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Mostrando postagens de Junho, 2014

stupid fingers

Você vê Keith Moon - ele é a música.
Você vê pessoas que querem tocar rápido seus instrumentos apenas pra impressionar - eles não são a música, são as sombras de bronhas institucionalizadas no vazio, esquemáticas sequências da previsível aridez, ele são fórmulas tristes na calçada de uma vaidade tola, a arte morre.

Enquanto isso, outros dedos existem. Outras aspirações e inspirações convivem, escolhas são sagradas.


Assim, você vê Neil Young - a música é ele, ele é a música.


Assistir um filme porcaria com um chegado, pirando e rindo com a merda da dublagem, sempre tonta e divertida, 100% chulé. E porra, besteirol, taí uma palavra que não dá conta do que é curtir numa nice qualquer babaquice sem compromisso, entre gargalhadas sinceras e sossego hard rock na atmosfera.
Eram dias difíceis. Sem muita grana no bolso, porém com muita gana na alma. Lugares para sonhar acordado estavam disponíveis. E haviam os velhos amigos, grandes parceiros.
E os discos! Sempre os discos pra darem uma moqueta brutal bem na fuça do marasmo. Lentamente tudo ao redor parecia fazer mais sentido. Pelo menos para ele. Fazer ou não sentido, a vida ilógica ou suportável, não havia muita conversa nesse sentido. As sensações eram mais importantes.
O mundo das sensações. Dinamite, sossego, ilhas de preguiça em pernas esticadas naquele domingão duas da tarde. Viajar um pouco, ou rodar pelas ruas da infância, tentar ser uma melhor pessoa e desistir de espancar algum filho da puta. Simplicidades da canção, dias duros e poucas poesia na cidade deserta.

LADO B, ZEBRA PUNK ROCK, COSTA RICA SENSATION

A lógica é um colete de cocô, cocô-lete: veja a Costa Rica sair desacreditada a caminho do Brasil, após perder num amistoso pro Japão.
Então a Copa é realidade: encostado o time aqui no Brasilzão e lá vai ela regaçar Uruguai, Itália.
A Costa Rica é foda pra caralho.

COPA 2014 !

Começou a Copa no Brasil, 2014 lá vamos nós.


Informação é tralha, metralhando a paciência antes-durante-após os jogos.
Todo mundo tem o veículo, o foda é saber guiar.
E com sete horas de atraso, veio a abertura. 

Rolou um jovial jogral envolvendo a Maísa apresentadora, a Glória Maria com a camisa da Portuguesa e a Regina Duarte. Tivemos um adestrador de dóceis cãezinhos distribuindo cartões e dicas pra depois vir a música! É! Com o Ray Charles numa blind leitura para Claudinho e Bochecha, Ray vivo no tecladão CCE, "puro playback" disse o pessoal roqueiro do Jota Quest.
E o Faustão? Magrinho, magrinho saindo do centro do gramado, folia programada, era cuspido fora da nave da Xuxa, pra encontrar com o Gugu de cueca vermelha, tórax sensível que driblou o Fausto e acabou dando selinho no Ricky Martin, que na verdade era o Luciano Huck de mentirinha do Pânico, muito engraçado.
A Fifa ignorou o cientista brasileiro e o exoesqueleto.

Mas a entidade tem um recurso bacana agora, avisando qu…
Numa esquina, o stress no trânsito de Rio Claro ousou apagar a poesia de uma manhã azul, tingida por quentinhos raios solares. 


Em vão: a transmissão da tranquilidade prosseguiria, sem crise. 


Enquanto isso, o silêncio do Centro, oito e pouco da matina - e pelas calçadas acenos de cabeça entre vívidos transeuntes, como se irradiassem sem esforço o mais puro sossego dos dias.

CLASH OF THE TITANS

Final da Copa deveria ser Brasil e Argentina.
Total alegria sudamerica, raça e marotagem, malandragem e o brio do sangue latino deslizando em fúria pelo gramado.
O futebol argentino, quando bem representado, é uma banda agressiva e lírica, une "o acreditar, o fiel empenho", ao mundo milagroso da chuteira hendrixiana. 
E vive a cena: aliando árdua marcação e arte na criação, vibração rock and roll e picardia no palco dos noventa minutas, esta é a histórica e imortal, valente e valvulada seleção Argentina.

LOGO ANTES DO MEIO DIA, RUA 7, RIO CLARO

Rua plana, Rua 7: um casal de vovôs ao vivo na bicicleta.  Os dois flutuando na Barra Forte- ela na garupa de sombrinha... e ele no piloto, cuidadoso, velocidade reduzida, o antebraço destro 100% segurança.
Bela cena, meio dia, friozinho e sol misturados no banquete. 
Uma Sandra de Sá mais idosa tem esta visão bem observada.  Ela acompanha o casal, guerreira, do outro lado da rua, do outro lado da história. Com um big boné descolado, amarelão. 
Outro senhor passa pela sombra e ri, suavão, grisalho e feliz, setentão, alma na maciota.
Horas antes, uma cinquentona disparou: "é meu filho, o negócio é traficar tijolo, aí eu vou ficar RRRRRica, ocê vai ver!".
Assim é Rio Claro, logo antes do meio dia, logo antes da hora do sossego, azul tranquilão o céu.


RESENHA: NIHIL GUN - FUCK CLERKS

Aopa! Chegou o debut do Nihil Gun, banda de Leme, interior de São Paulo!
Registro da resistência, registro da contundência !
Que remexe com o crânio, remelexo revolta DIY, com direito à recorrente audição repeteco!
Afinal, são nove pedradas magistrais que vão renovar você.
É protesto com alma, com vida veia suor.
O punch é terrorista e o verbo-contexto concreto, de senso de humor coerente e chapa quente, aliado ao trampo gráfico belíssimo, corra e compre o seu exemplar, que a tiragem é limitada!
Fuck Clerks é o nome do belo long play, Bolsonaro no pau-de-arara e o gosto de lucidez manifesto.
Integrantes, formação ?
Guitarra-batera-garganta: assim que é bão !
A guitarra suja do Cidão é guerrilha crua, a batera bandida do Joey é pura combustão na rua e o vocal do Madeira é sanguinário, podrão, sincerão.
Eu orço, orço e orço de novo !
Ora você pula, poga, bate a cabeça no muro, canta junto até guspir sangue, dança sem censura e depois sai voando em círculo nóia pela própria imaginação -…