segunda-feira, janeiro 30, 2012

PRA SEMPRE PALÉDSON


Adílson e Carlos Gérson conversam em frente à residência do último. A prosa flui marota, calma, leve, com pausas agradáveis e audição mútua. Os sujeitos são trintões e apenas zombam do bigode da mulher do Valdemar. Tudo está bacana, numa boa, até que um trapo humano resolve dar as caras: o oportunista aborda a dupla sem cerimônia; deve ter uns vinte anos e cacetada, mas aparenta o triplo.  Está bem trajado de sujeira e, completamente descalço e arrombado, cheira a carniça no ponto.


- Dá licença nas ideia ae, posso olha o carro?
Gerson interrompe a prosa, visivelmente menos irritado com a solicitação do que com a súbita intromissão. Adílson respira pela boca.
- Cara, poder você até pode, mas eu não quero.
- Ô tio, eu olho pro senhor, na moral memo...
- Bicho, desencana.
- Então, deixo dar uma lavada no vidro vai.
- Não.
- Ô loko, tá tirando...
- Meu, não pedi pra você me fazer nenhum favor e muito menos me encher o saco.
- Tá certo, tá certo... Deus é justo. Deixa com ele.
- Deus é justo e você é surdo.
- Ae, é um assalto.
- Hahaha, que?
- Aqui ó

E o sangue pintou as pedrinhas, e as rodas do velho Fusca agora são Flamengo.




sábado, janeiro 28, 2012

UM ROLÊ SINCERO : RIVERS, 27 DE JANEIRO DE 2012


Merda. A chuva castigou a náite de sexta. Estamos na lanchonete do Rato. 

Nas palavras do Velho Marinheiro, aqui hoje presente, "O Rato é um lugar fera". Point bacana pra rangar, curtir um little agito e mapear ideias, estamos numa turma pra lá de agradável: ao todo somos sete, e ninguém bebe, tá todo mundo saudável e bonito na fita.

De cara, uma coisa que vale a pena checar aqui é o cardápio. Na lista de bebidas podemos beber e curtir uma "Sagatinba" por módicos cinco paus. Temos também a "Cairpirinha de Maracujá", por R$8,50. Tá massa.

Velho Marinheiro puxa o tom da roda, gesticulando pra caralho num carisma fodido - e Jennifer ficará em casa, diz uma mensagem fresquinha, chuva que lhe deixa um bocado caseira.

Chuva e frio, o pessoal de touca respirando fedido por toda Rio Claro. Agora tô numa nice, abocanhando com muita maionese meu pastel, que é de calabresa + queijo. O pastel é show. Curti. Cadê a moça do pedido? A música ambiente é terceira idade gls.

Levanto e faço o pedido. A moça parece zombar de mim, como se eu fosse um retardado mental. "Porque você se atrapalha", me diz a pessoa mais importante da minha vida, que está sentada a minha direita. Tudo isso ao som de um cover acústico do Supertramp. Opa: Jennifer na linha. Questiona se a chuva proporcionara uma pequena trégua. "Ela vai vir". "Você pediu outro pastel?" Barquinhos saiu pra fumar. A namorada de Mr. Rainbow também, enquanto nós divertidamente conversamos sobre assuntos pequenos porém ilustres.

De jaqueta jeans, desprovido de seu habitual óculos (que lhe dá notável ar de supremacia poliglota-maiden), o Velho Marinheiro distribuiu risos fáceis, risos feras e distintos. Chega então sua cairpirnha grama vermelha de sapêculê com saquê. "Meu Deus", Mr. Rainbow fica entusiasmado em níveis demoníacos: é que uma reluzente e parça porção de bacon fritas mais cheddar abrilhanta as nossas três mesinhas de madeira, dispostas lado a lado, numa proposta amiga, ao mesmo tempo que mágica. Aopa. 

O novo pastel chega e pouco depois é Jennifer que dá o ar da graça. A primeira cerveja rola seguida dum brinde magnífico: os copos americanos elevados agora parecem despistar a chuva. O headbanger tricolor mais gente fina de que se tem notícia está na área, barbudo e cabeludo é claro que falo do Cabelo.

Foram chegando várias galera; foram juntando-se ao nosso grupo velhos amigos, eternos comparsas de tempos antigos. As mesas agora piravam enquanto quarteto, Tim vestia preita preta do Motorhead e antevia a chuva estorvando o churrasco de amanhã; deu um longo gole e concluiu que o melhor a fazer era esperar, beber e esperar. O Velho Marinheiro discorria sobre memoráveis fitas, quase sempre tendo no enredo astros do passado da teledramaturgia nacional. Barquinhos também é mestre em falar de novelas sem parecer bicha ou viado. "Ano passado eu fui na formatura da galera de Ipeúna", prosseguia o Velho Marinheiro, todos falavam empolgados no sincero rolê, o assunto agora paira sobre a decepção brasileira frente a Holanda na última Copa. Onde você estava nesse dia? Estava sóbrio? Eu e o Cabelo relembrávamos o golaço de Luís Fabiano, enfim; quatro mesas desalinhadas, perto da garoa morfética lá fora, invencível.

"Bagulho é eterno né velho, o Chaves". Concordo positivamente com a cabeça, Cabelo mais uma vez está certo. "Fudido", conclui o Velho Marinheiro. E a festa contava agora com treze pessoas, sem hora pra acabar.



               membros do rolê: a seleção do Elevador Branco em ação 

quinta-feira, janeiro 26, 2012

ERRO 234.


Murilinho adorava contar pros amiguinhos sobre os preparativos. O eterno aniversário "vai ser numa chácara", até hoje infesta a memória daqueles provincianos enferrujados, sempre presenteados com palavras tão merdamente insustentáveis. 

Na véspera da grande festa, esbaforido e sem lavar o cu há duas horas, Murilinho levava na alma o sassarico ai que vontade de fazer xixi o banheiro é logo ali três quadras, porque indagava-se quem realmente viria daqueles badalados novos amiguinhos de internet. 

De olhos fechados no puff pensava que a grande noite traria tudo que a porra de vida que levava jamais lhe oferecera. E pensava no esquéletico Mick Cinturinha. O amigão de erva, que tanto o irritava por seu cinismo e consumismo yogurty. Fumavam altas perninhas de grilo nas noites de quarta-feira, e entre uma bola e outra, Murilinho se achando lindo - bufando de alegria, surgia na folia sonora em queda livre: "é sua vez amiguinho!!".

Examinando seus joelhos com ineditismo,  as unhas completas em sujeira verde musgo, socava o rosto dentro da geladeira - então abria gavetas do armário por abrir, pirava se perdendo em pares de meia desconexos, mas sempre apressado, mas sempre Murilinho, então tornava a sair, decidido, o cu assado. O molho de chaves, onde? Um, dois, e enroscava a chave no portão, dava meia volta, ria alto rô-rô-rá, e peidava sem querer, daí então se melava ao mesmo tempo que se arrependia de algo sem volta, isso é patético pra minha idade, cambalhotas eternas do ressentimento, peida e inventa que não trancou a porta e os ladrões vão levar tudo, meu lápis, ou era visto blasé em suas lembranças dos últimos dois meses , com Mick Cinturinha falsamente lhe pedindo em namoro. Murilinho precisava de limpeza de ânus agora. 


Procurando ph em algum canto da casa, no segundo plano da cena podemos ver sua irmã de dezessete anos, que de perna aberta no sofá, pórvis-largadona peludona a fuça da Dilma, arrisca tudo numa siririca braba . De repente, a campainha póim e o Mario Bros entra currando o Pokemon, Murilinho abre o guarda-chuva, dando ordens, exigindo atividade, por uma oncinha pos uma negrona pra viver de cansaço, faltou água na rua, o pessoal mais íntimo foi tirando a roupa - mas só no começo da festa, depois os nus tornaram-se cult, porque meia noite umas trinta e poucas pessoas no espaço de uma sala de tevê pra 4 almofadas um sofá e uma família global, fora o pitbull, se espremiam e se entupiam de narcótico lá do Maranhão - meia noite e um! bem na hora que os empacotadores do Pantoja foram entregar as compras (excepcionalmente num horário diferenciado) a negrona já com os braços moídos, que saiu pra cumprir o serviço e atender os moços caiu dura na varanda. Houve corre-corre sob a luz omelete do velho e traquejado poste de iluminação daquele bairro desgraçado, arrobas de preocupação grudadas no piso frio, litros de trupicos, alguém perguntou o número do disk denúncia pra peludona, calafrio em todo o corpo do Murilinho, que agora estava careta de tudo. Mick Cinturinha, que afivelava as malas pra fazer seu book em Milão, deu linha pra sempre; Valdir acendia sua charuleta de responsa no banheiro dos fundos, pra afugentar o episódio da criança estrábica de quatro aninhos lágrimas de pus, anda! anda! ela tá falando alguma coisa!! SAI DA FRENTE!!, uma menina-moça de lencinho no pote formada em Sociais gritou e ninguém deu a mínima. 

Nenhum dos amigos de internet apareceu na hora da festa, só a porra daquele gótico caipira, sem carteira, que novidade. Cerrando cigarro do Cinturinha, precisava urgente de um Halls ou um sabonete, ao passo que o Valdir,  espertão, mapeou todas as garrafas que davam pra serem tungadas na caruda. O velho truque do farol na surdina e a polícia chegou, cortesia do vizinho maçom; o pm mais travadão de pó chutou todo o mata-rato do gótico, e por fim os atletas do bem levaram preso um grafiteiro sem imaginação e uma puta gorda de cabelo ruivo cacheado. A irmã fugiu com tesão na Cláudia Raia enquanto a crianciña soluçava na onda errada do Valdir, liga pra Jão de Campis, Valdir procurava o careta pós beck, e ainda que a água não voltava nem o bom senso do inédito discurso bicho grilo, Murilinho queria MOR-RER,  pensou que até numa Fiorino daria pra fugir dali sim. Olhando de cima pra baixo, dentro dum dirigível da Pepsi,  você aprecia larvas tão sensuais perdidas naquela rua da pequena Rivers, pessoinhas que imóveis não rejeitam o seu cantinho, até mesmo na hora h,  quando um vidaloka que fazia a casa ao lado arrancou uma 765 e mudo o elemento meditou, a polícia perdeu seu veterano capitão, pá-pum, agora enterrado sem cabeça, o nosso funkeiro do crime vazou, inalterável, pulando muros sem luvas, por alguma estrada fodendo com o paraíso do vermes, onde brota a vida no jardim das delícias, ou vocês pensam que ele foi se esconder em algum porão  Analândia? Inalterável ele permaneceu os vinte km subsequentes, antes de perder toda pulsação a máquina de agitação escancarou sua boca.




erro 234: minha atenção seguiu um bando de palavras desgovernadas e imbecis numa noite em que o tricolor paulista venceu o Oeste, na casa do adversário, por 3X2. 03:40 da madruga, e é uma merda o fato de que vou dormir poucão tonáite.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

32.


Após o café da manhã, lembrei que o assunto "torradas" sempre fora polêmico em meus rodízios mentais. Nunca fiz greve por elas, nem montei um preguiçoso refrão às custas de seu desempenho enquanto sabor.

O vento gelado e úmido esvaziou a rua seis. Vantagens, méritos, cálculos de merda.  Mesmo se a rua ficasse tranquila, apareceria algum filho da puta com o coração envenenado, farejando torradas. Não vivemos mais na época dos bondes e algumas pessoas evitam ler Graciliano Ramos. O grito de alerta disparado em minhas arrogâncias acende meu ódio, mas existe paz, basta entrar numa velha oficina de sapatos. Acontece que alguém confunde relojoaria com mercearia quando o lírio engana os reflexos do famoso lagarto do Texas.

terça-feira, janeiro 24, 2012

879.


Gertrudes conformou-se com o afastamento do filho da equipe, visto que era indisciplinado. E Alex, aos poucos, foi se esquecendo do vôlei. 

Numa noite de agosto, mãe e filho foram pescar. Conselho insistente do tio Marlos, que bancou a gasosa para a dupla. Na verdade, sentiam-se pouco à vonts com as varas, pois dominavam a arte da pesca assim como Vampeta domina Hobsbawm. 

Outra noite, na estrada de Ajapi, ela quis ultrapassar um ciclista, sentia vontade de fugir no 147, atordoada, tonta por causa da bebida. Copos e copos, o tio Marlos tinha essa mania do esvaziou-calibrou. Nessa noite, ainda dentro do veículo, o filho teve uma convulsão, a mais forte de toda sua juventude. A mãe procurava então acender alguma porra de luz, ainda zonza, descuidada não se ocupa do volante por decisivos instantes, perde o rumo da pista, solta a inútil cartela de dorflex, porque mamãe perdeu a direção os dentes o carro explodiu no flamboyant.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

O CABAÇO DA BALEIA

Enquanto pensava nisso e me surpreendia com a evidente astúcia da Mafalda, as mulheres tinham-se posto a masturbar o velho na cama. Saltitavam ao seu redor, apenas de biquíni, eletricamente absorvidas nesse exercício. Cada uma delas introduzia-lhe no ouvido algum gemido, pequenos sussurros ou mesmo um rápido comentário picante.

O velho não estava em desacordo, mas sentia um bocado de cócegas, e era visível um pedacinho de feijão pendendo-lhe do beiço. Mafalda, tão balofa, cheia de si, chegava ao máximo de excitação. O espetáculo irritava cada vez mais era o senhor Paulo Maluf, ainda que não conseguisse deixar de contemplá-lo. O nobre político levou os braços aos céus, e riu da própria pizza; parecia imerso numa sudorese em transe, num terno caríssimo.

Mas por que o velho não se defendia das cócegas? Doutor Paulo se aproximou da cama.

- Deixe as mulheres trabalharem! O vovô é paralítico - gritou Mário Covas.

Maluf recou em silêncio até o meu lugar. Eu fiquei quieto. Eu era apenas um repórter a serviço do SBT. E as mulheres não paravam com suas atividades. Irritadas porque o velho não queria manter ereto o pênis, mexiam-lhe também nos olhos, e as narinas eram cutucadas. O período das cócegas aparentemente parecia ter caído fora. Agora imperava outra espécie de molecagem das pequenas. O velho encarava o gesto com ar carinhoso, não era paralítico porra nenhuma.

- Meninas, limpem direitinho o nariz! Mafalda ordenava e bolinava os bagos de Mário Covas que, de pé, vestia casaca. A úmida leitoa era a proprietária do pico e comandava a folia noite adentro. 

De repente, o velho soergueu o tronco e cuspiu no rosto de uma das garotas; levantou-se uma segunda vez e cuspiu na outra, porém sem sucesso.

- Não cospe, velho arrombado!! - Mafalda gritou, e começou a manter relações pré-matrimoniais com o tucano, ali mesmo, num dos aposentos mais respeitados, na verdade o único disponível no recinto.

Sem abrir a boca, voltei a sentar-me junto à porta de entrada, e não fiquei entrevistando o doutor Paulo Maluf.

Instalei-me num táxi. Comecei a pensar o migué: "desonesto, Maluf prometeu a entrevista, mas quando notou que tratava-se da filial de Maremópolis, recuou". Não consigo mais acessar o blógue do político.

domingo, janeiro 22, 2012

666.

Arranquei o carregador da tomada e tirei a cadela do banheiro rapidinho...ela continuava cagando sangue, pobrezinha, derramando inflamações por todo o piso. Ainda com um olhar constrangido, mas abanava o rabinho à uns cento e vinte por hora. Sacudi o spray de pimenta na frente daqueles olhinhos e ceguei a ferinha.

Ela ficou tranquilinha. Seu escroto, resmungava, o cu vazando veneno. O volume vermelho espirra tão alto que difícil é não provar a mistura. Spray de pimenta e sangue, insensatez perigosa, bérne.

Achei uma toalha de rosto, cuspia sangue pra caralho. Tranquei e destranquei o banheiro. Eu e a cachorrinha saímos rebolando sala afora. Eu queria tripas. Comi todo seu focinho, os ossos espalhei pela banheiro, pelo chuveiro, um tico ainda deu pra servir de marca-livro.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

53.



Pedro Salsicha subia lentamente a escada. Sentia-se defeituoso em tudo, e a escada também não aprovava sua presença. Sentia-se ridículo, como se uma versão masculina (?) da cantora(?) Ana Carolina, à beira da morte, tivesse subitamente seu momento mínimo de lucidez e percebesse então toda a verdade. Riu desse fato sem sorrir, subia mais depressa. Seu desejo era subir sem parar. A vantagem de tudo isso é que eu não consigo ficar ainda mais constrangido, mas não. Exagerava as imperfeições. Sofria à idéia de estar grotesco. Disse a meia voz para si mesmo: é só eu não me reconhecer a cada segundo. E pisou firme, grave. Explodiu o degrau seguinte com o pé canhoto: foi parar no colo de Antonieta, imensa porpeta dona de duzentos quilos.

A vagina abriu-se quase em seguida, e ele tragado, se achou na presença duma fita vhs. Conferiu de perto pra ver se era lançamento: “Jurassic Park”. Não conseguia compreender de onde lhe vinha esta vaga emoção que agora o fazia andar com as intenções do olhar cada vez mais improvisadas, até que estacou. Avistou uma enorme estufa, contendo algumas brilhantes empadinhas, servidas, bem bacanas. Parecia que entrava numa vida nova e encantadora. As empadinhas, deliciosas, garantiam que agora ele tomava posse de novas empadinhas. A carne da garganta cintilante, a carne que faz o pescoço parar em pé. Somente uma empada e o andar calmo, apertou a campainha, serviço SKY.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

VALUSKA MALUCA













Depois, de repente, remexendo no bolso da velha calça jeans, tirou uma frota amiga de moedas de 25 cents, apanhou o isqueiro, colocou-os na frente de Valuska e em tom sacana soltou:

- Pode ficar.

E seguiu. É que não hesitava, botava o peru pra fora e mandava Valuska trabalhar duro. Pela tarde, bebia Corotinho em baixo de árvores. Era época das tardes de praça e sorvete no palito. 

Bruno Lóque tinha um amigo farmacêutico, o Gabrielzinho. Comentava com o quebrada que jamais quis ser jornalista, e sequer teve um radinho de pilha na vida. Não ficava estupefato por pouca merda nem bajulava ninguém não. Gabrielzinho mandava ele calar a boca, porque essa história que ele ganhava a vida roubando umas tiazonas em noites trêbadas de travesseiros ensebados era tudo papinho de merda. Lóque sorria, na pele os poros ardiam como vulcões marotos; acendia seu Eight com classe e dizia que seu palco nobre era a maldade.

O que acontece é que da noite pro dia Valuska virou Vagner. O negócio mudou de figura, e o Lóque não entendeu mais nada, disse que não era com ele e sumiu do mapa. Vagner o convidava prum choppinho, pra bater uma bolinha, via sms. Negativo. Nenhum retorno, créditos aparentemente desperdiçados. Agora era difícil encontrar o Lóque. Deu perdido até no Gabrielzinho, que vira e mexe lhe emprestava uns trocados. Vagnão foi ficando enfezado, mas desistiu de matar o lover quando trombou na praça Dimas, toda jogada e esparramada, ali no solo perdida, sem berço nem pátria, uma página vital de sua vida. Profundamente perseguido por grossas lágrimas, agachado abraçou o Corotinho, coberto em soluços.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

LAMENTÁVEL

Notícia publicada na Folha de São Paulo irrita Lima Barreto: "Tablets mudam rotina de salões de beleza".

segunda-feira, janeiro 16, 2012

FITAS


Essa conversinha de “eu vivia duro, sem grana”, de autoindulgência bolinho de sarjeta dá pra estourar num filmão de sessão da tarde; eu também não tenho nenhum amigo formado em Turismo.

E eu vi de perto a cena: James preparou a corrida, os dedos curtindo os orifícios, o polegar concentrado, um dois três e pronto, o pé torcido, o amigo gemendo de dor em pleno Shopping Center, andar inferior. O rapaz que bebia seu Campari, a poucos metros dali, estava sossegado no balcão. Sequer riu daquela típica cena esdrúxula de um esporte imbecil. Plá: strike. Ó...parabéns....Morrendo de dor, mancando como Moisés mancaria antes de pentear ao meio o cabelinho aquático da terra, player James buscou logo o toalete. Enquanto uma criança defecava, paredes brancas e tristes, o desastroso James enchia a napa de cocaína. Volta zeradaço pra pista, com peito de pombo. Não gosta de camisa gola pólo, reforça a tese ao passo que dispensa o uso de carteira. Guardava a grana toda mal dobrada  no borso. Notas de cinco no flanco esquerdo, as acima de dez pila eram no esquema destro. Ele era bão da nota, por isso vivia como vivem os otários: acordando pra morrer.

Enquanto isso, Julinho curtia na maciota seu fliperama do Frankenstein.Ali mesmo. Eu arrumei briga com alguém por algum motivo besta; James interviu, cuspiu na namorada do sujeito. Voaram copos de plástico, a polícia chegou mas já estávamos bem longe dali. Ninguém correu da confusão. Fomos expulsos. Julinho largou o jogo no meio e o recorde do game sob a batuta de MarcondesFG.

Dali uns dias, James teve de se contentar é com a perda do seu pé direito. Um gigantesco caminhão das Lojas Marabraz trucidaria tudo que é osso, nervo, pele tornou-se pasta e hoje ele manca até pra pedir uns biscoitos na padoca. 

Helena, sua atual esposa, adora dizer: “perna biônica de pernambuco, azul, produção industrial”. Ninguém liga para o James, ególatra mimado, que se jogou do décimo terceiro andar na terça-feira. No dia do enterro, lembrei que devia oitenta reais e três livros do Camus que eu vendi no sebo do Félix . Julinho preferiu se entregar ao bilhar com Francieli, ali mesmo na rua 3, ela menor de idade e viciada em crack. Eu vomitei todo o café logo na saída do velório.


domingo, janeiro 15, 2012


Era um lixeiro que apresentava uma série de unhas encravadas no currículo. A mãe, sábia cozinheira, reprovava sistematicamente o lado descuidado do guerreiro. Tão hábil com as mãos e tão burro com os pés. Sentada em sua velha cadeira de balanço, navegava por memórias tingidas dos mais variados tipos de frieiras que o filho colecionara na época do ingresso no castelão. Mas rapidamente a velha lembrou que o filho era sim um cara bacana, principalmente porque não se metia nos assuntos dos outros.

Mas será que unha encravada é sinônimo de sapato mal escolhido? O certo é que mãe e filho dividiam um barraco no Jair Oscar, com a cadelinha de nome Marciana pilotando a bronca numa caixa de papelão. A ferinha róia sempre os novíssimos sapatos que o gari suava pra pagar, ferinha no mocó da madruga. O lixeiro preveniu a mãe que faria estrago com o dog caso aquilo se repetisse again. A mãe, sem se alterar, levantou-lhe a saia (adorava caçoar assim), enxugou os braços no avental e disse friamente:

- Meu filho, vai tomar no cu...

quarta-feira, janeiro 11, 2012

FAUSTINHO ASSADO

Então, ele ouviu, bem de pertinho, bem próximo do mundo, perto dos dentes que rangiam, aflitos, ele conferiu rápido, sob o olhar de estranhos, olhares anônimos, invasivos, ouviu um sopro preciso, tão leve e tão prolongado, uma sensação quente, menos um sonho maneiro que um ato assustador, o caldinho que pela cueca azul faria estreito rastro pegajoso, estrada parda, líquido ardente que remexe o corpo, o novo recheio envolvente, agora sob um andar estático, o medo de colocar a mão por dentro da calça, porque, acima disso, cortaram-lhe a verba da coragem.


sexta-feira, janeiro 06, 2012

O ADEUS DE MARCÃO

É, o Marcão vai fazer falta...

Independente de qual time você torça, o fato é que o Marcos foi dos últimos jogadores éticos, sinceros e viscerais que esse país viu jogar. Um goleiraço que pra mim foi muito mais que Oliver Kahn na Copa de 2002 (o goleiro alemão foi escolhido o melhor do mundo, numa marmelada sem tamanho, além da escolha ter acontecido antes do jogo final entre Brasil e Alemanha).


Simprão de tudo, humanão e sempre com uma granada verbal pra lançar após as pelejas, esse era o malucão que vestiu por mais de quinhentos jogos a camisa do Palmeiras.

Lembro-me de uma vez em que assistia ao programa Mesa Redonda da Tv Gazeta, que cobria os bastidores de um campeonato vencido pelo Palmeiras e lá estava ele, comemorando o título, num canto da mesa. Os jogadores estavam reunidos em algum restaurante de São Paulo e o tímido Marcos era entrevistado. Dizia que era um cara caseirão, reservado, não dado à badalações, pois segundo ele, gostava de ficar no canto dele, SOSSEGADO, não curtia ser o centro das atenções. Humilde e fodão, esse Marcão. 


De tão na dele, nem concedeu coletiva, deixando a notícia do encerramento da vitoriosa carreira a cargo do gerente de futebol do clube, o ex-jogador César Sampaio.

Certa vez, cogitado de ir jogar Arsenal, na Inglaterra, disse que chegando lá fez um teste com luz - acendia-se uma luz e o sujeito devia acompanhar os raios com cada um dos olhos, alternadamente. Pra medir reflexo essa porra, ao que parece. Ao final do teste, disseram que o Marcão estava lerdo. Mais uma vez ele ironizou, dizendo que defendia bolas e  ficar seguindo luz não era a praia dele. Final da história: continuou vestindo a camisa do Palmeiras.

Numa época atual de marketing nojento, jogadorzinhos de merda, que mercenários e pernas de pau só sabem dançar feito viados (onde já se viu ensaiar dancinha como comemoração de gol?) e ouvir músicas pra débil mental em fones de ouvido, Marcão vai deixar muita saudades, tanto pela responsa dentro das quatros linhas como pelo amor ao futebol que sempre nutriu e semeou em nossos podres corações. 

Penduradas as chuteiras, agora terá dois meses de férias pra decidir qual será sua próxima brincadeira aqui na terra. Força e farra, fera! Aooopa!


quinta-feira, janeiro 05, 2012

CARÇA ARTA

Em "Mulheres de Areia", atualmente reprisada em Vale a Pena Ver Again, o destaque é a calça situada na altura do pescoço que veste a Grória Pires.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

MÁRIO TILICO SAINDO DE ROLÊ

Quando garoto, um dos meus heróis dentro de campo era o Mário Tilico. O São Paulo vinha numa ladeira lazarenta na época: perdera o Campeonato Brasileiro de 89 para o Vasco com gol ilegítimo de Sorato, e em 90 deixou escapar a parada frente ao Corinthians, que levou o título inédito com um gol suado do folclórico Tupãzinho.

Então Tilico ajudou a mudar de vez a bagaça.


Nas finais contra o Bragantino, no Brasileiro seguinte, fez o gol decisivo da vitória no primeiro jogo. 1X0 para o tricolor, em pleno Morumbi fervilhante. Depois disso, empatamos (0x0) e nos sagramos tricampeões nacionais (77-86-91).

Ponta-direita ultra rápido, com arranque de preparação vintage e dono duma napa adunca incrível, Tilico era bem melhor que o também ponta Mauro, atuando na época pelo rival Corinthians (jogador que também tinha na velocidade seu ponto forte). 


Mário Tilico foi reserva durante boa parte do campeonato - o exigente mestre Telê não  concederia muitas chances pra fera brilhar na equipe titular. 


O bacana da coisa é que o pai do Mário Tilico também chamava-se Mário, e foi destaque no Vasco da Gama nos anos 50. Taí: Tilico pra vocês, viaje nessa napa você também!



o escritor prepara seu novo livro. será o segundo, "o depois do primeiro", que ainda não foi lançado, apesar de finalizado. 

o escritor lança mão de medicações que a classe média tanto adora, vejam só como é a vida. as angústias e os sofrimentos de então não tem nenhuma razão aparente em existir, é sabido. 

manifestações de panic sobrevoam os mistérios da mente, que, ainda insegura, inconscientemente visita memórias de dores mórbidas causadas por excessos, além de vez ou outra trombar com derivados ansi-o-noiantes da existência, como a tradicional insegurança depressiva e o medo da morte súbita no meio das esquinas do tempo. 

no entanto, há o irrestrito apoio da amada e dos amigos, e o repouso (recolhimento) agora se faz necessário. o escritor dormirá calmamente dentro de instantes.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

você está mole, devagar. é claro que você está dopado. depois de um curto circuito infernal, sua mente irá repousar. não para sempre, afinal, mais uma vez a vida é sua. excessos acontecem. mas você não é mais criança. não cabe aqui o moralista. "cuidado com o que fala", que frase boqueta. o adjetivo boqueta esteve presente na década passada em conversas animadas sobre heavy metal, literatura e pessoas rioclarenses. "tá transando com alguém?" diz o personagem em little miss sunshine que rola agora na globo. o corpo inteiro tremia, o pai esperneia, nazistas que se fodam, sua mão não stop.tudo certo, bocejos e descanso. 2012, aooopa!


***


a encanação monstro. o corpo tremendo, numa demência pré mortem damer. os amigos presenciando pela primeira vez o panic attack do amigo. "pô, você é louco hein, meu?". são tilts atrás de tilts, cada estímulo traz mais torpor autodestrutivo, a respiração é uma merda, formigamentos estão como tropas invencíveis, o tempo corre contra você, barbitúricos na noite, o corpo desistrado, excessos, gorfa ou não gorfa? suja toda a privada, velhas bads de ansiedade mórbida, mas você é forte, e logo boceja e pede desculpas ao amigos. acontece. william blake aplaude. as dublagens dos filmes da globo, como pequena miss mortadela. os risos. a voz interior de uma inquietude suicida vazou agora. o corpo mole, pronto pra primeira noite de sono de um ano promissor. 2012. e claro, ela. ela. one year of love. boa noite a todos.







tudo na paz. pacifismo ponta firme. bateu uma fome monstro. nada de bolo de chocolate agora. raciocínios lentos pra temperar de ociosidade simpática o resto de madruga. o filme rolando. o ventilador disse que choveu, parou, choveu, parou, hoje pela tarde. pessoas riram e se encontraram. houve o entendimento new wave of british heavy metal da existência. músicas novas estão sendo compostas, e o resultado é bastante interessante. "tio frank, acredita que tem um céu?". o céu existe, quando a morte está do seu lado e você parece desistir, ainda existe o céu - você irá viver e ser feliz ao lado de quem mais ama. e o amor, é só um, duas letras, e agora no filme a menina fala e ninguém escuta direito, que fome!, msn ligado, "atenção pessoal, tentem parecer normais, como se tudo estivesse normal".


capa não condizente para 1 livro bacana:


tchau. tudo que eu quizé, o cara lá de cima vai pIRar, verde amarelo o cinza vai embora, noite agradável. a vida é boa e tamos aí again! te amo nízinha!!!

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...