segunda-feira, abril 30, 2012

SÁBADO NO BIG BAR


E a negada tá proporcionando o rolê no Big Bar, sábado a noite o jaco é de couro para Ibrahim e o Infinito Moto Clube. Velhas putas bebericam suas cervejas nas mesas ao lado do espelho, enquanto um casal de gays mantém a fala arrastada em olhos de conjuntivite.

Canetinha fotografa atenta, meu celular guerreiro é a câmera estailizinha de dois magros megapixels cantantes. Lanches vem e vão, um taxista com ares de serial killer olha para o relógio pendurado na parede verde: onze e quinze.

Meu amor é megadalin. A essa hora o amigo Jeff Sono experimenta diferenciados estados de consciência na cidade de Araras. Enquanto isso Rivers anunciou chuva para as dez e quinze e momentos antes eu e meu amor trombávamos com Zanzibar que parou o carro em plena rua nove para nos cumprimentar. Mestre Barquinhos estava presente na bagunça também. 

Alain Prost garante seu lugar ao balcão: a bebida tem que ser curta, o sonho é comprar um terreno em Sorocaba. Colegão is in the house: e a tarde conferiu a mágica presença de Jorjão Fat Moringa pela velha rua sete.

O x-bacon opera milagres, Nízinha vai de Brahma.



domingo, abril 22, 2012

AVENIDA ONZE



A mesma situação: na avenida onze, SORVETES PAGOS. Entre esta e a rua dez, Água Mineral Jorabel. Cabeças de cães lado a lado vão dominar pelo alto a fachada: abre-se a gigante Contato Pet Center, para desespero daqueles cuja empatia com animais é zero. Com a sensação de sonho, subo mais um pouco a avenida onze.



Explode a próxima promessa pela noite de Rivers: é o Nick Cave Lanches. Ao fundo, as paredes da borracharia do Boldrão, que supervisionam esta que é uma intensa lanchonete a céu aberto. A esquina do hambúrguer fervilha e o pedido forma-se distinto – trata-se do Bauru de Calabresa. Nem preciso dizer que tudo isso acontece dentro do pão francês.



Há insuspeitado romantismo na arte de manter uma tevê ligada ao lado duma chapa quente: o cinema dublado, como se um simples enredo desanuviasse o esgotamento dos humildes, que vem e arrasta o medo da morte para além do beleléu, para tal dispensando até mesmo os afazeres do controle remoto. Quantos oníricos telespectadores não pereceram felizes diante da stupid box? Mas acima da tela, existe ali o isopor.

Sob a branca mesinha de ferro armado, alcanço a poucos metros adiante a outra esquina. A madruga, o posto, a conveniência acesa: quatro carangas perfiladas no pátio, com a macacada descontando todo o varal das frustrações numa decepcionante roda de conversa numa muretinha. Enquanto isso George lê a Bíblia. Literalmente apoiado no frigir dos ovos, de leituras e lendas, o lanche cheira pré-fantástico. É aconselhável uma coca gelada como baixo e batera – e agora a tevê exibe mais uma daquelas reportagens sensacionalistas sobre nóias. Parece que mais uma vez a Verinha andou patinando nas aspirinas.

No vídeo seringas, médicos e muita falta de poesia. Numa pequena bacia branca, muito bacana, lá vem aquecido o meu pedido. Dividido em duas partes. Levemente apimentado, sem exageros na composição geral, e com muito cuidado na antevisão da engenharia da ogra mordida, posto que nada caiu fora do contexto. Foi um dos pedidos mais rápidos que tive contato nos últimos meses. Talvez mais rápido que a eficiente e recém inaugurada Morada da Pizza.

Durante o segundo tempo o tubo de maionese é acionado. Puts, o doutor é o House, o canal é a Record e o maluco só pode ser crente. Hora de pagar a conta. Passando pelo Bar da Marcinha, no entanto, os velhos preconceitos caem, dizimados pelo bom senso. E daí se o cara é crente ou não? E daí se o cara ouve Lynyrd Skynyrd ou Agepê? O atendimento foi mais que preza. O lanche muito servido e saboroso: recomendo. Então salve o Nick Cave e abaixo ao Max Burguer, Deus Proverá? Não, eu não disse isso. Todas as reclamações, todas as broncas, todas as dúvidas, todas as imprudências: lágrimas de rivotril para sufocar a dor.

O pensamento se retrata trágico, assim meio Máximus Lava Rápido. Tomo muito cuidado para não remover o sono da Sapataria Universo agora. Quantos anos viva na rua nove, cem por cento alive, com a persistência digna dum Bruce Springsteen! Mas se ao longo da existência a SU colheu fama e esta fora inconstante ou não, o que mais salta aos olhos da alma é a fortuna nutrida pelo investidor. Esforços contínuos, portas abertas no decorrer dos dias: na planta dos pés a virtude.

Pode parecer mentira mas poucas quadras dali a Papelaria Pinóquio reluzia galante ante o vizinho Grupo Escolar Coronel Joaquim Salles, fundado em 1900. Quincas e Pinóquio irmanados – e havia o trono etílico do Bar do Buxixo, hoje extinto. Memórias...

Antes de completar quarenta anos, descansarei granadas e granadas da introspecção por toda avenida onze. Em caminhadas absolutamente infinitas, palavras sensatas em embalo ressonante graças ao velho sobrado coletivo ao lado da sorveteria. Com numerosas inquietações durante a degustação do café da Padaria Veneza, em alguma calçada não muito distante da avenida onze, germes de fogo enroscados nos pileques do fígado para o saudoso Lagartixa; aquele homem politizado, muito magro, que sob o torpor da cana expulsa toda a hipocrisa da política brasileira em poucas palavras: não tem mais jeito. Mas Lagartixa é apenas mais uma alma solitária rangendo em trevas, incompreendido, desolado, esperando pela aniquilação final.

Assim dilacerada corre minha sexta-feira. As coisas geralmente podem despencar de uma hora pra outra. Mas a avenida onze revela uma linha verdadeira. Por mais que ataques à carne viva existam. Por mais que os infindáveis flagelos insistam. Nada altera seu vôo. Mas o homem é bem diferente. A rua do coração humano, nervos e ossos em tristeza. E com a sensação de pesadelo, me despeço da alegria.

Rivers
vai
voar
vuuuuuuummmmm

sábado, abril 14, 2012

MESTRE ZANZIBAR





Que mais senão a alegria de reencontrar meu antigo espaço? Era isso o que uma das moedas deve ter pensado quando encontrou o velho balcão do Big Bar. E quem levava consigo a tropa (ela e mais três) era o Zanzibar, grande amigo e parceiro. Com Zanzibar, tudo continuava empolgante conforme os antigos churrascos anuais dos velhos amigos do Bayeux. Mr. Rainbow alugara a chácara mais uma vez, e o pessoal apareceu perto do meio dia. Toda a macacada pirando numa nice, memórias bacanas com muito metal, cerva gelada e a tradicional piscina, inimiga dos sábados chuvosos.

Quando o encontrei, na noite de sábado, Zanzibar estava, digamos, já alto de pileque, o churrasco encerrado e o amigo bastante à vontade: trajava camisa regata sem manga, shortinho de pedreiro futebol anos setenta e os pés descalços. Havia parado pruma prosa e tal ali perto do Mc Donalds. Os participantes do churrasco estavam ali agrupados, quando apareceu Grelinho, um gigante de dois metros que não pode dar um passo pra fora de casa sem que a mãe o incomode pelo celular – “íííí, minha mãe cara, deixo atender”. O Grelinho gentilmente estacionou seu carro esportivo ali na noite de sábado para mostrar uns sons chapados do João Donato para aquela nova geração que gastava os últimos cartuchos do sábadão. Tudo isso num volume alucinante, pra delírio da Guarda Municipal, que comia uns cachorros quentes com refri por ali.

Quando eu e minha patroa resolvemos dar uma passada por lá, o relógio já devia marcar quase meia noite. O Zanzibar estava com um bonito sorriso no rosto, bem simpático, gesticulando heróico os dedos de ambas as mãos, num role histriônico cheio de zuerinhas internas. Cheio de propostas sutis, sua fala se renovava no maior gás para novos temas mui peculiares, e geralmente eram feitas pausas para novos anúncios e lá ia o Zanzi ironizar aspectos legais da existência. Tudo sem crise. Tudo nos trinquis. Celebrava a vida e não deixava de lado seu absurdo poder de síntese: “fera.” “Foda”. “Fodido”. É um laconismo que prima por slogans como “Esse cara aí é uma merda”. É bom conversar com você, mestre Zanzi. E quando você está de pileque é mais massa ainda, sob vários aspectos. Mas e a sua insistência?

Naquela noite de sábado o assunto basicamente era esse: moedas de vinte e cinco centavos e o pedido mágico. Você disse que comprou um rolê no Big Bar,  me vê tudo isso aí em chiclé, e sacou a arma, lançou mão do procedimento – você viu a bola de boliche dos sonhos naquelas quatro moedas de vinte e cinco centavos pelo balcão. Achou que viria uma penca de guloseimas, uma pá de ping pong - esperou já gargalhando, glorioso. Qual não foi sua surpresa ao constatar que a Bala Chita andava por debaixo da terra e a alta dos chicletes um pesadelo?

Com as pupilas vidradas, radiante, repetia “me vê tudo isso de chiclete, haha!”. E despencou as moedas por sobre o balcão do templo da avenida sete. O sorriso perpétuo anunciava o bis: “de vinte e cinco centavos, hahaha!! Vibração garantida, gargalhadas em série. Estava em êxtase, por que parar de rir? E relembrava o gesto, as pernas nuas, um pedreiro intelectual.

E minha amada lhe escutava atentamente, eu juro. Seu primeiro bocejo fora incidental. No outro lado da prosa, Grelinho trocava experiências sociológicas e lembranças sexuais com mestre Barquinhos; enquanto a mãe não ligava, relembrava tumultos de uma juventude brasileira bem mais politizada na década de sessenta. “Quatro moedas!!” Vinte e cinco centavos gordinhas bolotas douradas, bolinhas de gude tilitando na pista de pedidos do Big. Quanto é o chiclete companheiro? Pedido efetuado, o rosto contido: só isso? Tudo o que Zanzibar encontrava para dizer era sobre aquele dinheiro camarada, que não precisava nem de bolsos para fluir bem massa.

Você inspira e diverte, mestre Zanzi. Podia emprestar-lhe trezentas moedas, se isto ajudasse. Mas não era a quantia de bufunfa. Não, não era: apenas existia naquela noite monotemática de sábado o conjunto harmônico, quatro moedinhas de vinte e cinco pratas. Grelinho cuspiu, acendeu outro cigarro, Barquinhos deu um longo trago na latinha de Brahma. Entre um bocejo e outro da amada, tudo o que Zanzibar reuniu pra dizer longe das moedas foi – “fera”. E a risada níquel se expandia pelo céu estrelado de Rivers.

Os outros amigos que estavam por ali pensaram em abrir a braguilha e despejar o líquido quente do churrasco, mas a polícia estava alerta. Um homem que consome muito churrasco é lento e pesado, e ofega feliz, herói de engradados em brasa e vinagrete. O que o atendente do Big fez? Vê tudo isso de chiclete, quatro haha, quatro moedas, eufórico Zanzibar, de shortinho, camiseta regata sem manga, invade o Big Bar descalço, impávido, com o carro escancarado na avenida sete, noite de sábado movimentadíssima, a chave no contato.

quarta-feira, abril 11, 2012

domingo, abril 08, 2012

DOMINGO NO SUJOS

Ele era o barandão no samba róque do Sujinhos. Camisa de botão cem reais, meio aberta, pelinhos plumados o cabelo castanho cuidado, com xampú, cabelo longo preso num cóque nas panturilhas new school tatú - risadinhas entre traguinhos menininhas caio f. abreu os passinhos bem decorados nu sapatinho, ceva, raxixi, jorgi ben, répi, refrão, quero mais, amanhã tem aula, carona, vamo? assalto, barandão perdeu tudo, chorou como mulherzinha.

quarta-feira, abril 04, 2012

DOIS TERRÍCOLAS DE BICICLETA




A situação: dois terrícolas andam de bicicleta, há o encontro. Um maluco tem 17, é magro e desdentado, de regata azul guardando duas varetas braçais, os cabelos do sovaco desgrenhados brilham como manga recém chupada. O outro tem 15, é ingênuo compulsivo, influenciável, menino fluente em educação católica careta, o verbo medroso. Diria até que a ingenuidade ali o levaria a desconfiar de que o avô do Pelé esteve na Santa Ceia como escravo-garçom. Enfim, houve a abordagem do mais velho, que principiou meio sem jeito: você bateu no meu irmãozinho naquela mão lá, tô ligado, que fita foi aquela, isso não vai ficar assim não tio,o sovaco líquido respingando, "que irmão? não fui eu não! você tá me confundindo! foi sim! o rosto vermelho - de raiva ou de embaraço? você fez meu irmão chorar, não, não sou quem você tá pensando não! então me dá uma grana, pra me  ajudar a resolver uma...grana? tô sem carteira, eu só tenho um tazo no bolso...

terça-feira, abril 03, 2012

SEMANA SENSATA


Que semana chique hein: Barça X Milan, Flu x Boca, Santos X Inter, só pra começo de conversa. A semana que na sexta abraça um milagroso feriado, preparando o já glorioso final de semana: tudo isso é pouco para o mês de abril, mês do meu aniversário. Aoopa. Tudo indica, portanto, respiração descansada, leituras revigorantes, fôlego monstro, estresse longe de dar as caras: SEMANA SENSATA. Porque há tempo de curtir e há tempo de curtir. Porra, tô felizão.

Ficheiro:Jean Fouquet 005.jpg

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...