sexta-feira, abril 29, 2011

DEZ MESES SEM CACHAÇA


E começou a andar com a Srta. Cachaça de Big Bar a Pikadão, escolhendo garrafas, exibindo chamas de isqueiros. DEPOIS, depois, depois, dizia consigo, como se não existesse mais o agora, só pudim de pinga e merda quente saindo dum cu descrente. Um tiro de revólver nos tímpanos da ação. DEPOIS, depois. Baixasse a loucura gostando de ser mais burro e reclamão. Cocaína ruim era sua outra diversão. Mas uma hora providenciaram-lhe o espelho. Teve que comer merda pra aprender. Teve que extinguir a senhorita, puramente se prevenir da alameda da piada do mesmo, da Nice Mesmice pathos e alçar o próprio rastro noutra freguesia.

Srta Cachaça correu à janela de outro, pediu desculpas pelo gesto, sentou-se ao sofá. Deixou o morador de olhos fortemente vendados, a caninha triunfava. Exigiu companhia até o Big Bar: amava a boemia mas não sabia o que era isso. E foram: e o casal se despediu, rumo avenida sete, reluzindo a lâmina do caos pelo american bar, balcão, copos americanos e conversas cover. Quanto a mim, cinzas como ênfase ao pensar nisso. Estou dez meses sem cachaça. E nunca mais arrisco, chefia. Nevermore.

domingo, abril 24, 2011

O RETORNO DOS GARRAFA

O velho espírito punk está de volta. 

Quarta-feira, vinte de abril de 2011. Saímos de Rio Claro por volta das dez e cacetada da náite. Por cima, o  imenso tapetão preto elevado, cintilante a retina boêmia; no chão, a caranga, o verbo, a luta. Estávamos em quatro cabras: no volante Felipe Harris, eu, Hebert e Angelo.

Chegamos ao bar, o Kingston, em Limeira. O V.O.S (Araras) terminava de tocar.Entraríamos na sequência. Eu tava no climão de "Dicks can't swim", do discão Kill From The Heart. Pois bem: montamos os equipos, a casa àquela altura contava com bom público - nas palavras do meu irmão Saulão: "tá muito bonito hoje, todo mundo junto, tá muito bonita a noite". E estava mesmo - Araras, Cordeiro, Rio Claro, Piracicaba, Limeira e o pessoal de outras cidades, todos curtindo numa boa - crossoverzão da fauna, todos reunidos numa nice.

O SHOW

Abrimos com nosso novo som: CMD. Numa pegada peso + gás Motorhead, comecei a sentir que os próximos minutos seriam bastante agradáveis. Na seqüência, tocamos uma música do nosso terceiro trampo (Elevadores são o lar de palhaços e mortos-vivos). O som era Bonequinhos da Obediência e até então nunca tínhamos tocado-a ao vivo.

Blocos de prédios podres começaram a sair da guitarra do Hebert, logo em seguida: DÁ-LHE SHOW DE HORRORES! Foi bacana ver o pessoal curtindo, dançando. Apesar de um ensaio apenas, estávamos entrosados pra caralho. Na sequência, "Carol Caraia" - e o pessoal cantando - chutávamos sem piedade a boca da desilusão: o Garrafa Vazia estava de volta!

Vieram ainda "Eu sei que lhe magoei", "Eterno Desempregado", "Ela é popular" (antecedida duma jamzinha guns of brixtonesca). Depois chamamos nosso irmão pra atirar "Cirrose". Todo mundo se ligou no som. Foi foda. E assim fechamos a bagaça, com "Saulão Punk Rock", de uma maneira inédita, fodida e inovadora, enfim - o novo GARRAFA VAZIA está aí chefia, vivo e louco!

Grande abraço aos leitores e leitoras do blog.




terça-feira, abril 19, 2011

WANDER WILDNER APOSENTADO E O ÓBVIO SEM GRAÇA

Andei lendo BEM POR CIMA a entrevista do Wander Wildner para o sítio Scream Yell. Não preciso perder muito tempo pra concluir: Wander está xaropão da cabeça faz uma cota. Porque?

Aopa, o trampo do Wander sempre me pareceu divertido, pra se cantar beldo, proporcionando ao ouvinte escadarias de melancolia cafonóide com acento podre-róque. Ao longo de alguns discos, Wander produziu crássicos. Presenciei vários shows (um deles histórico no Kenoma! que o Dezakato tocou no formato acústico e se bobear ainda tenho gravado em K7!)

No entanto, no último, em Piracicaba (em 2007?), a decadência já era aspirável  - em ré menor. Uma banda desanimada, com a Cassia Eller decrépita no baixo e uma brucutu na bateria, lá estava eu, vendo o pior show do gaúcho dentição mil grau. 


O Wander naquela noite, tentava soar 'meio experimental' ao passo que ia trovadoreando seus crássicos. Ainda vejo soar num acorde menor  em ecos guitarreiros paragúlaicos amendoins de sua quase dor em 'Paraquedas do Coração' - rolê que até que foi legalzinho -   mas no fim das contas fiquei mais cansado que o próprio chefia e assinalei uma sequência grindcore de bocejos.

Depois disso ouvi umas músicas tolas novas, como "Winona Ryder". Vi que lançou 1 DVD (que aliás compraria se seu show em Rio Claro não tivesse sido desmarcado). E o merchandão do fitão numas de martelando forévis no sou Punk Brega aventureiro...


Será que a renovação significa só meter a fuça em outros picos e tentar fazer music hall de almofada? Ou então ficar bancando o folk singer, a Maria Bethânia dos três acordes? Bom,em tempos de Vanguart (o que é isso?) qualquer Macaco Bong é banda.

Pois é. E hoje ele esta aí todo zoráide, o decaído "romântico" mochileiro paraguaio - de terninho tacitúrnis vermelho zoropa eu amo você! - reclamando sobre o óbvio para quem quiser ouvir e chorar juntico. 


E continua. 


E continua continua reclamando e chorando, que o país anda uma merda, jabá aqui, nx zero mimimí, 'eu sou bem mais alternativo'! E chora, chora que o público não o entende (na tevê, pro Júpiter Maça se não me engano vi isso, incrusive), o público é a platéia e o rádio tem fm. Amigão,  tudo que digo é: pare de chorar e levanta, porra! TRABALHE! Ou tampa a gargolêra e o violão definitivamente, meu chapa.




Alguma coisa anda errada quando você digita "Men at work" no campo de busca do Soulseek e nada acontece

segunda-feira, abril 18, 2011

GARRAFA VAZIA - O QUE RESTOU DA RUA 1

Perdi o show do Jerry Único (colonizador do Misfits, Virada Cultural SP, 16/04) por uma grande virose (com diarréia e gorfo não-sociais no cardápio). Enfim: perdi.

Mas você não pode perder o download de "O que restou da rua 1", a quarta granada do GARRAFA VAZIA.

Veja o que o sítio Zona Punk escreveu sobre a bolacha:


Garrafa Vazia - O Que Restou Da Rua 1 (2011) - Independente
por: Wladimyr Cruz 

Vindos de Rio Claro, interior de SP, terra do grande Dezakato, o Garrafa Vazia mantém a tradição punk rock da cidade com esta nova demo (a quarta da carreira) de cinco músicas.


São faixas curtas, diretas, algumas mais ramônicas, outras mais punk rock 77 - e até um momento mais hardcore em "Hamburgueiro De Atitude", todas com curtas letras desencanadas em português.


CD-R em boa capinha de papelão e encarte estilo fanzine. É a produção DIY marcando presença e resistência. Confira.

download

domingo, abril 17, 2011

"o bagulho não me desceu adequado"


Acabei de comer frango assado e, como dira o JAPA SKATE PUNK: "o bagulho não me desceu adequado". Por essas e outras que digo: sou um cara de sorte. 


Fiquei o final de semana todo doente. Nem precisei faltar ao trabalho.




Vertigem. Tomei pastilha de nanicolina. Veja onde estou agora.


Relógio de parede: vinte e dois centímetros de diâmetro. Estou de barriga pra baixo, deitadão, apoiado no ponteiro dos segundos. Quando você não tem pés pra caminhar o relógio não é oferta: que pechincha, imperdível. 

Mas lembro que ele funciona à pilhas: esse é o problema - uma hora eu morrerei de tédio. O ponteiro para e meu mundo acaba.

Enquanto isso sou vivo. Em sentido horário. Vou gorfando frango: são oito e quinze.

Queria ser relógio de bolso. O relógio - não passageiro de ponteiro. 

Nunca caí daqui de cima. Sonhando penso que já caí: 16:16. Sol hendrixiano. Tarde quente e eu na sétima série. Colégio Puríssimo Coração de Maria. A irmã Rosinete era o terror da molecada. Conhecida pelo seu venenoso "chá de alho", a irmã era implacável - já vi a fera pegando pestinha pela orelha por desobediência.

Consigo me enxugar da chuva de inconveniência memorial. Acho que a ânsia de vômito do frango vazou. Mas ainda quero ver o Shopping Center Rio Claro com relógio na paredes de todas suas lojinhas.




sexta-feira, abril 15, 2011

É, lá se vão DEZ MESES. Quase um ano sem cachaça. E quer saber? Não me faz falta. Em nada. Mió assim: tô vivão e feliz. E com trintão nas costas, agora.

quinta-feira, abril 14, 2011

Minha cachorra me lambeu. O nome dela é Isabel.
Treze dia de abril: trinta anos completos. Que merda. Merda nada. Reclamar virou clichê no meu rádio, colegão. Tamos aí: trinta nas costas, na paz e na luta. Aopa.

domingo, abril 10, 2011

A BANDA PARADA OBRIGATÓRIA

O CAMINHO DO SUCESSO

Bandas preocupadas com o "mapa de palco". 

Vi essas dias uma foto de banda daqui da região, que ensaiando - pela disposição dos "músicos" dentro da sala, mais as vergonha alheia poses - dá pra ver nitidamente: somos o Supertramp do punk.

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Os slogans dos concertos vão de mal a ridículo. O curto circuito do leitor recebe "hey, vamos nessa". "o bicho vai pegar, o Tihuana chegou". " é agora!". Eu não estou no presente.

VEÍCULOS

Leia: Rio Claro verá em breve a nova proposta do Garrafa Vazia. Aopa.



Demência Simpática. Fígado Afogado. Dejeto doente. Estágio não-avançado.

sexta-feira, abril 08, 2011


Jairzinho se amava pra dedéu. 


Na moringa dele, era o mais experiente da turma. Sabichão, levava no papo o papa, o deputado, a putaiada . Queria mesmo era produzir fatos. Fatos feras que conspiracem em seu favor - porque toda hora que topasse com o espelho diria: "esse é o cara". 


Reconhecimento social por toda a cidade de Limeira, meu chapa. Queria uma fonte generosa de adjetivos borbulhantes. Até que foi currado a força pelo segurança Geraldão. Foi no escurinho, depois dum show do Dead Fish. Atrás duma igreja. Detalhe: odeio Dead Fish.

o Freddie Mercury frequentaria a Veneza?

um bom refrão: pulso infernal, energia na alma, explosão neural, a autoconfiança expandida. ninguém me segura, chefia. e como disse para ao meu amigo Alain Melendez - "não fale mal do Queen na minha frente".

Porque digo isso?

Porque esse som tem o refrão mais Mercury dos últimos tempos. E tenho dito, chefia.

quinta-feira, abril 07, 2011

Novo pedófilo em Rio Claro


Atenção pessoal, ele chegou!
 
Ele é borracheiro e astro na hora de manter sexuais relações com crianças de 6, 16 anos. Ele é suspeito de filmar tudo e depois ficar batendo uma bronha, revendo setenta e duas vezes o rolêzinho. Ele é borracheiro e no caso Orpinelli já tinha sido suspeito. Ele é o novo Jack de Rio Crack.


Palas encontradas no quartinho do sujeito: minigames, tripé, 1 PENSE BEM, calcicha de crochê gozada e um apontador bem afiadinho.

quarta-feira, abril 06, 2011

AS SEREIAS RECAUCHUTADAS


Num mundo cada vez mais imbecilizado e órfão de heróis e mitos, o lance é reprocessar. Empacotar e revender, é só isso que resta, chefia. 

E o que pensam os defuntos a respeito disso? 

Que se foda. Empacotar e revender, só isso que resta, chefia. Empacotar e revender. Pra antas de 12 a 18 anos, de preferência. Assim a garantia de lucro rápido não leva susto. O mais idiota "da turma" sempre leva todo o resto. 

E as reprocessadas? 


Fizeram isso com Johnny Cash no cineminha. Ian Curtis tumém. Kurt Tubaína. Vinny. Tiririca. Logo virá o Queen. E quem fará o Elton John? E a versão brazuca do Éltão Jão? 


Algum colunista social garante que veremos o Miguel Falabella pilotando um tecladão CASIO. Na cabeça da fera, um Oakley irado. Ah, e claro: logo depois da contagiante música de abertura, teremos Miguelzinho cheirando pó no pinto do Tony Ramos, também usando uma lupa chiquérrima.

terça-feira, abril 05, 2011

DAQUELES DE POTÃO


Hmm. Sorvete gostoso. Geladinho na boca. Daqueles de potão. Que descansam no freezer. Você vem e BLÚM! Enche a colher. Que delícia. Geladinho na boca. E enche a bocarra! Fica bochechudão! E é Napolitano, o bonde.

Refresca né? Se você não come direto do pote, repetir é uma tentação. 

Estou fazendo isso agora e escutando algo inusitado: Songs of Russian Proletariat. Trata-se de algo incompreensível pra mim, até certo ponto. Mas tem a ambiência fodida pros orvidos se alongarem. Olha só!! É, sem dúvida, o vigor de toda uma nação presente nesse bonito coro, todo imponente. É a primeira canção. 


E o disco corre sem pressa. Sem surpresas desagradáveis. Pelo contrário: são hinos agradáveis. É uma pena que o sorvete acabou.


sexta-feira, abril 01, 2011

A GIGANTE PATA DUM GATO PRETO



Eu abro a boca. Ahhhhhh!! É claro que não arrotei. Ahhhh. A boca aberta. Silêncio construtivo. Estou de pé. Não vejo o tempo comum. Ponteiros, relógios digitais. Dispenso. Silêncio. Espere. Olha só quem chega! E fazendo estardalhaço. Derrubando todos os copos, espancando porcelanas, quebra tudo que é delicado e bobo.

Você não nota? Ixi. Saca só! Veja como é desastroso. Decerto não possui coordenação motora fina. Que desastre. Haha! E isso agora? A gigante pata dum gato preto invade o campo – céu azul, campo verde, árvores cortando o cenário.

A gigante pata pisa em cima da pequenina árvore. Você só consegue olhar a gigante pata engolindo o espaço. Embaixo dela a árvore, amacetada. Coitada. O sossego sumiu. O gato preto é a pata gigante – sua cabeça, ouvidos, faniquitos, inspirações. Que pata estúpida. Não faz boliche, faz bolinho pastoso com as pequenas árvores. Logo aparece a outra pata. Plá! -  e lá vai, ela leva você – pra longe. Você horizontalmente voa. Está voando muito rápido – pensa rápido também, 6-6-9, taquicardia. Trezentos e sessenta graus de rocambólica tour. No maior cacete ainda por luxo. Bumerangue paranóico de carne medrosa.

Cai de costas. BúM! A pata é peludona. Algodão Black, meio punk no teu nariz, chefia. Mas é um pelo agressivo, de ariar panela, pelo que lhe fornece cosquinhas no peito, mesmo sem o seu consentimento. Ah, mas que dor insuportável! As costas doem demais. Ou será toda a bacia? “Terei ficado aleijado?”. Prestes a pisar em seus ossos, a pata gigante cobre sua visão área. Silêncio. Desespero peludo. Você consegue se levantar, com dificuldade. Corre pro primeiro lugar que vê: tropeçar é morrer, e você parece um passarinho, voa, voa baixo, passarinho diet, que come alpiste misturado com coca colombiana safra anos oitenta.


Não sai da sua respiração mental aquela pata gigante. Fuga contínua. Amedrontadora pra todos os reinos de ratos. Você não consegue distinguir o corpo do gato – porque a pata é maior que sua retina. Árvores comparsas entre si faleceram atrás de você. Que porcaria de vida é ser perseguido por uma pata gigante dum gato que não tem rosto nem feição, focinho nem identidade facial.

Não, não me venha com esse lero babaca de que o felino precisa é dum TÊNIS PÉ BARUEL. E aquele campo que ficou pra trás? Era o campão de futebol da Unesp. Campus Bela Vista. Rio Claro. Todas as árvores orgulhosamente tornam-se toletes de merda, escarro de pedra fresca, miserável. As árvores foram embora. Com chagas não-esportivas por todo tronco, a pata preta entalada na alma.


É isso. Você foi banido do convívio dos homens. O que seria uma simples temporada periclitante; mas não. Mas não. Nunca. Nunca mais Quermesse da Matriz. Nunca mais peidar numa festinha vazia na Philarmônica. Negativo. Isso tudo é pior que acordar com gosto de Nescau azedando toda a boca. As árvores inexistem.

O gato esmaga você se você tentar pensar em algo. Seu peito parece sachê de catchup levando uma rigorosa dedada, bem ao centro. Sangue peludo, e a pata faz embaixadinhas com seu corpo. Então a pata preta torna-se do tamanhinho do bumbum do Nélson Ned. Suspense. Silêncio.

A pata preta é agora um bumbunzinho. Sem importância. Mas ainda impõe medo à uma azeitona. As árvores não podem jurar vingança: instalaram mais computadores em toda antiga área verde da Unesp. Sim, o bumbum do Nélson Ned é pequenino. A pata confunde-se com uma formiga operária. A formiga operária depois das dezoito horas corre pra ver Bonanza, no canal TCM. Mas começa só vinte e uma horas. Não tem importância: a formiga masturba-se com voracidade. É viúva. Dentro de sua casinha, na tarde seguinte, lá está ela. No banheiro masculino do Jardim Público, ela sai pra beber o sol - vê a pata do gato ser vendida por três pilas por um hippie encardido, que peida na caruda, duas da tarde e nenhum policial, nenhum policial - aquele chaveiro é roubado.


OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...