sexta-feira, março 30, 2012

23:33. Piores momentos da noite de quinta




I.
Ver o Muller comentar São Paulo e Catanduvense pelo Sportv. Toda vez que o ex-jogador se manifestava era pra alfinetar o tricolor. O tom era de ressentimento, mágoa. Os comentários constrangedores. Muller falava sem pensar (que novidade) e logo se arrependia da cagada, montando frases de sentido medíocre, de analfabeto amplificado. Quando algum replay entrava em ação pra constatar a disparidade entre o jogo real e o jogo comentado, vixi, aí então o boleiro falido se lascava de vez - tentava corrigir a presepada todo trapalhão, e tão porco como um típico adolescente incapaz de remover quilos e quilos de acne da fuça.

II.
Entrar rapidamente no facebook e encontrar banalidades tão eloquentes. Deparar-se com o chiste dos coleguinhas sedentos por holofotes de polegares, os orgulhosos & infantilóides jóinhas brasileiros. Engraçadões embriagados de "o loco véi", "como x pensa que é, como x é na realidade", montagens imagem-texto reluzentes em senso comum, enfim, os exemplos são infinitos.

Não é que estou ficando velho e rancoroso não. Que ao invés disso eu não prefiro o Ananias (até que ele já me pareceu bem engraçado), Francisco Anysio coisa nenhuma. Também não procuro motivos hilariantes pra cair na gargalhada feito mongolóide em frente um monitor. Não. Prefiro o silêncio a esse mau humor assim tão intruso, ao esbarrar em coisas tão fúteis, pequenas,  inúteis. Overdose de coisas irrelevantes, ah que saudades que já tenho do Millôr Fernandes.



segunda-feira, março 26, 2012

O RICA

O Rica dava bronca nos colegas de maneira irônica, quando chateado. Assim, enfiava-se dentro do cobertor da amizade, com o bafo da covardia a acalentar-lhe o ânus.
 


Segundona braba. Trabalho trabalho trabalho. Resolver pendências que já apresentam-se inadiáveis. Depois, é só alegria, chefia. Segundona da labuta monstro, tamos aí.

domingo, março 25, 2012

MIRASSOL E O CANHÃO, DOMINGÃO EM ALTA


De novo no acessa escola. Conosco um bezerro, mõõõ. Tá lá fora, mas o Jurandir jurava que era no refeitório, construindo amizades carteado adentro. Minhas costas dóem. Noite mal dormida nada, é a coluna que reclama porque o travesseiro deu mancada, afundou meus ossos pra caramba, travesseiro de 1987. Mõõõõõ. Mõõõõ. O bezerrinho encerra o canto. E as costas, ah, estancaram a bronca tem um tempinho já. 

Revejo as cartas do velho amigo Márcio Zelinski. Como as coisas fluem loucas para as possibilidades mentais nessa correspondência contumaz. Possibilidades mentais agressivas como o ataque de ouro do Santos: Pagão Pelé e Pepe fuzilando defesas arrogantes, prestativas defesas dizimadas pela fúria santista, Pepe metendo o canhão a bala, estufa a rede em brasa.

Fortíssimo, violenta pancada, o chute de esquerda, o do Pepe doidão. Esturricaria duas vezes o gol do Milan, na segunda partida da decisão do Mundial de 1963.

E as leituras, como é que vão? Vão bem, porra!

Tropecei num embrulho, que estava na praia. Mõõõõ; alarme falso. Tropecei num embrulho, que estava na praia. Estamos em Santos. Revejo depois de anos meu amigo Dirceu Lemos. O cara que me mostrou as primeiras pedradas do punk. Anos e anos de camaradagem punk blues. O cara que era tão são-paulino como eu, e entre tardes e madrugas delirantes, bebíamos cachaça pelos bares do centro de Rivers, tumultuando o país. Aquele vandalismo era saudável, divertido. O Dirceuzão era parceiro. Santos vem aí?

O Casão citou o mês de maio como possível mês para o reencontro com o chefia. Será? Foda-se: hoje o São Paulo enfrenta o Mirassol, e o L.Fabiano não joga. Mas o Willian José estará presente. E vejam só, amigos leitores, o que a Wikipedia nos diz sobre o atacante:

Willian José da Silva, (Porto Calvo23 de novembro de 1991), é um futebolista brasileiro que atua como atacante. Atualmente, joga pelo São Paulo. Seu estilo de jogo e seus potentes chutes lhe renderam o apelido de 'Canhão'. 


Mas antes disso, a animada conversa com a patroa dinamiza liricamente meu domingão já feliz.  

sexta-feira, março 23, 2012


Tempos difíceis. Demissões em massa mania. Irmã Hermínia poderia tocar Sabbath Bloody Sabbath pra aliviar a cuca da negada. Que o pessoal tá frito. Tá todo mundo dando cacetada nas ideia, metendo tiro no pé, metendo tiro na cabeça minha gente. Todo mundo zicado e de patins na pontinha do abismo. Menos eu, que sou Mariones.

quarta-feira, março 21, 2012

FREDEGUNDA REACH FOR THE SKY

Fredegunda. Sorveteira velhusca pirando na avenida 11. Vai toda corcunda, vai de boa Fredegunda, de empurrãozinho o carrinho ouve a flauta crazy. Não, não é flauta. É uma gaita malandra, pra sincopar gostoso com a banha que banha a Fredegunda. Dentro do box picolés marotos deitados bifes halls preto. 


Quarta-feira, Rivers. Onze da matina. Banha, havaiana, os braços flácidos, o rostinho pós-coroa, tunado em maquiagem. Blues do palito. Alguém num Uninho Vermelho, 87. "Nossa, você viu aquelas costas dilatadas?". "Não vi!". Tudo mundo atrás de rango essa hora, a fila do Big Pantoja em apuros pro pessoal do alface, malandro.


Qual sorvetinho que rola direto entre a meninada do Ribeiro? Uva! Às vezes esquematiza promoção, a Ursinha Corcunda costanua. Não, fiado não. Complicado. Dois de uva tia! Vem emo chupar de montão! A Tati deu a letra que a Fredegunda vai estacionar o carrinho no domingo - pra vender picolé no festival de róque que eles estão organizando! Uva! Depois vão melar docinho o corpo das guitarras Eagle compradas na Jog Music. É. Bacana. 


O carrinho deu ré, ganhou a calçada devagarinho. Quarta é assim. De limão, delícia diz o Rogerinho. Debaixo do solão da roça, de bonézinho. Pilotando o geladus car ela vai, toda desengonçada, é verdade, mas cheia de calor na periquita. De regata shortinho vovó verão na décima primeira avenida. 

segunda-feira, março 19, 2012

UMA LONGA E TERRÍVEL RISADA DE HIENA

Uma longa e terrível risada de hiena. Não, não é uma mulher que espuma e gargalha assim, pavorosa.  Uma risada com gosto de merda para os ouvidos, uma risada bosta que silencia a inteligência, que humilha o reino animal. E ela, a proprietária, tem ciência da condição de escrota. Tanto sabe que após a defecada, suaviza a fala, constrangida. Rivalda. Uma longa e terrível risada de hiena que atrapalha a segunda-feira.

sábado, março 17, 2012

ENCONTRO MARCADO


Trombei hoje com um velho conhecido. Velho vizinho amigo, chapa dasantiga. Ele vinha dum lado, eu do outro, manhã de sábado. Alguns anos sem nos cruzarmos pelas avenidas da roça e então o súbito reencontro. Estacamos.  Reluzia dentro do sábado aquele forte aperto de mão de conhecidos de fé, sempre sincero, e na pureza ride o velho vizinho soltou o verbo:


(O anúncio é feito em tom contundente, a exclamação é mero enfeite.)

- Tô com hepatite C!


(O tom agora é antes de constatação do que de mera dúvida. )

- É igual HIV né parça?
Ovos Baianos degrigolando por aí. Novos Presley massarolando fios elétricos em conduítes gritantes. Banda Ovo Venenoso turbilhando mil grau o sorriso interno do capeta. Em Curitiba. No céu de Janeiro. Ninguém viu a chinela de Baby Zoráide. Vamos todos pular sozinhos, todos pulando pro alto, pula pula e não para não, porra, pula carai. Mulecada pula alto pra cacete. E a macacada não para de pular, pulando sozinha tujuntoaomestáime. Oooo Oooo Baby Zoráide!

quinta-feira, março 15, 2012

Jeff Sono colando em goma pra colarmos no estúdio - vamos terminar de mixar faixa inédita do Garrafa Vazia!

quarta-feira, março 14, 2012

POISON FOLIA


Aos sábados, buscava caminhar pelado pela casa. Um pito preciso no cigarrétis, a bordo do sofá - com a coqueluche do halls preto em overdose invadindo a ciberdélica cafona luminária dentro daquele status quo imbecilário, a cúpula!

Impossível. Visto que culpava-se em desgosto da súbita interrupção da rotina, deixou de acreditar no Flamengo, nos seios de Jandice. Cuidava, na verdade, para que a filha mais nova não sobrevivesse, o que infelizmente aconteceu.

domingo, março 11, 2012



Aqui, no acessa escola. Perdido, porque tenho tanta energia acumulada - são pensamentos projetos pedradas marombadas, longe de qualquer tonalidade cinza. Tô feliz pra caralho. Lotadão de dinamite na mind pra seguir em frente, infernizando a porra toda, parcero. E quero assistir São Paulo X Portuguesa com a amada, é daqui a pouco.

Tô lendo pra caralho, grande coisa. Sigo apaixonado. Sigo apaixonado. Mas imagine só você...

- Imagine só você, se o Silvio Santos não fosse mais aquele boneco apresentador de tevê. Que da vida pegasse emprestado o bônus pra sonhar apenas como câmera-homem fodido. Com gonorréia, setecentas pratas no mês. Ordenado miado que não dá nem pra descolar um corte esbelto no Rekint. Silvio, cuidado! E depois de filmar, morreria afogado no Boquerão, aos vinte sete anos, ainda que guardasse na cabeceira uma foto desbotada do Gugu de sunga.

sábado, março 10, 2012

NEUSINHA INFELIZ


O horizonte ali era passar na Outras Histórias Sebo & Livraria. O sábado, pela manhã. O Jhonny por lá. Conversas sobre escritores, pessoas conhecidas, trâmites sutis em ideias agradáveis. Como sempre me sinto bem naquele espaço. Redescubro aparentemente que preciso trabalhar, meio dia esteja pronto, soldado.

Espírito de plantão. Não há folga por hoje. Cumpro dois no mês. Este é o segundo. Maquiavel sorri. Volto pra casa. De bicicleta. Então a chuva começa a estilhaçar o varal da Neusinha, em algum canto do Nosso Teto. Crise, porque ela anda com a irritabilidade avançada. Crise, porque ela não sabe o que é sexo há mais de trinta rodadas anais. Era como se engolisse três fardos de areia, cada um pesando sete arrobas. Que desastre, a chuva corta, a cicatriz na bermuda comprada há decadas na loja Pelicano, na velha rua três. A boca de Neusinha espalha areia pelo sofá, a face do rei Bob Carlos precisa de mar.


quarta-feira, março 07, 2012

MANHÃS sssssssSSSAMBARILÓVIPUNKBLUES!


A intensidade me destrói! Acordado durante minhas belas manhãs,  os dias correm mais vigorosos, em  bermudinha preta perna branca, canelas ousadas. Porra, que benção: há muito mais tempo pra ler e desmontar, sonhar finas mongolices enquanto o despertador dispara, há minutos envolventes em viagens de graça pelas praças da roça, quando posso vomito dólares, apareço também pra brigar, delirar sem sucesso, mandar a receita federal tomar no cu, ou discordar azul.

E que saudade da minha amada!

segunda-feira, março 05, 2012

PANORAMA DA ANTI-RESIGNAÇÃO: um resumo do dérbi entre Velo e Rio Claro

Varal de novas emoções, o dérbi Velo Clube X Rio Claro. Atrasados, partimos  para a batalha eu, minha amada e mais uma amiga. 

O Velão então já perdia por um a zero...e zerados os ingressos para a parte do estádio destinada aos torcedores velistas; só me restou arrancar o manto rubro verde para a visão do velho clássico se estender através da arquibancadas da torcida do Rio Claro. Morna, apática, sem sal - além   do insosso estado moribundo da alma, este o permanente espectro da torcida do aguinha. Uma torcida de bosta.

Tão logo o Velão empatou, a alegria dominou o trio - e minha amada pode vislumbrar a euforia rugir - o grito, a festa - o autor do gol explodia em direção ao alambrado, pulando bradando rumo à enlouquecida máfia velista. Era o decisivo rompante, o renascimento rubro-verbe. A sua fanática torcida compreende a verdadeira constelação da imaginação dentro das quatro linhas, enriquecida pela irmandade com que acompanha e compartilha cada lance -  eternamente efusiva e anti-resignada, apaixonada nação velista.

A desgraça é que pouco tempo depois o Rio Claro fez 2 a 1.

Então a tempestade desabou de vez pelo coração do Estádio Municipal. Chuva filha da puta: gélida, cortante, com o detalhe da amiga Jéssica, que agora  enxergava patavinas - tal limpador de parabrisa , sofria com os intermináveis pingos do temporal a atropelar o sossego em suas lentes.

Vem o intervalo. A postura dos torcedores velistas é de constante empolgação, inverso dos dispersivos aguinhas, volúveis a ponto de lamentarem ter faltado à missa para assistir de perto o dérbi. Nerds analfabetos compõem também uma das alas destas desanimadas testemunhas. Preferem se masturbar no Twitter a conhecer os mistérios do grande Tolstói. E não só ele - em algum recanto dos dias, por onde descansa Arturo Bandini, este gentilmente solicita a chegada da próxima geração. 



O céu passa a divisória da invencível lanterna monstro do sol: vivemos na mais alta arquibancada a piada do casamento de espanhol. Não que não seja verdade, afinal meu cunhado é espanhol, e sob minha influência agora é Real Madrid e Velão. Coisa fina.

E eis que surge o empate. Vejo a arrancada alucinante pela direita. Minha amada, eu, e a amiga de óculos: o segundo tempo invade a tarde de sábado com a investida velista rumo ao empate. Avançando, avançando: cruza! cruza! - são gritos em silêncio do trio - e assim o passe que vem da direita em direção à pequena área é primoroso, rasteiro, para a última bola ser fuzilada sem piedade, graças ao milimétrico passe Rui Chapéu, para  embriagar para sempre a memória dos dérbis. Passe que logo encontraria o arremate, este também rasteiro, decisivo. A bola ainda resvala por entre as pernas do goleiro do aguinha, que travestido no próprio frango, fracassaria mais uma vez. Lenta, caprichosa, a bola cruza a linha final da rouca odisseia: dois a dois. 


(Ainda posso rever meus socos desferidos contra a arquibancada após o segundo tento velista, clímax daquela inesquecível tarde.)


Fim de jogo. O Rio Claro ainda chega com perigo, mas o segundo tempo é todo do Velo - o meio campo rubro-verde teve ali mais uma vez ostentado seu reinado, após quase dez anos sem o dérbinho, como diria meu amigo Daniel Mittman. O placar suspenso admite o fim. Dois a dois, e nós três voltamos encharcados, satisfeitos, para ainda conferir no caminho do agradável regresso ébrios e simpáticos velistas , de artérias eloquentes, destemidos rufiões margeados pela avenida da saudade.












sexta-feira, março 02, 2012

LOURENÇO E SUZY ACROSS THE UNIVERSE


Lourenço e Suzy voltaram ao clarear do dia. Estavam laricados e tinham nos olhos cansados uma  nítida expressão de moleza. Nada disseram ao verem o pequeno au-au: Bony também não lhes perguntou nada. Tocando uma siririca cabulosa, Jaqueline assistia a tudo, pernocas reluzentes estralando no sofá da sala. Estava excitada, com um quentão metafísico ardendo no meio da buça. Quando Lourenço e Suzy  tiveram consciência da cena, mostraram-se bastante constrangidos. Tanto que poucos minutos depois zarparam da pensão.

Almoço, almoço. Que tal almoçar em Charqueada? Será que era negócio? Lourenço decidiu: vamos sim. Não havia nada que ameaçasse o rolê. O namorado cabeludão da Suzy indica o local. Estavam juntos havia sete dias. Sem avisar ninguém, o rapaz havia começado a fazer música no estabelecimento. É que aprendera a tocar gaita com o método Maria Valéria. Disléxica e atrapalhada, a pequena Suzy cerrou os olhos: dentro daquela decepcionante melodia só lhe restaria abrir o zíper principal da mochila. E dali saltou Bony, muito assustado. Correu correu - e o coturno e o polícia  da comanda três três bem geladinho...


quinta-feira, março 01, 2012

PRIMEIRO DE MARÇO: FACES


Olha só galera, março chegou! Tá com pinta de mês de agito, mês irado, de muitas trips e uma porrada de insights. Certeza que rola também uma pá de balada (pulseira) de-mo-rô.

Esse é o papo de merda do Lucas.

Oiiii genti!!! Março, eeeeeeeee!!!!!!

Esse é o rolê da Patrícia.


Ouve-se um tiro de carabina. É março que chega, e aqui me vou, toda peidada dentro da latrina.

Agora é a vez da Regiane Cachaça, altiva, poeta.



os supermercados não querem


Janjão sugeriu a compra, mas o dono do Frolini acenou negativamente. Ninguém quis. Ofereceram no Covabra: outro não. "Alguém aí quer comprar o conhaque Doce Buceta?"

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...