinho nipônico. Um lance tosco, meio de várzea, onde a inépcia do zagueiro ficou evidente: Neymar recebe um presente, meio que de surpresa, e falha na conclusão.

Depois, adormeço nervosamente. Quando acordo está dois a zero pro Santos. Viro pro lado, o ventilador na parede do quarto, faz seu trampo, rugindo, em fúria. Então acordo novamente: estamos no intervalo da peleja.

Vou dormindo, dormindo, abro o olho e o placar foi alterado: 3 a 1 pro Peixe. Vou dormir novamente. A preguiça, monstruosa. Mas domingão não posso perder a final.


ps: Revendo os lances, posteriormente, no Youtube, vejo os dois tirombaços, dois petardos, os primeiros gols do jogo. Que felicidade no arremate hein. Dá nostalgia da época de ouro do tricolor paulista. Quando desbancamos o melhor Barcelona de todos os tempos. 


Mas, voltando ao jogo: um cochilo na marcação e o "homem de confiança na bola área" dos japoneses descontou. Tudo bem que a bola veio numa precisa cobrança de escanteio do ex-tricolor Jorge Wagner, o que explica em parte a qualidade do lance. 1X2. Danilo faz o terceiro do Santos, numa categórica porém não-empolgante cobrança de falta de uma distância respeitável. Pois é. Mas não sei não. Vamos esperar domingão. É evidente que ainda falta alguma coisa pro time da Vila.


quinta-feira, dezembro 08, 2011

pressão do Coritiba. aos sete do segundo tempo, azeda o zero a zero. mais uma cobrança de escanteio, lado canhoto do ataque do Coxa. a cobrança é venenosa, por conta do argentino Raul Barrios. O chute é lento e louco, um arco de fogo que avança no primeiro pau e a cabeçada vem como um soco no humor do adversário: um a zero. mulheres e homens morrendo de orgulho nas arquibancadas do Couto Pereira. O chute é lento no replay também. Renato Buceta entra por trás numas de desbaratino, finta ali e testa com precisão: um a zero, replay maroto.

no final do jogo todos querem diversão. Barrios arrisca um portunhol em entrevista a rádio locais. O chute lento ainda gruda na cabeça do ponta esquerda argentino. Com apenas três jogos como titular, conquistou a confiança da torcida. É visto consumindo cocaína de modo agradável em algumas badaladas casas noturnas da capital do Paraná.

ouve bastante MC5 quando está completamente louco e lembra que ainda não deu seu último chute: mucho veneno, perna.

terça-feira, dezembro 06, 2011

quinta-feira, dezembro 01, 2011

.231

Quando você está enxergando tudo estranho. Seus olhos não estão normais. O sangue escorre louco e lazarento. A vida é uma questão de batidas esquisitas em um coração doente. Dias depois você dorme e não acorda nunca.

terça-feira, novembro 22, 2011


Perry Farrel adora o Rappa e diz que o vocalista do grupo é sexy. Comparou-os com um grupo de amigos de Los Angeles, o War. Quando li sobre isso, hoje na Folha, eu ri alto. 

Não é a toa que o Jane's Addiction é o que é.

sexta-feira, novembro 18, 2011

INFORME FUTEBOL MAIONESE


Fiquei assistindo com o meu coroa Universidade de Chile e Arsenal, pelas quartas da Copa Sul-americana..

Quem passasse faria a semi com o Vasco.

Deu Universidade, fácil. Havia vencido o jogo de ida fora de casa, por 2 a 1. O primeiro tempo veio e, enquanto meu velho pai jogava Free Cell, o Universidad já ganhava por um a zero.

O time do Arsenal era horrível na pontaria. Não tinha nem atiradores, pra ser bem sincero. E o castigo pelo futebol medíocre veio com a tomada de bola de Vargas, que na disputa com um zagueiro lerdo e imbecil deu uma matada de bola sem solar e saiu rasgando pela direita. Cara a cara com o goleiro teve a manha de rolar pro meio da área, e o companheiro só teve o trabalho de empurrar pro gol. Dois a zero.

O São Paulo, eliminado pelo Libertad do Paragua(ouvi essa partida pelo rádio com o amigo Léo Gonzáles, fiquei puto esse dia) devia dar mais importância às derrotas recentes. 

Caso a equipe passasse, poderia ter metido o l pra cima do Ldu, que se classificou em cima do Libertad. O jogo foi adrenal pra caralho. 6 a 5 nos pênaltis.

É, vai dar jogo louco nessa semi. E é bem provável que o Vasco jogue igual hamburguer de verdade no carro de lanche: compléto.


E na outra semi a LDU enfrenta outra carniça: o Vélez. 


Seria melhor se fosse o Velo. 

Vargas: especulado pelo Vasco?

terça-feira, novembro 15, 2011

O ADEUS DE FERNANDO FOLIA

Fernando Folia contava com mais de vinte anos quando foi covardemente baleado na entrada da Samuca.

O rapaz, que adorava um pagode, não resistiu e morreu em frente à escola de samba.

Dois dias depois a polícia prendeu o autor do disparo.

Lúcio da Fita, vinte e oito anos, já matou nove pessoas no ano de 2011.

Diz ter atirado em Fernando porque é contra a promiscuidade e o carnaval.

"Não gosto de nada divertido", disse, com sete halls preto dentro da boca.
https://mail.google.com/mail/images/cleardot.gif

O advogado de defesa prefere pratos frescos e de preparo lento.

ROAD TO HELL


Não, eu não me chamo "Pilico Pipi".

Nem cantei Perfect Strangers na despedida de solteiro do Juracy.

Enfim, quando o assunto é Airon Meiden, curto mais o Paul Baiano que o Bruce. Mas o Bruce não é ruim.  

E a carreira do nhoxibai tem alguns destaques pra mim.

Quando lançou "Accident of Birth", em 1997, me lembro dos malucos daqui de Rio Claro que foram pirar com Dio, Scorpions e o titio lá no Skol Rock  (teve até show do Jason Bonham, que chorou numa entrevista com o Gastão ou o Fábio Massari, emocionado ao contar como era tocar Moby Dick e lembrar-se do velho Bonham). 

Ainda guardo na memória a entrevista do Bruce no Programa Livre. Gravei incrusive em vhs o Skol Rock, que passou na MTV.

Road to Hell é uma música ducaralho. 

Que me empolga sobretudo na hora do "papai perdoe meus pecados". 

Não estou ironizando. É um trecho matador, dum registro vocal com puta alcance olímpico - pra provar que Bruce não é só nome de cachorro, como meu tio diz.


segunda-feira, novembro 14, 2011

JUCA VALENTE

 Juca Valente no depoimento disse...

Que foi contratado por um homem conhecido como Júnior “Braw”. Os dois são da mesma quebrada.

Juca diz que recebeu a pistola de Júnior “Braw” mais 3 mil real pra matar os ex-polícia.

Disse que não conhecia Sartre nem Fiori Giglioti, e que também não conhecia Gauguin e nem os outros envolvidos.

E que não se liga muito em televisão e por isso não sabe quem é quem nessa história.

Ainda disse que na noite do crime chegou à praça pela contra-mão. Tirou o pau pra fora e começou a se masturbar furiosamente.

Pensava em Monique Evans.

Aí foi o caô:  Júnior “Braw” empinava outra moto, numa boa.

Após Juca guardar o bilau pra dentro, os dois estacionaram próximo às vítimas, momento em que Juca anunciou:

"Ae"

Apontou então para uma mancha de porra no mamilo do amigo e em seguida disparou. Uma das vítimas colou um capuz no rosto e desferiu outros tiros, rapidamente tomando uma das motos.

No entanto, sua fuga foi interrompida por um enorme cesto de lixo.

Não se sabe mais quem era vítima, todos revezavam o uso do capuz. Os ex-polícias foram executados pela Rota.

Júnior "Braw" está foragido.

Este o depoimento de Juca Valente.

UM FINAL DE SEMANA COM OS GARRAFA



Sábado e domingo foram sensacionais. Dois shows do Garrafa que fizeram a cabeça nossa e da negada. Primeiro em Pira, depois em Cordeiro.

No sábadão pegamos uma carona com o mestre Barquinhos, sempre parceiro nos rolês. O resto do pessoal desceu de busão.

Chegamos em Pira e vimos um Madhouse Bar cheio. Os vários ambientes do bar (andar inferior com sinuca e o escambau, área externa pra fumantes, etc e tal) traziam teenagers e figuras novas na cena. O pessoal novo era a bola da vez, mas havia espaço pro povo dasantiga também.


Tocamos nosso set de forma furiosa e descontraída. O espaço é foda, o palco pede pra que você se movimente e agite o tempo todo. O camarim também é esquema (não que a gente se importe com tais mordomias).

Destaque para nossa versão "metal acelero" de Eterno Desempregado, que do começo ao fim contou com a performance nervosa na platéia de ninguém menos que a Shakira do Metal (e sua cabeleira esvoaçante) quando esta era apenas uma adolescente porra louca e inconsequente. 

Outro destaque da náite: cada integrante da banda ganhou 10 reais de consumação. Coisa rara pra quem muitas vezes vê negado um pedido de água da torneira.

E assim foi. A galera agitou muito no som. Rodas punks, o pessoal cantando junto a maioria das músicas. Foi bonito. Ao final, um chefia pra lá de gente fina pediu o par de baquetas do Ralph, que gentilmente atendeu a solicitação.


Em Cordeiro fomos a última banda a tocar, numa tarde que também teve a presença do hardcore empolgante e sempre bem entrosado e executado do Estação Zero, as versões clássicas punk rock no piloto do Processo Criminal e também o Kolapso Nervoso, de Cosmópolis, a primeira banda da tarde.

Dispostos numa tenda na praça, todos os presentes tiveram uma tarde/noite bem descontraída, num dia de Festa do Peão em Cordeirópolis.

Sobrou espaço até pra antes do show comer um cachorro quente num carrinho roots.

Quase nove da noite e entramos pra encerrar a bagaça.

Abrimos com Show de Horrores, na sequência veio a destruidora Cistite Cerebral que rapidamente deu lugar ao Artista Visionááárioo e vamos que vamos, Cordeiro City Rockers - o punk rock não morreu.

Outra vez houve a decisiva interação com o público. Os velhos parceiros Saulão e Feijão várias vezes assumiram os vocais, nessa festa agradável que terminou na paz e com o cansaço do velho Hebert, que não sabia o que era dormir desde a noite de quinta-feira.


Ralph e eu também tínhamos que trampar na manhã do dia seguinte. Segundona braba.


Deixo aqui um  abraço ao Maurício, vocalista do Processo Criminal e organizador do evento, que na camaradagem fez o avião e trouxe todo mundo pra Rio Claro.

Agora é ensaiar e esperar o próximo som, no dia 10 de dezembro em Sorocaba.

É a terceira edição do Punk Gol, que trará vinte bandas de todo o Brasil.

Aoopa!







quinta-feira, novembro 10, 2011

Para Casagrande, ela encobre, ela te deixa congelado. Um dos efeitos dela é o congelamento emocional. Você não é feliz nem triste. Fica frio.

terça-feira, novembro 08, 2011

Quem não se lembra?

O sensacionalismo do "Quem será a próxima vítima?" é o enfoque padrão grobo sport-news. 


Mas engraçado mesmo eram as noites de domingo na Gazeta, onde o Serginho, bastante descontraído, eram filmado no aconchego de suas churrascadas com os camaradas , socializando fatos e loucuras no programa mesa redonda. Coisa fina.

MALHAÇÃO PIRULITO CORE

sabe? sabe quando o projac escolhe o núcleo de atores da nova novela das 8? se o tema exigir, vão escolher a Regina Duarte como protagonista. esse é um hediondo axioma. é mais ou menos assim que acontece com as músicas do Bouncing Souls. 


Os caras são nerdboys i love academia big celsus, com o detalhe de que o vocalista tem um alcance/timbre de voz até que razoável pra som desse naipe american-willow-felizão.



Você, meu amigo, você numa triste quinta-feira com cacos de ruffles espalhados por todo o tapete da sala de tevê, você, meu amigo, quero que você reflita. 


Levemente entorpecido, você lembrará de ter feito 52 anos semana passada. Você procura o cigarro ouvindo esses temas, e por um momento questionará se tudo isso não passa dum pastelão patético, aí você se lembra que tem 17 anos e está tá pouco se fudendo com a morte.

segunda-feira, novembro 07, 2011

PIRANDO COM PETER

Acho que o que mais me pega nesse rolê são os vocais. Claro que gosto também da guitarrinha com muito eco, dos bends alucinados...mas aprecio  como ele curte cantar a palavra "forever". É o máximo. 


Aliás, vários detalhes me fazem chapar quando escuto A Glória do Amor. E nunca enjoei, repare você também. Repeat, babe. Será sempre uma audição plazelosa.



O que seria das rádios chinfrins e dos humildes móteis sem a presença dessa fera, que com seu gogó de galinho heróico nos fez mais GENTE? 

Sem esse hino, sem essa fera, a música seria apenas uma palavra sem sentido, num mundo sem graça e sem amigos...

domingo, novembro 06, 2011

Sim, eu fui aquele maluco que cresceu ouvindo rock and roll, que cresceu ouvindo velhas fitas k7 do Queen, dos Beatles. Que ouviu através do pai Chuck Berry aos dez anos e achou ducaralho. Que ao escutar Ramones chapou para sempre. Que ao descobrir Sabbath e Motorhead pensou que as coisas tinham solução. Que fez amigos engraçados e gente fina e depois abraçou o faça-você-mesmo e acredita no punk rock antes que você possa imaginar avenidas de gelo, céus de cimento ou qualquer outra merda parecida.

quinta-feira, novembro 03, 2011

e então ele escreveu:

"Aquele que mais luta contra seu destino é o menos sensato e sempre o mais infeliz; o que ele consegue mudar em sua condição o alivia menos do que o atormenta a perturbação interior que ele cria com isso. Raramente obtém algum êxito, e nada ganha quando o obtém."

segunda-feira, outubro 31, 2011

dois anos de garrafa



Dois anos de Garrafa Vazia. Aoopa. Os últimos dias então, foram ultrapunksambarilóvis. Muito som, camaradagem, diversão e folia punk. 

Antes de tudo, somos três parceiros. Nada de molecagem. Nada de tempo ruim. Três malucos que estralam o som que é o puro punk da roça: cru, dançante e tosco.

Mudanças na formação. Problemas. "Os Garrafa" com mixagem sertaneja. Superação. "Back to bacana", o próximo play. As gigs. Os desafios. O calcanhar nervoso marcando o compasso e o som explodindo o bar. Ralfão, Hebão e Lemão. Responsabilidade é o nosso esquema, chefia. Ensaio, ensaio. Trabalho e trabalho - pra execução rugir. E sempre com a postura foda-se expressão divertida, "o cinismo já foi ultrapassado pelos fatos". Amém.


quinta-feira, outubro 27, 2011

LAZÃO É O NOVO CONCEITO DE BAIXO, O NOVO CONCEITO DE MÚSICA, DE ROCK, DE TUDO.

Na noite de sábado (22/10) fui conferir de perto meu amigo Lazaro Lopes e sua banda, o Powerhead, em um festival de rock que prometia agitar a cidade de São Pedro.

Vou me concentrar aqui apenas na atuação do amigo durante o tempo em que esteve em cima do palco. No resto da noite - antes de depois - posso dizer que ele foi, acima de tudo, um anfitrião nato, alguém que elevou o alta astral humano a nível incríveis - Lazaro Lopes é um grande camarada que proporcionaria uma vibe espetacular a todos seus amigos e presentes, com seu inegável carisma e cativante personalidade.



Mas, sem sombra de dúvida, a noite também foi especial por conta da celebração do aniversário do meu amigo e irmão Hebert Nascimento. Hebão comemorava ao lado de seus melhores amigos - como ele mesmo diria, após receber inúmeros presentes - vinte três anos de insuperável esbórnia, profundas leituras e uma peculiar e fundamental anarquia gg allinesca. Um brinde fodão para o Hebão! Vida longa ao Bruno Lóque! Vida longa ao esquema from hellbert de ser e enfiar o pé na jaca!

Pois bem: que venha a luz. Que venha o rock and roll. O metal. São Pedro, Rock Fest II. A presença Harris. O estilo Lazaro. 


Eu, na verdade, não sei por onde começar. Acho que fica mais fácil dizer que eu sou um ser humano tímido e agressivo tocando baixo em cima do palco (ou no chão, em qualquer lugar, é claro). Ponto. Lazaro não. Lazaro é e sera uma eterna fonte de inspiração pra mim. Sua performance é inigualável. Como diz minha amada, minha terna e lírica Anita Sandroni, "mesmo que ele erre alguma coisinha, é muito difícil alguém notar ao certo. porque ele tem uma presença e autoconfiança, uma autopromoção foda". Sem dúvida. 


Lazão é monstro. E olha que sou fã de tocar o baixo com palheta. Eu gosto do baixão podre, palhetado, martelo do capeta - com apelo porrada,  atitude e punch visceral. Mas mesmo o inventor da palheta se renderia ao Lazão e sua mão direita aracnídea. Esqueça a pirotecnia do Kiss, o poserismo do Manowar, os malabarismos de principiantes. Todos eles estão muito aquém da presença de palco que Lazaro Lopes irradia, comanda, glorioso transmite.

Lazaro curte. E as pessoas curtem muito. Todo mundo acompanha com o olhar e o coração seus passos, notas e abusos. Verso por verso, letra por letra, ele entoa consigo a canção como o próprio compositor gostaria. Enquanto executa seu show, a magia persiste, dizendo que é muito bom estar vivo em 2011. Ora heróico, ora trágico....sempre contundente, o Lazão.

Destacaria inúmeras qualidades de sua verve baixista/musical. A prontidão cravada em seu raciocínio speed heavy, por exemplo. Lazaro é o pai dos roadies. Seu perfeccionismo e agilidade em montar todo o set e deixar o timbre perfeito é coisa que eu nunca vi até hoje e já faz toda a diferença no trabalho de pré-produção de um verdadeiro gigante do som. 

Eu me perco aqui na empolgação. Lembro-me da entrada da banda: uma enorme barulheira, uma sirene invasiva que explodiu de encontro ao início de War Pigs. Depois, Road to Hell, do velho Bruce. Em todas, a perfeição. Em todas, a vibe. O entusiasmo compartilhado no sorriso apertado de todos - de um sábado que definitivamente entraria pra história. Um sábado verdadeiramente eletrizante e genial.

O que se viu então foi um  desfile de simpatia metal, catarses e catarses como uma tempestade de infindáveis alegrias, uma vibe empolgante comandando milhões de aplausos e apupos, frases, riffs e licks de presença, uma contínua corrente invísivel de folia e descontração para o público. 


Lazaro estava ali, promovendo a vitória, destilando clássicos do heavy, ora consentia com a cabeça acompanhando todo o processo rítmico, atento, cantando junto, enfatizando pra lá e pra cá, ora em slow, ora pendendo com a cabeça para os lados , para cima e para baixo - ora assumindo com dignidade os backing vocals, e sempre tocava e cantava para si mesmo, enfatizando a letra, criando cenários e proporcionando visões aos iniciados.

Como um incessante vulcão de carisma interno infinito, que como missão na terra ia contaminando todos os poros do mundo, ele iniciava cavalgadas cabulosas no bass, tomava um merecido gole de cerva e ia para o ataque: com aquela curiosa intensidade que salvou o heavy e o hard rock, trazendo ritos de imortalidade a todos aquela almas sedentas por rock na madrugada louca de São Pedro. 


E depois reiniciaria tudo novamente, lá estava ele incendiando a noite, logo após o início de outra canção, para desespero do marasmo. Lazaro pendia a cabeça para os céus, até que algo extrardionário aconteceu. Para melhor ainda mais o rolê, veio, para indescritível alegria do Hebão e minha, Ace of Spades. O palco quase veio abaixo. São Pedro parou.

A expressão familiar de suas caretas, poses, gestos e ações contaminaria para sempre todos aqueles corações unidos naquela noite especial de sábado. Para mim, ele definiu o conceito performático do rock em cima do palco. Elegante, audacioso, simpático: reunia em si toda uma suntuosa cachoeira heavy de qualidades, e tem mais: simples e mágico, a cada canção executada, o fest e a música agradeciam a euforia de Lazaro Lopes. 


E o que dizer da fúria em Seek & Destroy? Bom, é melhor eu parar por aqui. Porque por mais que eu escreva, jamais conseguirei captar em minhas humildes linhas toda a intensidade contida naquela inesquecível noite de 22 de outubro de 2011. 


Lazaro curte, e nós curtimos o Lazão! Vida longa ao baixista mais plástico-carismático do rock - o grande Lazão, big alma a correr heroicamente pelas colinas da terra.














após o show: pura descontração

quinta-feira, outubro 20, 2011

Música...invencível cocaína moral, o ápice do legado romântico na terra. Sagrado componente inseparável dos dias, capaz de alçar tudo aos céus, para o sonho, para a morte, para o fim, com força e luta, rumo ao impossível, sem restrições, a loucura acendendo incessantemente qualquer coração - eu e minha Nízinha pirando, abraçados sobrevoando todas as cidades sem rumo.

quarta-feira, outubro 19, 2011


Muito bacana esse cripe. Fica aqui a dica. E pra quem quiser conhecer mais o trabalho do cartunista Leandro Franco, é só acessar:  http://www.leandrofranco.blogspot.com/


terça-feira, outubro 18, 2011

UM MOTORA MUITO FERA


É claro que você acharia engraçado se você tivesse um amigo motorista, de cabelos grisalhos e voz rouca, que andasse pra lá e pra cá através de seu belo blazer cinza. E que ainda por cima contasse divertidas histórias de seu passado esplêndido e glorioso.

Refiro-me a época em que, em suas horas de folga do serviço, ele comia uma portuguesa (a criada dum rico patrão polonês radicado no Brasil) pra depois os dois pularem dentro do Morumbi e, eufóricos, torcer pelo tricolor.

Sim, os anos 80 rugiam com todo seu vigor, e  os presentes no Morumba vibravam alucinadamente, arquibancadas em chamas - e assim Careca, Muller e Silas outra vez voariam em campo, construindo incríveis goleadas, pra desespero de muitos.

E é claro que você acharia engraçado quando tomasse nota que este honrado cidadão é amigo pessoal do Ary Toledo. Alguém poderia se levantar dizendo que isso é notável: o motora do blazer cinza nutre o dom de disparar piadas cruciais nas piores horas, alegrando o povo sofrido. Talvez. De vez em quando ele até solta alguma piada sacana das boas.

E detalhe: é um baita motora. O cara dirige muito. É cuidadoso, arrojado - maduro e experiente. Domina o timming da prosa agradável (não-cansativa) durante todo o passeio. Pilota os assuntos da fala com clareza.

Conversa numa boa com o pessoal, seja na van, na caranga, fazendo cooper. E é incapaz de perder a linha: não se estressa, com ele não há tempo ruim, de forma alguma. 

O interlocutor pode ser velho, idoso, adotado, rapaz, criança, imigrante ilegal, corinthiano, mórmom. Não tem grilo. Detalhe é que o Ary Toledo nunca lhe chamou pelo celular enquanto eu estive presente.


imagem meramente ilustrativa

sexta-feira, outubro 14, 2011

ÚLTIMAS HORAS

Essa quinta-feira até que tá legal. Digo isso porque na quinta passada postei aqui no blógue algumas linhas sobre preguiça e invalidez.

Realmente, naquele quinta eu tava sofrendo de hebertismo agudo. Inválido, lento na ação, eu era incapaz de punhetar algum pensamento feliz e prático. Parado em minhas leituras, aquela quinta se arrastava catatônica e purulenta. 

Cansei dessa imobilidade patusca. Tô com trintão, não com trezentos. Reclamar é um vício de merda: eu não procuro reclamar muito de nada nem de ninguém.Reclamar envelhece o sujeito.

Mas o que eu queria dizer é que o feriadão foi muito bom. Eu e minha patroa fomos almoçar juntinhos. Tá certo que demorei pra pular da cama, afinal fiquei sem sono na noite de terça, e só fui fechar o zóio às seis da matina. Acontece. Ainda assim, tudo se resolve (pelo menos em parte) com algum diálogo e a famigerada compreensão que só o amor conduz. Logo a gente já estava tranquilinho, pra passar o dia todo juntos, rindo together e como sempre apaixonados.

Era pro Garrafa ensaiar, mas o Vadio não pode comparecer por motivos de força maior. Então apareceu o Hebert na jogada. Aí rolou que mais à noitinha, eu e ela, mais o moreno, assistimos Pickpocket, do Bresson. Foi bacana. (Gosto especialmente da cena em que o protagonista, à beira do leito da mãe doente, discursa enfático que a mãe ficará boa e logo em seguida há um corte rápido que mostra o velório da velhinha na igreja).

***
Escrevo agora sob um calor infernal. Penso muito na minha amada. Penso nas boas leituras que farei hoje. Penso na viagem da banda no domingo.
***
E agora, na tarde de sexta, chove na roça. É a velha lei de Murphy atuante: chuva? só de final de semana. Tá certo. Na minha tela de fundo do gmail (que acompanha as variações do clima/temperatura) gotículas avançam por sobre a caixa da entrada. Intrigante. O que eu quero é que a tarde passe agradável, cordial e bacana. 
***
É, foi mais ou menos bacana. Sempre tem aquele sujeito de mal com a vida que quer lhe torrar o saco. Ainda mais quando é antes tudo um imaturo (que veio se desculpar, incrusive).Mas tá valendo. Vida de professor/educador sem desafios não existe. Tá certo. Nada que roube meu crássico bom humor pré weekend. 


Hoje é sexta-feira, porra. Coloque um Ramones, um Clash e saía por aí, invencível e com todas as chances formidáveis do mundo em aberto, apenas promovendo diversão garantida. Se não tiver Clash ou Ramones, vá de Phil Collins ou Men at Work, sem medo. Aooopa.
  

 

segunda-feira, outubro 10, 2011

XAROPE GROOVE



Tenho orgulho em dizer: nunca escutei uma música do Justin Bieber. Acho que o mais próximo disso ocorreu uma única vez, quando eu e minha namorada estávamos na RiHappy e avistei um boneco do Justin Bieber: você apertava o cu da fera e saía faísca. Depois da terceira faísca, o consumidor era convidado a ouvir alguns segundos de puro chiado,  reprodução fidedigna de uma de suas músicas. Tá certo. Pra mim, esse menino é tão talentoso quanto o rico Marcelo Camelo, ou quem sabe alguma emergente estrela do Fora do Eixo (renomado grupo universitário que inventou o underground no Brasil).


Também considero a morte do Steve Jobbs irrevelante, sem graça. Se tivesse morrido algum Jonas Bróders seria a mesma merda: não faria a menor falta. Posso até dedicar uma meia dúzia de words pra morte dum cãozinho sofrido e enfermo, dum ex-craque do futebol mineiro dos 40 desandado em xarope, mas essa purpurina toda aí eu dispenso, tanto faz - agora diga amém três vezes e feche esta janela.

sexta-feira, outubro 07, 2011

UMA QUINTA-FEIRA PRA LÁ DE CANSADONA


Tá todo mundo quebradão. Todos estão se queixando. Teresa, do alto de seus cinquentão, exclama: "ai, eu não tô legal hoje". Uns reclamam de dor nos nervo, "esse calor que tá demais", pontada no peito, repuxo nas costas, cotovelo em crise, braço zuado. É a própria sinfonia da dor, iluminando a tarde de quinta-feira.

Maldito dia seis, de bonézinho atado à preguiça profissional. Complicado. Tá todo mundo vivendo o papel de inválido Hebert. É dor de cabeça, tráfico de dorflex na esquina, bala chita sabor insônia, bosta cansada desmotivando a latrina - mas muitos agora estão com calafrios e boca seca num campo de concentração qualquer.

Num tempo em que ninguém mais tem que rebobinar o vhs, todos usam comprimidos e receitinhas mágicas pra alivar a zica. Estamos de namorico velho com esse torpor gripante, num mar de marcha lenta e moleza maioral. As minhocas vão dominar todos os músculos da noite de quinta-feira. Daí que proponho cochilos, descansadas, hábeis pescadas, pernas esticadas e momentos de lazer no sofá mais próximo. Cama, meus amigos, soneca monstro, chão, colchão para todos.

quinta-feira, outubro 06, 2011

brasileiro médio dorme com a passividade latejando dentro do cu.

LAMBRUSCO BARRIGA MONSTRO

Não é novidade nenhuma que Jeff aprecia a porção de cebola frita do Rock República. Se tem algum no bolso, nem esquenta a cabeça: já vai até o balcão no passo maroto e chama a porção. Pede logo umas três. Come, ou melhor engole com total voracidade. Pique Somália. As cebolas caem como multidões, se esparramam em câmera lenta aos olhos de todos, anárquicas, ele parece que vai morder as mãos enquanto come, e as crocantes cebolas vão é pra dentro dos ouvidos, dentro das meias, dos bolsos, ou desaparecem sem pala nem vestígio.



Jeff só não é mais troglodita em sua ogrice laricóide que seu rival, Lambrusco (Lambrusco Harris para os iniciados).



Pra quem ainda não conhece, Lambrusco é o rei glutão, o maior comilão da pequena Rivers. Lambrusco é o sujeito que arrebenta com qualquer festinha credenciada com comes e bebes. É o terror dos buffets: apavora, simplesmente. Trucida os lanche. Come numa gana bateria Morbid Angel, come sem respirar. Ele encara uma tonelada de guloseimas como um simples mortal encara um mísero arroz.



Sua fama de bom de garfo é notável entre os jovens da cidade: “Lambrusco é magrelo por bosta de ruindade, devora tudo feito um lazarento, parece um boi com verme, porra.”



Pra você ter uma idéia, ele não executa uma mínima mastigação desde que engoliu o primeiro x-salada ou porção de fritas. Longe disso - Lambrusco joga tudo pro buxo, sem maldade. Em sua mão, uma porção tripla de cebola do Rock República dura menos que o tempo de uma Ave Maria na voz dum locutor de futebol da CBN.

quarta-feira, outubro 05, 2011

JEFF SONO

Depois de um certo tempo de atividade dentro da chapação, Jeff abre um livro e se fecha dentro dele. Com a cabeça pendendo pra baixo, quase babando ou não, ele só focaliza o livro. Nem precisa virar as páginas ou acompanhar o ritmo de qualquer frase. Não, não há possibilidade de empreender respostas à estímulos externos. Sua fala torna-se arrastada, monossilábica. O esquema é poupar o máximo de esforço possível. Jeff está numa areia movediça rumo ao coma profundo - numa letargia ensaiada num jacão de couro do catatonismo molenga. Abrir a boca já é uma sacríficio a essa altura do campeonato: sua frase se esparrama pastosa, numa cadeirinha de roda enguiçada, sua fala é nula tanto quanto preguiçosa, quase como um pequeno ronco moribundo escorrendo na bacia do inútil.

O olhar é borocochô, olhar de um pobre vira-lata cansadão, fazendo hora extra num mundo hiperativo e conturbado. Jeff boceja, tudo que ele precisa é de um espaço para se esticar, para quem sabe dar uma deitada. Apenas uma relaxada. Esse é o inválido Jeff, livre de insônia e de atividades agitadas, apenas apto para o descanso pleno e satisfatório...

terça-feira, outubro 04, 2011


Pois é. A terça-feira chegou e alguém tem que trabalhar nessa espelunca. Acho que chegando no café eu vou pegar um trabalho pra cantar de acordo minhas melodias. Tá certo. Pra você que está aí, todo inválido, pense que isso é uma merda pro seu impulso criador. Que ideia hein Alaor? Dar o nome pro lanchão mais reforçado de Alexandre. Pfff. Alaor exagera na marola.

segunda-feira, outubro 03, 2011

LÉO GONZALES, O ESPORTISTA DA PALAVRA




E o Léo Gonzáles apareceu em casa. Na tarde de hoje. É. Conheço-o desde 1994. Está no nono ano em psicologia e anda meio maluco da cabeça. Está acelerado demais. Vira e mexe é possível vê-lo pelas ruas de Rivers, fazendo embaixadinhas com uma bola de vôlei. Leva consigo um mochilão contendo bola de basquete, inúmeros isotônicos, bomba para encher bola e camisas poliesportivas, incluindo até uma camisa de goleiro autografada pelo filho do Pelé.



Tudo bem, tudo bem: Léo Gonzáles sempre foi hiperativo, EXTROVERTIDO com letras de gorila com gigantismo. Tudo bem. Mas está bem mais aceleradão desta vez: mega-ansiosão, acende duzentos cigarros prum lero incompleto de dez segundos. Ainda assim gosto dele. E com relação ao seu verbo, diria que sua fala é rápida e objetiva, e que não levando muito em conta sua mania por lorota, é possível dizer que sua fala é empreendedora - enfim, Léo Gonzáles tem a minha idade e é uma figuraça.



Trajado de modo alvinegro, peita preta com listas brancas verticais, (Léo é corinthiano fanático) ele se preparava para um encontro amoroso, dali uns instantes. Vinha conversando com Suzy há meses – mas sempre por sms, fone ou pela internet. A história dos dois é longa e complicada, lembra-me um conto de fadas caribenho, só que numa pegada meio cambalacho revestimentos.



Às vezes, acho que Léo Gonzáles na realidade é uma criança anárquica buscando a selva certa pra brincar. Sempre nutre invencíveis expectativas: o emprego dos sonhos, a possibilidade de armar um negócio e ir apitar jogos de basquete de norte a sul em Porto Rico; conseguir os acessórios adequados para uma vida a dois e ser um pai esportista, etc. Mas no fundo se questionado muito a fundo ele desconversa, ataca de fanfarrão. É um xavequeiro que compra cremes para aumentar a credibilidade com as arrumadeiras de hotel.



Por que no fundo ele a cada hora pira com uma coisa diferente. E deixa o outro projeto falando sozinho. Em dada situação, diz que vai ter uma frota de caminhões. Sim. Uma hora se habilita ao posto de empresário do Garrafa. Noutro segundo, está envolto em produzir cartilhas de psicologia esportiva para canhotos. É uma figuraça. Um político antipolítico, que desconversa, escamoteia, pilantreia.



Gosto de queimar umas idéias com Léo Gonzáles. Vai falando empolgado, dando pequenos e barulhentos ataques risonhos, me chama de “Lemão” e é um otimista remido. Esse lado eu curto na fera. Léozera quer virar lenda antes que o mundo vire sucrilhos. Léo Gonzáles desteta monotonia. Ponto pra fera.



Só que Léo Gonzáles cometeu um crime. Não sei se devo contar aos leitores. Denunciando um esquema de narcotráfico em Buriqui do Sul (SP), Léo Gonzáles entregou para o delegado Celso Pimenta uma pasta base que deixaria zumbi até a alta cúpula bancada pela Marlene Matos. Caso sério. O problema é que Léo Gonzáles subtraiu trezentas pratas do delegado Celso Pimenta. A hora em que ele me contava isso ele acendeu um cigarro ao contrário, pra você ter uma idéia. Trezentos mangos, mermão. Gastou toda essa soma em rosas e mimos para Catarina Pilatos. Léo Gonzáles, o atleta da palavra, sabe que escrevo agora essas linhas sobre seu roubo incendiário. O delegado também. Pimenta é como um pai para Léozinho, e acredita num happy end quando o assunto é romance, vida a dois.




sábado, outubro 01, 2011

MEU NOVO AMIGO HILTÃO


Todo mundo sabe que sou um cronista nato. Bom de bola, vou com meu palavrório simprão em direção ao gol, com uma boa dose de maionese displicência no cardápio. Tá certo. Mas qual o intuito de tal afirmação? Nenhum. Estamos conversando.

O certo é que acabo de voltar de Horace Green. Sim, o renomado colégio da 77. Estudei por lá no intenso final dos 90. Tá certo. Fiz vários amigos. Altos rolês. Tardes incansáveis de tênis de mesa, trilhas de bike pelo horto e rodízio de pizza com as moedas contadas no bolso do moletom (sem direito a refresco ou guaraná, diga-se de passagem). Lembro das tardes de Educação Física. Ficava lá tomando sol, com o fone de ouvido em cima. Todo mundo se ligava em Ramones, Maiden, Metallica, Slayer, etc.

O que eu quero dizer é que conheci agora pouco, em Horace Green, o amigo Hilton. Esse sabe das coisas. Bonézinho preto na cabeça, braços magrelos, olhos azuis e um ar pegueira existencialista. Já quarentão (quarenta e cinco), Hiltão tem é muita história pra contar. E como falou durante a entrevista.

Ele estava tendo aula de violão com meu amigo Jeff. Bacana. E no começo da prosa, Hiltão acerca de seus apreços musicais discursou, passando depois a comentar sobre algumas canções eternas dos anos 80 e seus conjuntos formidáveis (que, segundo ele, hoje já não existem mais como antigamente). Débol You, Inimigos do Rei.

Hilton frequentava a discoteca do Grêmio aos domingos. Tinha seus dezoito anos, era humilde mas torrava toda a grana e ainda pagava uma de bacana. "Vamo bebê!!" Tinha muitos amigos. Eram em uma dezena vagando pelas luzes e o globo dançante do Grêmio. Dançar e dançar pelo domingo louco. Vestia-se sempre de branco. Quando a luz do salão se apagava, lá estava Hiltão: travando altos drinks pra depois cair na pista de dança numa boa e incendiar a todos com seus passos líricos pós-Chaplin, no mínimo muito empolgantes. E todo mundo viciava rápidão: Hiltão comandava o salão.

Mas não pensem que esse dom veio fácil. De jeito nenhum. Foram anos observandos pés, pés e pés. Aos treze, já tinha esse senso observativo extraordinário, fruto de longos conselhos do irmão mais velho.

Hiltão é um cara que cativa. Sua fala é urgente, nostálgica. O malucão se empolga e leva você pra sonhar numa nice. Ele falava dos picos de Rivers das antigas: a Toca, Panqueca, os clubes da rua 1 (onde inclusive conferiu uma lendária apresentação da Gretchen lá pelos idos dos 80). São quarenta e cinco anos de mágica. Além de ter, segundo ele mesmo diz, antecipado a dança da macarena, Hiltão é um cara com uma percepção sonora fora de série. O amigo fez-me a distinção entre os sons "rasteiros" e os sons que "sobem". Isso mesmo. Há os sons etéreos, do elevado. "Quando você está no quarto, ouvindo aquele som, depois de ter tomado uma, você ali fumando um cigarro e colocando o som numa altura pra todo mundo escutar junto com você". Bom, não me lembro se ele formulou a frase assim. Não consigo transpor suas sábias palavras. Acontece. De todo modo, como ele mesmo disse "é angelical, o cara pode estar drogado ou não: o som flui, o som sobe...".


O som sobe. "Flui". Flui, simplesmente. Débol You, algo do Van Halen. Em domingos que o pessoal saía do Grêmio pra depois continuar sonhando acordado nas pizzarias de Rio Claro, que ficavam abertas até mais tarde. Às duas da manhã ainda as pizzarias resistiam, então o pessoal tirava o time de campo. Cinco e pouco da manhã e todo mundo tinha que se virar de ressaca. Vinha a cruel segundona braba. Tá certo. Pois é, meus amigos. Hiltão é um achado num planeta onde todo mundo é igual e previsível.

sexta-feira, setembro 30, 2011

rock in rio na frigideira da tua mãe. aqui é o Félix Mendonça a tirar o ar de seriedade do vozerio.

free estaile da roça #556

plúque.

____________________________________________________
fíon

________________________________________
plúque.

________________________________________
celebrate.

quarta-feira, setembro 28, 2011

JUJUBA


Jujuba tinha uns pêlos vaginais incríveis. Era toda selva. Sua buça não escondia uma ardente reputação afro. Uma pena que isso não passava dum implante grosseiro.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...