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Mostrando postagens de Março, 2013

AGITO SOCIAL 1

Eles levantaram, e Peterson beijou Célia em ambas as faces. O contato dos lábios do rapaz levou-a a limpar rapidamente as bochechas. Sorte que a Célia tinha um guardanapo ali no jeito! E ela ainda franzia o semblante, num movimento de nojo após a esterilização. Peterson então afastou-se,cabisbaixo, com um pouquinho de chocolate no canto de sua boca tristonha.

SILÊNCIO NA RUA OITO

Pelo celular, ele conferiu o horário: quatro e pouco da manhã. Celsinho andava cabreirão. Voltava a pé pra casa, sozinho. Não havia uma viva alma na Rua Oito naquela altura do campeonato. O Celsinho, que era um cagão por natureza, olhava desconfiado para tudo que não se mexia. Qualquer indício de movimentação ou mesmo ruído imaginário já o deixava apavorado. No meio daquela paura interna, lembrou-se da música Sorrow, do Bad Religion.
"Será possível que não passa nenhum carro por aqui? Nem uma bicicleta? Nenhum nóia neste trecho - como assim?" Não era nem tanto a perspectiva de um assalto ou traumática abordagem que o congelava: era o próprio medo de sentir muito medo. Celsinho respirou muito fundo, o máximo que podia, sentiu-se nadando no riozinho de sangue do inferno, nadando embaixo do sangue, de olhos fechados, com a respiração curta. Apertou o passo. De cabeça baixa, seguia com as mãos no bolso, rangendo os dentes incessantemente. Queria chegar logo em casa, porra. Tomar …

MAURÍLIO E AS PARLADAS

Aopa pessoal! Apresento-lhes o que o  Maurílio ouve o tempo todo!











Grande Maurílio!

VÍDEO DE MALACO CIGARETTES!

CERIMÔNIAS DO SANGUE VESGO

Mania. Mania. Em um blogue da bipolaridade brasileira, o comentário avisava que o Anônimo estava fazendo "regima." Diabetes, fantasma, perder os pés, perna, ter os sonhos decepados numa trapalhada anti-açúcar. A Flock of Seagulls - I Ran. Goles de refrigerante para o firmamento dar de ombros,  na madrugada forrando a pança de refrigerante um humilde rocker da roça avança para o descanso. Impulsividade, o duelo. Boa, ruim? Guarda-chuva. Tempestade de ansiedade na cabeça, enchentes, os dedos sem unhas, os dentes rangendo no inferno que é o labirinto da tensão, sob areia movediça pensamentos incontroláveis que na verdade são digressões de corações ansiosos trazem mais impulsividade, a expecativa é um helicóptero cinza com o combustível renovável num precinho camarada. Vejo o poder de concentração levando bala, metralhadoras em xícaras de café serão cúmplices. Mania. Mania. Ler, escrever, ouvir, ver? Sentir. A Flock of Seagulls - I Ran. Achar o caminho da ruína profissionalmente…
Você liga o rádio e desliga, porque FM não presta. 
Você abre o Facebook e pedindo ibope lá está o Pinico Santa Cruz. Lá está mais um banana, alguém cujo "sucesso" lembra a palavra "sofá". Reunindo o melhor de seu pífio vocabulário cafona, ele apela para aquele discurso "somos parte da mesma coisa". Com muita originalidade e astúcia, o brother aplica sua retórica de quinta categoria, e no meio daquele mar de decadência coletiva, você parece ouvir seu sotaque hilário e exageradamente adolescente. Você admira sua bagagem filosófico-cultural monstruosa e polivalente. 
Então você liga a tevê. Emocionados, os jornalistas brasileiros preparam um especial sobre a morte do Chorão, que sensibiliza o ânus de todo o Brasil. 
E por um momento você ri. 
Você sai de casa e confronta o céu azul. Você não tem pressa e caminha tranquilo pelas ruas planas do centro da cidade. Você tem fones de ouvido, e com um leve aceno você cumprimenta aquele senhorzinho simpático, aquele gu…

PERÊNIO ESQUISITÃO

Quando Perênio saiu, estava na maldade. O nevoeiro dentro  de sua cabeça imediatamente engolira sua boa fé  - e ele já não conseguia separar bons sentimentos de matança e destruição. Distinguir era para os fracos, o Perênio ligou o F e entrou numas de ser o último farrapo honesto na face da terra.
E de repente uma bad trip pintou na área. Perênio se sentiu esquisitão. Parou no meio da Rua Teflon Seven, era puro desconforto. Seu estômago borbulhava, a testa babando suor frio. 
Sentia-se como que despencando em queda-livre, talvez do vigésimo oitavo andar. Perênio cairia de peito aberto, a barriga nua e a rua, para tingir de vermelho um pedaço de chão imundo na velha Rivers, os ossos espalhados sob o céu azul.

Elegantes edifícios não iam dar a mínima. As pessoas saltariam o defunto, e depois voltariam para ver um tiquinho da Globo depois do rango. E depois a concentração visaria a digitação correta dos botões no caixa eletrônico, talvez no dia seguinte. 
Perênio desmaiara cheio de vertigen…

RAFINHA TALES E O MONSTRO

Foi então que ele ouviu um barulho: BLUM! Um BLUM claro, nítido. Uma bofetada no ouvido da galera. Uma sonora bofetada pra aguçar os sentidos de várias cidades invisíveis. E como ele estava do lado de cá de uma porta trancada e o monstro estava do lado de lá, não era preciso ser muito esperto para descobrir que a coisa estava preta para o lado do Rafinha Tales. E pelo barulho, a bofetada era uma bicuda: BLUM. Em sua cabeça, BLUM, surgiu a imagem do monstro enterrando as unhas compridas e sujas de ranho seco em sua pele sensível e cor-de-rosa, ele sentiu sua gengiva agora estuprada e bastante infeliz.
Subitamente, Rafinha Tales se lembrou de uma canção do Lulu Santos. Como podia gostar disso, dessas coisas, usar essas roupas limpas, engomadas, andar com gente merda com cérebro de gengibre? BLUM. BLUM. A porta não aguentaria o tranco. BLUM.Quando um monstro começa a entrar para valer na fase 'destruição eu amo você', um dos sintomas apresentados pela vítima é o cagaço seguido da …

'MIL VOLT'

Havia uma pá no porta-mala do carro do Trindade. Tonho precisou de meia hora para abrir passagem no estômago e cagar de acordo e, a essa altura, era quase meia-noite e cacetada. Trindade esperou impaciente, pra variar.
Do outro lado da cidade, Janota ligou o rádio. Janota desliga o rádio. O corpo do roqueiro da igreja de surfista fedia já, ela pensou. E eles suspeitariam dos adoradores do crack. 
Tonho assumiu o volante. Trindade ia de co-piloto, fumando um baseadão cabuloso, puro rabo de crocodilo. Dobraram uma curva bem fechada e lá estava vindo de encontro o caminhão da Elektro, com a pancada a estrada explodiu e todo mundo virou pirulito queimado.
Eu desliguei minha moringa. Escrevi um recado para mim mesmo dizendo coisas bastante grunhíveis.  Eu não sabia para onde estava indo. Pedia uma xícara responsa de café para lucidez, senhora responsável, a mais responsável das almas errantes, vagantes almas aqui no espaço cegueira, e quando tentei retomar o pedido pela segunda vez, vi tudo embaçado.  Desisti de dormir. Mas continuei deitado na semana seguinte, embora eu estivesse sem sono. De rosto inchadão, eu levantei capengando, parecendo um fantasma beldo chutando copos de vidro e copos de gelo.

E a maneira como eu enxergava o mundo mudou nessa última noite, não foi? Sempre muda. E mudou e muito, mudou o mundo, eu pisei outro em cima da manhã e o sol e a sombra trincando as calçadas do centro, o céu felizão, eu meu mundo ela o mundo dela o nosso, eu ela nós, pra melhor, a gente a gente. Eu amava ainda mais a minha mulher.

Eu comecei a pirar, a trip intensa e nítida: ah,  o quão o amor é um incendiário foguete dentro do coração sem …

COISAS DE CARRINHOS

Ao passar pela sala, o pedaço de salsicha largado embaixo da mesa chamou sua atenção. Ele era tão apetitoso quanto um dógão feito no carrinho do Gilbertinho da 14.
Inquieto, Cristiano Belina o apanhou e o engoliu.
Na primeira resposta do estômago, havia uma ânsia de pôr tudo pra fora : apenas um jorro marrom ou amarelo e tudo estaria liquidado. E então a dor realmente começou a perturbar-lhe. Agora se mostrava um homem lívido de rosto fino e suando na sola dos pés. Cristiano Belina estava intenso nisto, começou a suar tão forte que perdeu o equilíbrio, e perderia a virilidade em questão de segundos. Agora era uma mulher de olhos sombrios e lábios grossos dizimada por uma salsicha. 

gás pra todos

Jogando palitinho na câmara de gás. Luz de neon, laser bacana no convívio, câmara de gás de jogo de luzes em olhos cheios de felicidade. Câmara de gás no comando baby, o Bono Vox chapéu de cowboy,calça de veludo verde almoçando ervilhas, você vomita uma série de puns. (Silêncio, o Bono voa embora). Os palitinhos se espalham, o fiscal olha do monitorzinho em preto e branco: garfos são garfadas, dentes de garfo imagens de dentro pra fora, são os seus pulmões agora, e aquelas luzes vermelhas piscando, piscando, piscando, respire ervilhas são bolinhas, ervilhas entupindo seu nariz agora verde por dentro até você respirar sem sair nada, respirar não existe mais.

ELE ERA A CARA DO NUNO LEAL MAIA

Ele era a cara do Nuno Leal Maia.

Só que ele queria ser rico e ter muitas garotas. Gostaria de um carro novo,e não de um cancro. A cidade de mil almas não se abateu. Meia dúzia de roupas pretas guinchando lágrimas de crocodilo, e naquele velório cheirão de clorofórmio, levaram o Guto sem pressa pra Belzebu currar.

A BOLOTA DO PEIXITO

Não!  Conserve meu pote aí, porra! Eu quero minha bolota no lugar original. Converse minha lata aqui, onde ela onde está. Deixe ele assim. Isso. Os ombros curtem ele aí, este é o Peixito falando direto da Terra. 

Pena que então veio a equipe de mudanças do Sérgio. Códigos e códigos de indução, foram abrindo a porta na bicuda, meteram um safanão na napa do cidadão, eles deram um BRAILE ali, no Peixito's house. E pronto. E o Sérgio nem tchuns: só contratara os rapazes e bola pra frente. Peixito agora gritando como Tom Araya: não, deixa meu pote aí filho da puta! Peixito sem camisa, com seu corpo magro e ossudo, de abdômen amarelo todo amarrado no sofá. Sentado e com um cinto de segurança na altura do saco, os pés chutando o ar, porque era levado pela equipe de mudanças do Sérgio pela Avenida Suja Park. 

E respirando pelo cu, Peixito desejou ser um peixe, e nadar sem rumo num aquário de groselha, loucamente a locomoção até a morte, na groselha, natural.