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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

DAÓRA

OS KILLERS DE RIVERS

Eles queriam foder com tudo. Porém, acabaram dosando de maneira equivocada o tom das piadas. Foram expulsos do Galápagos a tiros. E hoje, num tranquilo churrasquinho de domingo, riem do episódio, alucinados de goró. De chinelo no pé, descamisados, vibram, estão lúcidos. Ao som de uma fraldinha mal passada, na grelha executam Wrathchild.

MERECIDO

As viaturas da hipocrisia estão roncando. Assim, há uma pequena pausa na ronda do patrulhamento ideológico de internet. Seres sensíveis e politicamente corretos também tem direito ao sono.

VIDA NOTURNA EM RIVERS, PARTE I

Em certo sentido, frequentar o Madalena é o mesmo que assumir que a vida não passa de uma dobradinha musical da Mariah Carey com a Céline Dion.

O CASAL SAPATÃO-FÓFIS

Um casal adolescente, um casal "sapatão-fófis". A meiguice através de uma avalanche de fotos para brindar as redes sociais. E pessoalmente elas agem assim: a primeira a arrota, depois a vez da outra. Fracos, fétidos ou nulos, tanto faz. Elas não conseguem atrair a atenção desejada. E então passam a falar pelas costas de negros, nordestinos e gays.
A gente ficou na cama assistindo o canal Investigation Discovery. Um programa sobre crimes que ganharam Hollywood. Como o caso da serial killer que traída pela ex-namorada caminhoneira termina seus dias torrada na cadeira elétrica. Ou da professora Helena versão States que depois de um ano de casório se envolve numa orgia com seus alunos pique malhação e convida a galerinha pra despachar o corno do marido. E o fazem com um berrão old school: a sangue frio, na sala de tevê o presunto é encontrado estirado no tapete da sala pelos tiras, bem na hora do jogo dos Lakers. São crimes bárbaros numa dublagem épica, vale a pena curtir.

ERIBERTO

Lá de cima do telhado, ele ameaçava o mergulho. A mulher aos prantos. O filho, que de tamanho batia-lhe na altura da cintura, purificava seus demônios em asas da paura. erguia-se aos berros, alma perdida em legiões de gritos em ecos tingidos de medo mirim. O condomínio era longe de tudo, e eles não tinham vizinhos. Uma chácara afastada do mundo. E na ponta do telhado, o Eriberto. Sua expressão era de homem distante. O sorriso perturbado-prazeroso desenhando-lhe no rosto de menino envelhecido a boba afeição pela pronta fraqueza, a estupidez locomovendo um coração de papelão.

No lento balanço daquele corpo gordo e banhudo, Eriberto assustava, tornava a anunciar o golpe, ameaçando a queda, o olhar cego para o alto, para baixo, aleatório. Ele tomba um pouco mais pra frente o peso do próprio corpo. Está perto de cair. Então recua. Para o filho e a triste mulher, o replay da sinfonia daquele suplício. E o teatro recomeçaria. Pra frente, pra trás: a impotência da esposa garantia o espetáculo.…

O HOMEM MISTERIOSO

O pequeno sujeito está num canto da sala. Leva mais um cigarro à boca, tragando sem a menor pressa. É noite de natal na velha Rivers. Os amigos estão reunidos na casa de Jeff Sono.
E entre eles, o pequeno sujeito. Que some do nada. Que aparece também do nada. Que ronda espaços vazios, espaços humanos. Que causa súbitas interrupções no andamento, no fluxo natural de qualquer ambiente da casa. Dentro da casa de Jeff Sono, a noite guarda alguém que abruptamente silencia o bate papo dos amigos. Seria um vulto? "Não, não é ninguém, continua". A conversa retorna, mas um pouco atordoado um dos oradores já esquecera o assunto, a última frase. Até que alguém avista o vulto. Perto da cortina da sala? Quem sabe? Não, ali, perto da porta. Sim. Olha ele ali. De pé, impassível.  A desviar facilmente os olhares dos presentes. Você acompanha a  cabeça da negada apelando prum violento zoom da curiosidade – e o resultado é o homem misterioso e o seu cigarro, à espreita, quase que escondido em…

IT'S TIME TO GARGALHADAS

Você que chorou porque não recebeu convite para posar na última revista JC Magazine, você que passa um fax enquanto lê tudinho das colunas sociais de domingo, do mesmo jornal, principalmente o "Babado Forte". Você que vê os ensaios o texto maduro dos colaboradores da revista, as matérias inteligentes, e as perspicazes entrevistas com verdadeiras personalidades da nossa terrinha, gente da gente. Você não acha que essa é uma revista de humor?

BAD TRIP MONSTRO NA ROÇA

O cara de camiseta preta do Slipknot, do Guns ou do Nirvana.

Coisas que detesto ou abomino, parte I

Aqui algumas, apenas. Como óculos escuros gigantescos, arredondados, deixando a varejeira com cara de  mulher "vergonha alheia". Ou corinthianos acharem que o que jogam é o verdadeiro futebol brasileiro. Algo que nunca existiu e nunca existirá. Mesmo ganhando, o Corinthians joga o bom futebol de segunda divisão. E por último: a revista CARAS de Rivers. Uma tentativa bisonha de imitar com o que de pior tem uma publicação dessa espécie. Ou seria apenas mais uma revista de humor?
Excertos de uma recente e agradável conversa com o corinthiano Gonzales, a respeito do carnaval da miséria.

"E é legal que a gente sempre falou sobre isso. Que é essa coisa da correria, da luta, do gol de cabeça espirrado no segundo tempo, no rebote...
É tipo um futebol de areia com um bando de favelados patrocionados, hehe"

DEZEMBRÃO DOS LOUCOS NA VELHA RIVERS

Jogando dominó mental com o mestre Zanzibar. Ouvindo Volume 4 com o Sabbath. Zoando a galinhada corinthiana, como sempre. Acordando feliz ao lado da Nízinha. Andando pelo comércio da velha Rivers, no dezembrão dos loucos. E quando entramos numa loja de presentes, escutamos um dos vendedores perguntar:
- O SEUS É ESSE?

NA AVENIDA DEZESSETE, O FUSCÃO PRETO

Na avenida dezessete, o Fuscão preto. Todo torto, estacionado. Com zero passageiro. Paradão vai respirando. Dentro dele, a  móvel materialização de inúmeros pensamentos. O formato invisível. Alguns estão apagados, outros também. Ou não estão.  Porque qual é a ideia nova e qual é a ideia velha? Na avenida dezessete, ninguém viu parado o Fuscão preto.

E o velho Ranir resolveu dar as caras por aí. Um dos meus amigos mais antigos, Ranir veio visitar a família e os conhecidos. Depois de uma caminhada mediana, tocou a campainha de casa, uma hora antes do chuvoso sabadão romper pelo céu de Rivers. 

E então o rolê pelo centro e bairros vizinhos. Relembramos as antigas instalações fixadas na rua cinco. Muitos móveis mudaram de estado de espírito nos últimos tempos. Note pelas calçadas, elas contam o quão inimiga pode ser a nova paisagem. Agora destruída toda "inocência do punk rock"? Não. Apenas saudosismo, nasci em Rivers, moro em Rivers. E citamos um ou outro sujeito que morreu de overdose. Mas citamos coisas engraçadas também. Passamos pelo Centro Espírita Fé e Caridade. Esse continua firme, em expansão. Panorama inverso que o da antiga casa bem a sua frente, que estava abandonada. Era uma casa abandonada, mas sonhadora. Agora demolida. Nada por lá. 


Enfim, um sábadão que agora está com a cara de A Whiter Shade of Pale. Horas a…

VICE-VERSA

Quem é quem? Geezer Butler é o Belchior ou o Belchior é que o Geezer Butler?

DIFICULDADES

Ele dizia sempre a mesma coisa: "o cara me trata esquisitinho"". Era o tom da  fala dele que o incomodava. Não parecia transparente. Não parecia real. Não conferia credibilidade. Depois de cinco minutos no mesmo local - e ainda por cima com a contínua ação do álcool - a convivência para o primeiro já não seria a mesma. Não. Não era nada fácil. Mentia quando dizia que o achava gente boa e ficava cento por cento a vontade com sua presença no mesmo ambiente. Ele dizia que o cara era tranquilo. Porra, um cara tranquilo não "trata os outros esquisitinho". 
Josias trazia para Jackson a falta de paciência social. Trazia o tédio, o desejo de bocejar a todo instante. Jackson, o chato. Porque será? Recalque? Mera insegurança? Recalqeu? Ou apenas uma maneira indireta de exibir que evitava a todo custo esconder os dilemas e mazelas de um sujeito frustrado? Não sei. Sei apenas que Josias e Jackson conversam pela metade. Duas bichas blefando sem parar.

SOU TRICOLOR

É a invasão de são paulinos em pleno Pantoja. De sorrisão andante, vão rindo, marotos, na moral - onze da matina na velha Rivers. 
Uniformizados, vão numa boa, jovens e idosos, escolhendo produtos, encarando ofertas, vislumbrando prateleiras repletas de biritas ou preenchendo cupons para mágicas promoções de fim de ano. Apenas almas vencedoras caminhando nas dependências do supermercado, no aconchegante bairro Cidade Nova, agora batizado Cidade Tricolor.
Em marcha lenta, eu apenas prossigo a comemoração. Abordando campeões e campeãs em seus carrinhos de compra, a felicidade persiste. Trocamos ideia sobre a soberania do tricampeão mundial, que na noite passada sem o menor esforço colocou as frangas argentinas na roda, com o Morumbi inteiro rugindo, num primeiro tempo que se confunde com a palavra massacre. 
Eu me saio bem nos leros, e me despeço das prosas com algumas piadas rápidas, puro improviso. Até que vou comprar carne:
- Meio quilo de carne moída de primeira.
- Moço, essa é a fila de…

VOU DAR UM TALENTO NELA

Fim de tarde no Dejota. Vila Indaiá. Horário de verão. Estamos na velha Rivers. Duas cadeiras amarelas de plástico estacionadas na calçada. Eu e o primo Sebastião Casagrande em cena, ganhando o movimento da rua. 
Surge então um moleque figura, com a camiseta da seleção peruana. Ele vai pedalando sua magrela, de chinelão mermu, sem pressa. Descontraído, vai desenrolando a ideia pros outros dois parceiros, que pedalam suas bicicletas na maciota também:
Eu vou ligar pra ela. Vou falar com ela. Vou dar um talento nela...


CALOR INFERNAL NA ROÇA

Posto Confiante. Preciso de um café. A única atendente trabalha junto ao computador, dando baixa nos filmes locados. Enquanto aguardo junto ao balcão, um sujeito quarentão acena com a cabeça em minha direção, num cumprimento tipicamente rioclarense.
E então a gordinha atendente lança:
- Vai acertar agora?
Em tempos de calor infernal na roça, a resposta do tiozinho vem de bate pronto:
- Vou acerta agora e inclusive esse sorvete.

UM JOGAÇO ROCK AND ROLL

Algumas coisas dentro do mundo do futebol ainda me fazem sonhar. Como assistir nesse último domingo o primeiro tempo de Manchester United e Manchester City. Isso sim é que é um derby rock and roll, babe

Blues e Red Devils, jogaço aguardado até pelo Marquinhos Teixeira, ex-romântico leitor das crônicas do grande Nelson. 

E onze e meia da matina, pontualmente, a bola começa a rolar. Assisto na íntegra apenas o primeiro tempo. No segundo tempo, infelizmente, acabei cochilando. Quando acordo, é tarde demais. Inclusive saio de casa depois numa puta correria. Preciso ir buscar meu discão do Blue Cheer na Feira do Vinil e Afins no Centro Cultural. Felizmente, chego no horário e saio feliz da vida com meu disco.

Mas e o jogo porra, quanto terminou? Não sabia ainda. O epílogo da treta até então, totalmente desconhecido.  Horas depois, no entanto, checo no site da ESPN Brasil o resultado da batalha. Qual teria sido o desfecho desta sensacional peleja, Marquinhos? 

O placar final é irrevogável: 3 …

"A FESTA É NOSSA"

Tem que pagar muita grana mesmo pra esses otários da Rede Globo posarem de trouxas, todos felizes e bobo-alegres, nessas chamadas de fim de ano da emissora. E podem reparar que a mais puta é sempre a Suzana Vieira.

RIVERS AND RED CITY

Praça da Matriz, tarde de domingo. Uma senhora e um casal conversando sobre o cachorrinho da grisalha mulher, o trio e o dog bastante descontraídos. A Heart School na rua sete. O colégio nazista da rua cinco. Feira do Vinil no Centro Cultural, último dia. Camaradas e muitas ideias na permuta, mas pena que tenho que vazar. Afinal, logo mais vamos pro encerramento de mais um Fest Clip em Red City. 
Foi um grande prazer fazer parte do júri. E muito bacana conhecer uma pá de pessoas novas e poder assistir uma boa série de videoclipes dos mais variados (vinte e cinco no total). Foram dois dias, com duas boas bandas fechando as noites de sexta e sábado. (Alabama e Mr. Tambourine Man & Special Sauce). Meu grande agradecimento a todo o pessoal da excelente organização, que além do ótimo tratamento e excelente e exemplar condução do festival, nos instalou de modo perfeito para pernoite na full of life and simpatia city. E hoje o encerramento da terceira edição do festival, que trará também …

JANJÃO E A BOLA DE BASQUETE

Educação Física no ginásio. Lá vamos nós de volta aos anos 90. Prato do dia:  basquetebol.
Era um exercício simples.  Consistia em caminhar em linha reta batendo a bola laranja com apenas UMA das mãos. O aluno deveria ser disciplinado e assim poder melhorar, aprimorar sua “batida de bola”. Missão aparentemente sem segredo:  somente um aquecimento, treino óbvio. Bata a bola até o fundo da quadra e retorne sem muito alarde,  dando vez a outro sujeito e assim sucessivamente. Nada muito problemático. Tudo sem complicações,tudo nos trinques. Apenas um exercício tonto.  Só que um dos figuras ali não parecia afim desse retilíneo percurso. Queria destaque, emoção. Queria acima de tudo livrar-se da simplicidade. Pra que feijão com arroz se existem holofotes?
Foi então que ele entrou em cena, meus amigos. Chegou a vez da fera mostrar serviço. Janjão ganharia a cena. Ele batia  a bola alternando as mãos,  cheio de energia, cheio de gás. Cheio de garra. Será que sabia passar a bola entre as pernas…

SÃO MUITAS ATRAÇÕES

Carla Perez e Paulo Coelho, dois talentos. Matanza, uma banda de rock genuinamente original e comovente, com um vocalista realmente perigoso - de interpretação, timbre e sotaque incríveis.
Meus amigos, alguém aí acompanha a sólida carreira do menino Felipe Dylon? E os prêmios que o baixista Champignon ganhou durante sua lendária carreira? Acompanhados de envelopes com cheque ou cash, são realmente bastante merecidos, é verdade.
Mas espere: vamos relembrar momentos épicos recentes. Que tal aqueles históricos shows de primeiro de maio - aquelas tardes FM para celebrar o dia do trabalhador? Quem não se lembra destas mágicas recreações com um toque Sônia Abrão? Paulo Ricardo teria nojo delas, mas pra muitos brasileiros aquelas sempre serão inesquecíveis tardes de muita música bonita e beijos roubados. O palco sob o céu cinza e cansado, o esquema todo armado, e entre as muitas atrações, o KLB enquanto headliner do buxixo.
Naquela época a diversão era matar um saco de balas de iogurte em poucos minutos. O que importava era ser imbecil na vida e na escola, inventando com alguma demência palavras bestas pra tentar explicar o sentido da natural  elementar idiotice humana. Naquela época o que importava era diversão em proporções destruidoras, mesmo sem ter em campo míseros trocados. Escassos, nulos,  recursos financeiros em coma, além de qualquer  possibilidade de usufruir de veículos automotivos. Naquela época era impensável ser do tipo que se amarrava em colecionar relógios de pulso (?) ou ser um sujeito tenso correndo pra não perder uma aula 'super puxada' de artes marciais. 
Às vezes apareciam algumas revistas Ações Games no rolê. Às vezes também éramos derrubados por notícias que permaneceriam cravadas na triste baía da memória: como às sete e quinze da manhã daquela triste terça-feira, em que o gorducho Milton gaguejara com o tenebroso anúncio de que poucas horas antes assistira um de nossos co…

QUINTA-FEIRA

Pela manhã, assistimos do meio para o final o filme Hail! Hail! Rock 'n' Roll. Almoço digerido, caminhamos heróicos pela rua três. O centro da velha Rivers daquele jeitão, e talvez por isso distribuímos cotoveladas, enquanto que sob nossas cabeças dois helicópteros dos tiras estavam em ação. E aquele sol bebum de lascar polonês como presente e contexto.

Nós havíamos dado aquele pulo esperto pros lados da praça central, e lá estava o Paulão e sua esposa com novas camisetas em sua simpática barraquinha. Avistamos uma camiseta do KISS bacana: o logo e os quatro feras convivendo num tom meio fogo, meio alaranjado-black. Trata-se de uma estampa nada-brega e muito agradável, era uma camiseta preta do KISS. O problema era o tamanho: M não rola. 

E assim nós caminhamos mais e o calor persistiu como penetra na festa, mas nosso bom humor não seria alterado não. Então foi a vez de conferir pelo lado de fora todo o frisson do Chiquinho Sorvetes, completamente lotado. Era possível curtir de…
Ela é minha gatinha maluca, e eu sou louco por ela. Se  sometimes  a gente se espanca, so fast o amor refaz qualquer indício de desentendimento ou little treta casual. Eterno casório inenarrável da mais-que-perfeita sintonia of the world , vivo em sonho e em sonho vivo, sagrada, límpida e dirty rock and roll mi vida, nuestra life,  eis a una paixão refletida pelos corredores nízescos do meu coração, em todas as manhãs, em todos dias. E sob o céu sossegado de delirantes estrelas fodonas, o destino prevalece.

EVASÃO

A necessidade de evasão. Por aqui, a noite de Rio Claro silenciosa , o repouso é o movimento nas ruas do centro. Ando de bermuda listrada e chinelo, vou escutando Howlin’ Wolf nos fones – aquele discão fodido de 1969. Estou chateadão, estou perdido por aí. Resolvo então pedir um café expresso no Auto Posto Little Bird. Quero revigorar os ânimos. Peço no copo descartável, pra viagem. E embora não tenha abandonado o estabelecimento guiando minha alma pelos ares, a sensação de elevação de alguma forma esteve presente. Esperança, você respira? Sigo caminhando, e me é dada a notícia de que o incansável Wolf está vivo nas avenidas ímpares da velha Rivers, presságio que os ouvidos confirmam. Ainda chateadão em reforçadas doses de mamute, o café  me fornecerá combustível pra lutar. Mas é preferível dormir e despertar somente na próxima década.

DESOLATION TIMES

Esqueça o talento. Esqueça os sonhos. Vocês não tem integridade, ela disse. Esqueça os sonhos. Esqueça a boa vontade. Esqueça que você não é visto como alma mutante. Você é previsível demais. E então admita que você sempre erra em todos os seus impulso de merda. Que você só funciona com elogios. Mas não se permita esquecer por enquanto que uma boa conversa com um objetivo em comum seria possível.
Mas pra que? Esqueça. Esqueça a capacidade de gerir algum bom diálogo, DIÁLOGO. Principalmente o diálogo inteligente, bem arejado, construtivo. Esqueça seu talento. Vocês não tem integridade, ela disse. Esqueça se o indizível prazer da música é importante. Se pra você a música é o sonho vivo, o alimento dos dias, o alimento das noites, isso poderá gerar apenas um desatencioso “ah, sim”. Esqueça que a música e a literatura inspiram sua vida. Enterre todas suas esperanças na rua da lama. Apenas caminhe sem  alegria através da tenebrosa estrada do inútil. Você será sempre o eterno vilão que ador…

CHARLES ESTAVA CANSADO

Ele estava cansado. Em quase três horas de apresentação, Charles representara fodidamente no teclado. Era um dos integrantes daquela banda que atacava de clássicos dos anos 70 - reviviam um pouco de Black Sabbath, Rainbow. Ali ele segurava a bronca curtindo uma simpática vibe sem crise, complementando numa boa a sonoridade do conjunto - e meio que tirava uma onda do rolê. "Não sei tocar teclado", era o que repetia em tom irônico, enquanto que aos olhos do público (em sua maioria vestido de preto) no fundo do palco tombava seu ilustre copo americano de conhaque. 


A banda tinha muitos caras metidos à virtuose, essa coisa cansativa da auto-afirmação do ego adolescente e tal. E pra dizer a verdade, no fundo Charles dava era uma banana à todos eles: tocava o seu teclado de modo minimalista e sincero, para sem burburinho dispensar as típicas firulas de índole onanista. Ao invés disso, jogava pro time: podia ser captado realçando os feixes e invisíveis parafusetas das cores principa…
Ela está passando aqui pra me apanhar. São quase três horas da tarde e temos uns documentos, uma ação envolvendo uma papelada aí pra resolver. Sabe aquela terça solícita? Pois é. Em dezembro de 2012 não conheço rush, nem Rush. Afinal, neurose é um troço que não aprecio.

UM JANTAR NAS RAIAS DA ALEGRIA

Pão francês com ovo frito e tomate fatiado. Matando sem compaixão é o filme na tevê.  Esta noite de segunda-feira em família é quase onírica de tão pacífica, em respeitáveis ondas da real descontração.

BRUNO LÓQUE SAVES

Tony Iommi criou a benção. James Brown iluminou a terra. E Bruno Lóque estralou a chapação.
Mais uma tarde salgada e sensacional. Brasileirão fim de brisa: São Paulo e Corinthians, que não vale absolutamente nada, descontando a indissociável rivalidade. Sou uma pizza de calabresa que ignora o amanhã, especialmente a terrível segunda-feira e todos tentáculos sistemáticos proporcionados aos fãs da carteira assinada. Sou um domingão fuzz espocando artimanhas pra cima daquele dezembrão velho de guerra, muchachos. Mais uma tarde salgada e sensacional, água gelada na alma e café na esquina. E na parte da noite, rock and roll pros nervos.

Não. Três Marchand debaixo do braço não é legal. Quando você arranca a tampa e arrisca dar um cheirada de leve, até que parece que ele é pró. Mas ele é fortão e zuado mesmo. Não rola. Você vai ficar todo cagado de mijo, fi. Mesmo uns experientes lenhadores andaram com bronca. O esquema é passar só um sabonete de leve. Não precisa ser daqueles reforçadão de coco. Tá tão calor ultimamente que a subaquêra predomina. Tomei três banhos hoje e tô grudando, porra.

Tá grudando porra?
Opa. E é por isso que você tá sem mulher, Gilson.
Não. Só tô explicando porque dispenso o desodorante, filho da puta. E você que tá na punheta faz uma cota aí, ladrão.
Pelo menos eu tenho um troco prum Três Marchand.











Três e dezessete da madruga e me sinto de boa, os músculos entorpecidos pisando nas areias mais anestesiantes dos últimos tempos. Quando me sinto assim, bocejar é algo válido.
Dois colchões no chão, lado a lado. Duas almas unificadas, um terno acorde vagando pela lua. Manhã de sábado, eu acordo num mau humor de lascar. Pernilongos, pouco tempo de sono, prováveis causas.
Teremos destinos distintos dentro das próximas horas. Ela terá seus compromissos. Eu não - mas mais que um compromisso, guardo ela no meu coração.
Caminho de volta pra casa. Vejo três pessoas cuspindo na rua 1, na altura da Antiga Estação. Ando mais um pouco, Junior Wells escuto com o sol, e de chinelão e bermuda listrada os parágrafos do sábadão naturalmente fluem. Pego a avenida sete, compro o livro do amigo Geraldo J. Costa Jr na livraria do Mário, meu xará.
Depois, a padaria Veneza. Nem preciso pedir: no balcão, o café. Sem açúcar, é claro. Volto pra casa, almoço com minha velha mãe e uma de minhas irmãs. Assisto um pouco da Espn Brasil, aparentemente desinteressado.
Em seguida, mais café. Com as festividades de final de ano próximas, ajudo o pessoal aqui - mesmo sendo um sujeito folgado e p…

O São Paulo prestes a disputar mais uma final internacional

O São Paulo prestes a disputar mais uma final internacional. O desejo de invadir o Morumbi. Meu velho pai, grisalho e feliz, narrando as memoráveis viagens pós títulos, imortais episódios dentro do caminho de volta pra casa, memórias que marcariam pra sempre os anos noventa.



Os amigos conversando animadamente em detalhes e versos tricolores - eis ressurgida a força e o poder de destruição do ataque, dos meias, zagueiros, laterais, volantes, e o camisa um nunca será esquecido. Sem pressa, os rojões constroem o verbo. Mais um caneco pra zoar os pobres rivais. Sem perceber, retornamos aos anos noventa. Lá estavam as merecidas pausas da viagem, pra rangar, pra beber alguma coisa na louca madrugada dos campeões. E haveriam mais piadas rápidas, sonhos reais e invencíveis, sonoras comemorações debaixo do céu de glórias e eternas conquistas.

A euforia ainda ruge, a euforia não descansa. E permaneço com eles, entre a pista do retorno e as esquinas da velha Rivers. O encantamento, o largo sorriso…