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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

IHHHH, VAI DAR ROLO CARLINHOS!!!

O Carlinhos era mais esquecido que o Rosamundo, célebre personagem do Stanislaw. Só pala só.  Hoje mesmo. Chegou na Caixa Econômica todo apressadão. Na entrada do banco, topou com um maluco sentadão na muretinha estendendo a mão pra cumprimentar um senhorzinho grisalho. "Lembra de mim? Paulo, que vendia cd e dvds!". O senhorzinho mal tinha força pra falar e o Paulo já começou a vender seus artigos paraguaios - e aí o Carlinhos entrou no banco, entrou seco pra fazer o depósito. E pegou a fila errada logo de cara, mas pelo menos depois perguntou certinho pra que servia cada uma delas - "acertou logo na segunda", como diria meu velho pai. 
Ansiosão, irritadão com o mau estado de 90% dos caixas eletrônicos, o Carlinhos todo ligeiro agora conversava com um maluquinho na sua frente, que lhe perguntou : "tá calor né?" e o Carlinhos: "muito." Com a atenção volúvel ligada no máximo, na hora de dar linha nosso amigo errou escandalosamente de endereço. Porr…

RIVERS, 25 DE FEVEREIRO DE 2012

Não tem jeito: preciso dessa pausa heróica. Trata-se de estacionar a alma para apreciação do tradicional enrolado de presunto e queijo do bar da estação. Dei sorte: a parada acabou de sair, crocante e explosiva, pedindo maionese.
No passado, aqui a maionese era servida em mágicos tubos. Agora tudo mudou: os tempos pedem pequenos sachês.
- Pra comer ou pra levar? - Pra comer, porra.
O Braquiara, que é a cara do Dave Grohl - só que pinguço e com anemia - já não trampa mais aqui. Em seu lugar, uma atarracada moça, corpulenta-bolonhesa e flertando com todas as borracharias do mundo no compasso da cintura. Veste na fartura do boi um avental branco simprão, com arrobas e arrobas de mau humor. Abre nem um pouco dengosa uns pacotões de cigarro chinfrim - e agora a fera se concentra numa caixa de papelão da famosa Balalaika. Pronto: uma puta sem botox dá o ar da graça, com as maçãs do rosto bem peludas. Só que a mulher é um homem, que na verdade é um cara-tiazona. Ultrapassando o balcão, procura o…

RÁRDI RÓQUE NO FÉFFER

O Tibúrcio me deixou um bilhete em cima da mesa da cozinha:
"Logo mais tem Van HaRley e Cobra Branca no Féffer Bar. As feras loucas do rárdi róque ar vivo! Bora ou vamos?"

EMENGARDA

Emengarda é uma gorda bem filha da puta. Pessoa amarga, titia rancorosa, é a bruxa protetora das barraqueiras barangas de São Escrotinho.
O dragão exibe sem constrangimento um visual bastante seguro: o cabelo mantém curto naipe joãozinho, a boca, além de reclamar, só serve pra falar de fofoca, rango pesado e mil guloseimas; enquanto isso, grudados nas desanimadas bochechas, vão os óculos de conformada e hipercalórica pré-menopausa. Os seios são simplesmente invisíveis, o sorriso ausente, o timbre de voz, então,  é uma desgraça: grave sem ser solene, quase fanho - e tudo o mais é uma merda nessa mulher lazarenta, que além disso tem falta de pescoço a dar com pau. 


Emengarda morrerá virgem, sem amigos, e engasgada com sete litros de sorvete de baunilha.

OS GARRAFA NO LAMERA

Daqui a pouco tem Garrafa Vazia no Carnapunk em Limeira. Dez horas da noite, cinco pila pra entrar. No Kingston. Aoopa.
A melancolia da noite se estende pelo céu da pequena Rivers. O grande sopro da agonia, carregado de desolação. Resta apenas para alma silenciosa seguir rumo lençóis.

GARRAFA VAZIA EM LIMEIRA!

Terça de Carnaval vamos arrebentar tudo lá em Limeira - e estão todos convidados! Aoopa!

HOJE ENGOLI UM MOSQUITO

Hoje engoli um mosquito. Conversava com duas amigas quando o intruso procurou abrigo boca adentro. Detalhe: em nenhum momento pensei em engolir pra valer a estranha companhia. O que fiz foi retirá-lo dali pacificamente. Pronto. Aoopa. E não é que o bichinho começou a perambular através do meu dedo indicador? Estava roletando na nova ponte da amizade. Estava também encharcado de saliva, com as asas grudadas. No entanto, o mosquito mostrava-se bem distante de bater as botas. Parecia feliz. 
Desse modo, gentilmente tentei me desvencilhar da criatura voadora. Com algum esforço para não prejudicar suas ações (que a essa altura consistiam em erráticas tentativas de peregrinações aleatórias) eu o estacionei na mesa posicionada em frente a este que vos fala. 


A meu convite, minha amiga Leslie se aproximou, e pode perceber que sua asa direita agora estava perfeita - em pequenas sacudidelas pra-lá-e-pra-cá o amigo avisava que seu velho ritmo estava de volta. Quando fomos reparar no estado em que …

LEMÃO FRITO AOS 50

Naquela época eu frequentava o famoso buteco da rua Blanks. Toda negada se enfiava por lá pra tombar altas cachaças, trincar aquela sinuca e jogar conversa fora. É claro que não faltavam as bravatas de William Fezes e o fiado nervoso do gordo Júlio Ernesto. Entre noites de terça e restos de segunda-feira, os mais velhos e mais novos não esqueciam de incluir na conversa opiniões acerca das linhas de Hemingway e Camus, mas no fundo tudo aquilo não passava de desculpa pra sair de casa e encher a cara – seja nervosamente, como no meu caso, ou apenas pra espantar a zica duma desgraçada rotina de trabalho, cheia de contas e pobremas.
Aí um belo dia um maluco lá anunciou que sabia ler a mão das pessoas. Contudo, sentenciou que isso não poderia ser espalhado de jeito nenhum, que aí ele não teria sossego. Entre cachaças e velhas schins, neguinho aí alugaria de montão o místico colega. Tá certo. E o camarada leu a mão da macacada; disse que comigo tudo iria correr bem, sim, eu seria feliz. Disse…

porcas reminiscências

Naquela maldita noite, Mandiblas perdeu a tampa do cu de tanto cagar. Aos outros aconteceu a mesma coisa. É claro que falo dos familiares: da esposa do Mandiblas, a negra Sukita, e do irmão mais velho, o gigante Jáctus.
Jáctus era um polaco bom de briga, dois metros de muita fúria e, segundo alguns, milímetros de perversão nonsense. Parceiro de copo e de porrada, era temido por todos na rua. Seu cabelo não era crespo, era encaracolado, falou? E daí? O lance é que, afundado em sérias dívidas, vazou da pequena Rinópolis conseguindo abrigo na casa do irmão, oitocentos quilômetros distante.
Por insistência de Sukita, ao trio só restava se deliciar com suco de laranja. Os jantares eram pontualmente às oito. E a galera comia fritura, ensopados. E pra beber, suco de laranja. Era um suco esquisito, que tinha tudo de estragado, era azedão pra cacete, a Sukita disse que recebia toda segunda uma entrega com vários litros do aparato. E o Jáctus bebia tudo num misto de educação e quero que se foda-s…
desconfiômetro desligado causa confusão e controvérsia em cidade do interior paulista. após publicar foto polêmica em rede social, gordo é espancado até a morte.

E VEM AÍ O CARNAVAL DE RIO CLARO!!

TÁ TUDO CERTO

Descrever o que acontece em Rio Claro é encher uma página de porcaria. Mas sou feliz aqui. Sou um maluco perdidamente apaixonado pela minha Nízinha. Tenho meus poucos e bons amigos.Tenho meu lugar sagrado pra ler e escrever, com inúmeros livros, discos, filmes. Gosto do meu trabalho. Me dou bem pra caramba com a minha família. E quase sempre, aqui e ali, tem alguém tentando me aporrinhar sem razão, e nunca fala na cara. Não tem problema. Aqui não tem tempo ruim, freguesia. Porra nenhuma que vocês vão me deixar uma pessoa amarga e ressentida. Jamais. É isso aí. Aoopa.

O MORIBUNDO E O CARA QUE MATAVA QUALQUER CHEFÃO

Fanfulhos falava pra caralho. Eugênio escutava. Fanfulhos era noiadão em game. Como colecionador e apelão, nomeava algumas vantagens do vício. Eugênio fazia cara de jóinha, mastigando bis branco adoidado.
O velho Volnei também estava presente. Mantinha-se alegre, numa alegria forçada, artificial e débil de condenado. Levantava o dedo, não tendo absolutamente força para estender o braço.
Voltando ao Fanfulhos. Empolgadíssimo. Respirava folia lúdica pelo quarto: anunciava sérias recordações a respeito do Arkanoid; episódios que lhe lembravam pão de forma e ki-suco, em chuvosas noites onde os algozes dos nerds descascavam a banana.
Nas paredes cinzetas do quarto, vemos algumas marcas de durex. Ação Games? Volnei parecia invisível. Fanfulhos ficou muito tempo escolhendo o próximo game a ser manipulado na prosa. Estava dividido entre Elevador Action e Double Dragon. Então estabeleceu: Galaga. Destacava o capricho nos cálculos de sua mão esquerda. Combinava velocidade e empolgação numa boa, co…

VENCER, DOMINAR, FULMINAR

O árbitro era o mesmo de Corinthians X Ituano. E eu estava ali, fiel, torcendo. Nervoso, percorria a arquibancada, dava voltas ao redor do campo, frenético, agitado. Sabia que nosso time era inferior tecnicamente e também com bem menos tempo de treino e preparação para aquela competição. Contudo, vencemos os dois jogos e estávamos ali na final. Sabia que havia uma gana rara no espírito dos nosso atletas, éramos matadores, vingadores em um tempo tedioso de pessoas previsíveis e sem um níquel de imaginação.
Eu gritava aos brados: todo mundo se ligou no poder que emanava aquela voz grave do lemão. Inspirado pelo velho espírito dum arredio Muddy Waters, o estádio inteiro podia me ouvir. Algumas pessoas se perguntavam de que lugar eu estava gritando, tamanho eco absurdo que abraçava suas mais variadas orelhas, sob aquele sol desafiador, com a propriedade nata de emboscar até o arco do capeta. Estralava o fogo, duas da tarde, e viriam depois as cãibras, pernas de chumbo – e num vacilo acabam…

ERRO 591

Tony Douglas chegou logo ao campo. No relógio de pulso: dez pras oito. Respira Tony. De novo? Calma. Relaxa. Sentia-se uma bosta, para a insegurança irromper em confetes axé bahia no seu ânimo. Deram ao seu aspecto racional tudo que é trauma, e tão picolé de granito, uma adolescência sem fliperama. 


Calma. 


Checou o lugar, a fauna, num 360 bem paloso de covarde. Não conseguia nem olhar por campo, de tão ansioso. Os torcedores, vestidos de sanidade, desconheciam o que era o sabor de suar frio sem necessidade ali naquela noite bacana; o batuque onipresente o estádio feliz aos outros, os velhos amigos empolgados, a torcida em polvorosa mongolice inocente que Tony tanto respeitava picava o cartão ponto do plausível. Ali Tony era gringo, e trabalhava náuseas espertas, o estômago cansadão pedia pause, fica NORMAL, não, não vou pra Santa Casa nem fodendo, me dá um remédio forte...respira...
Levanta a cabeça que melhora: é o céu negão ou um blazer da labirintite? O som oco do momento grito de gu…

É NO COMPASSO DO JEFF

Jeff Sono e Randy Féla estão curtindo a pacata noite de Rivers. Tortos de cachaça, desfilam erráticos pelas bandas da província, como sempre driblando  tediosos fantasmas. Perambulam sem pressa, dobrando esquinas e fazendo rodar as ruas de merda do condado. Jeff Sono é o mais brisolado: consertaria agorinha mesmo a perna biônica do Bob Carlos, numa boa, é só o rei apresentar um pouco de pacênça e o moreno contar cuns potões de água fresca pra beber. 
Randy Felá vai peidando em risos, tímidão, meio desorientado, enxerga três fepasa, vai ver é por isso que tá numas de felicidade plena, curtindo pra caralho o bonde todo. E o Jeff é o Jeff: tropeçando vai em desníveis tensos de sarjeta, escapando de ser vítima de barras fortes e ocasionais bilas; Jeff vai que vai esbarrando loucão em parquímetros amigos, em postes magriças roça a barriga do crime - ele vai pisando macio porque é folgado dos bão e parceiro da curtição. Até voar em plena avenida 8 o maluco oferece aos transeuntes. Engata um …