terça-feira, junho 26, 2012

HOJE É TERÇA-FEIRA


Eu sei que dessa escolinha aí eu já entrei e saí faz tempo, o clichê é velho, mas a ironia é uma folha sagrada - tão classuda, tão delicada, esta folha não é de qualquer árvore jocosa e vulgar não: é uma eterna folha A4, vigorosa sulfite dos dias, longe de qualquer riso diabólico, longe dessas perguntas cantadas, e a sua provocação, quarta-feira, só existe porque antes de tudo foi você o provocado.

e então passei a ignorá-lo solenemente. um gelo nele, diz o Fabricião, um amigo motorista que hoje infelizmente não trabalha mais conosco. não sei se o quarta-feira traz-me inquietude por causa do meu orgulho natural, ou pela desnecessária indelicadeza com que talvez de alguma forma possa corromper aquele "transitório" ambiente também habitado por mulheres. mas enquanto escrevo, destas irrelevâncias terrícolas melhor me esqueço.

Eu sei que vou chegar em casa e descansar. Hoje é TERÇA-FEIRA

segunda-feira, junho 25, 2012

O TIME DAS NÍZINHAS!

Eram onze Nízinhas! Onze! Simultâneas! Uma se ocupava da deliciosa pizza de micro. Outra distribuía carinhas de terno denguinho no sofá da Vila Indaiá. A terceira encheu de ração o pote da Bianquinha, que pra variar estava de terninho (unissex). A quarta Nízinha saiu do banho toda elétrica e enquanto secava o lobeca lascou um Turbão pra delírio dos instintos. E a próxima destemida guiava a Francosa pelas ruas do centro de Rivers. Com amplo domínio dos pedais, sem neurose chegara ao seu destino: a goma do Zézinho! E o que dizer da sexta Nízinha? Pelo céu estrelado da velha Rivers, o preto e branco sérinhos em fotografias perfeitas. A sétima troca uns telefonemas com o amigo Cláudia, o assunto é a faculdade. Oitava, Nízinha DEUSA gesticula na chuva, satisfeita: FÉ-RI-AS! A Nízinha de número nove pedala em brisa sem pressa, curtindo o sólão da manhã. Roqueirona, a décima provoca um eterno turbilhão em minhas calças. Pergunto à décima primeira Nízinha: casa comigo, amor? Se ela aceitar, vou cuidar até velhinho ficar de todas elas e tantas outras Nízinhas, só eu e a Nízinha tranquilos de conchinha dolapes, em incontáveis cafunés recobertos em beijinhos e abraços quentinhos.

domingo, junho 24, 2012

Nas manhãs de sábado Rivers fervilhava, ruidosos catataus exibiam-se nos despreocupados torneios de ioiô dentro da praça da Matriz.

sábado, junho 23, 2012

E ontem perdemos a sagrada Festa Junina do Veteranos. Canetinha, dodói, permaneceu sob meus cuidados, lírica como sempre.

quinta-feira, junho 21, 2012

CHOVE FORTE NO CORAÇÃO DE RIVERS


É bacana esta épica faxina. Tranquilo, reverencio a chuva que traz de camarote todas as vozes do estádio Azteca na final da Copa de 70. Aopa, é claro, todas as gotas são molhadas e sinceras: porque o Papa gosta de jogar Nintendo DS quando a chuva simplesmente abastece o Vaticano.

E lá se vão embora bolores, zicas, enfermidades junto ao meio fio, recebe o esgoto novo fôlego e automóveis baleados ganham refresco. Chove forte no coração de Rivers. O telhado da casa da Dona Adália exala hidrofolia, numa espécie de alegre rain therapy  entre a avenida cinquenta e quatro e a rua dois. Enquanto isso barquinhos de JC  partem em direção à novas e craqueiras peripécias respaldadas pelas noiabas lembranças da Vila Bisteca.

Esse clima é ótimo para fornicar, diz Helinho aos amigos de trabalho (Engefórceps). Essa faxina épica promove paz aos ladrões, agora amistosos e desanimados, e uma sinfonia de cafunés para os amantes. Na reconfortante e onírica alcova, limpinha e quentinha, a morte sofre de dor no dente sob o barulhar pluvial. Essa saraivada de water despenca também a cobrança de urgentes dívidas, e então traficantes tornam-se santos pacientes ao passo que o apressado motoqueiro sofre com água entrando-lhe pelas botinas. Chove, chove, vamos dormir com chuva que é esquema, meus amigos.

MAS AFINAL O QUE É O SORRISO?


O sorriso é um cartão de visita cheirando a sossego. Exala sossego e proporciona ao receptor a captação das próximas imagens em sintonia livre de ruídos e chiados. Karla Brega diz que sorrir é viver. Reza a lenda que Jesus frequentava os fliperamas do extinto Zig  Zag para ver gamemaníacos sorrirem após recordes batidos. Mas, como toda lei da balança-pesos-e-medidas-ponderados-para-evitar-a-marcha-rasteira-do ridículo, eis a verdade: quem muito sorri é tonto. O feeling odontopride não paga vacilos, e a justeza do sorriso no timming correto é que perfaz sua elegante poesia. É preciso maturar o sentido e a finalidade do sorriso. E quem nunca sorriu na vida também é uma merda. E filho do cocô é aquele que dissimulado sorri espertão como se assim obtesse ricos privilégios. Sorrir pra ser filho da puta não é sorri de verdade: é mostrar a bunda pelo sorriso, numas de mimo evasivo, covarde.

Mas afinal o que é o sorriso? Triunfal golpe da face, é o comovente ímpeto da alegria. É permitido ao varão sorrir e sorrir, e o sorrir de forma irônica como simples defesa pró liberdade, defendendo a liberdade é o sorrir das almas com fé nas trapalhadas do Chaves. Porque no palco da camaradagem explodem os riffs eleitos, as derivadas fachadas de polegares em riba, o despontar da gente finisse sem tola vaidade, além do simprão dedilhado de rostos alimentos pela pura felicidade. E assim é que é, três mais três, seis sorrisos pirando como um sexteto de buenas. 

segunda-feira, junho 18, 2012

QUEM?



Era uma banda apoiada nos teclados. "Soam como pianos etéreos" arriscava Jico, o tímido. E os rapazes traziam aos jovens sedentos por melodrama indie suas memoráveis melodias (uma espécie de Roupa Nova gringo das futuras vovós). Apoiadas na força de um reverb crescente, as doces almas ouvintes, tão sensíveis, voam até  conquistar o gradativo apogeu - sempre amparadas por aqueles refrões de tremer estádio. E pelas arquibancadas da vida, uivos e lamentos  elevam-se aos céus de prata, para desespero do Fábio Júnior. 

BRUCE CRIOU IMAGENS E

Romântico, defeco pinturas: linhas em eterna desventura, expansão agridoce, miniaturas de bolinhos de arroz pelos prados, pensamentos pra morar no porta mala do velho Chevette 77, sequências de folias primatas, respirações do branco pastel.

sexta-feira, junho 15, 2012

TEN YEARS AFTER


Era época dos grandes festivais nos corações: o começo da carreira solo do Madman, frenéticas audições dos primeiros discos do Motorhead, e então Randy Rhoads e o Rickenbacker de Lemmy soando como guitarra faliram diante daquela tenebrosa perspectiva: aparelho nos dentes! Joãozinho Fezes ficou louco.

A voz ficaria mole, a mouth com aparência proeminente, zuadamente feia? Os alimentos dando pala nos dentes, cidades de resíduos alimentares...o metálico sorriso um oferecimento das engrenagens do bafo? Será que então emagreceria, deixando o Seu Madruga com obesidade mórbida, enquanto o vírus do mau humor alastraria-se por toda galáxia, sem controle? Não. JF é forte. JF só precisa guardar o aparelho nos dentes durante dez anos.


quarta-feira, junho 13, 2012

acolhedora e sonhadora, velha Rivers de tantas dementes viagens.

LIVE TO WIN


Por mais brega que isto possa parecer, Paul Stanley marcou um golaço ao gravar a megapiegas piece of shit from the wrong fitas “Live to Win”. O refrão é demolidor. Simplesmente sensacional.

terça-feira, junho 12, 2012

As carambolas estavam na mesa. Sábado mágico: amigos, diversão, a macacada curtindo um rolê fodido na chácara da diretoria



E ontem (nove de junho) a macacada quebrou tudo lá na chácara da diretoria. Localizado no Portal dos Nobres, o place é fita. Pudemos curtir um rolê aquático, um rolê sinuca, um rolê futebol, um rolê churrascão, e a visão do poente é o destaque num contexto de conforto master e relax monstro.

Violão, carteado, carne no esquema, coração de frango no espeto, conversas, rúcula, chá gelado, café, pra quem bebe, bebida, goró e risos, sinuca, smoke tapes, futebol semi iluminado, Barquinhos tirando fotos de sky. O pessoal pousou por lá - e o Fefo roncou de leve, no quarto em que estavam eu minha Nízinha no duplo colchão no chão, e claro haviam os beliches, com Fefo, Barquinhos e o Velho Zanzi capotados numa nice.

Também Peter e Mary, Galdino e su namorada, Mr. Rainbow e Sarah, Iuri, Vitão, Tim - toda tropa feliz, bacana, é nóis.



segunda-feira, junho 04, 2012

As armas da rua cinco



O homem que marcha pela rua cinco é um homem iluminado. Pela rua cinco o ar resplandece mais vivo, e o cansaço definitivamente esquecido. Eterna rua cinco, tão especial, que mesmo abrigando um aristocrático colégio tão mecânico-banal, alheia reluz, radiante – e através de seu vulcânico âmago de rústicas paixões, viagens retardadas e sonhos malucos permanecerão puros e lunáticos, possibilitando aos mortais o completo desvario diante do mundo das razões. Ao longo de mágicos meses derretidos, ainda levaremos em cafeinados acordes otimistas nossos dias pela rua cinco:  mais que feliz, a bélica rua em favor da autosimpatia triunfará, simplesmente.

Rodando e remando pelos céus da rua cinco, o pesadelo desfila como mariquinha clamando por água, dinamitado. Do alto para o velho asfalto, podemos conferir a guerreira Lojas Cem em incendiárias ofertas - que por anos e anos fizeram a cabeça das famílias loucas pelos prazeres do sofá e do garantido ócio. Nas ávidas manhãs dos sábados, nos falantes o locutor avisava, para alegria de Rivers - ainda bem que tem: Lojas Cem! Inclusive em 2009 trabalhei como locutor das Lojas Cem, e com a grana recebida surgiu o primeiro disco do Garrafa Vazia. E falando em rock, falando em som, um pouquinho mais adiante, sentido avenidas pares, surge a questão: quantas vezes não precisamos da salvadora ajuda da Laser Express? Lendária locadora de cd’s com um esquema de locações deveras aprazível e inovador, a Laser fez história. Quantos discos clássicos não foram reverenciados nos anos noventa em disputadas sessões de cópias pró fitas k7, tão saudosas e românticas, assim influenciando gerações e gerações de rebeldes teenagers pelos lados de Riverside?

Em longas caminhadas pela rua cinco, sigo em leituras de placas e geral desmonte de semblantes, sempre numa nice, sempre tranqüilo na mente o boné é o sol. Então ouço vagarosas senhorinhas orando pelos cantos, invasões de grandes expectativas iluminam as velhas fachadas das lojas do centro, e em sagrados devaneios topamos com as tortas janelas do acaso, esbarrando despretensiosamente com os dementes estouros da ilusão. Ah meu amigo, pela rua cinco descobri que sonhar é muito mais fácil do que reclamar.

Klébi, o fanático, esteve na rua cinco em 1984. Nesse época ele descarregava toda sua tensão em elétricos baques numa famigerada casa abandonada. Os tiras sempre em sua captura, mas o Klébi não existia para os cops, e mesmo assim frequentava a Sorveteria Xodó e jogava a maior areia nos olhos da mulherada, influenciado pelos discos do A-HA. Dois anos depois, o cara de olheiras seríssimas que usava coletinho pardo como carro chefe, pisoteado seria num polêmico incêndio, logo ali, num prédio chiquérrimo em Campinas.

Junho de 2012. A rua cinco exibe suas armas: solitárias almas pelos arredores da cidade estão convidadas para o eterno passeio. Penumbras nevermore: basta querer que os cartuchos da elevação vão estourar, chefia. Remexendo as inquietudes do coração, a cerimonialista Margarete viu na rua cinco uma vital solução. Por lá, o gigante Janjão (que é a cara do Jaws, clássico vilão da série James Bond) andava louco de cachaça, zunindo como a ROTA, e ora vislumbrava ets ora zunia como a ROTA!

E o Marcelão? Estudei no Marcelo Schimidt em 1987, em 1988. Lembro-me saudoso das aulas de português, redações de sonho, que nostálgicas vão escoando pelos labirintos da memória. Nas aulas de Educação Artística pelos porões, e os cintilantes recreios dente de leite onde a mulecada partia pra porrada e quem fugisse do pau era ovacionado em mares de xingos: “Mijô! Mijô! Mijô!”. Suaves soberanas, ensolaradas tardes aqui vos guardo, porque através dos tempos platônicos, o grande museu nunca se apaga. As armas da rua cinco. Para a rua cinco, ninguém é invisível. Ela apenas municia seus filhos, selvagens ou cavalheiros, ampliando os terrenos do sonho.



pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...