segunda-feira, outubro 31, 2011

dois anos de garrafa



Dois anos de Garrafa Vazia. Aoopa. Os últimos dias então, foram ultrapunksambarilóvis. Muito som, camaradagem, diversão e folia punk. 

Antes de tudo, somos três parceiros. Nada de molecagem. Nada de tempo ruim. Três malucos que estralam o som que é o puro punk da roça: cru, dançante e tosco.

Mudanças na formação. Problemas. "Os Garrafa" com mixagem sertaneja. Superação. "Back to bacana", o próximo play. As gigs. Os desafios. O calcanhar nervoso marcando o compasso e o som explodindo o bar. Ralfão, Hebão e Lemão. Responsabilidade é o nosso esquema, chefia. Ensaio, ensaio. Trabalho e trabalho - pra execução rugir. E sempre com a postura foda-se expressão divertida, "o cinismo já foi ultrapassado pelos fatos". Amém.


quinta-feira, outubro 27, 2011

LAZÃO É O NOVO CONCEITO DE BAIXO, O NOVO CONCEITO DE MÚSICA, DE ROCK, DE TUDO.

Na noite de sábado (22/10) fui conferir de perto meu amigo Lazaro Lopes e sua banda, o Powerhead, em um festival de rock que prometia agitar a cidade de São Pedro.

Vou me concentrar aqui apenas na atuação do amigo durante o tempo em que esteve em cima do palco. No resto da noite - antes de depois - posso dizer que ele foi, acima de tudo, um anfitrião nato, alguém que elevou o alta astral humano a nível incríveis - Lazaro Lopes é um grande camarada que proporcionaria uma vibe espetacular a todos seus amigos e presentes, com seu inegável carisma e cativante personalidade.



Mas, sem sombra de dúvida, a noite também foi especial por conta da celebração do aniversário do meu amigo e irmão Hebert Nascimento. Hebão comemorava ao lado de seus melhores amigos - como ele mesmo diria, após receber inúmeros presentes - vinte três anos de insuperável esbórnia, profundas leituras e uma peculiar e fundamental anarquia gg allinesca. Um brinde fodão para o Hebão! Vida longa ao Bruno Lóque! Vida longa ao esquema from hellbert de ser e enfiar o pé na jaca!

Pois bem: que venha a luz. Que venha o rock and roll. O metal. São Pedro, Rock Fest II. A presença Harris. O estilo Lazaro. 


Eu, na verdade, não sei por onde começar. Acho que fica mais fácil dizer que eu sou um ser humano tímido e agressivo tocando baixo em cima do palco (ou no chão, em qualquer lugar, é claro). Ponto. Lazaro não. Lazaro é e sera uma eterna fonte de inspiração pra mim. Sua performance é inigualável. Como diz minha amada, minha terna e lírica Anita Sandroni, "mesmo que ele erre alguma coisinha, é muito difícil alguém notar ao certo. porque ele tem uma presença e autoconfiança, uma autopromoção foda". Sem dúvida. 


Lazão é monstro. E olha que sou fã de tocar o baixo com palheta. Eu gosto do baixão podre, palhetado, martelo do capeta - com apelo porrada,  atitude e punch visceral. Mas mesmo o inventor da palheta se renderia ao Lazão e sua mão direita aracnídea. Esqueça a pirotecnia do Kiss, o poserismo do Manowar, os malabarismos de principiantes. Todos eles estão muito aquém da presença de palco que Lazaro Lopes irradia, comanda, glorioso transmite.

Lazaro curte. E as pessoas curtem muito. Todo mundo acompanha com o olhar e o coração seus passos, notas e abusos. Verso por verso, letra por letra, ele entoa consigo a canção como o próprio compositor gostaria. Enquanto executa seu show, a magia persiste, dizendo que é muito bom estar vivo em 2011. Ora heróico, ora trágico....sempre contundente, o Lazão.

Destacaria inúmeras qualidades de sua verve baixista/musical. A prontidão cravada em seu raciocínio speed heavy, por exemplo. Lazaro é o pai dos roadies. Seu perfeccionismo e agilidade em montar todo o set e deixar o timbre perfeito é coisa que eu nunca vi até hoje e já faz toda a diferença no trabalho de pré-produção de um verdadeiro gigante do som. 

Eu me perco aqui na empolgação. Lembro-me da entrada da banda: uma enorme barulheira, uma sirene invasiva que explodiu de encontro ao início de War Pigs. Depois, Road to Hell, do velho Bruce. Em todas, a perfeição. Em todas, a vibe. O entusiasmo compartilhado no sorriso apertado de todos - de um sábado que definitivamente entraria pra história. Um sábado verdadeiramente eletrizante e genial.

O que se viu então foi um  desfile de simpatia metal, catarses e catarses como uma tempestade de infindáveis alegrias, uma vibe empolgante comandando milhões de aplausos e apupos, frases, riffs e licks de presença, uma contínua corrente invísivel de folia e descontração para o público. 


Lazaro estava ali, promovendo a vitória, destilando clássicos do heavy, ora consentia com a cabeça acompanhando todo o processo rítmico, atento, cantando junto, enfatizando pra lá e pra cá, ora em slow, ora pendendo com a cabeça para os lados , para cima e para baixo - ora assumindo com dignidade os backing vocals, e sempre tocava e cantava para si mesmo, enfatizando a letra, criando cenários e proporcionando visões aos iniciados.

Como um incessante vulcão de carisma interno infinito, que como missão na terra ia contaminando todos os poros do mundo, ele iniciava cavalgadas cabulosas no bass, tomava um merecido gole de cerva e ia para o ataque: com aquela curiosa intensidade que salvou o heavy e o hard rock, trazendo ritos de imortalidade a todos aquela almas sedentas por rock na madrugada louca de São Pedro. 


E depois reiniciaria tudo novamente, lá estava ele incendiando a noite, logo após o início de outra canção, para desespero do marasmo. Lazaro pendia a cabeça para os céus, até que algo extrardionário aconteceu. Para melhor ainda mais o rolê, veio, para indescritível alegria do Hebão e minha, Ace of Spades. O palco quase veio abaixo. São Pedro parou.

A expressão familiar de suas caretas, poses, gestos e ações contaminaria para sempre todos aqueles corações unidos naquela noite especial de sábado. Para mim, ele definiu o conceito performático do rock em cima do palco. Elegante, audacioso, simpático: reunia em si toda uma suntuosa cachoeira heavy de qualidades, e tem mais: simples e mágico, a cada canção executada, o fest e a música agradeciam a euforia de Lazaro Lopes. 


E o que dizer da fúria em Seek & Destroy? Bom, é melhor eu parar por aqui. Porque por mais que eu escreva, jamais conseguirei captar em minhas humildes linhas toda a intensidade contida naquela inesquecível noite de 22 de outubro de 2011. 


Lazaro curte, e nós curtimos o Lazão! Vida longa ao baixista mais plástico-carismático do rock - o grande Lazão, big alma a correr heroicamente pelas colinas da terra.














após o show: pura descontração

quinta-feira, outubro 20, 2011

Música...invencível cocaína moral, o ápice do legado romântico na terra. Sagrado componente inseparável dos dias, capaz de alçar tudo aos céus, para o sonho, para a morte, para o fim, com força e luta, rumo ao impossível, sem restrições, a loucura acendendo incessantemente qualquer coração - eu e minha Nízinha pirando, abraçados sobrevoando todas as cidades sem rumo.

quarta-feira, outubro 19, 2011


Muito bacana esse cripe. Fica aqui a dica. E pra quem quiser conhecer mais o trabalho do cartunista Leandro Franco, é só acessar:  http://www.leandrofranco.blogspot.com/


terça-feira, outubro 18, 2011

UM MOTORA MUITO FERA


É claro que você acharia engraçado se você tivesse um amigo motorista, de cabelos grisalhos e voz rouca, que andasse pra lá e pra cá através de seu belo blazer cinza. E que ainda por cima contasse divertidas histórias de seu passado esplêndido e glorioso.

Refiro-me a época em que, em suas horas de folga do serviço, ele comia uma portuguesa (a criada dum rico patrão polonês radicado no Brasil) pra depois os dois pularem dentro do Morumbi e, eufóricos, torcer pelo tricolor.

Sim, os anos 80 rugiam com todo seu vigor, e  os presentes no Morumba vibravam alucinadamente, arquibancadas em chamas - e assim Careca, Muller e Silas outra vez voariam em campo, construindo incríveis goleadas, pra desespero de muitos.

E é claro que você acharia engraçado quando tomasse nota que este honrado cidadão é amigo pessoal do Ary Toledo. Alguém poderia se levantar dizendo que isso é notável: o motora do blazer cinza nutre o dom de disparar piadas cruciais nas piores horas, alegrando o povo sofrido. Talvez. De vez em quando ele até solta alguma piada sacana das boas.

E detalhe: é um baita motora. O cara dirige muito. É cuidadoso, arrojado - maduro e experiente. Domina o timming da prosa agradável (não-cansativa) durante todo o passeio. Pilota os assuntos da fala com clareza.

Conversa numa boa com o pessoal, seja na van, na caranga, fazendo cooper. E é incapaz de perder a linha: não se estressa, com ele não há tempo ruim, de forma alguma. 

O interlocutor pode ser velho, idoso, adotado, rapaz, criança, imigrante ilegal, corinthiano, mórmom. Não tem grilo. Detalhe é que o Ary Toledo nunca lhe chamou pelo celular enquanto eu estive presente.


imagem meramente ilustrativa

sexta-feira, outubro 14, 2011

ÚLTIMAS HORAS

Essa quinta-feira até que tá legal. Digo isso porque na quinta passada postei aqui no blógue algumas linhas sobre preguiça e invalidez.

Realmente, naquele quinta eu tava sofrendo de hebertismo agudo. Inválido, lento na ação, eu era incapaz de punhetar algum pensamento feliz e prático. Parado em minhas leituras, aquela quinta se arrastava catatônica e purulenta. 

Cansei dessa imobilidade patusca. Tô com trintão, não com trezentos. Reclamar é um vício de merda: eu não procuro reclamar muito de nada nem de ninguém.Reclamar envelhece o sujeito.

Mas o que eu queria dizer é que o feriadão foi muito bom. Eu e minha patroa fomos almoçar juntinhos. Tá certo que demorei pra pular da cama, afinal fiquei sem sono na noite de terça, e só fui fechar o zóio às seis da matina. Acontece. Ainda assim, tudo se resolve (pelo menos em parte) com algum diálogo e a famigerada compreensão que só o amor conduz. Logo a gente já estava tranquilinho, pra passar o dia todo juntos, rindo together e como sempre apaixonados.

Era pro Garrafa ensaiar, mas o Vadio não pode comparecer por motivos de força maior. Então apareceu o Hebert na jogada. Aí rolou que mais à noitinha, eu e ela, mais o moreno, assistimos Pickpocket, do Bresson. Foi bacana. (Gosto especialmente da cena em que o protagonista, à beira do leito da mãe doente, discursa enfático que a mãe ficará boa e logo em seguida há um corte rápido que mostra o velório da velhinha na igreja).

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Escrevo agora sob um calor infernal. Penso muito na minha amada. Penso nas boas leituras que farei hoje. Penso na viagem da banda no domingo.
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E agora, na tarde de sexta, chove na roça. É a velha lei de Murphy atuante: chuva? só de final de semana. Tá certo. Na minha tela de fundo do gmail (que acompanha as variações do clima/temperatura) gotículas avançam por sobre a caixa da entrada. Intrigante. O que eu quero é que a tarde passe agradável, cordial e bacana. 
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É, foi mais ou menos bacana. Sempre tem aquele sujeito de mal com a vida que quer lhe torrar o saco. Ainda mais quando é antes tudo um imaturo (que veio se desculpar, incrusive).Mas tá valendo. Vida de professor/educador sem desafios não existe. Tá certo. Nada que roube meu crássico bom humor pré weekend. 


Hoje é sexta-feira, porra. Coloque um Ramones, um Clash e saía por aí, invencível e com todas as chances formidáveis do mundo em aberto, apenas promovendo diversão garantida. Se não tiver Clash ou Ramones, vá de Phil Collins ou Men at Work, sem medo. Aooopa.
  

 

segunda-feira, outubro 10, 2011

XAROPE GROOVE



Tenho orgulho em dizer: nunca escutei uma música do Justin Bieber. Acho que o mais próximo disso ocorreu uma única vez, quando eu e minha namorada estávamos na RiHappy e avistei um boneco do Justin Bieber: você apertava o cu da fera e saía faísca. Depois da terceira faísca, o consumidor era convidado a ouvir alguns segundos de puro chiado,  reprodução fidedigna de uma de suas músicas. Tá certo. Pra mim, esse menino é tão talentoso quanto o rico Marcelo Camelo, ou quem sabe alguma emergente estrela do Fora do Eixo (renomado grupo universitário que inventou o underground no Brasil).


Também considero a morte do Steve Jobbs irrevelante, sem graça. Se tivesse morrido algum Jonas Bróders seria a mesma merda: não faria a menor falta. Posso até dedicar uma meia dúzia de words pra morte dum cãozinho sofrido e enfermo, dum ex-craque do futebol mineiro dos 40 desandado em xarope, mas essa purpurina toda aí eu dispenso, tanto faz - agora diga amém três vezes e feche esta janela.

sexta-feira, outubro 07, 2011

UMA QUINTA-FEIRA PRA LÁ DE CANSADONA


Tá todo mundo quebradão. Todos estão se queixando. Teresa, do alto de seus cinquentão, exclama: "ai, eu não tô legal hoje". Uns reclamam de dor nos nervo, "esse calor que tá demais", pontada no peito, repuxo nas costas, cotovelo em crise, braço zuado. É a própria sinfonia da dor, iluminando a tarde de quinta-feira.

Maldito dia seis, de bonézinho atado à preguiça profissional. Complicado. Tá todo mundo vivendo o papel de inválido Hebert. É dor de cabeça, tráfico de dorflex na esquina, bala chita sabor insônia, bosta cansada desmotivando a latrina - mas muitos agora estão com calafrios e boca seca num campo de concentração qualquer.

Num tempo em que ninguém mais tem que rebobinar o vhs, todos usam comprimidos e receitinhas mágicas pra alivar a zica. Estamos de namorico velho com esse torpor gripante, num mar de marcha lenta e moleza maioral. As minhocas vão dominar todos os músculos da noite de quinta-feira. Daí que proponho cochilos, descansadas, hábeis pescadas, pernas esticadas e momentos de lazer no sofá mais próximo. Cama, meus amigos, soneca monstro, chão, colchão para todos.

quinta-feira, outubro 06, 2011

brasileiro médio dorme com a passividade latejando dentro do cu.

LAMBRUSCO BARRIGA MONSTRO

Não é novidade nenhuma que Jeff aprecia a porção de cebola frita do Rock República. Se tem algum no bolso, nem esquenta a cabeça: já vai até o balcão no passo maroto e chama a porção. Pede logo umas três. Come, ou melhor engole com total voracidade. Pique Somália. As cebolas caem como multidões, se esparramam em câmera lenta aos olhos de todos, anárquicas, ele parece que vai morder as mãos enquanto come, e as crocantes cebolas vão é pra dentro dos ouvidos, dentro das meias, dos bolsos, ou desaparecem sem pala nem vestígio.



Jeff só não é mais troglodita em sua ogrice laricóide que seu rival, Lambrusco (Lambrusco Harris para os iniciados).



Pra quem ainda não conhece, Lambrusco é o rei glutão, o maior comilão da pequena Rivers. Lambrusco é o sujeito que arrebenta com qualquer festinha credenciada com comes e bebes. É o terror dos buffets: apavora, simplesmente. Trucida os lanche. Come numa gana bateria Morbid Angel, come sem respirar. Ele encara uma tonelada de guloseimas como um simples mortal encara um mísero arroz.



Sua fama de bom de garfo é notável entre os jovens da cidade: “Lambrusco é magrelo por bosta de ruindade, devora tudo feito um lazarento, parece um boi com verme, porra.”



Pra você ter uma idéia, ele não executa uma mínima mastigação desde que engoliu o primeiro x-salada ou porção de fritas. Longe disso - Lambrusco joga tudo pro buxo, sem maldade. Em sua mão, uma porção tripla de cebola do Rock República dura menos que o tempo de uma Ave Maria na voz dum locutor de futebol da CBN.

quarta-feira, outubro 05, 2011

JEFF SONO

Depois de um certo tempo de atividade dentro da chapação, Jeff abre um livro e se fecha dentro dele. Com a cabeça pendendo pra baixo, quase babando ou não, ele só focaliza o livro. Nem precisa virar as páginas ou acompanhar o ritmo de qualquer frase. Não, não há possibilidade de empreender respostas à estímulos externos. Sua fala torna-se arrastada, monossilábica. O esquema é poupar o máximo de esforço possível. Jeff está numa areia movediça rumo ao coma profundo - numa letargia ensaiada num jacão de couro do catatonismo molenga. Abrir a boca já é uma sacríficio a essa altura do campeonato: sua frase se esparrama pastosa, numa cadeirinha de roda enguiçada, sua fala é nula tanto quanto preguiçosa, quase como um pequeno ronco moribundo escorrendo na bacia do inútil.

O olhar é borocochô, olhar de um pobre vira-lata cansadão, fazendo hora extra num mundo hiperativo e conturbado. Jeff boceja, tudo que ele precisa é de um espaço para se esticar, para quem sabe dar uma deitada. Apenas uma relaxada. Esse é o inválido Jeff, livre de insônia e de atividades agitadas, apenas apto para o descanso pleno e satisfatório...

terça-feira, outubro 04, 2011


Pois é. A terça-feira chegou e alguém tem que trabalhar nessa espelunca. Acho que chegando no café eu vou pegar um trabalho pra cantar de acordo minhas melodias. Tá certo. Pra você que está aí, todo inválido, pense que isso é uma merda pro seu impulso criador. Que ideia hein Alaor? Dar o nome pro lanchão mais reforçado de Alexandre. Pfff. Alaor exagera na marola.

segunda-feira, outubro 03, 2011

LÉO GONZALES, O ESPORTISTA DA PALAVRA




E o Léo Gonzáles apareceu em casa. Na tarde de hoje. É. Conheço-o desde 1994. Está no nono ano em psicologia e anda meio maluco da cabeça. Está acelerado demais. Vira e mexe é possível vê-lo pelas ruas de Rivers, fazendo embaixadinhas com uma bola de vôlei. Leva consigo um mochilão contendo bola de basquete, inúmeros isotônicos, bomba para encher bola e camisas poliesportivas, incluindo até uma camisa de goleiro autografada pelo filho do Pelé.



Tudo bem, tudo bem: Léo Gonzáles sempre foi hiperativo, EXTROVERTIDO com letras de gorila com gigantismo. Tudo bem. Mas está bem mais aceleradão desta vez: mega-ansiosão, acende duzentos cigarros prum lero incompleto de dez segundos. Ainda assim gosto dele. E com relação ao seu verbo, diria que sua fala é rápida e objetiva, e que não levando muito em conta sua mania por lorota, é possível dizer que sua fala é empreendedora - enfim, Léo Gonzáles tem a minha idade e é uma figuraça.



Trajado de modo alvinegro, peita preta com listas brancas verticais, (Léo é corinthiano fanático) ele se preparava para um encontro amoroso, dali uns instantes. Vinha conversando com Suzy há meses – mas sempre por sms, fone ou pela internet. A história dos dois é longa e complicada, lembra-me um conto de fadas caribenho, só que numa pegada meio cambalacho revestimentos.



Às vezes, acho que Léo Gonzáles na realidade é uma criança anárquica buscando a selva certa pra brincar. Sempre nutre invencíveis expectativas: o emprego dos sonhos, a possibilidade de armar um negócio e ir apitar jogos de basquete de norte a sul em Porto Rico; conseguir os acessórios adequados para uma vida a dois e ser um pai esportista, etc. Mas no fundo se questionado muito a fundo ele desconversa, ataca de fanfarrão. É um xavequeiro que compra cremes para aumentar a credibilidade com as arrumadeiras de hotel.



Por que no fundo ele a cada hora pira com uma coisa diferente. E deixa o outro projeto falando sozinho. Em dada situação, diz que vai ter uma frota de caminhões. Sim. Uma hora se habilita ao posto de empresário do Garrafa. Noutro segundo, está envolto em produzir cartilhas de psicologia esportiva para canhotos. É uma figuraça. Um político antipolítico, que desconversa, escamoteia, pilantreia.



Gosto de queimar umas idéias com Léo Gonzáles. Vai falando empolgado, dando pequenos e barulhentos ataques risonhos, me chama de “Lemão” e é um otimista remido. Esse lado eu curto na fera. Léozera quer virar lenda antes que o mundo vire sucrilhos. Léo Gonzáles desteta monotonia. Ponto pra fera.



Só que Léo Gonzáles cometeu um crime. Não sei se devo contar aos leitores. Denunciando um esquema de narcotráfico em Buriqui do Sul (SP), Léo Gonzáles entregou para o delegado Celso Pimenta uma pasta base que deixaria zumbi até a alta cúpula bancada pela Marlene Matos. Caso sério. O problema é que Léo Gonzáles subtraiu trezentas pratas do delegado Celso Pimenta. A hora em que ele me contava isso ele acendeu um cigarro ao contrário, pra você ter uma idéia. Trezentos mangos, mermão. Gastou toda essa soma em rosas e mimos para Catarina Pilatos. Léo Gonzáles, o atleta da palavra, sabe que escrevo agora essas linhas sobre seu roubo incendiário. O delegado também. Pimenta é como um pai para Léozinho, e acredita num happy end quando o assunto é romance, vida a dois.




sábado, outubro 01, 2011

MEU NOVO AMIGO HILTÃO


Todo mundo sabe que sou um cronista nato. Bom de bola, vou com meu palavrório simprão em direção ao gol, com uma boa dose de maionese displicência no cardápio. Tá certo. Mas qual o intuito de tal afirmação? Nenhum. Estamos conversando.

O certo é que acabo de voltar de Horace Green. Sim, o renomado colégio da 77. Estudei por lá no intenso final dos 90. Tá certo. Fiz vários amigos. Altos rolês. Tardes incansáveis de tênis de mesa, trilhas de bike pelo horto e rodízio de pizza com as moedas contadas no bolso do moletom (sem direito a refresco ou guaraná, diga-se de passagem). Lembro das tardes de Educação Física. Ficava lá tomando sol, com o fone de ouvido em cima. Todo mundo se ligava em Ramones, Maiden, Metallica, Slayer, etc.

O que eu quero dizer é que conheci agora pouco, em Horace Green, o amigo Hilton. Esse sabe das coisas. Bonézinho preto na cabeça, braços magrelos, olhos azuis e um ar pegueira existencialista. Já quarentão (quarenta e cinco), Hiltão tem é muita história pra contar. E como falou durante a entrevista.

Ele estava tendo aula de violão com meu amigo Jeff. Bacana. E no começo da prosa, Hiltão acerca de seus apreços musicais discursou, passando depois a comentar sobre algumas canções eternas dos anos 80 e seus conjuntos formidáveis (que, segundo ele, hoje já não existem mais como antigamente). Débol You, Inimigos do Rei.

Hilton frequentava a discoteca do Grêmio aos domingos. Tinha seus dezoito anos, era humilde mas torrava toda a grana e ainda pagava uma de bacana. "Vamo bebê!!" Tinha muitos amigos. Eram em uma dezena vagando pelas luzes e o globo dançante do Grêmio. Dançar e dançar pelo domingo louco. Vestia-se sempre de branco. Quando a luz do salão se apagava, lá estava Hiltão: travando altos drinks pra depois cair na pista de dança numa boa e incendiar a todos com seus passos líricos pós-Chaplin, no mínimo muito empolgantes. E todo mundo viciava rápidão: Hiltão comandava o salão.

Mas não pensem que esse dom veio fácil. De jeito nenhum. Foram anos observandos pés, pés e pés. Aos treze, já tinha esse senso observativo extraordinário, fruto de longos conselhos do irmão mais velho.

Hiltão é um cara que cativa. Sua fala é urgente, nostálgica. O malucão se empolga e leva você pra sonhar numa nice. Ele falava dos picos de Rivers das antigas: a Toca, Panqueca, os clubes da rua 1 (onde inclusive conferiu uma lendária apresentação da Gretchen lá pelos idos dos 80). São quarenta e cinco anos de mágica. Além de ter, segundo ele mesmo diz, antecipado a dança da macarena, Hiltão é um cara com uma percepção sonora fora de série. O amigo fez-me a distinção entre os sons "rasteiros" e os sons que "sobem". Isso mesmo. Há os sons etéreos, do elevado. "Quando você está no quarto, ouvindo aquele som, depois de ter tomado uma, você ali fumando um cigarro e colocando o som numa altura pra todo mundo escutar junto com você". Bom, não me lembro se ele formulou a frase assim. Não consigo transpor suas sábias palavras. Acontece. De todo modo, como ele mesmo disse "é angelical, o cara pode estar drogado ou não: o som flui, o som sobe...".


O som sobe. "Flui". Flui, simplesmente. Débol You, algo do Van Halen. Em domingos que o pessoal saía do Grêmio pra depois continuar sonhando acordado nas pizzarias de Rio Claro, que ficavam abertas até mais tarde. Às duas da manhã ainda as pizzarias resistiam, então o pessoal tirava o time de campo. Cinco e pouco da manhã e todo mundo tinha que se virar de ressaca. Vinha a cruel segundona braba. Tá certo. Pois é, meus amigos. Hiltão é um achado num planeta onde todo mundo é igual e previsível.

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...