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Mostrando postagens de 2013

tosco tonto

depoimento do Dick Djalma: eu não sei dançar. meu quadril é duro demais. esqueceram de me oferecer gingado no bailado do pós parto. eu não tenho o mínimo senso do que seja "molejo", "swing", "balanço". minhas pernas são duras demais. e meus pés? meus pés são lentos e pesadões, compostos de chumbo e cimento megapesadão. eu sou atrapalhadão e desprovido de coordenação motora mínima. e de mais a mais, também não simpatizo com valsa. não sou acostumado com danças. passinhos. coreografias. além disso, sou formado em timidez. sou um completo idiota e me amo, gosto de punk rock podre, mais cadenciado ou rápidão. começo a dançar em círculos, vou formando um ansiosa caminhada em pequenos círculos, esferas de poder, não preciso usar os braços, eles não são alavancas - apenas vou formando minhas bolas invisíveis no chão, meio ovais, meio podres, e gasto energia coloco endorfina no pote da satisfação. eu vou pogando do meu jeito, torto todo tosco tonto.
se você não se alimentar, a inanição solta-lhe um jab no rosto. se você não comer, você não consegue atravessar a rua da diversão, se você não se alimentar numa mastigação sensata, você fica mole e bobóide enquanto a noite aparece vestida para matar - mas você pode se alimentar - comendo umas duas bananas, tomando duas metrópoles de água gelada. enquanto isso, vê a família curtir uma comédia leve na tevê, o horário de verão amplia o bocejo do sol, e você ouve Carnival of Sorts, comecinho do REM. Depois na tela os comerciais aparecem não-agressivos, anunciando os filmes das dez e meia, os filmes de daqui a pouco - e o REM prepara Radio Free Europe pros seus ouvidos baterem palmas e curtirem uns passinhos sincopados na marotagem, é hora de andar de chinelos em alfa na alameda da tranquilidade. não se preocupe com farmácia, contas pra pagar, trânsito, nada disso interfere no presente, hoje a tarde é eterna, clarão triunfante joga sentimental tubaína neste calorzão revigorante, tropica…
e de repente o mundo virou uma gargalhada. as cidades recebem automáticos falantes celestiais, Forever Young do Alphaville invade vilas e praias, esquinas e calçadas com suas formigas de calça jeans. algumas árvores, tão magrinhas, lépidas sassaricam, suas raízes vão de siricotico-ico, sem crise - os automóveis somem da Avenida Urina e os pedestres ganham o século XIX de volta, o mundo é uma gargalhada, mas longe do fácil sarcasmo e sua sacola preguiçosa, a gargalhada é pura alegria no coração dos homens, preconceitos idiotas são trucidados com o martelo da justiça sambarilóvi, o seu humor é um carrinho de rolimã de velocidade imortal, o espírito incendiado vivo arrisca uns mergulhos com asas pela transparência, como se remasse pelo céu a mente ébria, à luz dos meio-dias nós ouvimos a terra roncar para um merecido cochilo, dores se esvaem, ventos em cócegas transmitem mais gargalhadas dentro da Antiga Estação Ferroviária enquanto a noite ouve Stones 68, entornando cachaça ou mordiscan…

DISPARO NO PORTO

O Disparo começou. A postura no palco é totalmente despradonizada. Guilherme Sousa é o único que mantém seu lugar, com dois machados fulminando a bateria. Rafilks no baixo zanza, ora em cima do palco (esculpido sob caixas de cerva), ora em baixo, zanzando chão movediço – Rafilks e seu caótico timbre “o mundo acabou em desgraça na pastelaria do lixo”. Porra, é um baixo agudo e podre, sujo, distorcido e mal lavado, carcomido e feroz, enquanto Xinxa delirante pega a guitarra-serra e pratica a arte inaudível, mas faz umas bases foderosas com dois copos de Paisano neural respingando querosene. Lembro-me claramente incrusive quando Xinxa trocou a palheta pelo microfone, o que renderia uma sonoridade ímpar ao trio noise sãocarrasco. “Todos são falsos” disparou o front, que gorfava microfonias em japonês com linguagem zero e berros neokamikazes em frequências bastardas. Lá atrás a cozinha pegava fogo na lama, era rapidez e sujeira de deixar qualquer oficina da maldade corada de vergonha, tam…

17:51

sem jabá, sem tico-tico de papai-picareta, no pêlo, na raça, gana, fúria, amizade, irmandade, quilômetros rodados, amizade, raros ensaios, suor latente, som alto e cada vez mais alto, madrugadas com o violão sonhando sem palheta, três acordes faça ocê mermo, tocando na rua, na praça, no mato, gato de energia, sangue escorrendo pelos dedos, refrões cantados ao lado dos irmãos, troca de materiais, faixas cravadas na memória, riffs povoando o cerebelo chapadão em narcóticos noise, frases sem sentido, mata ralph e hbelo de cabelo marshmallow, os novos amigos, as caminhadas pela madrugada dos dias, o inconsciente latindo dentro do pudim invisível que é o pós niilismo rejeitado na sequência com estoicismo em 12X sem churros - cheio de folia incoerente na sarjeta, a risada, a camaradagem, a humirdade dos primão, intercâmbios pelas cidades mágicas da fraternidade punk, falando sobre velhos discos, tomando um litro de podreira, arte do bezerrão nóia, o traço tosco no lápis crust, velocidade no…

RESENHA: ABUSIVE !

Era algo impossível aquilo.

Aquele homem estava  febril, mas era uma FEBRE de uns 60º, um negócio muito sério.

A praça, a cidade pirou forte.
Mas ele não dava indícios que iria empacotar. Mantinha-se firme, de pé, ainda que com uma olhar muito louco, morto-bêbado capega mas voraz, expressão latente de quem adotou Marte como lar há decadas. 
Sete pessoas o cercaram ao ar livre, na praça.  Eram sete curiosos pescoços mas na real não paravam de chegar pessoas.

O homem estava calado, mas seu fébrão atingiria países de humanos, países de loucos corações cheios de cólera.

O homem tinha os olhos vermelhos de sangue, pupilas vermelhas, aquele quadro era composto por um esculpido semblante do horror, a boca dura, pegando fogo.
Na praça, aquela febre humana então apenas pronunciou -  a língua lem brasa, as mãos trêmulas: ouçam este cd, agora!

E o pessoal, que também ficara FEBRIL pediu ao chefinho ali do carrinho de cachorro quente: "com licença, será que o senhor pode   reproduzir o cd aqui,…
Não teve jeito: o Éder engoliu o molho de chaves. 

Na terça-feira, em Sorocaba, Éder subira na bicicleta com groselha turbinada na cachola. E começou a andar pela contra-mão, na maior, dedo em riste para os pedestres, desafiou dois Fuscas bêbados, driblou a normalidade e a corrente saiu, da bicicleta se despediu, uma das rodas entrou em greve, a outra também, velocidade em alta mas o Éder vôou mais longe - foi arremessado com tudo pra frente, o Éder jacaré voador parou dentro de uma almofada, sua eterna prisão. 
E agora é a vez da Jaqueline colocar o seu bumbum em cima dele, o sofá é da Fátima Bernardes, a Jaqueline tem cáries na alma e dentro da almofada o Éder lamenta, diminuído.

ISTO É ERASURE

Ele curtia os três primeiros do Erasure.


Achava pesadão e agressivo, um synth pop extremo, magnífico.


Os caras perpetram a arte do arranjo sincero, gostava de lembrar, sentando em frente ao espelho do quarto. E ia mais longe, mascando BABALÚ FRUTAS FRESH - o pop é um pacotão perfeito de feelings, um pacotão fácil de retirar o papel de presente, um pacotão funcional e fera, um pacotão pra embalar nossas noites adolescentes, dizia Rich, o rico. Rich o rico era rico desde o topete - mas às vezes o loiro lobeca jogava de ladinho, pra se sentir limpo e feliz. Rich era o rico-lulu mas lia livros do espírito coletivo.


Erasure era um grupo do milagre ao mágico no parquinho da alma, para ele. De meia branca esticada avançando a gênese de suas canelas depiladas, ele ouvia os cassettes com afinco, antes e depois do colégio, durante seus intervalos mentais, durante a vida, antes da morte aparecer no telhado vestida de lilás e rodopiando seu perigoso bambolê.





Agora em modo FM coloque seus sentidos par…

CONHEÇA O ROBÔZINHO XÓPIS!

saiba como identificar um "robôzinho xópis" !

o robôzinho xópis atua em redes sociais, principalmente. 

está sempre conectado. é online pra caramba. é um espécie de maria-de-auditório destes meios de comunicação compartilháveis e curtíveis. 

mas como ele age? 

age como merda.

uma vez criado seu perfil - com uma foto SUPER REAL e muito chamativa - o robôzinho porta-se como puxador de conversa mole. 

quer ser amigo de todos. como não consegue, testa reações: troca de foto a cada dez segundos, buscando poses, maquiagens do espírito e na face. vale tudo, "não estou queimando meu filme, foda-se". 

e o que mais?

bem, o robôzinho xópis é analfabeto e alienado, mas camufla-se de grande defensor da humanidade e de grande causas, causas que irão mudar dentro de algumas cliques.

quer exemplos? 

primeiro ele sonha com um celular de última geração. será que alguém vai se apaixonar por ele porque sua mãe ou seu tio escocês comprou-lhe o lançamento? não se sabe, o robôzinho xópis não sabe …

DEAD HUMAN - COVARDES NO PODER (resenha)

Como diz meu amigo Kriss Silva, vocalista da Violent Illusion: aqui vai um "cros ovo", dos bão destroçar o tempo-insanidade, dilatar o caos. 


Na primeira faixa - com o refrãozão dando a letra sobre toda viagem errada que é resolver uma fita estando armado - a bateria te deixa doidão dos pés aos telhados tortos do cérebro, e o baixo também, mais marcante que o Bukowski tingindo de sarcasmo um bangalô. 


Palhetas ferozes neste registro são fatais. Guitarrão chapulethrash ! 

São as  ferozes palhetadas, colegão, que cospem mini-furadeiras automáticas, que são capazes de perfurar o crânio do tubarão satânico Teobaldinho, que atacou uma galera logo após o incidente fatal do grã fino Bateau Mouche.


Porra bicho: o Riba tem puta vocal nervoso, é verdade.  


Vocal que é um grave-médio possante que vomita areia com sangue na tua consciência bicudada, PRÁU! - nos arredores da arena urbana da discórdia eis o Dead Human , que nos cros ovo do São Carlos te trucida, arrebentando no verbo sonoro e …

FOLIA PUNK

É um disco esquisito. É que você ouve sem mexer a boca e parece que você está devorando uma suculenta omelete, com generosos pedaços de cebola no esquema.
Folia punk, suas canelas suando, você sentado ou de pé, sovaco comprometido-derretido.
Parece que você está sem sono, são quatro e consoantes bélicas da manhã, na cama - sem sono mesmo. Aí zapeia a tevê, controleando remotamente a fatia dos segundos surge um filme tontão americanóide legendado, você para pra ver essa porra e quando percebe está rindo sozinho, feito otário. Mas um otário gente boa.
Fecha o filme, é outra noite quente, você vai de Rousseau, um otimismo fera invade seus cotovelos cheios de energia, ou choveu na quarta toda, não sei se são as cebolas, mas eu vou, você vai reparando que as melodias agora são mais chiclete, você está curtindo mais, é como aquele sábado noturno - você reúne os amigos, vai rolar aquela festa fera, de praxe, as pessoas seguram os copos desarmadas, espírito macio, e os convidados são formados na…

A FIFA, A CBF, O MUNDO, A DESGRAÇA É ENGRAÇADA NÉ?

É engraçado, eles acham engraçado tirar sarro.
Tiram sarro do Corinthians, da tragédia, do estádio, do guindaste, dos mortos.

Humilhar é fácil porque é o medo do otário que monta a paisagem.
É assim: "é só um operário, que se foda".

Ou: "foram dois, tanto faz, foda-se - quando é que fica pronta a obra, comprei ingresso pra Copa, hein?".
Não, não você não precisa ser nenhuma espécie de humanista, você não precisa ser um humanista  e escolher numa máquina de guloseimas dentro algumas de suas várias ramificações pra ser SENSÍEL e minimamente coerente ao ocorrido.
Não, eu não estou sentindo fome com o estômago dos miseráveis.
Só estou refletindo rapidamente sobre esse egoísmo, esse lado solidário inexistente na geração iogurte - essa maneira stand up brasileira de ver o mundo, que sempre foi assim né? Bacana.
Quem pagou o preço foi o pobre operário, pronto.

Quem correu o risco fora aquele encardido fantasma pra muitos, o escravo que joga maionese no território do consumo, aque…

AS CRIANÇADA E SEU LEGADO CAFONÃO

Eles contam o mundo pra gente, a gente acredita - nós custeamos a Luciana Gimenez lendo Artaud, a Ana Maria Brega explicando como curtir os clarões do Cézanne, o Gilberto Barros declamando Rimbaud no originalzão - enquanto o João Kléber verbaliza meandros de Le Corbusier.
E enquanto isso eu vejo AS CRIANÇADA qui na internet só consumindo. Ninguém sai do faceburro.
Você não é que consome, Júnior.
Daqui dois anos, dez anos, três segundos esses caras serão uns grandes merdas.
Não adianta fingir.

Eles são uns peidos. Só apontam escolhas pra se "AUTO-AFIRMAÇÃO" da maneira mais cafona possível. Não contextualizam, reflexo é o do celular no manequim clichê - porque antes de tudo não são eles mesmo - são apenas cliques e respostas prontas.
Léxico de semáforo? Léxico de gírias pirulito.
São cliques, compras de internet, consuminho arroz com feijão. 
Fotos e vídeos, MARCAÇÕES.

Eles acham que são - nem isso eles são. Mas pode ter certeza: eles são uns belos duns merdas. 

Que merda de mundo vão d…

ULTRASAMBARILÓVIPUNKBLUES

Acho bacana que - ainda que muito estupidificada - a rede ainda tenha uns sujeitos bem intencionados, que, empenhados, gostam de ler, estudar e refletir  - procurando passar conhecimento aos mais acomodados, aos mais preguiçosos.


No entanto, se o assunto é política, uma hora uma brisa enfadonha entra de fininho no ambiente do meu humor. 

Por mais que as posições sejam claras ou não, o debate corrosivo em ânimos, às vezes o debate se esgota rápido - uma hora o troço fica cansativo.



Acho que a trama histórico-política na rede cansa na verdade pelo excesso de entulho ruim que atrapalha as coisas boas, mesmo separando o Joey do Trigo - pois seus ingredientes - tais como as ferrenhas oposições juvenis despensantes, e a fresca vaidade do sujeito devorador de livros em reproduzir as falas alheias (numa malice sem tamanho) está mais preocupada em apontar do que em construir.



E isso tudo é desperdício, já que a vida escorre curta.



Bom ser crítico. Bom refletir com argúcia, mas o céu existe também.



T…

MUITO MASSA

A meninada não paga pra entrar no show - pelo contrário - é remunerada para assistir (literalmente) as bandas locais.
Durante o evento, a meninada terá toda bebida do mundo free, enquanto brincam na internet e a banda se esforça, ao fundo (a meninada pode pedir alguns covers, se preferir!). E na saída, eles recebem discos raros, assinados pelos seus ídolos.
Na semana seguinte, a meninada arma um chat virtual ou real. Assim, eles formarão bandas maduras, que já nascem com uma respeitável discografia em mp3 e cinquentas turnês pela África.

Conforme a moda, a safra de estilo da meninada pode variar - aquele coisa típica :  "hoje sou crossover, amanhã anarco lindo, depois grind de direita" - tudo é válido, desde que você seja rapidamente identificável (com ou sem gúgou)


E é assim.


Você será aceito pelas suas belas escolhas aparentes, pelo seu potencial de consumo, muito massa.

O NOVO FANTASMINHA CAMARADA

Quildo fez uma barraquinha de carniça e dormiu dentro do YouTube.
Não acordou tão cedo, nem precisou de remelas.
Em 2023 o Brasil tropeçava, cansado. Sua pele registrava temperatura média de 43 º, uma delícia de câncer gratuitão, todos idosos caindo, soterrados no chão.
"Só os fortes sobreviverão".
Forte, fraco - reajuste moral, dicotomia da babaquice, teorias mal apreendidas, preguiça como sagú na boca besta? 

Afinal voltemos ao Quildo: ele estava apenas pulando o cursor. É, ociosão: até o ponto onde a tão facilitadora barrinha vermelha sorri: olha aqui Quildo, eu recomendo, clica. Clica aqui neste trecho do vídeo Quildo, marca sua marca, sua marca marca, aqui tem uma piada bacana, e você só precisa prestar atenção na hora de rir, isso, assim, como um catatônico picles.

Uma piada bacana. Ou aquela tirada moral que regozija a vendada platéia, não precisa pausar o entretenimento não Quildo, o mundo só está ruindo numa boa.
Boa soneca prolongada na carniça abençoada, hey ho, o Quildo…

45.

No baú guardarei Ramones, Social Distortion. 
No baú deixarei uns refrões do Muzzarelas, no baú eu sei - pão com mortadela tubaína e Joe Strummer - ouvirei a eterna voz do punk rocker Voltaire - no baú nós velaremos pela contundência porrada de Sartre, pelo romantismo decaído de Fante, no velho baú.
Numa tarde cinza, cheia de pequenos frios e abraços, eis a cena perfeita: minha amada, nós dois, a gente, e o baú guardará aquelas cicatrizes dos personagens impossíveis de tão devastadores - das almas dostoievskianas - Cinema Paradiso no coração.

No baú nós ouviremos Bon Scott gritar feito um beberrão alucinado de calça mijada e surrada, suando goró num pub sujo e quase vazio, com aplausos sinceros naquela luminosidade baixa, o pub é o baú, encardido e amaldiçoado nas esquinas de Gogol, mas ainda estamos ouvindo AC/DC - nos gorfos trêbados bonfirescos ele mermu ressurgirá - com alguns bourbons a mais, é claro, atravessando todas as esferas da cuca às 03:15 da matina, porque Johnny Thunders f…

BARÇA 1 X O ESPANYOL

Sexta-feira. Sete e cacetada da noite, horário de verão, a humanidade de bermuda curtindo um sorrisão na alma.
Neymar dá o passe, a bola milimétrica escorre lenta, em diagonal - perpassa o meio das pernas de DOIS defensores - e Alexis Sánchez completa.
A jogada do Neymar pela esquerda provou que o fera é muito mais que um "piscinero".
- Neymar tá ficando maduro né?
- Eu nunca vi um lance desse...no meio da perna de dois jogadores, um tapa preciso...

quarta-feira quase coerente

quarta-feira quase coerente. 
a vida transcorrendo em ritmo de suor lá fora, e o meu pescoço tá podre. pescoço duro é osso. 
mas uma quarta-feira humilde, o chão do quintal continua  amarelo, é amigo dos pobres - e quase quente demais.
temos que atravessar o fogo, "o labirinto de insegurança" - em Rivers muitos carros pra pouco espaço - os motores em excesso congestionam as orelhas da paz, mas você está de pé, ouvindo outros sons amarelos, enquanto novas descaminhadas luzem a cada esquina, e já que você vai dialogando com qualquer dimensão, aproveite.


O POBREMA É O SIGUINTI

o problema do patrulhamento ideológico é que muitas vezes o caboclo não consegue nem levantar uma folha de alface neural e já abre o ralo pra cima, distribuindo abobrinhas à rodo. 

e claro, como em toda cômica controvérsia rola sempre aquele apego piegas à verdades fixas, cômodas. 

verdades absolutas que vão sendo distribuídas só pra ganhar uma espécie de terreno vazio, verdades inabaláveis correndo sozinhas dentro de um verdadeiro par ou ímpar aleatório.
o legal é o debate respeitoso e longe da praga trivial, bate-bola dinâmico mil grau, com as diferenças postas e repostas no horizonte, sem os rótulos como meros porta-vozes ventríloquos do fajuto - artifícios cansativos que vão  esmerdeando logo de cara o rumo da prosa.

a arte do diálogo precisa ser respeitada, vamos acender uma cambalhota no meio desse egoísmo purpurinado em preguiçosa arrogância e curtir uma alegre discussão de responsa, chefia.

eu acredito na vida

eu acredito na vida. é claro que a morte precisa de um sentido.

eu curto uns objetos falantes, também aqueles largados pelo louco asfalto dea cidade, como uma imensa rocha localizada na manhã de hoje por um amigo, uma rocha monstra e pesadona logo ali, perto da Avenida 29.

eu acredito na vida com o calor da amizade, justa, leal.

porra, e tá calor pra caralho. 

pafúncio tomou quinze chuveiradas na sequência, aidete cinquenta e oito e não serviu de nada, o calor ri, o calor é sacana.

duas noites atrás o tapete no céu parecia água suja, alternado em clarões cinza-rápido, repentinos cruzados nos olhos do sossego, mas eu não temo a chuva, se ela quiser tomar um café comigo vai ter que ser sem açúcar.

***
Antoine Roquentin, o pequeno-burguês:
"Interroga-me com os olhos: aprovo, abaixando a cabeça, mas sinto que está um pouco decepcionado, que desejaria mais entusiasmo. Que posso fazer? É culpa minha se em tudo o que ele diz reconheço incidentalmente citações, ideias alheias? Se vejo reaparecerem, enquanto fala, todos os humanistas que conheci? E conheci tantos! O humanista radical é particularmente amigo dos funcionários. O humanista dito "de esquerda" tem como principal preocupação conservar os valores humanos; não adere a nenhum partido, pois não quer trair o humano, mas suas simpatias se voltam para os humildes; é aos humildes que dedica sua maravilhosa cultura clássica. Geralmente é um viúvo de belos olhos sempre úmidos de lágrimas; chora nos aniversários. Gosta também dos gatos, dos cachorros, de todos os mamíferos superiores. O escritor comunista gosta dos homens, desde o segundo plano quinquenal: castiga porque ama. Pudico, como todos fortes, sabe ocultar seus sent…

É OU NÃO É, AMAURY?

Não é falando um trem de palavrões a cada frase chavão que você vai ser respeitado.

Isso aí parece coisa de criança montada, que decora a televisão inteira, ou daquele estilingado papagaio com defeito, afinal espontâneo nem quando morrer o sujeito será. 

E outra, ficar com muito xingamento nesse tom falseta, meu jovem, principalmente no trato com nobres conhecidos, isso aí é viver num escudinho sem vergonha, é ou não é, Amaury?
Três acontecimentos tão dolorosos, tudo tão recente.
Viver é perigoso, viver é angustiante.
Pessoas queridas sofrendo demais. Horas interminavelmente trágicas. Amigos perdidos cada um à sua maneira, a dor tão lancinante, cruel. 

E outros amigos vendo de fora, alguns inconsoláveis, outros mudos, mas eles vão unidos, comovidos na descida, tristes corações.

Perto do fim, nós vamos com o tempo consumido em dor, tempo sôfrego inundando o espaço, paredes de quartos derretidas em lástimas, você vai pra cama, pro colchão, veja aqueles gritos silenciosos, almas perturbadas em olhares nublados andando insones. Interno e externo o movimento da perda responde pela dor, tão complexa, cruel.

Entre esquinas da desilusão, tragos desesperados vão amanhecer solitários. O silêncio nunca é o bastante. Pelas casas, a perplexidade contaminada de niilismo, brutais porradas dos dias.
E esses últimos dias trouxeram-me  três acontecimentos terrivelmente dolorosos, pessoas queridas em perigo, confrontando a dureza da…

SAPATO PODRE E A SEDE

Eu tenho um sapato que está com sede.

Pensa nos meios de obter a redenção. É fácil, não é?


Para diminuir a sede, é um gole de suco Ades, gelado, agora.


Porém tal obsessão está neste exato momento no tablado, com a preguiça. A luta é boa, mas a preguiça deu uma chave de braço de arrepiar.


Eu quero água da torneira, já pensei assim, não é sapato?


Mas atualmente o Ades vai servir de marmita. Afinal, tenho me alimentado pouco, analisa no fundo o sapato, um pouco apreensivo por combustível.



Meu sapato está com sede de Ades sabor simpatia. 


Antes de dormir o sapato precisa molhar o bico, é inegável.

Precisa refrescar a alma, a sola, senão o sono é sacrifício. Sem líquido a dormência é como se fora a existência solene de um podre eterno esgoto sem refresco, sem tranquilidade, crescido em odores desagradáveis.

Mas o sapato é preguiçoso, porque sua vontade de iniciativa toma uma lavada da falta de vontade, o langor aqui é uma música suave na calmaria do Havaí, três famílias, três gerações tomando aper…

POSSO FALAR?

É engraçado, é engraçado quando o entrevistado não consegue falar.
Ele permanece com a boca travada, igual catraca de bicicreta 18 marcha falida - não, o entrevistado não consegue falar, porque o entrevistador é um trouxa que quer demonstrar conhecimento a todo instante. 
Imagino esses sujeitos que apresentam programas de televisão, como o Abujamra e o Jô Soares comprando frases de efeito na avenida Paçoca. 

É maçante, chefe, maçante como perceber aquele livreco-parido-em-arquitetura-chinfrim brochando a estante da vida. De novo? E então a conversa se desfaz como polvilho derretido antes do nascimento, sangue de minhoquinha grudado no tédio, sem PORRADA, sem imaginação o bastante.



RESENHA: AÇÃO TÓXICA - AÇÃO E REAÇÃO (2005)

Bumbo que vai é bumbando sua mente.

Riffs nas cordas cortantes, a rua agora vive contra-mão, veloz-alucinante.
Baixo e guitarra e batera unidos em rapidez constante – que vão rasgando com fúria o coração do ouvinte - eis aqui o lendário Ação Tóxica, de Porto Ferreira-SP.
O disco “Ação e Reação” nasceu em 2005.
São nove cacetadas de arrepiar o esqueletão.
A primeira música é um singular ritual hardcore,verdadeira iniciação ao coro.
Orquestração da vingança - no recheio solo frenético, gritos de paura com mosh, pacotão doido que relembra “The Garden of Earthly Delights” de um Bosch absintado em  Diógenes, chimbalanceira desgracenta no seu aparelho sensorial cheião de drive e satisfação.
É:  e a bateria assinada por Vareta é assassina, ruge o vândalo do hardcore, no piloto da percussão avassaladora que não se cala por nada, que destrói o próprio caos.  Vareta toca com alma, como poucos.  

Bem, antes de prosseguir, devo dizer-lhes o seguinte: esse disco é um dos meus favoritos da atualidade.

A …

CRIANÇA E PERPLEXO AO ALÉM DO FIRMAMENTO

Criança era um cara focado no desinteresse, embora seu afeto amparasse a loucura com muito afinco.
Era o inverso dele o Perplexo, porque era sério.
Os dois reuniram-se para vomitarem juntos, urravam, e a alma gutural lhes invadia o peito, dois primatas, Perplexo mais agudo era uma alma vadia, cuspindo sangue na face da Calma, enquanto Criança andou nu pelas nuvens e expeliu pus pelo ânus.

FERA E MUITO FERA

Fera: você viu que fera as manifestações de ontem em SP e no RJ?

Muito fera: vi, Fera! Muito fera!


Fera: a mídia mais reaça comenta só o foco do desvio. pra variar né? gasta linhas de clichê com os vândalos, com as depredações. eu quero que se foda, já tá uma bosta esse país, vamos acabar de enterrar não fazendo dever porra nenhuma, como tudo mundo faz ou finge ser, afinal ninguém tem caráter, nem o meu pai, a corrupção vem dentro do pastel de feira, tem mais é que arregaçar tudo e esporrear no freezer...

Muito fera: foda.

RESENHA: VURMO - A LUTA É VOCÊ QUEM FAZ

Quinze pedradas, sem piedade!
Tudo no melhor esquema "faça você mesmo".
Disco de venda proibida. Disco em memória de Marcos Aurélio Dantas Flabes.

A capa é truezona, em preto e branco, com um belo desenhão aludindo ao terror urbano em profusão - em meio ao caos vigente de eras e eras de safadeza e miséria humanóide na terra. 
Esse é o Vurmo, de Minas Gerais, e seu disco "A luta é você quem faz!".
O registro é empolgante e coeso do começo ao fim, discão podre que eu pirei forte. 
Saca só chefia: em março de 2013, Podrão, Kiko e Heduardo entrariam no Cerrado Estúdio, para registrar épicas pauladas como "Até quando estupidez?", "Merda", "Miséria no lixo" e "Pelo menos vomitei".
Triozão do capeta, o Vurmo. Com Kiko no baixo, alternando os vocais com o chefia Podrão, que ataca na guitarra. E no tupaco-paco vem o Heduardo, descendo a lenha na madeira, infernizando a geral num punkão hardcórre dos bão!
Atenção: gostei pra caralho da ha…

FELIZÃO DEMAIS, EU SEI

Pensamentos esparsos.
Em sequência errática.
As coisas boas dos dias: a minha paixão, minha companheira, minha parceira. Meus pais. O amor pelos animais-ziquinhas do convívio, espaço feliz frequência frequente. 
O som, a podreira. Som cru, gravações podres.
E os amigos?
Os amigos! Valiosos.
Nesse ano fiz amizades que porra, é difícil contar a você como se concretizaram! Do nada você conhece umas pessoas de Plutão Declóvis e plum, o acaso vira rock and roll permanente: parece que há miliano vocês já eram aqueles velhos trutas de coração!
Coisas inexplicáveis.
Do lado ruim, tento sempre ser um sujeito tranquilo, não sou filha da puta com ninguém, mesmo com aqueles que não sabem brincar sem deixar que seu ego proporcionado em cuzionismo e injustificável falta de educação ataque em busca de placas de pare e mancadas dispensáveis. 
Roubadas de brisa nos últimos tempos, porcentagem alta ou baixa, foda-se, haverá essa contingência até 3014, porque babaca age de graça. 
Mas também, seria muita prepotên…

VIDEOTECA DO LEMÃO: HIPPIES NOT DEAD - Geração Café Cancum

A inocência vai embora com a infância 
Está chegando na fase adolescente... 
Quer provar que não é mais criança... 
Mas pros seus pais ainda mente! 

Geração café cancun! 

Os pais deixam o jovem reprimido 
Isso só aumenta a sua libido 
É levado a tomar uma atitude 
Que o deixará amargo e rude!!! 

Geração Café Cancun!

KxTxH – Hardcorefobia: Caos no Capão (resenha + download!)

Lá do Capão. Bela capa, desenhão agradável, gravado no pêlo, na pegada Chulapa na lata, bola dominada perto da pequena área.
A intro traz pra nóis um macumbão dos bão. Fumaça do mal preparando o crima!  São duas-riff-seqüência de deixar o capeta de zóio gordo revirado no sofá de zorba.
Depois entra em cena o cancioneiro cuspindo na cara da ordem vigente. Pô, o vocal expressa realismo sem tico-tico e todo descontentamento questiona na bicuda o mundo de merda que nós vivemos – este é o KxTxH, formando bases sólidas de sua ira por vezes debochada, mas sempre com aquela guitarra serrando o marasmo, é uma serra cujo motor baixo-batera cede alvará para o curto circuito mente adentro do orvinte.
E o trampo permanece tropé contínuo e instigante – até vovó Durvalex poga na maior, dispensando o Odair José da vitrolinha por alguns instantes.
No enredo musical contido em   “Garota do Bosque” sobram sátiras aos amantes do rpg e do power metal, arquétipos e tipos da rua são esculhambos sem cerimônias …