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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

PRA SEMPRE PALÉDSON

Adílson e Carlos Gérson conversam em frente à residência do último. A prosa flui marota, calma, leve, com pausas agradáveis e audição mútua. Os sujeitos são trintões e apenas zombam do bigode da mulher do Valdemar. Tudo está bacana, numa boa, até que um trapo humano resolve dar as caras: o oportunista aborda a dupla sem cerimônia; deve ter uns vinte anos e cacetada, mas aparenta o triplo.  Está bem trajado de sujeira e, completamente descalço e arrombado, cheira a carniça no ponto.

- Dá licença nas ideia ae, posso olha o carro? Gerson interrompe a prosa, visivelmente menos irritado com a solicitação do que com a súbita intromissão. Adílson respira pela boca. - Cara, poder você até pode, mas eu não quero. - Ô tio, eu olho pro senhor, na moral memo... - Bicho, desencana. - Então, deixo dar uma lavada no vidro vai. - Não. - Ô loko, tá tirando... - Meu, não pedi pra você me fazer nenhum favor e muito menos me encher o saco. - Tá certo, tá certo... Deus é justo. Deixa com ele. - Deus é justo e você é…

UM ROLÊ SINCERO : RIVERS, 27 DE JANEIRO DE 2012

Merda. A chuva castigou a náite de sexta. Estamos na lanchonete do Rato. 
Nas palavras do Velho Marinheiro, aqui hoje presente, "O Rato é um lugar fera". Point bacana pra rangar, curtir um little agito e mapear ideias, estamos numa turma pra lá de agradável: ao todo somos sete, e ninguém bebe, tá todo mundo saudável e bonito na fita.
De cara, uma coisa que vale a pena checar aqui é o cardápio. Na lista de bebidas podemos beber e curtir uma "Sagatinba" por módicos cinco paus. Temos também a "Cairpirinha de Maracujá", por R$8,50. Tá massa.
Velho Marinheiro puxa o tom da roda, gesticulando pra caralho num carisma fodido - e Jennifer ficará em casa, diz uma mensagem fresquinha, chuva que lhe deixa um bocado caseira.
Chuva e frio, o pessoal de touca respirando fedido por toda Rio Claro. Agora tô numa nice, abocanhando com muita maionese meu pastel, que é de calabresa + queijo. O pastel é show. Curti. Cadê a moça do pedido? A música ambiente é terceira idade gls.
Le…

ERRO 234.

Murilinho adorava contar pros amiguinhos sobre os preparativos. O eterno aniversário "vai ser numa chácara", até hoje infesta a memória daqueles provincianos enferrujados, sempre presenteados com palavras tão merdamente insustentáveis. 
Na véspera da grande festa, esbaforido e sem lavar o cu há duas horas, Murilinho levava na alma o sassarico ai que vontade de fazer xixi o banheiro é logo ali três quadras, porque indagava-se quem realmente viria daqueles badalados novos amiguinhos de internet. 
De olhos fechados no puff pensava que a grande noite traria tudo que a porra de vida que levava jamais lhe oferecera. E pensava no esquéletico Mick Cinturinha. O amigão de erva, que tanto o irritava por seu cinismo e consumismo yogurty. Fumavam altas perninhas de grilo nas noites de quarta-feira, e entre uma bola e outra, Murilinho se achando lindo - bufando de alegria, surgia na folia sonora em queda livre: "é sua vez amiguinho!!".
Examinando seus joelhos com ineditismo,  as u…

32.

Após o café da manhã, lembrei que o assunto "torradas" sempre fora polêmico em meus rodízios mentais. Nunca fiz greve por elas, nem montei um preguiçoso refrão às custas de seu desempenho enquanto sabor.
O vento gelado e úmido esvaziou a rua seis. Vantagens, méritos, cálculos de merda.  Mesmo se a rua ficasse tranquila, apareceria algum filho da puta com o coração envenenado, farejando torradas. Não vivemos mais na época dos bondes e algumas pessoas evitam ler Graciliano Ramos. O grito de alerta disparado em minhas arrogâncias acende meu ódio, mas existe paz, basta entrar numa velha oficina de sapatos. Acontece que alguém confunde relojoaria com mercearia quando o lírio engana os reflexos do famoso lagarto do Texas.

879.

Gertrudes conformou-se com o afastamento do filho da equipe, visto que era indisciplinado. E Alex, aos poucos, foi se esquecendo do vôlei. 
Numa noite de agosto, mãe e filho foram pescar. Conselho insistente do tio Marlos, que bancou a gasosa para a dupla. Na verdade, sentiam-se pouco à vonts com as varas, pois dominavam a arte da pesca assim como Vampeta domina Hobsbawm. 
Outra noite, na estrada de Ajapi, ela quis ultrapassar um ciclista, sentia vontade de fugir no 147, atordoada, tonta por causa da bebida. Copos e copos, o tio Marlos tinha essa mania do esvaziou-calibrou. Nessa noite, ainda dentro do veículo, o filho teve uma convulsão, a mais forte de toda sua juventude. A mãe procurava então acender alguma porra de luz, ainda zonza, descuidada não se ocupa do volante por decisivos instantes, perde o rumo da pista, solta a inútil cartela de dorflex, porque mamãe perdeu a direção os dentes o carro explodiu no flamboyant.

O CABAÇO DA BALEIA

Enquanto pensava nisso e me surpreendia com a evidente astúcia da Mafalda, as mulheres tinham-se posto a masturbar o velho na cama. Saltitavam ao seu redor, apenas de biquíni, eletricamente absorvidas nesse exercício. Cada uma delas introduzia-lhe no ouvido algum gemido, pequenos sussurros ou mesmo um rápido comentário picante.
O velho não estava em desacordo, mas sentia um bocado de cócegas, e era visível um pedacinho de feijão pendendo-lhe do beiço. Mafalda, tão balofa, cheia de si, chegava ao máximo de excitação. O espetáculo irritava cada vez mais era o senhor Paulo Maluf, ainda que não conseguisse deixar de contemplá-lo. O nobre político levou os braços aos céus, e riu da própria pizza; parecia imerso numa sudorese em transe, num terno caríssimo.
Mas por que o velho não se defendia das cócegas? Doutor Paulo se aproximou da cama.
- Deixe as mulheres trabalharem! O vovô é paralítico - gritou Mário Covas.
Maluf recou em silêncio até o meu lugar. Eu fiquei quieto. Eu era apenas um repórt…

666.

Arranquei o carregador da tomada e tirei a cadela do banheiro rapidinho...ela continuava cagando sangue, pobrezinha, derramando inflamações por todo o piso. Ainda com um olhar constrangido, mas abanava o rabinho à uns cento e vinte por hora. Sacudi o spray de pimenta na frente daqueles olhinhos e ceguei a ferinha.
Ela ficou tranquilinha. Seu escroto, resmungava, o cu vazando veneno. O volume vermelho espirra tão alto que difícil é não provar a mistura. Spray de pimenta e sangue, insensatez perigosa, bérne.
Achei uma toalha de rosto, cuspia sangue pra caralho. Tranquei e destranquei o banheiro. Eu e a cachorrinha saímos rebolando sala afora. Eu queria tripas. Comi todo seu focinho, os ossos espalhei pela banheiro, pelo chuveiro, um tico ainda deu pra servir de marca-livro.

53.

Pedro Salsicha subia lentamente a escada. Sentia-se defeituoso em tudo, e a escada também não aprovava sua presença. Sentia-se ridículo, como se uma versão masculina (?) da cantora(?) Ana Carolina, à beira da morte, tivesse subitamente seu momento mínimo de lucidez e percebesse então toda a verdade. Riu desse fato sem sorrir, subia mais depressa. Seu desejo era subir sem parar. A vantagem de tudo isso é que eu não consigo ficar ainda mais constrangido, mas não. Exagerava as imperfeições. Sofria à idéia de estar grotesco. Disse a meia voz para si mesmo: é só eu não me reconhecer a cada segundo. E pisou firme, grave. Explodiu o degrau seguinte com o pé canhoto: foi parar no colo de Antonieta, imensa porpeta dona de duzentos quilos.
A vagina abriu-se quase em seguida, e ele tragado, se achou na presença duma fita vhs. Conferiu de perto pra ver se era lançamento: “Jurassic Park”. Não conseguia compreender de onde lhe vinha esta vaga emoção que agora o fazia andar com as intenções do olhar …

VALUSKA MALUCA

Depois, de repente, remexendo no bolso da velha calça jeans, tirou uma frota amiga de moedas de 25 cents, apanhou o isqueiro, colocou-os na frente de Valuska e em tom sacana soltou:
- Pode ficar.
E seguiu. É que não hesitava, botava o peru pra fora e mandava Valuska trabalhar duro. Pela tarde, bebia Corotinho em baixo de árvores. Era época das tardes de praça e sorvete no palito. 
Bruno Lóque tinha um amigo farmacêutico, o Gabrielzinho. Comentava com o quebrada que jamais quis ser jornalista, e sequer teve um radinho de pilha na vida. Não ficava estupefato por pouca merda nem bajulava ninguém não. Gabrielzinho mandava ele calar a boca, porque essa história que ele ganhava a vida roubando umas tiazonas em noites trêbadas de travesseiros ensebados era tudo papinho de merda. Lóque sorria, na pele os poros ardiam como vulcões marotos; acendia seu Eight com classe e dizia que seu palco nobre era a maldade.
O que acontece é que da noite pro dia Valuska virou Vagner. O negócio mudou de figura, e…

LAMENTÁVEL

Notícia publicada na Folha de São Paulo irrita Lima Barreto: "Tablets mudam rotina de salões de beleza".

FITAS

Essa conversinha de “eu vivia duro, sem grana”, de autoindulgência bolinho de sarjeta dá pra estourar num filmão de sessão da tarde; eu também não tenho nenhum amigo formado em Turismo.
E eu vi de perto a cena: James preparou a corrida, os dedos curtindo os orifícios, o polegar concentrado, um dois três e pronto, o pé torcido, o amigo gemendo de dor em pleno Shopping Center, andar inferior. O rapaz que bebia seu Campari, a poucos metros dali, estava sossegado no balcão. Sequer riu daquela típica cena esdrúxula de um esporte imbecil. Plá: strike. Ó...parabéns....Morrendo de dor, mancando como Moisés mancaria antes de pentear ao meio o cabelinho aquático da terra, player James buscou logo o toalete. Enquanto uma criança defecava, paredes brancas e tristes, o desastroso James enchia a napa de cocaína. Volta zeradaço pra pista, com peito de pombo. Não gosta de camisa gola pólo, reforça a tese ao passo que dispensa o uso de carteira. Guardava a grana toda mal dobrada  no borso. Notas de cin…
Era um lixeiro que apresentava uma série de unhas encravadas no currículo. A mãe, sábia cozinheira, reprovava sistematicamente o lado descuidado do guerreiro. Tão hábil com as mãos e tão burro com os pés. Sentada em sua velha cadeira de balanço, navegava por memórias tingidas dos mais variados tipos de frieiras que o filho colecionara na época do ingresso no castelão. Mas rapidamente a velha lembrou que o filho era sim um cara bacana, principalmente porque não se metia nos assuntos dos outros.
Mas será que unha encravada é sinônimo de sapato mal escolhido? O certo é que mãe e filho dividiam um barraco no Jair Oscar, com a cadelinha de nome Marciana pilotando a bronca numa caixa de papelão. A ferinha róia sempre os novíssimos sapatos que o gari suava pra pagar, ferinha no mocó da madruga. O lixeiro preveniu a mãe que faria estrago com o dog caso aquilo se repetisse again. A mãe, sem se alterar, levantou-lhe a saia (adorava caçoar assim), enxugou os braços no avental e disse friamente:
- …

FAUSTINHO ASSADO

Então, ele ouviu, bem de pertinho, bem próximo do mundo, perto dos dentes que rangiam, aflitos, ele conferiu rápido, sob o olhar de estranhos, olhares anônimos, invasivos, ouviu um sopro preciso, tão leve e tão prolongado, uma sensação quente, menos um sonho maneiro que um ato assustador, o caldinho que pela cueca azul faria estreito rastro pegajoso, estrada parda, líquido ardente que remexe o corpo, o novo recheio envolvente, agora sob um andar estático, o medo de colocar a mão por dentro da calça, porque, acima disso, cortaram-lhe a verba da coragem.

O ADEUS DE MARCÃO

É, o Marcão vai fazer falta...
Independente de qual time você torça, o fato é que o Marcos foi dos últimos jogadores éticos, sinceros e viscerais que esse país viu jogar. Um goleiraço que pra mim foi muito mais que Oliver Kahn na Copa de 2002 (o goleiro alemão foi escolhido o melhor do mundo, numa marmelada sem tamanho, além da escolha ter acontecido antes do jogo final entre Brasil e Alemanha).

Simprão de tudo, humanão e sempre com uma granada verbal pra lançar após as pelejas, esse era o malucão que vestiu por mais de quinhentos jogos a camisa do Palmeiras.
Lembro-me de uma vez em que assistia ao programa Mesa Redonda da Tv Gazeta, que cobria os bastidores de um campeonato vencido pelo Palmeiras e lá estava ele, comemorando o título, num canto da mesa. Os jogadores estavam reunidos em algum restaurante de São Paulo e o tímido Marcos era entrevistado. Dizia que era um cara caseirão, reservado, não dado à badalações, pois segundo ele, gostava de ficar no canto dele, SOSSEGADO, não curtia…

CARÇA ARTA

Em "Mulheres de Areia", atualmente reprisada em Vale a Pena Ver Again, o destaque é a calça situada na altura do pescoço que veste a Grória Pires.

MÁRIO TILICO SAINDO DE ROLÊ

Quando garoto, um dos meus heróis dentro de campo era o Mário Tilico. O São Paulo vinha numa ladeira lazarenta na época: perdera o Campeonato Brasileiro de 89 para o Vasco com gol ilegítimo de Sorato, e em 90 deixou escapar a parada frente ao Corinthians, que levou o título inédito com um gol suado do folclórico Tupãzinho.
Então Tilico ajudou a mudar de vez a bagaça.

Nas finais contra o Bragantino, no Brasileiro seguinte, fez o gol decisivo da vitória no primeiro jogo. 1X0 para o tricolor, em pleno Morumbi fervilhante. Depois disso, empatamos (0x0) e nos sagramos tricampeões nacionais (77-86-91).
Ponta-direita ultra rápido, com arranque de preparação vintage e dono duma napa adunca incrível, Tilico era bem melhor que o também ponta Mauro, atuando na época pelo rival Corinthians (jogador que também tinha na velocidade seu ponto forte). 


Mário Tilico foi reserva durante boa parte do campeonato - o exigente mestre Telê não  concederia muitas chances pra fera brilhar na equipe titular. 

O baca…
o escritor prepara seu novo livro. será o segundo, "o depois do primeiro", que ainda não foi lançado, apesar de finalizado. 
o escritor lança mão de medicações que a classe média tanto adora, vejam só como é a vida. as angústias e os sofrimentos de então não tem nenhuma razão aparente em existir, é sabido. 
manifestações de panic sobrevoam os mistérios da mente, que, ainda insegura, inconscientemente visita memórias de dores mórbidas causadas por excessos, além de vez ou outra trombar com derivados ansi-o-noiantes da existência, como a tradicional insegurança depressiva e o medo da morte súbita no meio das esquinas do tempo. 
no entanto, há o irrestrito apoio da amada e dos amigos, e o repouso (recolhimento) agora se faz necessário. o escritor dormirá calmamente dentro de instantes.
você está mole, devagar. é claro que você está dopado. depois de um curto circuito infernal, sua mente irá repousar. não para sempre, afinal, mais uma vez a vida é sua. excessos acontecem. mas você não é mais criança. não cabe aqui o moralista. "cuidado com o que fala", que frase boqueta. o adjetivo boqueta esteve presente na década passada em conversas animadas sobre heavy metal, literatura e pessoas rioclarenses. "tá transando com alguém?" diz o personagem em little miss sunshine que rola agora na globo. o corpo inteiro tremia, o pai esperneia, nazistas que se fodam, sua mão não stop.tudo certo, bocejos e descanso. 2012, aooopa!


***


a encanação monstro. o corpo tremendo, numa demência pré mortem damer. os amigos presenciando pela primeira vez o panic attack do amigo. "pô, você é louco hein, meu?". são tilts atrás de tilts, cada estímulo traz mais torpor autodestrutivo, a respiração é uma merda, formigamentos estão como tropas invencíveis, o tempo corre co…