segunda-feira, fevereiro 27, 2012

IHHHH, VAI DAR ROLO CARLINHOS!!!

O Carlinhos era mais esquecido que o Rosamundo, célebre personagem do Stanislaw. Só pala só.  Hoje mesmo. Chegou na Caixa Econômica todo apressadão. Na entrada do banco, topou com um maluco sentadão na muretinha estendendo a mão pra cumprimentar um senhorzinho grisalho. "Lembra de mim? Paulo, que vendia cd e dvds!". O senhorzinho mal tinha força pra falar e o Paulo já começou a vender seus artigos paraguaios - e aí o Carlinhos entrou no banco, entrou seco pra fazer o depósito. E pegou a fila errada logo de cara, mas pelo menos depois perguntou certinho pra que servia cada uma delas - "acertou logo na segunda", como diria meu velho pai. 

Ansiosão, irritadão com o mau estado de 90% dos caixas eletrônicos, o Carlinhos todo ligeiro agora conversava com um maluquinho na sua frente, que lhe perguntou : "tá calor né?" e o Carlinhos: "muito." Com a atenção volúvel ligada no máximo, na hora de dar linha nosso amigo errou escandalosamente de endereço. Porra, onde é que tá minha bike? Ê Carlinhos, que merda - então chamou nas canelas,  chegou em casa todo cremoso, cansadão,  triste, suando frio - porque bufa daqui bufa dali e o Carlinhos se ligou que o comprovante havia fugido pelo bolso traseiro do moletom. Porra Carlinhos, assim não dá pra confirmar a compra.

RIVERS, 25 DE FEVEREIRO DE 2012


Não tem jeito: preciso dessa pausa heróica. Trata-se de estacionar a alma para apreciação do tradicional enrolado de presunto e queijo do bar da estação. Dei sorte: a parada acabou de sair, crocante e explosiva, pedindo maionese.

No passado, aqui a maionese era servida em mágicos tubos. Agora tudo mudou: os tempos pedem pequenos sachês.

- Pra comer ou pra levar?
- Pra comer, porra.

O Braquiara, que é a cara do Dave Grohl - só que pinguço e com anemia - já não trampa mais aqui. Em seu lugar, uma atarracada moça, corpulenta-bolonhesa e flertando com todas as borracharias do mundo no compasso da cintura. Veste na fartura do boi um avental branco simprão, com arrobas e arrobas de mau humor. Abre nem um pouco dengosa uns pacotões de cigarro chinfrim - e agora a fera se concentra numa caixa de papelão da famosa Balalaika. Pronto: uma puta sem botox dá o ar da graça, com as maçãs do rosto bem peludas. Só que a mulher é um homem, que na verdade é um cara-tiazona. Ultrapassando o balcão, procura o banheiro, pra tentar rolar um cocozinho. Ao fundo, o sucesso  "o ar é paixão", que fez a alegria de muitos cabeleireiros e manicures nos anos 90.

Termino meu refresco e os dois salgados, pago a conta, pego a bicicleta e me despeço da rua 1 com a avenida 1. Velha rua 1, humilde terreno da pequena Rivers.


domingo, fevereiro 26, 2012

RÁRDI RÓQUE NO FÉFFER

O Tibúrcio me deixou um bilhete em cima da mesa da cozinha:

"Logo mais tem Van HaRley e Cobra Branca no Féffer Bar. As feras loucas do rárdi róque ar vivo! Bora ou vamos?"

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

EMENGARDA


Emengarda é uma gorda bem filha da puta. Pessoa amarga, titia rancorosa, é a bruxa protetora das barraqueiras barangas de São Escrotinho.

O dragão exibe sem constrangimento um visual bastante seguro: o cabelo mantém curto naipe joãozinho, a boca, além de reclamar, só serve pra falar de fofoca, rango pesado e mil guloseimas; enquanto isso, grudados nas desanimadas bochechas, vão os óculos de conformada e hipercalórica pré-menopausa. Os seios são simplesmente invisíveis, o sorriso ausente, o timbre de voz, então,  é uma desgraça: grave sem ser solene, quase fanho - e tudo o mais é uma merda nessa mulher lazarenta, que além disso tem falta de pescoço a dar com pau. 


Emengarda morrerá virgem, sem amigos, e engasgada com sete litros de sorvete de baunilha.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

OS GARRAFA NO LAMERA

Daqui a pouco tem Garrafa Vazia no Carnapunk em Limeira. Dez horas da noite, cinco pila pra entrar. No Kingston. Aoopa.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A LITTLE BIT OF LITERATURA BRASILEIRA




E quando eu peidei, ela já esperava, também peidando pelo gramado. Não havia rolo se eu peidasse;  ela no fundo estava cagada. Corríamos nus entre os carrapichos, e como ela dissesse “peidei de novo”, eu peidei. 

A melancolia da noite se estende pelo céu da pequena Rivers. O grande sopro da agonia, carregado de desolação. Resta apenas para alma silenciosa seguir rumo lençóis.

GARRAFA VAZIA EM LIMEIRA!



Terça de Carnaval vamos arrebentar tudo lá em Limeira - e estão todos convidados! Aoopa!

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

HOJE ENGOLI UM MOSQUITO


Hoje engoli um mosquito. Conversava com duas amigas quando o intruso procurou abrigo boca adentro. Detalhe: em nenhum momento pensei em engolir pra valer a estranha companhia. O que fiz foi retirá-lo dali pacificamente. Pronto. Aoopa. E não é que o bichinho começou a perambular através do meu dedo indicador? Estava roletando na nova ponte da amizade. Estava também encharcado de saliva, com as asas grudadas. No entanto, o mosquito mostrava-se bem distante de bater as botas. Parecia feliz. 

Desse modo, gentilmente tentei me desvencilhar da criatura voadora. Com algum esforço para não prejudicar suas ações (que a essa altura consistiam em erráticas tentativas de peregrinações aleatórias) eu o estacionei na mesa posicionada em frente a este que vos fala. 


A meu convite, minha amiga Leslie se aproximou, e pode perceber que sua asa direita agora estava perfeita - em pequenas sacudidelas pra-lá-e-pra-cá o amigo avisava que seu velho ritmo estava de volta. Quando fomos reparar no estado em que a asinha esquerda se encontrava, surpresa: o mosquito arrancou para o alto, sem ao menos uma simples tentativa de adeus. 

sábado, fevereiro 11, 2012

LEMÃO FRITO AOS 50



Naquela época eu frequentava o famoso buteco da rua Blanks. Toda negada se enfiava por lá pra tombar altas cachaças, trincar aquela sinuca e jogar conversa fora. É claro que não faltavam as bravatas de William Fezes e o fiado nervoso do gordo Júlio Ernesto. Entre noites de terça e restos de segunda-feira, os mais velhos e mais novos não esqueciam de incluir na conversa opiniões acerca das linhas de Hemingway e Camus, mas no fundo tudo aquilo não passava de desculpa pra sair de casa e encher a cara – seja nervosamente, como no meu caso, ou apenas pra espantar a zica duma desgraçada rotina de trabalho, cheia de contas e pobremas.

Aí um belo dia um maluco lá anunciou que sabia ler a mão das pessoas. Contudo, sentenciou que isso não poderia ser espalhado de jeito nenhum, que aí ele não teria sossego. Entre cachaças e velhas schins, neguinho aí alugaria de montão o místico colega. Tá certo. E o camarada leu a mão da macacada; disse que comigo tudo iria correr bem, sim, eu seria feliz. Disse pra aproveitar até os cinqüenta anos. Aí realizou uma súbita pausa, enquanto o semblante da dúvida invadia o coração da rua Blanks. Mistério. Então eu resolvi cagar um monte praquilo tudo. Mudei de assunto, ou mudamos, sei lá qual foi. O certo é que recentemente me lembrei desse episódio.

Até então, eu achava que se não parasse de me entupir de tóxico cairia duro com cinquentinha. Acontece que já faz quase dois anos que estou limpo (eu sei, que merda de expressão, naipe NA FOR LOSERS). Hoje comecei a reverbar as possibilidades. Sofreria uma queda de barra forte durante um rally sob granizo pra viver como white saci? Puts. Entrei numas de que vou ficar louco aos cinquenta, esquizofrênico, varrido, grisalho na lucidez ou sei lá o quê. Num rápido lero com a minha mãe, repassei esse refrão – e pra variar, achei bacana a prosa que ali se sucedeu. Risonha e gente fina como sempre, ela disse preu ficar tranquilão quanto ao tema,e  que se for preu ficar doidão pra sempre eu vou é ficar curtindo minha pira eterna numa nice, sem tempo ruim, firmão na minha nova realidade, enquanto os outros, especialmente os de convivência estreita, ah, essas almas ao meu redor é que vão se estrepar pra valer.  Mas não. Vamos viver o presente né gente? Dar um up na auto estima, comprar aquele pacote pra Búzios ou Paris (ou quem sabe um mochilão né?) e depois de flertar com novas filosofias pós modernas, perder a dignidade embasbostado com as vaguezas tão bicholas das clarices lispectors que reduzem a vida em mera comoção adolescente.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

porcas reminiscências




Naquela maldita noite, Mandiblas perdeu a tampa do cu de tanto cagar. Aos outros aconteceu a mesma coisa. É claro que falo dos familiares: da esposa do Mandiblas, a negra Sukita, e do irmão mais velho, o gigante Jáctus.

Jáctus era um polaco bom de briga, dois metros de muita fúria e, segundo alguns, milímetros de perversão nonsense. Parceiro de copo e de porrada, era temido por todos na rua. Seu cabelo não era crespo, era encaracolado, falou? E daí? O lance é que, afundado em sérias dívidas, vazou da pequena Rinópolis conseguindo abrigo na casa do irmão, oitocentos quilômetros distante.

Por insistência de Sukita, ao trio só restava se deliciar com suco de laranja. Os jantares eram pontualmente às oito. E a galera comia fritura, ensopados. E pra beber, suco de laranja. Era um suco esquisito, que tinha tudo de estragado, era azedão pra cacete, a Sukita disse que recebia toda segunda uma entrega com vários litros do aparato. E o Jáctus bebia tudo num misto de educação e quero que se foda-se. A essa altura, Mandiblas era um homem que já não fazia mais sexo. Estéril, vivia da renda da mulher. E já que cagava horrores, sua casa era dotada de oito penicos, espalhados em locais inusitados. Deixava a latrina para a mulher e o irmão. Se a cagada pedia inspiração, cagava em cima de um jornal, dentro da biblioteca. Lia muito romances de escritores fodões do século XIX. Quando percebeu que Jáctus limpava porra com eles depois de consumir o ânus de Sukita, tomou uma tonelada de refresco.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

desconfiômetro desligado causa confusão e controvérsia em cidade do interior paulista. após publicar foto polêmica em rede social, gordo é espancado até a morte.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

TÁ TUDO CERTO



Descrever o que acontece em Rio Claro é encher uma página de porcaria. Mas sou feliz aqui. Sou um maluco perdidamente apaixonado pela minha Nízinha. Tenho meus poucos e bons amigos.Tenho meu lugar sagrado pra ler e escrever, com inúmeros livros, discos, filmes. Gosto do meu trabalho. Me dou bem pra caramba com a minha família. E quase sempre, aqui e ali, tem alguém tentando me aporrinhar sem razão, e nunca fala na cara. Não tem problema. Aqui não tem tempo ruim, freguesia. Porra nenhuma que vocês vão me deixar uma pessoa amarga e ressentida. Jamais. É isso aí. Aoopa.


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O MORIBUNDO E O CARA QUE MATAVA QUALQUER CHEFÃO




Fanfulhos falava pra caralho. Eugênio escutava. Fanfulhos era noiadão em game. Como colecionador e apelão, nomeava algumas vantagens do vício. Eugênio fazia cara de jóinha, mastigando bis branco adoidado.

O velho Volnei também estava presente. Mantinha-se alegre, numa alegria forçada, artificial e débil de condenado. Levantava o dedo, não tendo absolutamente força para estender o braço.

Voltando ao Fanfulhos. Empolgadíssimo. Respirava folia lúdica pelo quarto: anunciava sérias recordações a respeito do Arkanoid; episódios que lhe lembravam pão de forma e ki-suco, em chuvosas noites onde os algozes dos nerds descascavam a banana.

Nas paredes cinzetas do quarto, vemos algumas marcas de durex. Ação Games? Volnei parecia invisível. Fanfulhos ficou muito tempo escolhendo o próximo game a ser manipulado na prosa. Estava dividido entre Elevador Action e Double Dragon. Então estabeleceu: Galaga. Destacava o capricho nos cálculos de sua mão esquerda. Combinava velocidade e empolgação numa boa, compunha o direcional em golpes maduros – afinal começara a brincar de vídeo-game bem antes de Cristo. Enlaçava argumentos esmagadores dentro do brain do jovial Eugênio, que assistia tudo num ótimo sorriso colorido de felicidade participativa. “O Fanfulhos é foda...e ainda nem chegamos ao caso Bomberman....”

Volnei agonizava. Não conseguia mais mexer o dedo. Eugênio ao contrário, concordava com Fanfulhos, a sincronia funcionava perfeitamente: “Fanfulhos...ele traça caminhos muitos longos antes mesmo de tomar impulso, mas pula nervoso de idéia em idéia, não termina nem a primeira e já pula pra oitava...ele se confunde e vibra, a infância e a loucura para alguns, mas pra mim tudo isso é egoísmo em alto nível, combustível nato, mas não lembro dele ter zerado Gradius... ”.

Os dois enterraram o pobre Volnei no quintal às três e quinze da tarde. Fanfulhos sociabilizava os prós e contras contidos em Maniac Mansion. Repartiram a tarefa da pá. Agora Fanfulhos escalava Zelda no colóquio. Desenvolvendo outras idéias a respeito, Eugênio confeccionava novas emoções na conversação. Entre uma password decorada e um injusto game over, Volnei esperava o último deslize da terra, integrado ao contorno imóvel da existência.

Depois de alguns minutos ali no quintal, ninguém perguntou mais nada. Estava tudo acabado. Eugênio guardou a pá, por isso restou a Fanfulhos acompanhar a movimentação. Agora ambos olhavam uma borboleta meio besta, colhendo serviço nos cravos, roletava de um para outro, com uma rápida palpitação das asas, que continuavam lentamente toda sua bateção, aí a ferinha pousa sobre a flor, vendo os dois idiotas curtir o silêncio.

Fanfulhos alegou estar bastante esfomeado. Assim mandou embora Eugênio. Volnei, o dog de aparência humana, lançava-se em excesso para o fundo da terra. E o Excite Bike seria costurado dali poucos minutos no Phantom System. Longe do fúnebre quintal, Fanfulhos apreciou a tevê congelada, cheia de recordes. Estava bem resolvido.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

VENCER, DOMINAR, FULMINAR




O árbitro era o mesmo de Corinthians X Ituano. E eu estava ali, fiel, torcendo. Nervoso, percorria a arquibancada, dava voltas ao redor do campo, frenético, agitado. Sabia que nosso time era inferior tecnicamente e também com bem menos tempo de treino e preparação para aquela competição. Contudo, vencemos os dois jogos e estávamos ali na final. Sabia que havia uma gana rara no espírito dos nosso atletas, éramos matadores, vingadores em um tempo tedioso de pessoas previsíveis e sem um níquel de imaginação.

Eu gritava aos brados: todo mundo se ligou no poder que emanava aquela voz grave do lemão. Inspirado pelo velho espírito dum arredio Muddy Waters, o estádio inteiro podia me ouvir. Algumas pessoas se perguntavam de que lugar eu estava gritando, tamanho eco absurdo que abraçava suas mais variadas orelhas, sob aquele sol desafiador, com a propriedade nata de emboscar até o arco do capeta. Estralava o fogo, duas da tarde, e viriam depois as cãibras, pernas de chumbo – e num vacilo acabamos por tomar o primeiro gol. Merda. Eu batia palmas, grunhia, pedia força. Os caras sabiam que aquilo era só um revés qualquer.

Nosso goleiro, além do nosso rodado e talentoso camisa dez, mais o fulminante atacante eram o cérebro e motor, fúria e determinação avante. Os outros também eram heróis. Nada de pieguismo: apenas atitude e companheirismo dentro das quatro linhas. Guerreiros humildes, mas com a presença de tratores. O primeiro tempo acabou e eu continuava gritando. Registrava algumas fotos, pra daqui oito anos relembrar saudoso perdidas memórias no fervor daquela agradável experiência.

Eu conversava com um amigo que friamente dizia que torcia para que os dois times perdessem, até que saiu nosso gol de empate. Numa bonita jogada, em articulada troca de passes dentro da área. O jogo era nosso. O sol se opunha, mas brigávamos, eu gritava até estrangular o céu, rouquidão nem pensar, muito menos desânimo no esquadrão. Então veio o do segundo gol dos caras. Que desgraça.

Instantes depois, nosso goleiro praticaria uma das defesas mais impossíveis que já presenciei. Voando sem fim, numa ponte destruidora, a mão direita milagrosa espalmava fora um golaço, agora salvo de maneira plástica, inesquecível. Era chegado nosso momento na partida. Então aconteceu.  Nosso atacante, terrível figura para a defesa adversária (que a essa altura se peidava toda, penando num visível cansaço) recebeu um belo lançamento pela direita. Em seu destino, uma vida toda pela frente. Avançou com a determinação de um decisivo craque, tinha a passada certa, precisa. Na entrada da área, com ela dominada, vi o lance todo em slow. O talento: a sós com o goleiro, percebeu que como este se adiantava, a sutileza delinearia um arremate por cobertura. O toque – mágico, inenarrável – foi uma terna, leve viagem onírica, intransponível, no eterno prazer que é a iluminação do verdadeiro futebol arte.

Eu vi de perto aquela pintura, acompanhando a bola lenta, rugindo e sorrindo, decisiva, dona do endereço certo, vi o nosso empate, e a consagração. Eu, à beira do gramado, só que do lado de fora, e dentro do campo, poucos centímetros de mim, estava um dos nossos treinadores. Sim, voltando ao lance: a bola prolongava sua trajetória secreta – e o nosso craque vira-se para a beira do gramado, na lateral do campo, e começa a comemorar com classe, merecidamente – filtrava os ânimos, efusivo - da angústia para a euforia. Mas a bola não havia cruzado a linha, o travessão a fez quicar, e, capricho dos deuses, trouxe o zagueiro adversário para que a levasse dali, e também o nosso empate. Tristeza. Uma pena. Estranho golpe, alegria quebrada para nossa torcida. “Cinco minutos”, anunciava o técnico adversário, do banco de reserva.

Exaustão. Jogadores arrastando-se, lamentando o azar. Mas sempre de cabeça erguida. As pernas podiam estar pesadas, mas ainda assim partimos pra cima. Pressionamos e pressionamos: tomamos o terceiro gol, no finalzinho. Éramos vice, mas justos heróis.

Naquela tarde, nem percebi o sol, apenas cruzei o campo para cumprimentar a rapaziada, os técnicos, a equipe adversária, dando os parabéns a todos pela lendária atuação, nunca será demais louvar o quão disputada fora essa final. Alguns me agradeciam o incentivo, enquanto fotos eram tiradas. Chegou a hora de partir. Voltei a trabalhar feliz naquela simpática tarde de quinta-feira, trazendo comigo um orgulho transparente, ainda que com um restinho de melancolia no coração. 

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

ERRO 591



Tony Douglas chegou logo ao campo. No relógio de pulso: dez pras oito. Respira Tony. De novo? Calma. Relaxa. Sentia-se uma bosta, para a insegurança irromper em confetes axé bahia no seu ânimo. Deram ao seu aspecto racional tudo que é trauma, e tão picolé de granito, uma adolescência sem fliperama. 


Calma. 


Checou o lugar, a fauna, num 360 bem paloso de covarde. Não conseguia nem olhar por campo, de tão ansioso. Os torcedores, vestidos de sanidade, desconheciam o que era o sabor de suar frio sem necessidade ali naquela noite bacana; o batuque onipresente o estádio feliz aos outros, os velhos amigos empolgados, a torcida em polvorosa mongolice inocente que Tony tanto respeitava picava o cartão ponto do plausível. Ali Tony era gringo, e trabalhava náuseas espertas, o estômago cansadão pedia pause, fica NORMAL, não, não vou pra Santa Casa nem fodendo, me dá um remédio forte...respira...

Levanta a cabeça que melhora: é o céu negão ou um blazer da labirintite? O som oco do momento grito de guerra antes do ínicio era o que rangia como uma enxaqueca congelante inspirando todos seu próximos movimentos. Aí ele nem pedia licença, precisava se mexer, desvia das mãos das crianças que é rolo, encrenca, será que tô com pinta de esquisitão, Tony Douglas procurava estar só, nada de oi e tapinha nas costas, fora de cogitação até um jóia de relance pro seu Everaldo, ex-chefe memorável da Brás Cabos .



Calma.


Qualquer pensamento dava lugar a calafrios que ele sabia, no fundo, eram mentirosos; Tony Douglas começou a tossir, velho sintoma da fraqueza, sempre que tossia tossia umas duas quatro vezes. Frações de memórias inúteis em campo, dentro do seu nariz apita o juiz, lembrou-se do enorme espirro que lhe premiara: porçãozinha servida de ranho na mão direita, logo na hora do almoço no Restaurante Excelsior.

Oito e quinze. Virou-se pra vasculhar as arquibancadas superiores. Encontrou mais insensatos girocópteros da noia compulsiva, tossiu alto, cóóffe risca brilha enxerga suas libélulas rasgando o rolê em teletransportes vagos, sumiu  e as bandeirolas magrinhas num bambolê boqueta. Uma senhora de gorrinho, cinqüentona e gorda, o estranha: “tá tudo bem?”. Ele se autocomanda: “tudo”. A velha se sacode, friozinho né, tudo pra acender um cigarro fedido pra cacete. Foi o que bastou, não gostava de fumar nada perto da mãe. As orelhas descobertas de um, as da velha aquecidas, os polícia de penico na moringa de bunda pro campo, não pisa em nenhuma mãozinha, agradece os portão de saída, agradece, esquisitão o caralho, os gritos que se escondem no céu serão roucos, se apagam, oito e vinte. Acendeu tão rápido o mesclado que ali mesmo voltou pra casa. 

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

É NO COMPASSO DO JEFF


Jeff Sono e Randy Féla estão curtindo a pacata noite de Rivers. Tortos de cachaça, desfilam erráticos pelas bandas da província, como sempre driblando  tediosos fantasmas. Perambulam sem pressa, dobrando esquinas e fazendo rodar as ruas de merda do condado. Jeff Sono é o mais brisolado: consertaria agorinha mesmo a perna biônica do Bob Carlos, numa boa, é só o rei apresentar um pouco de pacênça e o moreno contar cuns potões de água fresca pra beber. 

Randy Felá vai peidando em risos, tímidão, meio desorientado, enxerga três fepasa, vai ver é por isso que tá numas de felicidade plena, curtindo pra caralho o bonde todo. E o Jeff é o Jeff: tropeçando vai em desníveis tensos de sarjeta, escapando de ser vítima de barras fortes e ocasionais bilas; Jeff vai que vai esbarrando loucão em parquímetros amigos, em postes magriças roça a barriga do crime - ele vai pisando macio porque é folgado dos bão e parceiro da curtição. Até voar em plena avenida 8 o maluco oferece aos transeuntes. Engata um danado pole dance ali na venída oito mermu, - porra! - lamentou em voz ogra o Randy Felá ,que não podia bater foto da bonita performance.

Semana passada os doideras foram à feira semanal: e no meio dum monte de coreano retardado escolheram alface, almeirão e rúcula. Jeff Sono estampava por todos os cantos um sorrisão muito maroto, joint dedéu passeio, ééé, day tripper diretoria, mas eu falo é dum puta sorrisão purão, os white dentes revelations com aquele brancão canino desses desconcertantes e lelés, riso fácil que destrói qualquer zica, porque perto dessa vitalidade ponta firme o malaco do Jeff deixa fácil o Seu Boneco na berlinda.

Quando chegou em goma naquele fim de tarde climão SPC, alone e tranquilo, o Jeff Sono trancou à chave a porta do quarto. Ali, nu (esporte favorito ou mero meio de inclusão social?) também já alto de goró do mais safado, o Jeffinho entregava-se à audição ininterrupta do Dirty Love Songs. Logo mais quem pintaria no pedaço seria a Tablitas Chips, sua patroa gente fina. E o negrão era pura simpatia, surdão aumentou a radiola até o bagulho estralar, e daí que até esqueceu da bufunfa lascada que devia pro Randy Féla. Camarada é pra essas coisas, deixa ca gente, negrette.



Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto. Espero notas que não apliquem a tortura do t...