quarta-feira, agosto 30, 2017

ANSIOSO

Quando moleque, com a sola do chinelo eu chutava o céu, eu tava curtindo as férias da quarta-série, zero preocupação na cuca.

No fundo de casa tinha um balanço. Tinha tranquilidade naquele oxigênio, naquelas cercanias do sossego. Entã era o balanço. Madeira, o assento. As mãos segurando firme a corrente, pernas pro ar turbinando sonhos de pirralho ansioso. Ansioso. Desde sempre, ansioso.

quinta-feira, agosto 24, 2017

Uma formiguinha de calça jeans, descamisada.  De voz molenga, solicita uma Kaiser quente, juntinho ao balcão da bravata.

Uma andorinha de raybanzão verde entra em cena.

Vai fumando aquele baseadão 40% já estralado, hell yeah - é fumaça é céu em cócegas - suspensa pelas arturas ela, a alegria, em estado folia-rasante, são três da tarde, você está no Aero Crube de Hell Claro.


E vem o Tortugas, quarta-feira - o exército from Jamaica reunido, anos e anos de brodagem, todo mundo de cabeça feita, pra chinesinhos red eyes caírem no esquemão piada gargalhada, tão sossegada a levada, e ela, gargalhóvisky gargalhante - a gargalhada que ecoa lesada, que ecoa rocambolesca pela belda madruga de Hell Claro.


Saudade estralante no peito, aqui. Forte.

Ontem, eram palhetadas pra baixo, fúria, que me deixam vivo visceral i'm the BASS, o sangue empolgado da caveira aos pés, o pé gelado vez ou outra, a perna suando frio debaixo da coberta, as boas melodias do Face to Face que o pessoal fala “melódico demais”. 

Enfim, punk rock é viver e tomar sete litros de café num gole só!

sexta-feira, agosto 11, 2017

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto.



Espero notas que não apliquem a tortura do tédio. Espero antes aquelas com promessas de vibrarem na positividade total, espirradas pelo recinto numa levada sambarilóvi.

Espero notas reais, que esbocem verdadeiros sorrisos alma adentro, alma afora, porque não existem semáforos, fronteiras, linhas divisórias, só o desejo, invencível.

Espero alguma nota corajosa, que se levante diante do óbvio, que me faça ser mais animadão, otimista num mundo de lama e lorota.


Espero acordes que não tenham medo da repetição, que empolguem meu cabelo, minhas orelhas, espero aqueles acordes que te levam aos lampejos pra bradar de peito aberto, “porra, vamos fazer isso agora?”.


Espero aquele refrão incendiário, talvez escondido dentro daqueles livros que pretendo escrever antes do paletó de madeira triunfar.



quarta-feira, agosto 09, 2017



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É a manutenção.

Tem que seguir, avante - sem medinho, porra. 

Arapuca nasceu? Vão nascer sempre piores.

Saber olhar em perspectiva mais sambarilóvi?

Não. Tem que enfrentar, sofrer - o ringue do risco e da loucura nos espera.


quarta-feira, agosto 02, 2017

voadores



Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.

Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre neurônios, pouco antes da despedida.


O calor é forte agora, rebato o frio sem explicação, não existe apartamento da frase pronta nesse bairro simpático, esculpido cegamente em lama e escondido lirismo, que logo você vai atender a campainha e não há ninguém. Mas o vento uivando nas cortinas que nunca vão aparecer, a mente como metralhadora agora focando o fogo, olhando o confuso horizonte pelas ruas de Riverside. Como um pogo, como uma roda punk devastadora em Americana, o ano era 2000 e barra forte, poça monstra de sangue no chão de um concerto espetacular dos ingleses voadores do GBH.

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terça-feira, agosto 01, 2017



Cidade calma. Calçada morna, pés avante - pisando na maciota,slow down, cimento, calma aí na hora de atravessar a rua, Celsinho. Olhar pros dois lados, mas o olhar sempre é o da esquerda, não tem jeito. Pode pá. Agora sim. Não vá ser atropelado novamente.

Quando você precisa de café, pra combustão. Pro enfrentamento. A Cássia fala para a sala sobre o novo misturador de concreto. É, acabou de chegar. Novidade no mercado. Alguns puxam conversinha paralela, são três alunos que tão pouco se fodendo. A teacher sente desleixo escorrer do teto. Então, a Cássia olha torto. Um deles já se ajeita, liga o desconfiômetro e fecha o bico. Mas a duplinha continua tagarela. A Cássia vai zoiando torto, ergue o braço. Estica, indicando rua com o indicador, dedo presença.

Cabisbaixos, os alunos pagam de loucos. Ela grita. A dupla vaza. A aula continua. No recreio vão todos pra lanchonete Balzac.



OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...