sábado, maio 30, 2015


O primo vem da cidade grande contar os causos.

Ele vem lá da terra onde um monte de gente mora, onde tudo é concorrido.

Lá tem arranha-céu, gira-gira pelo ar dos polícia.

Tem arte de grafite colorida nos viadutos, debaixo da ponte onde almas invisíveis são tratadas como tolete.

Esse tal de street art chegou atrasado, será? Parece que o pessoal burguês adora tapear o tédio em atividade lúdica 2 banhos antes da janta, tentando ser bonitinha e namoradeira, mas que é menos inspirada que a dança dos dedinhos da Eliana, a nora do Balzac inofensiva, sou mais mandiopã.

O primo diz que lá tem peça de teatro.

Aqui no interior tem teatro também mas não tem peças chique com ator famoso.

De vez em quando tem aqueles comediante que aparece na Bandeirantes.

Eu não sei não, mas o que a cidade grande tem de poluição e lixo no ar aqui tem de mania de se diminuir.

Se alguém chega falando que é de São Paulo a pessoa fica de quatro e começa a latir. Tadinho dos cachorrinhos.

Tim Maia odiava arte preguiçosa.

Paulistano não suporta quando a Dutra tá impossível, meo.

Voltaire renova com o Palmeiras.

Atinjas as pessoas, Xerxes.

Se por pra fazer ruim, faça só o cocô diário: basta.

Medíocre é estranhar violência em lugares chiques.

Queria ver uns arranha-céu em Rio Claro, mas melhor não né, que o Horto foi vendido pro Beto Carreiro Show. Vamos ter boi sendo esquartejado e servido nas escolas públicas, lanche de sexta-feira.


NOITADA LÓQUE

Agora o Bruno Lóque não acorda.

Jogadão no colchão, o malandro morreu.

Que noitada!

Ressaca mega drive com Originais do Samba.

Noite passada narrou céus de carne e afeto.

Muitos galanteios, muita galhardia.

Bebeu do scotch ao sereno veneno de rato dos novos punks ali no coração do Posto Confiante, na Avenida Sete.

Convenceu donzelas de que o tempo escorre como Peter Tosh brincando de ska, surfando lentamente num marzão de tato e malícia.

E língua e beijo estenderiam sua poesia. 

Era o Bruno no recado, mão na feminina nuca, olharzinho de viés  cínico-apaixonado. A morena apertava um abraço gostoso, cangotes em lírico almoço, de talheres olfativos.

Ê Lóque...

Anunciado, alcançou o acesso aos alambrados da alegria.

E o Bruno faturou até uma briga, inclusive.

Veio a turma do deixa disso.

Deram a letra que o negrão derrapara, houve então ali uma disputa, parece que a donzela era bem casada com um dono de caminhonete equipada.

Separa daqui, separa de lá, o Lóque continuou sorvendo sua caipirinha (cortesia do garçom Isaías do Chope e Cia). E enfim: o malandro do Lóque nem precisou apresentar o canhão.

Sorte do boy: a donzela não tinha namorado nem namorada não, muito menos casório contraído.

O boy racista, no entanto, levou uma bifa no meião da fuça.

Caiu de bumbum abaixo, ardido o tombo, costas sujas e seu olho encheu-se de sangue, caídão como boy no púfi do adeus e ali desfragmentado na Rua 2 estava mesmo era difícil de brincar o zape zape agora.

quinta-feira, maio 28, 2015

SNIFF SICHO

O Salsicho se enfezou com o Tárçio. Rabiscou o caderninho dele, pra ele deixar de ser retardado. Só que o Tárçio contragolpeou sujo, deu aspirina tcheca pro tartarugo do Sicho, que ficou schizo setembro limbo e boatos sobre o suposto suicídio do Salsicho, só um supositório.

BRUNO LÓQUE NÃO MORREU







Disseram por aí que o Lóque se aposentou.

É mentira.

O malandro do Bruno Lóque ainda é e sempre será o personagem vivo nas aventuras da velha Rivers.

Lóque é o sujeito folgado canastrão: vive de favor, é abusado e sempre descola uma sinfonia sossegada pra se dar bem.

Vira e mexe abraça uma morena no Chope & Cia, fila um rodízio na faixa em alguma churrascaria grã fina, saboreia um subway, e ainda por cima volta maroto pro seu mocó, sempre sem dar muita bandeira. O Lóque é lépido mas é tranquilo, é ligeiro e confia no seu taco, os trouxas tropeçam de inveja.

Negrão que mescla Hendrix com Marley, Bezerra com Miles, santo sangre y maldito na velha terrinha. Linha de frente, o larápio pós-serenata chega junto. Fala no ouvido delas, fala doce, fala manso. Não é um mero conquistador. É traquejado. É romântico. Ensinaria o Álvares de Azevedo a trocar aquele platonismo brocha por uma coisa mais brejeira, as loucas bonitezas do asfalto brilhariam na lírica do tuberculoso.

Aopa, e assim ele gira a alegria: ele tomba sua gelada todo relax, levanta um tostão com os trambiques transformers dos dias: biscatezinho, aquele bico aqui de pedreiro metafísico das cinquentonas, aqui e ali ele dança o verbo em relações públicas de pessoas aleatórias, e ainda passa um fuminho pra playboyzada. Porque o Lóque é estilo, o resto é vida programada, é seguir o cortejo dos vencedores de merda. Bruno Lóque é antes da vanguarda, é o vadio sonhador, que venceu Deus antes do verbo parir suas meias verdades.



domingo, maio 17, 2015

três da tarde na velha rivers



Entro na Padaria Veneza.

O pedido?

Dez pães.

Dez pãezinhos, pra deixar mais tranquilão o dia, a cidade nas mãos.

"Você espera que daqui a pouco já estão saindo? Você pode esperar uns minutinhos? ... uns 5 minutinhos?"

"Opa."

"Quer tomar um cafezinho?"

"Não, brigado".


Passadas duas semanas, cadê o pedido?

Nada.

Duas semanas!

Eu ali parado, calça jeans procura trocadilhos, eu estou pausado das pernas na mesma Padaria Veneza, cadê os dez rangos - mas pois parece que não haverá festa...desisto de esperar mais sete horas. 

Porque os pães não apareceram, não caíram, não vieram, não voaram no pacote que é papel de pão, puxa vida mas que falta de sorte.


Então paguei no caixa - rápidas notas de dois reais e voltei, voltei pra casa.

O céu azul, as nuvens macias.

Meu humor transbordando cachaça sem árco, tudo nos trinquis, tudo tanque traque traque sossego.

No noticiário estampado na placa do ônibus na Avenida 11, tudo indica que no meio de briga de foice pró-rocha, tiroteio no leste europeu, dor de dente, Kerouac ouve aquela velha melodia bird birdesca inspirada, mochila podreira nas costas, um golão de existência no meio da rua, atravesso, olha lá o café é o que é, três da tarde.

sexta-feira, maio 15, 2015

o rei is gone

o reis is gone.

profundos sinais de tristeza, melancolia...o rei está vibrando.

bends ou vibratos, o estilo de fino trato, lucille, o precoce rei, rock me baby, é, o rei is gone.

aos 89!

89 é número especial demais, para mim.

o rei está passeando longe de édipo fortunato, está nas alturas do coração da rapaziada mãos labuta, perto daquelas tão graciosas damas de sua infância, das senhoras elegantes amigas de sua mãezinha, slow blues embebido na nota certa, sempre ela blue note ou não, era dele, o eco, sua nota. 

o rei se foi, e nós vamos sentir a falta do rei, mas do rei lá do começo, não da origem, não do início, somos aquela geração perdida do começo do mundo, do começão com gostão de liberdade pelo varal, pelo teu carisma infinito, minimalismo tu és, B.B. King.

segunda-feira, maio 11, 2015

DERRAPANTES DESlizaremos: RESENHA KROKODIL - KROKODIL (2015)

Numa voadora você viaja para o tapete estético deslizante noise chapo-visceralizado, organismo vivo triataque ebulição crunch: a capa é foda o disco é foda, o KROKODIL kerosene frita.

Fones fervem em Fuerza. Cadênci ass... linhas vocais e cozinha delirada contrastes espirrando lava em slow.

Esferas dopadas em frequências lentas e altas em cada segundo.

Adjetivar o próprio cíclico movimento é tornar-se krokodil.

Pelos pés veja, olhe abaixo, atravesse: pisar pedais planar na plenitude - pés travessia por baixo mesmo, de outro caos insurgente, crívido-tatuado-transfernal das artérias doentes do meu pulmão cada faixa renascerá, do seu paladar lisérgico com fuzz e tremular de gogh granuladão flanando o gás porão, nas alturas das texturas do trio em 2015 o disco não se encerra, jamais, entrevas entreveras dunas seremos simplesmente monolíticos riffs tão fugidios ou bends malditos?


domingo, maio 10, 2015

4 WAY SPLIT: NIHIL GUN/ARTIGO DZ9?/GROTESQUE/SMONERS



Por uma causa real. 

Quatro bandas, quatro forças em um registro histórico.

Trata-se do “4 WAY SPLIT: NIHIL GUN/ARTIGO DZ9?/GROTESQUE/SMONERS".

Se você não ouviu, ouça. Você precisa ter essa maravilha na sua coleção.

Trata-se de um CD BENEFICENTE. 

Iniciativa solidária cooperativa entre bandas e selos, como a contra capa adverte.

Aqui o underground vive, segue adiante, o underground é gigante.

Veteranos, climão de irmandade total.

São quatro bandas que deixam o interiorzão   com gostão de liberdade, de alma libertária, sempre.

Comecemos pelo Nihil Gun.

A postura da banda é diferenciada. Veterano no underground, o batera Joey ataca a batera e grita, os caras fuzilam e você cantará aqui clássicos registrados ao vivo, como “Fuck Clerks”, “Revolta dos Coxinhas” e “UFC HC” e “Palestina Livre”. 

Um socão no marasmo, uma banda incendiária, marginal, de verbo voador, resistência e humildade na terra.

Depois vem o Grotesque e seu punk podrão imortal. Você vai se amarrar.

Quatro chefias conscientes e disparando clássicos aqui em versões ao vivo.  “Cabeça de pano”, “Liberte-se” e “Metaleiro”, só pra citar alguns. 

Viciante.

É um punk rock real, punk da periferia, como diz o Régis. É do caralho. Marlão espanca a batera, Sandro destrói na guitarra e o carismático Régis detona no baixão. Tubarão tem um dos vocais mais fudidos da história do punk rock, muito antes da Revolução Francesa dar as caras. 

Registro histórico.

Na sequência, o Smoners.

Das bandas mais antigas da cena, na ativa, resistência nas veias. 

Inclusive em recente pesquisa o chefia Edinho Muller foi considerado um dos sujeitos mais gente fina de todas as galáxias.

E sempre quebrando tudo, punk rock pilhadão, sensorial-consciente, a munição insurge preocupada com o mundo, das árvores ao cárater “presepário” de pessoas especialistas em hipocrisia. 

O trio destrói, alternando vocais masculinos e femininos,aqui o punk rock é frenético e o repeat torna-se necessário, confira e pogue, pogue e depois pogue novamente, é o pogo. Vida longa ao Smoners.

Pra fechar o histórico split temos o destruidor Artigo DZ9.

De Agudos, demolidor.

Letras libertárias, sonoridade altamente viciante, inconformismo reluzente na madrugada dos dias, um timbre geral que deixa você desperto, vivo, sinfonia da empolgação tupá tupá, destaque para o destaque – o Artigo DZ9 é uma banda fudida demais!

Então fica o recado: se você não tem esse cd você vai perder uma parte importante da sua existência.

Ouça, compartilhe, compartilhe com os amigos, participe, quebre as pérfidas dominações do senso comum, devaste tudo aquilo que nos oprime, aliena e diminui. O poder é nosso. Unidos somos unidos cada vez mais unidos. O underground é você.






quinta-feira, maio 07, 2015

O CANSADÃO PRÓFI E O VETERINÁRIO SÊNIOR

Ele tristonho sem pausa, mais de vinte anos pelo amor, pura devoção ao ofício, veterinário, psicólogo das feras, cirurgião, separa-briga, pensante velador pelas ferinhas durante aquelas tensas vigílias de maio, e o sono, como dormir se as olheiras os olhos, o sono vazou pra Venezuela, Caracas! Ele e o professor estão no stress, muita tarefa responsa e prazos planilhas de xixi, é dormir mais e curtir mais a própria diversão, que magrinha ela virou é sopinha de birra.

segunda-feira, maio 04, 2015

O governador do Paraná foi morto pelo gigante Polastra na manhã deste domingo



É manhã no Paraná. Enquanto de roupão amarelo as mãos trabalham carinho em seus sete pit bulls de roupão amarelo, Beto Richa no zape zape mandava um coraçãozinho fascista para o soldado Salsicha. 

Era a cena da cozinha, poder e glória, nariz empinado jogando proletárias-migalhas aos animais 'treinados' e sedentos por professores - e foi aí que o  Polastra apareceu de dentro do micro-ondas, pu pescoço pulo no pescoço pedaço partido do pillantra, os pit bulls desabaram fora, com medinho os bulls correram pra curtir piada do Danilo Gentilli na sala, enquanto o Polastra serviu-se de garfo e faca e conduziu o restante daquele banquete tão desejado pela terra. O governador estava sem cabeça novamente e o Polastra engatou o pinote pela porta da frente, falou.


Reações na rede social Netfolia:

"Não justifica o ato, não deve matar o filho da puta, só dar um susto". Giorgia Amansos, socialite-diva num relacionamento de merda

"Eu estou cagando pro pessoal da Nova Zelândia" - Espérto Bobo-Gluteos, bunda mole frustrado, cheião de acefalice infatilóide júnior com seu login coxinha

"Xou" - Xuxa Xaxa, cover da apresentadora-e-filha que faz sucesso em casas noturnas do interior paulista



sábado, maio 02, 2015

ESPALHA


Rever um amigo de verdade, espalhar risadas. É, é. Devem ser contagiantes, conforme se vê, que até a cortina do quarto contaminada de rumo hilariante, viu? Ela balança no chicotinho balançou com gargalhão, olha lá ela, são risadas que cabem numa caixa de bis - e que tem gente até que peida vibra no riso o peido saindo pelo pescoço, suando a canela, pela cabeça produz fumaça e mais e mais risadas. Parou de rir pra respirar, o Gonzaga: engasga e tosse, risadas entre amigos, quanto riso espalhado no quarto, pena: o amigo vai embora. Embora no carro rindo e caçoando da seriedade, e lá no quarto espalhadas as risadas garantem que o bom humor permanece, percebendo novas vozes da folia, um assobio do cu virou pum agora-agorinha.
E o pastel está de volta.

Rio Claro feliz.

Ofuscar a alegria agora está fora do cardápio.

Tentaram esmagar o charme da Feira do São Benedito, tentaram.

E então a população partiu pro pau: as avenidas, as barricadas, o verbo rugiu o protest and survive explodiu na alma da revolta coletiva e pronto: o esquema da folia voltou ao lugar.

Agora o sábado na Avenida 13 é especial, a manhã de sábado feira-e-sol é perfeitamente possível.

Com o pastel o povo é pleno. São mordidas apimentadas que deixaram o vovô voando, as varandas perto do Jangada ganharam mais prosa e o mundo virou carne móida com queijo, anota aí: não viva sem comer o pastel!

GARRAFA VAZIA - BACK TO BACANA (DISCO COMPLETO)


Aperte o play e boa diversão!

Gravado no final de 2014 na casa Pé de Macaco em São Carlos, com capa de Luiz Berger.


OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...