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Mostrando postagens de Agosto, 2013

MÚSICA?

Não, você não ouve música. Ela sequer lhe foi apresentada. Você está interessado em ser um otário. Que apenas respira, rasteja através da moda. Esbelto e de orelhas sábias, escolhe o que já escolheram por você. "Vip". "Pop".Você é um perdedor credenciado.

SEXTA RIVERS

Fim de tarde. Rivers. Sexta-feira e a rápida pausa dos ônibus suburbanos, recolhendo almas em trânsito. 

Na Rua 5, o colégio estadual Marcelo Schimidt está de portões abertos, uma voz microfonada de mulher celebra a rua, mas o tom é o que não consigo alcançar, visto que a neurose de poucos carros engarrafados corta o barato do bom senso.



QUINTA-FEIRA

Quase três da tarde. Rivers. Na encruzilhada da Rua 4 com a Avenida 3, agitação humana. É a corrida desenfreada para os bancos, para o comércio, para o suicídio da diversão.

Vejo um ex-gótico de regata laranja e óculos escuros, andando de chinelo, perto da loja onde vende suco. Vejo senhorzinhos de bengala, heróicos, cheios de vida, grisalhos e batalhadores. Uma senhora de idade avançada veste blusa preta, sentado em um simples banco do Jardim Público. É hora do descanso: à sua frente o carrinho de sorvete boceja. Na banca ao lado despencam os gols da miséria, marketing decadente, e mais ao alto o semáforo trabalha sem graça: estamos na Rua 3. 

Na fila do banco Santander reclamações de um eletricista rancoroso, histórias de boné pra trás "ele tumultou o plantão, contou uma piada nada a vê, do boi verde...", mas há espaço para iluminações, fora do banco, entre cochichos das calçadas, reluzentes, Rivers pressente.
As estrelas de Rio Claro caçoam dos escravos do tempo. Na Banca do Anésio uma formiga de bandana vermelha procura uma esgotada edição da Rock Brigade. A próxima paisagem é um simples colchão voador, balança a loucura de um homem comum.

INTENSIFICAÇÃO

Quem poderá acordar e sair voando pela janela do quarto? Uma alma vagante, um fugitivo? A manhã responde clara, límpida. Céu cristalino, nuvens macias, móvel travesseiro de terra branca, sob o olhar estilingado do sol ameno, tão brando e puro que reverte a sutileza em força. Buscando outras fronteiras, o homem que deixou a janela da razão voa pelas ruas de Rivers.
E todos na Rua 3 apontarão - "olha!" e vão deixar o homem voando. Voa alto, derramando suor nos transeuntes. Voa aspira brisa, pretende, consegue. Porque pela Rua 4 o homem voa, perpassa a Sociedade Italiana, brota-lhe a paz no ambiente macio que é cada extremo cotovelo.

A Loja Acesso vende mouses.E o homem inconsequência. Voa em linha reta em linha louca, sinuosa, rasante entre prédios cheios de predicados. Os curiosos correm juntinho, pesados em inveja, e o homem voa perdido, sereno, sentimento da manhã descende pelos pés suspensos, unhas felizes voando sem chagas, desprovido de intermediários o homem apenas sacud…

duas gavetas

Duas gavetas à minha direita: a gaveta da especulação e a gaveta do diálogo.
Não consigo pensar com clareza. Mas sei que a gaveta da especulação é bem contraditória. Ela gosta de ir pescar aos domingos, levando no bagageiro a paranoia. Mas antes de partir, não dispensa uma pequena pausa: encherá os pneus no Auto Posto Incoerência. 
Você vai lá pescar. Ajeite o manancial de idéias fixas.  Na corrente de cada movimento do braço, a cada gesto calculado, a paranóia toma-lhe um pouco da vida, deixando a morte aguçada. Que bom. E no final o parafuso diz que a morte sairá vitoriosa, esse é o peido que o rio da miséria intui na sua canela arrepiada, o pum cresce e o aroma da paranóia rebola em sua face.  Então você diz que isso não passa de mera especulação. Pausa a pesca, esquece o peixe, afia a discórdia, diz que paranóia e trevas são uma dupla sertaneja que não alcançou o sucesso de Tadeu e Todinho, que as duas não passam de naturais figurantes de quinta categoria, buscando  uma rápida apar…