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Mostrando postagens de Julho, 2015

FROLINI IS DEAD

Ando aborrecido.
O Frolini, tão valoroso supermercado da imortal Rua 8, cerrou as portas.
É, o Frofrô foi pro brejo.
Beijou a morte, estará ausente naquela bela manhã de terça, para que Lurdinha alcançasse seus iogurtes de pêra.
A fila do pão? Virou um grande nada. Filão fantasma.
O pão de queijo quedou-se. Bolinho de arroz idem.
A pizza e os pedidos, tão concorridos. Os refrescos. Tudo virou fumaça, e não é de crack.
Os corredores vão sendo apagados aos poucos, assim como as compras, caixa rápido... Empacotadores parceiros em suas ágeis magrelas, devidamente uniformizados - agora desempregados, jogando PS e vivendo de favor na casa do Glauco.
Até modestos cadernos no Frolini eu comprei, para o meu deleite.
Biscoitos, desodorantes, perdidos agora na memória. Café, legumes, todos tristes em algum limbo dos produtos preteridos.
E detalhe: Frolini não se despediu adequadamente.
Primeiro sumiram os funcionários. Depois as prateleiras praticaram redução do estômago.
Enfim, é o fim: Frolin…

ÉPICA TERÇA-FEIRA NA ROÇA

Tem a terça-feira.
Cidade de Rio Claro, terça-feira noite da zuera mental em tranquilas peregrinações, de mãos nos bolsos vamos curtindo as calçadas, curtindo as piadas, ruas vazias entre as sugestões sagradas em cada esquina derretida onde os postes pernoitam sem maiores problemas.
Tem a terça-feira na roça, chefia: nas ruas de Rivers vamos de gratuita sinfonia, grandiosa, dedéu-divertida.

ELA CHEGOU

Quando ela vem, é massa.
Ela aparece e cresce, e na galera acontece: a grande e forte zoeira.

Será coceira na beira do abismo?
Será o cochilo do bispo, a maionese arisco vencida e infectando o pulôver do xerife?
O certo é que ela chegou, Roberto: zoeira tagarela, olha ela.

JANDIRA, OLHA O SERENO, JANDIRA

A Jandira é o buço vigoroso, é a banha banhando pelanca é o braçola bíceps molenga, é o buço tingido de leite.

Leite de caixa. Natas? Detesta, despreza. Leite tem que ser quentinho, ela divide com o gatinho.
Sereno é uma companhia e tanto.

Pretinho e fofinho, ele é gordinho: gatinho pulinho groselha que não conhece o espanto.

Percebe os dias em passos pisos puros, límpidos, descansadinhas as pegadas, pegadinhas e depois deitará ronrom - ronrona na coberta verde - olha aí ela: é a Jandira satisfeita, refeita, deitada cobre de carinhos a carinha do gatinho, e ele ronroninho, depois boceça largo e eterno,  um quentinho coração de calmaria, minha nossa.

ESQUEÇA O OMBLIGO

meu amigo, meu amiguinho: esqueça o umbigo, esqueça o ombligo.
entregue-se ao herege exercício dela, da folia, danada.
gambiarras de folias, florestas abertas de folia gerando serestas, domingão é rio claro, Coreto armoço corotinho, fofoca fumegando é a roça em festança, festa cadeirinha de ferro mesinha-família garimpando loucura, abre a boca Beth: espetinho frango assado Vicente Celestino, dedilhados, violão não é corda de aço, é náilon, olha o gogó dele, Nair. 
E as senhorinhas lentonias balançam as cabeçolas, cantarolando na paz. Peace e palminhas, ritmadinhas. E mais cervejinha. O bucho e a linguiça, a folia ali derramada na praça, é de graça, maltrapilhos não disfarçam, com seus pares fantasmas, desprovidos de asmas, o passinho é apaixonado, é ritmo, é folia no ar, percebe?

AQUELA VELHA ESQUINA

É.
É.

É uma vida só, Soares.
Alguém ligou a porra da ampulheta no meio do mergulho.

Uma vida só. E você brinca. Você brinca com o tempo, se quiser.

A discussão vai girar em torno de Rio Claro.

Nesse momento Muddy Waters está dormindo.
E a Avenida Sete e Rua 8 estão conversando.
Tome essas linhas. 
Imagine dois amigos, amigos de anos e bons momentos de diversão e terna camaradagem, chapas trocando uma ideia bacana no degrau de uma loja que fechara às seis da tarde. 
Agora a rua é calma, a rua abre um relógio que aponta sete e meia, sete e meia.
A esquina conseguiu buscar vida e vagarosamente trouxe bastante.

Aquela velha esquina noturna, muitas vezes silenciosa e taciturna, sabe?

Aquela velha esquina, onde apressados carros abrigam motoristas que estacionam mal pra caralho e saem bufando "estou acima do peso",  onde gírias mulecotes larápias e lisas deslizam como "e aí cachorrão - eu já fui preso quatro vezes esse ano", onde madames ou múmias que não conhecem garis pelo nome pa…

DE DOMINGÃO O BIG BAR DEITA UM COCHILÃO

Aos domingos o Big Bar descansa.
Afinal, o templo precisa de mini-férias.
Pobre Rio Claro: então o Centro morre - a Rua 8 para, a Avenida 7 estanca.

Descanso merecido.
Porque Big Bar é foda.

Abriga existência crua, faísca e fogo em cada pedaço do piso, da parede.

O climão é de vida solta.


E o detalhe importante é que os atendentes são profissas: nem xaropes, nem amigões de mais (invasivos?) - os caras são fodas, sintonia total.
Ao adentrar o cliente chapa com o american bar, cardápio generoso parindo lanchão nervoso, chapa quente derretendo napas, é o mundo de biritas aliado ao conglomerados de  várias telas estratégicas pra ver aquela futeba na responsa.
Eu vou bastante lá com o meu primão, o Casão.
Mas o Big Bar não era bem o assunto.

Mas quem precisa de assunto?
Quem precisa de fluxo?


Precisamos é de vigor.

Persistência e vigor, sempre.
E foda-se.