sexta-feira, novembro 30, 2012

A AVENIDA 11 E SEU MÁGICO CAFÉ



O café na Padaria Veneza é sempre providencial.  Por apenas um merréu e cinquenta cents, minha alma tornará a ranger pela avenida onze , porque o rock and roll existe. Experimente, babe. Vale a pena. É demais.

Você briga pelo telefone. Um só momento de mórbidas acusações. Ela escuta, claro, e você pode até ter razão, mas aí pelo telefone a briga não é muda: como se  remasse a própria fúria, eis a queda de todos copos americanos do sossego, perfilados numa boa em cima daquele silencioso balcão, cinco minutos antes. Merda. Num golpe, a razão no chão. O balcão acusa você, é o ciúme? Desolado,  também o dono do estabelecimento acena lentamente com a careca suada, diz que tudo isso é desnecessário e juvenil. Mas suas mãos não pensam pra falar. O novo impulso envolve a nova porrada, o freio está desligado, e novamente os copos vão pro chão. Puto pra caralho, agora o telefone é uma merda maior - assim não dá pra sentir, não dá pra sentir, será que sinto anestesia de raiva ou raiva anestésica? Sei lá. 

E amanhã você nasce arrependido, terrivelmente apaixonado, perdido ou chapado de interrogações, de ciúme prolongado, doente da alma, doente do coração: maldito telefonema suicida aquele, ansioso ainda relembro o silêncio no balcão.

quinta-feira, novembro 29, 2012

É preciso renovar?



Você não precisa ser muito esperto pra perceber que dúzias e dúzias de 'bandas' nascem todos os dias para infestar as redes sociais com lixo e lixo mal reciclado. 

É só pescar um nome de merda no gúgol e pronto: arrumamos um motivo pra existir. Forjamos um padrão sonoro batido, nada manjado, e pronto: temos uma banda novinha em folha. 

Agora é correr sem senso nenhum de timbre e intuição, tascar uma gravação digitalóide sem alma e bingo: conseguimos! Vamos tocar por aí e divulgar nosso som. Somos "alternativos', somos "underground", o meio independente é nosso berço, blá blá blá. É só vender qualquer merda e boa, o ouvinte é burro mesmo...

Mas será que é preciso generalizar assim, Bliss James?

É sim. Nos tempos de teenager nanicolina espiritual e cerebral brazilóides indieotas circus, com raras e boas exceções, o que temos é uma ampla diversidade de nada e falsos porques elevados ao óbvio, causando enorme desprazer ao sagrado coração da música  e sua vizinhança chapa quente aqui na terra. 

Faça o exercício. É só rodar um pouco e apreciar: são os mesmos meninos da mamãe de ontem pedindo sua atenção! Sim, e com belos cabelos dentro ou fora do boné pedindo votos pra tocar na FM, ou gravando dvd ao vivo na igreja do irado Tio Tetão!  São os justiceiros do amanhã com seus arrojados trajes encarnados em  contradiOTÁRIAS ideologias de quinta série (bravos guerreiros engajados em frente um monitor, sem ao menos saber nomear um deputado ou discorrer sobre política com o mínimo de sensatez), são os tipos que "pescam raridades", são os fodões de passeatas muito radicais, meus amigos. 

E então: valeu a pena o exercício? É claro que valeu, porra. São muitas bandas originais pra se ouvir, não é mesmo? E a música? Ah, isso aí é mero detalhe. 

Mas espere, como eu poderia me esquecer? O que dizer dos novos analfabetos sarcásticos júnior e dos fabulosos niilistas de araque? Também não podemos nos esquecer dos californianos bons de briga, dos imitadores do bem, e daqueles que vendem-se com aquele discurso engraçadão, a típica playboyzada ociosa sem senso do ridículo - todo mundo felizão no eterno veraneio do patético. 

Por essas e outras, James Brown, Howlin' Wolf, Jimmy Reed. Só esses três por enquanto, que hoje é quinta-feira e daqui a pouco radiante o sol explode na velha Rivers.

quarta-feira, novembro 28, 2012


"Tonto", escuto isso direto da minha namorada. Escrevi "oi..." na sola do meu pé - gosto de me sentir alegre quando a chuva desaba na cidade.

terça-feira, novembro 27, 2012


Em silêncio, ela escutou Your Love, do The Outfield. Em bebaças letras de néon verde piscina a alma deslizante. Estávamos nos anos oitenta, e cabelos mágicos davam o tom nas garotas. Ela levou para o tapete do quintal a música. Ela levou todo aquele reverb mágico e seu topete casquinha de chocolate com laquê, enquanto Jerry era acariciado na barriga. Ele era o buldogue mais valente de toda Crazy Alley.  O restinho do encontro com Bliss James ecoaria durante a tranquila sessão de afagos, como se Jerry risse de barriga pra cima com seus óculos escuros 50’s rock and roll - e quando ela apertou pela última vez as bochechas do dog , nada de relevante aconteceu. Apenas acionara a antiga despedida, mas era como se reacendesse por dentro o restinho de loucas vogais, consoantes dançantes daquela memorável noite de sexta.

Nua, entrou no banheiro e saiu rosa, ela estava num pijama. Deitada de bruço, apagou a luz mas não as bebaças letras de néon verde piscina e a alma deslizante. O velho Jerry e a lua cheia lá fora, como eternos bancos de praças na madrugada dos sonhos.

sábado, novembro 24, 2012



É bem melhor não pensar e criticar por criticar, é bem melhor copiar o festival da tagarelice dos mortos. É bem melhor repetir opiniões sem sal, fazer média com a maioria. É bem melhor ser um brasileiro passivo, pronto pruma vidinha sem inflexão alguma e de consumo meia boca. São vinte e quatro horas por dia pra rebolar com a muleta da frase feita e do juízo pronto, e com o picles emprestado do vizinho. 

Até a diagramação mental mirim foi pro brejo, percebam.


É bem melhor ser ninguém no país do oportunismo de penico, do instantâneo calculado. É bem melhor não saber ler nem escrever de VERDADE, trilhar o comum, relinchar a esperteza da mais pura mediocridade, é bem melhor ser um merda e sorrir vazando bosta.

sexta-feira, novembro 23, 2012


É uma das minhas tradições.  Ela vai para o trabalho e vou embora para casa, logo cedo. Mas antes tenho que passar no Parada Obrigatória. É lá que peço uma dupla de salgados posteriormente enriquecidos com pimenta e uma garrafinha gelada de Sprite. Grande Alvinho! Saudosa rua 1!

Pela manhã, a estufa está lotada. Ricos salgados encorpados dividirão o banquete com a iluminada soda, trezentos ml de gás, refrescância e sucesso na medida certa. Com apenas oito pratas, estou no paraíso.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Lá vem a baleia inconveniente, ele disse. É um extrato de carência com polpa de banha fedida, você sabe, e ele apagou outro cigarro nas ocultas bochechas do asco.

O FOCO É MONOLÍTICO


Sou um sujeito muito desastrado. E pra piorar, também sou desligado pra cacete. Essa conjunção de defeitos tem me irritado, e hoje constatei que preciso mudar esse quadro, urgentemente. Por mais estranho que possa parecer, devo pensar menos. Devo focar em um só acontecimento por vez. Uma só proposta, por mais que minha mente percorra outros vagões. Devo afunilar a percepção durante tarefas que exijam especial atenção. O foco é monolítico, e o estado de REAL concentração é uma dádiva quando o assunto é evitar cagadas.

quarta-feira, novembro 14, 2012

"DESTRUIÇÃO TOTAL 2" !!!



É com grande satisfação que compartilho com vocês a coletânea mais explosiva de 2012!


Eis a fabulosa Destruição Total 2 !!

Apresentando:
:

Delito Anti-Social
Condenados
Herdeiros do Ódio
Devotos do Kaaos
Protesto e Fúria
Garrafa Vazia (com quatro temas gravados especialmente pra coleta, chefia)

LÉTIS RÓQUE!!!



segunda-feira, novembro 12, 2012



Eu me pergunto porque as pessoas que gostam de rock and roll encanam tanto com o "Camaro Amarelo". Atacar a música não resolve nada, pelo contrário: só a reafirma, complementando a mediocridade do triste quadro dos nossos dias. 



O problema não é e nem será qual a música que mais toca, a música da moda, e o quão irrisória ela é. A boa relação entre música e humanidade morreu há tempos. A relação das pessoas com a música em geral é cada vez mais detestável. Entre o milagre e a batalha do banal que nos legou a tecnologia , ressoa um longo e deprimente acorde dentro da interminável estrada do vazio.

COMO NOSSOS PAIS


Existe coisa mais chinfrim e pobreta que atravessar Abbey Road com cara de criança estuprada? 

sábado, novembro 10, 2012

Sábadão na loja de instrumentos.




Gosto de soul e funk de verdade. Dos baixistas que atacam seus baixos com fúria, punch e feeling. E abomino essa merda de slap genérico, slap de teta. Principalmente vendo esses branquelos bunda-mole se masturbarem com uma técnica idiota, que gera um som igualmente patético. Os robôzinhos mimados e seu groove tonto de churrascaria disputam em pé de igualdade com um cajón qual sonoridade é mais irritante e imbecil.

terça-feira, novembro 06, 2012

GARRAFA VAZIA - DOWNLOAD!

Baixe agora os novos sons do Garrafa Vazia- the fuckin' garage band from Rivers!
http://tramavirtual.uol.com.br/garrafa_vazia




ROCK II, A REVANCHE


Um drama realmente sensível - Rock II, A Revanche. O canal TCM é aquela velha tia fictícia que lhe oferece café com humildes bolachas bem na hora certa, ressurgindo rasante nos momentos sagrados da existência. 


Sim, e sua prontidão é alucinante. No fundo, talvez ela seja também tão exigente e durona como o incrível e incansável vovô-garoto Mickey, apenas aquele velho treinador do boxeador que acaba de ser papai.

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas. A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias. Caminhar, caminhar n...