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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

E DE REPENTE RIO CLARO FICOU LEGAL

E de repente Rio Claro ficou legal. É sério.
O céu, mais límpido. As almas, mais leves.
Leitores enfim surgiram, ou saíram da lama da lorota. 
Panelas de pessoas fizeram próqui: explodiram no adeus. Múmias floresceram e migraram para os sagrados recreios da humildade.
As horas abriram mais alegrias. Assim como os beldos-passarinhos, que sem neurose viram a maravilha, voando arrotando bebendo Bavaria bem gelada.


O trânsito, as taxas, os trastes. Todos os problemas tomaram chá de sumiço. O sorriso saiu dos esgotos da mesquinhez, entrou no corpo do povo e todo mundo curtiu muito Rio Claro.

O ANO. ACABANDO.

O ano. Acabando. Como uma dança, você e o piano. O piano sofre de asma, por enquanto. A dança está encerrada. Observados com a lupa do adeus, os últimos acordes do dia 31 de dezembro, porque 2014 nunca mais existirá fisicamente.
Balanço do ano? A corrente que empurra o balanço para o céu está tomando Cerezer. Todos os amigos lúcidos do bairro cometeram suicídio com Balinha 7Belo.
O ano morreu, o orgulho venceu. Materialismo com a japona do upgrade todo mundo curte, né? E as crises de posse inveja estelionato virtual, tá todo mundo peido, ou peidou esta bela e patética sinfonia.
Ontem mesmo. O ano perguntou ao psicanalista se dezembro ainda pode ser considerado um pedaço de tempo. Eu não sei. Ele não soube responder. Quem, o doutor?
Enquanto isso, os familiares estão chegando na sua casa, pés aquecidos e meias limpas. Na minha casa não teve abraço inicial (leseira?) mas teve brinde, timtim, boas festas. Depois o abraço veio, vale a pena.
Importante mesmo nessa altura do campeonato, eu falo …
Quando violão e voz tornam-se o início de tudo.
A mesma coisa. O mesmo fim.
Entre Gil e Cash, entre um lá maior Strummer disfarçado em Billy Bragg, o instrumento imortal: seis cordas no coração alma de quem canta.

punk 77

Eu escutava o espírito do Punk 77 todos os dias.
Por todos os cantos, a caminho do trabalho. 

Antes de atravessar a Praça Central, ao meio dia, trânsito morno, atravessando a rua desligadão do concreto, apenas dentro de um dia de semana comum.
E lá reverberava o som: ele era o trajeto.

Distraído, o som no estéreo da memória revolvia naquelas bandas inglesas, puro rock and roll, bandas crássicas munidas na simplicidade, honestidade e crueza - que terreno fértil.
O tempo disparando rumo ao silêncio final enquanto riffs pra lá de empolgantes e tão primitivos, a esfera visceral da arte, tão viciante, natural e transparente como o blues, entre bares e hospitais repousa a estrutura básica dos três acordes que impulsioram o mundo.
O cotidiano sem o Punk 77 pode ser uma verdadeira lástima. Eu vivo o Punk 77. É claro que às vezes dou um tempo no processo da audição, vou pra outras e muitas outras paisagens. Embora, é inevitável - como se fosse infalível o regresso, para escutar a alma daquelas batida…