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Mostrando postagens de Maio, 2012

O MUNDO DOS MORTOS

Naquele tempo, nem um fio de desânimo cobria os olhos do velho Lucky. Naquele tempo, onde dias e noites eram cobertos de sonhos de uma adolescência tardia, a diversão eram as errantes andanças com os amigos pelas ruas de Rivers.
Amparados pela viva preguiça da irresponsabilidade, decerto nossas mentes permaneciam cultivando os prazeres proibidos da arte inconseqüente: éramos correligionários daqueles momentos dementes. Cruzávamos várias ruas do centro, aparentemente sem destino, juntando moedas pra torrar em algum humilde supermercado, tudo isso sem um claro intuito. Mas eram tardes de boa. E as noites não ficavam atrás, apenas os quatro amigos, conversando sobre eternas bobagens, assuntos tolos, rumos incertos de precários destinos, cenários perecíveis da tumultuosa estrada que resguarda a vida interior.
Assim como bebíamos, o velho Lucky resfolegando curtia muito aqueles saudosos passeios. Barulhento e boxer, babava pelas calçadas, amigão, sincero e sorridente, com latidos uou entre …

A MINHA PRIMEIRA NOVELA

Estou preparando a minha primeira novela. Tem haver com Rivers, terra onde nasci. Tem haver com rock. Espero terminar logo, meus amigos. Tô ansioso pra caralho.




O lemão escreve no lendário Big Bar

RAMONES

Que som é esse tão verdadeiro, tão podre e tão parceiro, que logo de prima vêm de boa e empolga meus ouvidos?  Que ataque é esse que tão nostálgico avança, que das ruínas rebelde anuncia que nada é comparável ao one two three four life’s a gas?
São apenas indivíduos retardados em suas jaquetas de couro, névi iórqui almas errantes, os cabelos imbecis, com o detalhe de que alguns não dispensam os óculos escuros. Pelos três acordes dos dias, lá vão eles, dementes e ressacados, desafetos entre si numa van loco live -estamos com vocês anos e anos após o adios amigos, a época de ouro da música suja desenhando, e assim reverberadas as melhores páginas do sujo som na terra.
Sim, estamos presos, deslizando dentro daquele antigo vinil, onde a velha esculhambação tão logo nos trará  novamente passos de foguete, como uma infernal partida com a goleada dos instintos. Os ouvidos humanos, acolchoando esta doente combinação, ensurdecem na preza. Eis a razão porque o ouvido é o sentido mais débil, não …

A VELHA RUA SETE

Ela é velha e bacana: como é agradável roletar pela rua sete! Em noturnos ou diurnos passos, são caminhadas serenas, simpáticas, porque rebento desta eterna estrada, aqui a amizade pela vida desperta. Camaradagem, azul e convicta, elege avenidas pares ou ímpares: restitui a rota dos meus vastos sonhos! Nesse país, estoura o riso celeste chefia, porque as pombas no pátio do Joaquim Salles ainda ouvirão muito Ramones. Enquanto as simpáticas freiras do Puríssimo um dia fizeram do pátio e vitrola Chuck Berry, lendária, a livraria Eureka consagrou em suas estantes o prazer pela leitura, embora hoje prefira o Boulevard dos Jardins.
E o que dizer sobre o clássico colégio Joaquim Ribeiro? Quantas memórias, quantos rostos agora distantes, apagados pela cachaça,  apagados pela lata de fumaça! Sigo a lembrança desta entre as radiantes histórias da velha rua sete: a colisão de Ranir. Em algum momento de seu demente passado, o jovem Ranir preparou sua rotineira responsa: caronas e mais caronas. Tr…

MAIS UM MOMENTO DESELEGANTE

Mestre Barquinhos andava por um matagal complicado. E bem complicado, quase esbarrou no sapo pink que estralava um Poison. Mestre Barquinhos azulejou o passo, sem demonstrar medo ou excessiva inquietude. Salatiel foi o pai de Zorobabel, explicou-lhe alguma voz a milímetros do cangote, em mais um momento deselegante.
Mas Mestre Barquinhos ignorava tais irrelevâncias terrícolas. Continuou desbravando o rolê. Condomínio Green Rivers em cena, lá pros lados da avenida vinte e nove. Passara a tarde por lá, num desanimado churras dum pessoal formado em Biblioteconomia. Havia resolvido tirar umas fotos “lá pra baixo”, pedindo licença pra geral. Talvez aturdido pela forte caipirinha do Paulo Ranho rapidamente Mestre Barquinhos se perdeu do resto da turma. Ainda assim estava numas de arriscar uns passos bacanas, heróicos, independentes, quando emergiu de trás duma gigantesca moita a tenebrosa Digleide. Sim, a decrépita mulher de maltratados fios negros até a altura dos joelhos, o rosto derrubad…

A RESPLANDECENTE MADRUGADA DOS MORTOS

Agora com mais três invencíveis lâmpadas de 25 W meu quarto passa a comportar a resplandecente madrugada dos mortos. Se pelas tardes a máquina cerebral flui a melhor literatura, eu não sei. Sei que o reluzente arsenal fará frente, o caos dispara, a trilha é Doom, Sick Joke.