sexta-feira, dezembro 27, 2013

tosco tonto

depoimento do Dick Djalma: eu não sei dançar. meu quadril é duro demais. esqueceram de me oferecer gingado no bailado do pós parto. eu não tenho o mínimo senso do que seja "molejo", "swing", "balanço". minhas pernas são duras demais. e meus pés? meus pés são lentos e pesadões, compostos de chumbo e cimento megapesadão. eu sou atrapalhadão e desprovido de coordenação motora mínima. e de mais a mais, também não simpatizo com valsa. não sou acostumado com danças. passinhos. coreografias. além disso, sou formado em timidez. sou um completo idiota e me amo, gosto de punk rock podre, mais cadenciado ou rápidão. começo a dançar em círculos, vou formando um ansiosa caminhada em pequenos círculos, esferas de poder, não preciso usar os braços, eles não são alavancas - apenas vou formando minhas bolas invisíveis no chão, meio ovais, meio podres, e gasto energia coloco endorfina no pote da satisfação. eu vou pogando do meu jeito, torto todo tosco tonto.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

se você não se alimentar, a inanição solta-lhe um jab no rosto. se você não comer, você não consegue atravessar a rua da diversão, se você não se alimentar numa mastigação sensata, você fica mole e bobóide enquanto a noite aparece vestida para matar - mas você pode se alimentar - comendo umas duas bananas, tomando duas metrópoles de água gelada. enquanto isso, vê a família curtir uma comédia leve na tevê, o horário de verão amplia o bocejo do sol, e você ouve Carnival of Sorts, comecinho do REM. Depois na tela os comerciais aparecem não-agressivos, anunciando os filmes das dez e meia, os filmes de daqui a pouco - e o REM prepara Radio Free Europe pros seus ouvidos baterem palmas e curtirem uns passinhos sincopados na marotagem, é hora de andar de chinelos em alfa na alameda da tranquilidade. não se preocupe com farmácia, contas pra pagar, trânsito, nada disso interfere no presente, hoje a tarde é eterna, clarão triunfante joga sentimental tubaína neste calorzão revigorante, tropical punk repouso parque, caminho sossegadão para os nervos. e mais água gelada, porque tá tudo certo.
e de repente o mundo virou uma gargalhada. as cidades recebem automáticos falantes celestiais, Forever Young do Alphaville invade vilas e praias, esquinas e calçadas com suas formigas de calça jeans. algumas árvores, tão magrinhas, lépidas sassaricam, suas raízes vão de siricotico-ico, sem crise - os automóveis somem da Avenida Urina e os pedestres ganham o século XIX de volta, o mundo é uma gargalhada, mas longe do fácil sarcasmo e sua sacola preguiçosa, a gargalhada é pura alegria no coração dos homens, preconceitos idiotas são trucidados com o martelo da justiça sambarilóvi, o seu humor é um carrinho de rolimã de velocidade imortal, o espírito incendiado vivo arrisca uns mergulhos com asas pela transparência, como se remasse pelo céu a mente ébria, à luz dos meio-dias nós ouvimos a terra roncar para um merecido cochilo, dores se esvaem, ventos em cócegas transmitem mais gargalhadas dentro da Antiga Estação Ferroviária enquanto a noite ouve Stones 68, entornando cachaça ou mordiscando uma torta gelada de limão, humilde, e a terra prossegue de buenas, roncando, fã do Stevie Wonder pré I Just Called to Say I Love You.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

DISPARO NO PORTO

O Disparo começou. A postura no palco é totalmente despradonizada. Guilherme Sousa é o único que mantém seu lugar, com dois machados fulminando a bateria. Rafilks no baixo zanza, ora em cima do palco (esculpido sob caixas de cerva), ora em baixo, zanzando chão movediço – Rafilks e seu caótico timbre “o mundo acabou em desgraça na pastelaria do lixo”. Porra, é um baixo agudo e podre, sujo, distorcido e mal lavado, carcomido e feroz, enquanto Xinxa delirante pega a guitarra-serra e pratica a arte inaudível, mas faz umas bases foderosas com dois copos de Paisano neural respingando querosene. Lembro-me claramente incrusive quando Xinxa trocou a palheta pelo microfone, o que renderia uma sonoridade ímpar ao trio noise sãocarrasco. “Todos são falsos” disparou o front, que gorfava microfonias em japonês com linguagem zero e berros neokamikazes em frequências bastardas. Lá atrás a cozinha pegava fogo na lama, era rapidez e sujeira de deixar qualquer oficina da maldade corada de vergonha, tamanha sórdida pancadaria trucidada pelo trio. Vamos dar trabalho mesmo, vamos incomodar mesmo, as letras do Disparo são de deixar Artaud parecendo o Padre Zézinho, provocação é foda-se, queremos banquete destruição, berros sem sentido porrada na orelha, todo mundo dançando na telha zorzo não tem frescura, Disparo é a maldição, Disparo não tem cura.
fotos do Lucas Rosa, baixista, barba-ruiva e Makumbah grind parceiro.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

17:51

sem jabá, sem tico-tico de papai-picareta, no pêlo, na raça, gana, fúria, amizade, irmandade, quilômetros rodados, amizade, raros ensaios, suor latente, som alto e cada vez mais alto, madrugadas com o violão sonhando sem palheta, três acordes faça ocê mermo, tocando na rua, na praça, no mato, gato de energia, sangue escorrendo pelos dedos, refrões cantados ao lado dos irmãos, troca de materiais, faixas cravadas na memória, riffs povoando o cerebelo chapadão em narcóticos noise, frases sem sentido, mata ralph e hbelo de cabelo marshmallow, os novos amigos, as caminhadas pela madrugada dos dias, o inconsciente latindo dentro do pudim invisível que é o pós niilismo rejeitado na sequência com estoicismo em 12X sem churros - cheio de folia incoerente na sarjeta, a risada, a camaradagem, a humirdade dos primão, intercâmbios pelas cidades mágicas da fraternidade punk, falando sobre velhos discos, tomando um litro de podreira, arte do bezerrão nóia, o traço tosco no lápis crust, velocidade no batuque, cadência no baixolão do sítio elétrico, granada é uma boa releitura demorada, olha lá, mais um bailão em véspera, microfonia é serenata dozdoido, pedal gan gan, pa's rachados, som queimado, coma árcólico dos parça, loucos dorminhocos ocupam capôs de carangos estacionados aleatórios, fumaça nas esquinas da trutagem, arranhar um som com o gbh, antiga estação ferroviária de rio craro equinócio novas gerações, velhas gerações, os amigos em abraços sinceros, viagens e o companheirismo dela, as leituras no busão, no quintal a janela sem frestas como se assoprasse a lua ninja de tão purona e belda no céu, toda cheia, canções a serem escritas no coração da américa toda fudida, o caos borbulhando explosões pelas veias, lutadores do asfalto em polichenelo na segundona braba, incessantes utopias com cachaça metafísica, risólis voador, conflito de egos, ratos de porão e o rock veloz dos amigos no rock da estação, hippies not dead, irmãos, hippies not dead, irmaõs, hippies not dead recomeçou o pulso dos garrafa , desde 1995 na ativa, o hippies, hippies not dead, na transparência rara e fudida aqui no interiorzão, e pra fechar o 2013 nostálgico o sprit ao lado deles, porra, que honra! - que eterna alegria - "toca uma pra mim", que crássico, e mais é mais. porque agora vai o som meu chapa, aperte o play.









domingo, dezembro 15, 2013

RESENHA: ABUSIVE !

Era algo impossível aquilo.

Aquele homem estava  febril, mas era uma FEBRE de uns 60º, um negócio muito sério.

A praça, a cidade pirou forte.

Mas ele não dava indícios que iria empacotar. Mantinha-se firme, de pé, ainda que com uma olhar muito louco, morto-bêbado capega mas voraz, expressão latente de quem adotou Marte como lar há decadas. 

Sete pessoas o cercaram ao ar livre, na praça.  Eram sete curiosos pescoços mas na real não paravam de chegar pessoas.

O homem estava calado, mas seu fébrão atingiria países de humanos, países de loucos corações cheios de cólera.

O homem tinha os olhos vermelhos de sangue, pupilas vermelhas, aquele quadro era composto por um esculpido semblante do horror, a boca dura, pegando fogo.

Na praça, aquela febre humana então apenas pronunciou -  a língua lem brasa, as mãos trêmulas: ouçam este cd, agora!

E o pessoal, que também ficara FEBRIL pediu ao chefinho ali do carrinho de cachorro quente: "com licença, será que o senhor pode   reproduzir o cd aqui, no seu sistema de som?"

E entre batatas palhas e salsichas delirantes, o senhorzinho de roupa branca assentiu com a cabeça.


PLAY!  A banda? ABUSIVE, lá de Bastos, cravada em São Paulo.

Agora era compreensível.

O carrinho explodiu na hora!



Abusive: power violence em ebulição corrosiva ou pedras de calçada grind chovendo em curto circuito, noise-balanço do inferno, dança macabra das caveiras noise.

Trilha autorizada dos despachos regurgitados em segundos intensos de náusea compulsiva pelo ar– para alguns, são segundos ultrarápidos, para outros segundos trágicos – de uma tragédia vingadora, a começar pelo seu cenário ensurdecedor, vive a cena: a bateria esmigalha o conformismo-padrão da arte mela cueca, a guitarra tem a voz do além, em frases relâmpago punch ódio nóia de um cadaverismo ultrarápidão, o som é esmagador!

O homem agora tem a temperatura de 102º grauzinhos, outras setes pessoas começam a enxergar uma praça banhada em sangue, estão dançando e se mutilando espiritualmente, libertando-se do óbvio – para além da rotina, dos padrões de convívio, o som do ABUSIVE escancarou em seus rápidos segundos 10 granadas que mudaram para sempre a praça, as pessoas, aquele homem que agora engoliu e mastigou os próprios olhos, babando sangue e reverberando fúria em passos lentos, em contraponto ao disco, tocado mais uma vez, mais duas vezes, três vezes, ABUSIVE é a nova refeição do senhorzinho que abandonou a profissão para ir à Bastos bater cabeça, pogar e chutar em euforia o restante de seus dias no reino invisível do caos.






quinta-feira, dezembro 12, 2013

Não teve jeito: o Éder engoliu o molho de chaves. 

Na terça-feira, em Sorocaba, Éder subira na bicicleta com groselha turbinada na cachola. E começou a andar pela contra-mão, na maior, dedo em riste para os pedestres, desafiou dois Fuscas bêbados, driblou a normalidade e a corrente saiu, da bicicleta se despediu, uma das rodas entrou em greve, a outra também, velocidade em alta mas o Éder vôou mais longe - foi arremessado com tudo pra frente, o Éder jacaré voador parou dentro de uma almofada, sua eterna prisão. 

E agora é a vez da Jaqueline colocar o seu bumbum em cima dele, o sofá é da Fátima Bernardes, a Jaqueline tem cáries na alma e dentro da almofada o Éder lamenta, diminuído.

terça-feira, dezembro 10, 2013

ISTO É ERASURE






Ele curtia os três primeiros do Erasure.



Achava pesadão e agressivo, um synth pop extremo, magnífico.



Os caras perpetram a arte do arranjo sincero, gostava de lembrar, sentando em frente ao espelho do quarto. E ia mais longe, mascando BABALÚ FRUTAS FRESH - o pop é um pacotão perfeito de feelings, um pacotão fácil de retirar o papel de presente, um pacotão funcional e fera, um pacotão pra embalar nossas noites adolescentes, dizia Rich, o rico. Rich o rico era rico desde o topete - mas às vezes o loiro lobeca jogava de ladinho, pra se sentir limpo e feliz. Rich era o rico-lulu mas lia livros do espírito coletivo.



Erasure era um grupo do milagre ao mágico no parquinho da alma, para ele. De meia branca esticada avançando a gênese de suas canelas depiladas, ele ouvia os cassettes com afinco, antes e depois do colégio, durante seus intervalos mentais, durante a vida, antes da morte aparecer no telhado vestida de lilás e rodopiando seu perigoso bambolê.





Agora em modo FM coloque seus sentidos para fabricar brincadeira.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

CONHEÇA O ROBÔZINHO XÓPIS!




saiba como identificar um "robôzinho xópis" !

o robôzinho xópis atua em redes sociais, principalmente. 

está sempre conectado. é online pra caramba. é um espécie de maria-de-auditório destes meios de comunicação compartilháveis e curtíveis. 

mas como ele age? 

age como merda.

uma vez criado seu perfil - com uma foto SUPER REAL e muito chamativa - o robôzinho porta-se como puxador de conversa mole. 

quer ser amigo de todos. como não consegue, testa reações: troca de foto a cada dez segundos, buscando poses, maquiagens do espírito e na face. vale tudo, "não estou queimando meu filme, foda-se". 

e o que mais?

bem, o robôzinho xópis é analfabeto e alienado, mas camufla-se de grande defensor da humanidade e de grande causas, causas que irão mudar dentro de algumas cliques.

quer exemplos? 

primeiro ele sonha com um celular de última geração. será que alguém vai se apaixonar por ele porque sua mãe ou seu tio escocês comprou-lhe o lançamento? não se sabe, o robôzinho xópis não sabe o que é afeto de verdade. e na real, depois o que importa é jogar um game de ação nos fones pra não acordar a família - e depois migrar para um discurso igualitário com frases de impacto. 

SIM! o robôzinho de xópis esquece que não tem passado (memória histórica é artigo de luxo) e transmuta-se numa espécie de são francisco de assis virtual -  mas isso enjoa rápido. é só uma fase, poxa. vamos ter mais PODER! então, depois, em apenas sete segundos, ele tem todas as discografias do mundo (e as que serão lançadas também!)!

sim, ele torna-se em poucas buscas um ENTENDIDO daquele estilo musical ultrapesado e cheio de revolta e acessórios.

e depois de comprar uns panos irados e tatuar algo bem legal e ir em shows de bandas que acabaram há 30 anos mas continuam excursionando com os roadies da formação original, ele vai falar de tênis e pírci! 

e depois? depois o papo vai girar em mostarda gringa com patinete motorizado ou naquela receita de sushi, o robôzinho xópis é daóra.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

DEAD HUMAN - COVARDES NO PODER (resenha)





Como diz meu amigo Kriss Silva, vocalista da Violent Illusion: aqui vai um "cros ovo", dos bão destroçar o tempo-insanidade, dilatar o caos. 



Na primeira faixa - com o refrãozão dando a letra sobre toda viagem errada que é resolver uma fita estando armado - a bateria te deixa doidão dos pés aos telhados tortos do cérebro, e o baixo também, mais marcante que o Bukowski tingindo de sarcasmo um bangalô. 



Palhetas ferozes neste registro são fatais. Guitarrão chapulethrash ! 

São as  ferozes palhetadas, colegão, que cospem mini-furadeiras automáticas, que são capazes de perfurar o crânio do tubarão satânico Teobaldinho, que atacou uma galera logo após o incidente fatal do grã fino Bateau Mouche.



Porra bicho: o Riba tem puta vocal nervoso, é verdade.  



Vocal que é um grave-médio possante que vomita areia com sangue na tua consciência bicudada, PRÁU! - nos arredores da arena urbana da discórdia eis o Dead Human , que nos cros ovo do São Carlos te trucida, arrebentando no verbo sonoro e expulsando em fúria sua arte suja e bandida. 

quarta-feira, dezembro 04, 2013

FOLIA PUNK



É um disco esquisito. É que você ouve sem mexer a boca e parece que você está devorando uma suculenta omelete, com generosos pedaços de cebola no esquema.

Folia punk, suas canelas suando, você sentado ou de pé, sovaco comprometido-derretido.

Parece que você está sem sono, são quatro e consoantes bélicas da manhã, na cama - sem sono mesmo. Aí zapeia a tevê, controleando remotamente a fatia dos segundos surge um filme tontão americanóide legendado, você para pra ver essa porra e quando percebe está rindo sozinho, feito otário. Mas um otário gente boa.

Fecha o filme, é outra noite quente, você vai de Rousseau, um otimismo fera invade seus cotovelos cheios de energia, ou choveu na quarta toda, não sei se são as cebolas, mas eu vou, você vai reparando que as melodias agora são mais chiclete, você está curtindo mais, é como aquele sábado noturno - você reúne os amigos, vai rolar aquela festa fera, de praxe, as pessoas seguram os copos desarmadas, espírito macio, e os convidados são formados na irmandade dos dias, e lá está você falando merda e se divertindo à beça com muito pouco. É bacana.

Refrões ventilando o ânimo, paranóia zero, refrões com backings cuspindo alegria, olha lá, fera-nenêm eu sou, até a cadeira dança sozinha, madeira punk róque faisquinha.

É um disco esquisito. Água gelada, água gelada suando no copo. Mas sem halls preto. Você está pogando com o pé direito, marcando o tempo 4X4, olha o ventilador ali no teto, você não pensa, vai e pula e pléu, sua cabeça é danificada para sempre.

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado. louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação. louco por liter...